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100 anos da soja no Brasil: da introdução ao protagonismo mundial

Com mais de um século de cultivo no país, a cultura teve seu início comercial no Rio Grande do Sul e passou por transformações significativas até alcançar a posição de destaque que ocupa hoje no agronegócio mundial.

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Carro-chefe da produção agrícola nacional, a soja consolidou o Brasil como líder global na produção e exportação do grão. Com mais de um século de cultivo no país, a cultura teve seu início comercial no Rio Grande do Sul e passou por transformações significativas até alcançar a posição de destaque que ocupa hoje no agronegócio mundial.

A Embrapa Soja destacou essa trajetória durante o Show Rural Coopavel 2025, realizado entre os dias 10 e 14 de fevereiro, em Cascavel (PR), por meio de uma linha do tempo com as principais cultivares desenvolvidas ao longo das décadas. A exposição enfatizou o papel fundamental do melhoramento genético na adaptação da soja às condições tropicais do Brasil, um fator decisivo para o sucesso da cultura no país.

Chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno: “A soja é a alavanca do agronegócio e da economia brasileira, e isso foi possível graças aos cientistas, técnicos e produtores que fizeram um trabalho de excelência” – Foto: Divulgação/Embrapa Soja

A introdução da soja no Brasil remonta a 1914, para testes, e a partir de 1924 o cultivo comercial do grão foi iniciado em Santa Rosa (RS). Antes disso, no século XIX, houve uma tentativa de plantar soja na Bahia, utilizando sementes trazidas dos Estados Unidos. No entanto, os materiais disponíveis à época eram adaptados a climas temperados e subtropicais, resultando em uma experiência sem sucesso.  Somente com o avanço da pesquisa científica e os esforços de instituições como a Embrapa, a soja passou por um intenso processo de tropicalização, permitindo sua expansão para outras regiões do país. Porém, a soja obteve importância econômica somente na década de 1960, época em que teve um rápido crescimento do cultivo.

Embora tenha sido domesticada há cerca de quatro mil anos na Costa Leste da Ásia, a soja cultivada atualmente apresenta diferenças expressivas em relação à sua ancestral chinesa. “A soja semeada atualmente tem a constituição genética da China, mas ela é diferente tanto em aparência quanto em características morfológicas e de produção”, explica o chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno.

Até o final da década de 1970, os plantios comerciais de soja no mundo se restringiam a regiões de climas temperados e subtropicais, em latitudes próximas ou superiores a 30º. No Brasil, os produtores utilizavam cultivares importadas dos Estados Unidos, adaptadas apenas à região Sul. Essa limitação foi superada com as pesquisas da Embrapa, que desenvolveu variedades adequadas às condições tropicais, permitindo a expansão do cultivo da oleaginosa em todo o país.

Desde a introdução experimental da soja no Brasil, diversas cultivares foram desenvolvidas para aumentar produtividade, adaptabilidade e resistência a doenças. A Embrapa Soja teve papel fundamental nesse avanço, desenvolvendo cerca de 440 cultivares nos últimos 50 anos. A instituição investe tanto em variedades convencionais resistentes a pragas e doenças quanto em cultivares geneticamente modificadas, adaptadas ao uso de herbicidas e ao controle de insetos.

O avanço genético e a adaptação da cultura foram determinantes para que o Brasil se tornasse referência na produção de soja. Hoje, o país não apenas atende à demanda interna, mas também exerce papel estratégico no abastecimento global de grãos, reforçando sua importância na segurança alimentar mundial. “A soja é a alavanca do agronegócio e da economia brasileira, e isso foi possível graças aos cientistas, técnicos e produtores que fizeram um trabalho de excelência”, destaca Nepomuceno

Linha do tempo da soja

Engenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia e analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Soja, Rogério de Sá Borges: “Com a expansão da área cultivada, novos problemas aparecem, exigindo que a pesquisa esteja sempre um passo à frente para antecipar e prevenir impactos expressivos no campo” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Ao longo das décadas, diversas cultivares foram lançadas, mas algumas se tornaram icônicas por sua permanência no mercado e impacto na produtividade agrícola. Na exposição da Embrapa no Show Rural Coopavel 2025, foram apresentadas diferentes variedades de soja, incluindo a soja selvagem, que é perene, e a soja Glycine, um ancestral mais próximo da soja cultivada, com ciclo anual. Além delas, também estiveram em exibição diversas cultivares de Glycine max (soja cultivada).

Entre as cultivares expostas, destaque para Amarela Comum, também chamada de Amarela do Rio Grande, introduzida dos Estados Unidos. Essa variedade foi cultivada no Brasil entre os anos 1920 e 1960, sendo fundamental para a expansão da sojicultura no país.

Outra cultivar em demonstração foi a Pelicano, introduzida na década de 1950 e cultivada até meados de 1960. Já na mesma década, a Bragg se tornou uma das principais cultivares utilizadas nos estados do Sul e em São Paulo.

Também foi apresentada a cultivar Davis, que se destacou pela resistência às doenças mancha-olho-de-rã e podridão parda da pressa. Segundo o engenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia e analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Soja, Rogério de Sá Borges, a Davis marcou uma nova fase no melhoramento genético da cultura. “A partir de Davis houve uma preocupação um pouco maior com doenças. Lançada depois de Bragg, já com algumas melhorias sanitárias, essa cultivar tinha mais tolerância a doenças”, explicou.

Em 1966, foi lançada a primeira cultivar de soja genuinamente brasileira com importância comercial: a Santa Rosa, considerada uma das mais relevantes da história. E na década de 1970 surgiu a cultivar Paraná, que se destacava pela arquitetura das plantas e pela precocidade para a época.

Com a criação da Embrapa em 1975 foi iniciado um programa de melhoramento genético na instituição. No começo da década de 1980, a Embrapa lançou sua primeira cultivar própria, a BR-16, desenvolvida a partir de cruzamentos realizados no campo experimental de Londrina (PR). Com genealogia associada a cultivar Davis, a BR-16 teve grande sucesso até os anos 2000, devido à resistência a podridão parda da haste e ao cancro-da-haste, além da ampla adaptação. Seu plantio foi recomendado para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, até Minas Gerais, contribuindo para a expansão da soja no país.

Nos anos 1990, o foco foi a busca por qualidade fisiológica de sementes, resistência a doenças e precocidade. Nesse contexto, se destacaram as cultivares Embrapa 48 e BRS 133, resistentes à pústula bacteriana, mancha olho-de-rã e cancro-da-haste. Identificado no Brasil em 1989, o cancro-da-haste causou perdas de até 100%, forçando a retirada de cultivares suscetíveis do mercado. “Foi necessário fazer toda uma reconversão das variedades disponíveis, já que praticamente todas eram suscetíveis à doença. Como já havia programas de melhoramento estruturados, a resposta foi rápida. Esse avanço foi primordial para que o cultivo da soja não deixasse de existir no Brasil. Hoje, praticamente todas as variedades apresentam resistência ao cancro-da-haste”, afirmou Borges, ressaltando que depois disso o desenvolvimento de novas variedades foi de hábitos determinados.

A partir dos anos 2000, teve início uma nova geração de cultivares, marcada pela introdução da soja transgênica resistente a herbicidas e pela busca por ciclos mais curtos e porte de planta que viabilizassem a semeadura do milho safrinha. Também houve avanços na qualidade nutricional das cultivares.

Dessa fase, se destacam o BRS 232, com resistência ao nematoide de galhas, alto teor de proteína e elevado potencial produtivo, e o BRS 284, que trouxe como novidade o crescimento indeterminado. Com arquitetura diferenciada e ampla adaptação, a BRS 284 foi recomendada para estados como Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, e ainda é cultivada.

Antes da liberação da soja transgênica no Brasil, materiais de uso indeterminado foram introduzidos de forma ilegal, principalmente da Argentina. Esse tipo de soja tem menor sensibilidade à variação fotoperíodo, permitindo que o plantio ocorra mais precocemente. “As cultivares plantadas até então, de hábito determinado, tinham que ser plantadas entre o final de outubro e começo de novembro. Com as variedades indeterminadas, foi possível antecipar a semeadura, e hoje, por exemplo, na região de Cascavel (PR), a soja já começa a ser plantada em setembro”, expôs o analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Soja.

Segundo Borges, com o avanço do milho safrinha, a demanda por cultivares mais precoces aumentou. “Plantar a soja mais cedo possibilitava a colheita antecipada, garantindo uma semeadura do milho antes do inverno, reduzindo riscos de prejuízo e aumentando a produtividade. Esse movimento levou praticamente todas as empresas do setor, especialmente no Sul, a adotarem cultivares de hábitos indeterminados”, contou o doutor em Fitotecnia.

Na década de 2010, o melhoramento genético avançou com a introdução de cultivares mais resistentes à ferrugem asiática, tolerantes a percevejos e de ciclo precoce. Além disso, consolidou-se o uso de cultivares de crescimento indeterminado e a chegada da segunda geração de transgênicos, que combinavam resistência a herbicidas e tolerância a lagartas.

Nessa fase, a Embrapa expôs a cultivar convencional BRS 511, com tecnologia Shield® para resistência à ferrugem asiática, e a transgênica BRS 1003IPRO, que, além da resistência a herbicidas e lagartas, trouxe a tecnologia Block® para tolerância a percevejos.

Nos anos 2020, a BRS 1064IPRO se destacou como uma cultivar de segunda geração de transgênicos, com ampla adaptação para os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Além do alto potencial produtivo, apresenta estabilidade de produção, permitindo semeadura antecipada e encaixe no sistema de  sucessão e rotação da segunda safra. A cultivar também possui moderada resistência ao nematoide de galhas (M. javanica) e resistência à raça 3 do nematoide de cisto, tipo de crescimento indeterminado e elevado potencial de produção.

Atualmente, a soja evoluiu para a terceira geração de transgênicos, com cultivares tolerantes a um maior número de herbicidas, como glifosato, dicamba, 2,4-D e glufosinato de amônio. “Isso ampliou as opções de manejo das plantas daninhas na lavoura e aumentou a proteção contra lagartas”, evidenciou Borges.

Principais avanços da soja

O principal objetivo dos programas de melhoramento genético da soja é aumentar a produtividade, garantindo a sustentabilidade financeira do produtor. Além disso, a resistência a doenças, como o cancro-da-haste, foi um grande avanço para a continuidade da cultura no país. “Sem um programa de melhoramento genético isso não teria se tornado realizado. Se na época em que o cancro-da-haste devastou lavouras o Brasil dependesse de importação, a produção de soja no país poderia ter se tornado inviável. Consequentemente, não seríamos o maior produtor mundial e nem teríamos a relevância econômica que temos hoje, gerando milhares de empregos. Por isso, a pesquisa é fundamental”, reforça o doutor em Fitotecnia.

Cultivares adaptadas impulsionam produtividade da soja

Na década de 1950 e 1960, as primeiras cultivares de soja no Brasil produziam cerca de 1,5 mil quilos por hectare. Hoje, a média nacional já chega a 3,5 mil quilos, com variedades que podem atingir entre 5 mil e 6 mil quilos por hectare. Esse avanço foi possível graças à pesquisa científica e ao melhoramento genético, tanto pela Embrapa quanto por empresas privadas. Além do aumento de produtividade, a adaptação da cultura a diferentes regiões foi que permitiu a expansão da soja para o Cerrado.

No Mato Grosso, maior produtor do país, cultivares desenvolvidas para o Sul apresentam baixa adaptabilidade. “É essencial que os programas de melhoramento genético selecionem materiais com características específicas para cada região”, argumenta o engenheiro agrônomo. Esse processo, conhecido como tropicalização da soja, possibilitou a produção em áreas antes consideradas inviáveis. “Originalmente, a soja era cultivada em latitudes próximas a 30ºC. Hoje, já há produção até em Roraima, próxima à linha do Equador”, completa.

Desafios atuais

Atualmente, um dos principais desafios para a sojicultura são as condições climáticas adversas. As perdas por seca e estresse hídrico são cada vez mais significativas, exigindo respostas rápidas da pesquisa, com o desenvolvimento de cultivares mais tolerantes à estiagem e resistentes a temperaturas elevadas. “O produtor tem grande expectativa por cultivares com essas características. O melhoramento genético segue avançando, seja por métodos tradicionais, transgenia ou edição gênica, para atender a essas demandas”, ressaltou o especialista.

Além da adaptação climática, outro desafio é a qualidade da semente e da soja produzida. Nos Estados Unidos, há um movimento crescente para o desenvolvimento de grãos com alto teor de ácido oleico e baixo teor de ácido linoleico, resultando em um óleo de melhor qualidade. Essa evolução também está ligada ao uso da soja para biocombustíveis, incluindo o combustível de aviação. “Essas mudanças envolvem uma adaptação no perfil tecnológico do grão. Se não acompanharmos essa tendência, corremos o risco de que a soja brasileira perca competitividade no mercado global, tornando-se um produto de segunda categoria enquanto outros países lideram a produção de grãos com maior valor agregado”, alerta Borges. Segundo ele, o Brasil já está se antecipando a esse movimento, desenvolvendo materiais com perfis diferenciados de óleo e proteína, essenciais para se manter no mercado internacional.

Somado a  isso, nos últimos anos a cultura da soja passou a enfrentar novas doenças e pragas. A ferrugem asiática, por exemplo, foi identificada no Brasil pela primeira vez na safra 2001/2002 e hoje é uma das principais ameaças à produção. Outra preocupação crescente são os nematoides, que se espalham rapidamente e desafiam os produtores diariamente. “A pesquisa precisa oferecer soluções tanto em melhoramento genético quanto em manejo. A indústria busca alternativas com novos produtos, mas os desafios surgem continuamente. Com a expansão da área cultivada, novos problemas aparecem, exigindo que a pesquisa esteja sempre um passo à frente para antecipar e prevenir impactos expressivos no campo”, frisou Borges.

Importância do vazio sanitário

Para reduzir a incidência da ferrugem asiática, foi instituído o vazio sanitário, período sem cultivo da soja para evitar a chamada ‘ponte verde’, que favorece a sobrevivência de pragas e doenças. “Os fitopatologistas identificaram que a ferrugem da soja não sobrevive por muito tempo nos restos de cultura. Com três a quatro meses sem soja, o inóculo da doença reduz significativamente. Assim, mesmo que a ferrugem reapareça, ela demora mais a se espalhar, permitindo menor necessidade de aplicações de fungicidas”, detalha o profissional.

O uso excessivo de defensivos acelera a seleção de indivíduos resistentes dentro da população de fungos. “Cada aplicação pode selecionar organismos que sobrevivem ao produto, tornando o controle menos eficiente ao longo do tempo. Por isso, é essencial combinar manejo adequado com controle químico, preservando a eficácia das ferramentas disponíveis no mercado”, acrescenta Borges.

Estratégia do refúgio estrutural

Na transgenia, é recomendada a semeadura de 20% da área com cultivares sem o gene BT, estratégia conhecida como refúgio estrutural. “Isso permite a reprodução de lagartas suscetíveis, que cruzam com indivíduos resistentes ao BT, retardando o desenvolvimento de populações 100% resistentes”, esclarece Borges.

Ele alerta para o risco de perda de eficácia dessa tecnologia, como já ocorreu com variedades de milho BT. “Sempre haverá indivíduos resistentes que sobrevivem ao consumo de soja BT. Se toda a lavoura for transgênica, esses indivíduos resistentes cruzarão entre si, gerando descendentes totalmente imunes à tecnologia. O refúgio mantém uma população suscetível na área, prolongando a vida útil da tecnologia”, frisa o doutor em Fitotecnia.

Destino da produção de soja

A maior parte da soja produzida no Brasil é destinada à alimentação animal e à indústria de biocombustíveis, setor que vem ganhando participação. “O segmento de soja convencional, não transgênica, para consumo humano ainda é pequeno, mas a Embrapa mantém um programa de melhoramento genético ativo”, comenta Borges. No entanto, a commodity transgênica domina o mercado, principalmente na produção de ração.

Coleção com 65 mil tipos soja

As sementes das 16 cultivares de soja expostas no Show Rural, fazem parte do Banco Ativo de Germoplasma (BAG), uma coleção de aproximadamente 65 mil tipos de soja introduzidos da coleção dos Estados Unidos e de outros países da África, Europa, Ásia, Oriente Médio e Oceania. O BAG, mantido pela Embrapa, é responsável por guardar a variabilidade genética da soja. Quanto mais acessos diferentes e caracterizados, melhor é a utilização nos programas de melhoramento para desenvolvimento de novas variedades.

O acesso à edição digital do Bovinos, Grãos & Máquinas é gratuito. Para ler a versão completa on-line, basta clicar aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China

Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

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Foto: Maurílio Fernandes de Oliveira

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock

O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.

“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa

Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.

Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais

Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

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As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.

Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.

O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.

Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso

Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.

Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.

Economia cresce, mas desafios permanecem

A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.

A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.

Cenário internacional exige atenção

As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.

Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.

Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.

Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.

Logística reversa preocupa empresas

Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.

Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.

Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação

A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.

Fonte: Assessoria Asbram
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Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos

Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

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A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

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O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.

Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.

Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

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incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.

Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário

Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

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O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.

Cinco produtos representam mais de um terço das exportações

Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.

A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.

Fonte: O Presente Rural
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