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100 anos da soja no Brasil: da introdução ao protagonismo mundial

Com mais de um século de cultivo no país, a cultura teve seu início comercial no Rio Grande do Sul e passou por transformações significativas até alcançar a posição de destaque que ocupa hoje no agronegócio mundial.

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Carro-chefe da produção agrícola nacional, a soja consolidou o Brasil como líder global na produção e exportação do grão. Com mais de um século de cultivo no país, a cultura teve seu início comercial no Rio Grande do Sul e passou por transformações significativas até alcançar a posição de destaque que ocupa hoje no agronegócio mundial.

A Embrapa Soja destacou essa trajetória durante o Show Rural Coopavel 2025, realizado entre os dias 10 e 14 de fevereiro, em Cascavel (PR), por meio de uma linha do tempo com as principais cultivares desenvolvidas ao longo das décadas. A exposição enfatizou o papel fundamental do melhoramento genético na adaptação da soja às condições tropicais do Brasil, um fator decisivo para o sucesso da cultura no país.

Chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno: “A soja é a alavanca do agronegócio e da economia brasileira, e isso foi possível graças aos cientistas, técnicos e produtores que fizeram um trabalho de excelência” – Foto: Divulgação/Embrapa Soja

A introdução da soja no Brasil remonta a 1914, para testes, e a partir de 1924 o cultivo comercial do grão foi iniciado em Santa Rosa (RS). Antes disso, no século XIX, houve uma tentativa de plantar soja na Bahia, utilizando sementes trazidas dos Estados Unidos. No entanto, os materiais disponíveis à época eram adaptados a climas temperados e subtropicais, resultando em uma experiência sem sucesso.  Somente com o avanço da pesquisa científica e os esforços de instituições como a Embrapa, a soja passou por um intenso processo de tropicalização, permitindo sua expansão para outras regiões do país. Porém, a soja obteve importância econômica somente na década de 1960, época em que teve um rápido crescimento do cultivo.

Embora tenha sido domesticada há cerca de quatro mil anos na Costa Leste da Ásia, a soja cultivada atualmente apresenta diferenças expressivas em relação à sua ancestral chinesa. “A soja semeada atualmente tem a constituição genética da China, mas ela é diferente tanto em aparência quanto em características morfológicas e de produção”, explica o chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno.

Até o final da década de 1970, os plantios comerciais de soja no mundo se restringiam a regiões de climas temperados e subtropicais, em latitudes próximas ou superiores a 30º. No Brasil, os produtores utilizavam cultivares importadas dos Estados Unidos, adaptadas apenas à região Sul. Essa limitação foi superada com as pesquisas da Embrapa, que desenvolveu variedades adequadas às condições tropicais, permitindo a expansão do cultivo da oleaginosa em todo o país.

Desde a introdução experimental da soja no Brasil, diversas cultivares foram desenvolvidas para aumentar produtividade, adaptabilidade e resistência a doenças. A Embrapa Soja teve papel fundamental nesse avanço, desenvolvendo cerca de 440 cultivares nos últimos 50 anos. A instituição investe tanto em variedades convencionais resistentes a pragas e doenças quanto em cultivares geneticamente modificadas, adaptadas ao uso de herbicidas e ao controle de insetos.

O avanço genético e a adaptação da cultura foram determinantes para que o Brasil se tornasse referência na produção de soja. Hoje, o país não apenas atende à demanda interna, mas também exerce papel estratégico no abastecimento global de grãos, reforçando sua importância na segurança alimentar mundial. “A soja é a alavanca do agronegócio e da economia brasileira, e isso foi possível graças aos cientistas, técnicos e produtores que fizeram um trabalho de excelência”, destaca Nepomuceno

Linha do tempo da soja

Engenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia e analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Soja, Rogério de Sá Borges: “Com a expansão da área cultivada, novos problemas aparecem, exigindo que a pesquisa esteja sempre um passo à frente para antecipar e prevenir impactos expressivos no campo” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Ao longo das décadas, diversas cultivares foram lançadas, mas algumas se tornaram icônicas por sua permanência no mercado e impacto na produtividade agrícola. Na exposição da Embrapa no Show Rural Coopavel 2025, foram apresentadas diferentes variedades de soja, incluindo a soja selvagem, que é perene, e a soja Glycine, um ancestral mais próximo da soja cultivada, com ciclo anual. Além delas, também estiveram em exibição diversas cultivares de Glycine max (soja cultivada).

Entre as cultivares expostas, destaque para Amarela Comum, também chamada de Amarela do Rio Grande, introduzida dos Estados Unidos. Essa variedade foi cultivada no Brasil entre os anos 1920 e 1960, sendo fundamental para a expansão da sojicultura no país.

Outra cultivar em demonstração foi a Pelicano, introduzida na década de 1950 e cultivada até meados de 1960. Já na mesma década, a Bragg se tornou uma das principais cultivares utilizadas nos estados do Sul e em São Paulo.

Também foi apresentada a cultivar Davis, que se destacou pela resistência às doenças mancha-olho-de-rã e podridão parda da pressa. Segundo o engenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia e analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Soja, Rogério de Sá Borges, a Davis marcou uma nova fase no melhoramento genético da cultura. “A partir de Davis houve uma preocupação um pouco maior com doenças. Lançada depois de Bragg, já com algumas melhorias sanitárias, essa cultivar tinha mais tolerância a doenças”, explicou.

Em 1966, foi lançada a primeira cultivar de soja genuinamente brasileira com importância comercial: a Santa Rosa, considerada uma das mais relevantes da história. E na década de 1970 surgiu a cultivar Paraná, que se destacava pela arquitetura das plantas e pela precocidade para a época.

Com a criação da Embrapa em 1975 foi iniciado um programa de melhoramento genético na instituição. No começo da década de 1980, a Embrapa lançou sua primeira cultivar própria, a BR-16, desenvolvida a partir de cruzamentos realizados no campo experimental de Londrina (PR). Com genealogia associada a cultivar Davis, a BR-16 teve grande sucesso até os anos 2000, devido à resistência a podridão parda da haste e ao cancro-da-haste, além da ampla adaptação. Seu plantio foi recomendado para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, até Minas Gerais, contribuindo para a expansão da soja no país.

Nos anos 1990, o foco foi a busca por qualidade fisiológica de sementes, resistência a doenças e precocidade. Nesse contexto, se destacaram as cultivares Embrapa 48 e BRS 133, resistentes à pústula bacteriana, mancha olho-de-rã e cancro-da-haste. Identificado no Brasil em 1989, o cancro-da-haste causou perdas de até 100%, forçando a retirada de cultivares suscetíveis do mercado. “Foi necessário fazer toda uma reconversão das variedades disponíveis, já que praticamente todas eram suscetíveis à doença. Como já havia programas de melhoramento estruturados, a resposta foi rápida. Esse avanço foi primordial para que o cultivo da soja não deixasse de existir no Brasil. Hoje, praticamente todas as variedades apresentam resistência ao cancro-da-haste”, afirmou Borges, ressaltando que depois disso o desenvolvimento de novas variedades foi de hábitos determinados.

A partir dos anos 2000, teve início uma nova geração de cultivares, marcada pela introdução da soja transgênica resistente a herbicidas e pela busca por ciclos mais curtos e porte de planta que viabilizassem a semeadura do milho safrinha. Também houve avanços na qualidade nutricional das cultivares.

Dessa fase, se destacam o BRS 232, com resistência ao nematoide de galhas, alto teor de proteína e elevado potencial produtivo, e o BRS 284, que trouxe como novidade o crescimento indeterminado. Com arquitetura diferenciada e ampla adaptação, a BRS 284 foi recomendada para estados como Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, e ainda é cultivada.

Antes da liberação da soja transgênica no Brasil, materiais de uso indeterminado foram introduzidos de forma ilegal, principalmente da Argentina. Esse tipo de soja tem menor sensibilidade à variação fotoperíodo, permitindo que o plantio ocorra mais precocemente. “As cultivares plantadas até então, de hábito determinado, tinham que ser plantadas entre o final de outubro e começo de novembro. Com as variedades indeterminadas, foi possível antecipar a semeadura, e hoje, por exemplo, na região de Cascavel (PR), a soja já começa a ser plantada em setembro”, expôs o analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Soja.

Segundo Borges, com o avanço do milho safrinha, a demanda por cultivares mais precoces aumentou. “Plantar a soja mais cedo possibilitava a colheita antecipada, garantindo uma semeadura do milho antes do inverno, reduzindo riscos de prejuízo e aumentando a produtividade. Esse movimento levou praticamente todas as empresas do setor, especialmente no Sul, a adotarem cultivares de hábitos indeterminados”, contou o doutor em Fitotecnia.

Na década de 2010, o melhoramento genético avançou com a introdução de cultivares mais resistentes à ferrugem asiática, tolerantes a percevejos e de ciclo precoce. Além disso, consolidou-se o uso de cultivares de crescimento indeterminado e a chegada da segunda geração de transgênicos, que combinavam resistência a herbicidas e tolerância a lagartas.

Nessa fase, a Embrapa expôs a cultivar convencional BRS 511, com tecnologia Shield® para resistência à ferrugem asiática, e a transgênica BRS 1003IPRO, que, além da resistência a herbicidas e lagartas, trouxe a tecnologia Block® para tolerância a percevejos.

Nos anos 2020, a BRS 1064IPRO se destacou como uma cultivar de segunda geração de transgênicos, com ampla adaptação para os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Além do alto potencial produtivo, apresenta estabilidade de produção, permitindo semeadura antecipada e encaixe no sistema de  sucessão e rotação da segunda safra. A cultivar também possui moderada resistência ao nematoide de galhas (M. javanica) e resistência à raça 3 do nematoide de cisto, tipo de crescimento indeterminado e elevado potencial de produção.

Atualmente, a soja evoluiu para a terceira geração de transgênicos, com cultivares tolerantes a um maior número de herbicidas, como glifosato, dicamba, 2,4-D e glufosinato de amônio. “Isso ampliou as opções de manejo das plantas daninhas na lavoura e aumentou a proteção contra lagartas”, evidenciou Borges.

Principais avanços da soja

O principal objetivo dos programas de melhoramento genético da soja é aumentar a produtividade, garantindo a sustentabilidade financeira do produtor. Além disso, a resistência a doenças, como o cancro-da-haste, foi um grande avanço para a continuidade da cultura no país. “Sem um programa de melhoramento genético isso não teria se tornado realizado. Se na época em que o cancro-da-haste devastou lavouras o Brasil dependesse de importação, a produção de soja no país poderia ter se tornado inviável. Consequentemente, não seríamos o maior produtor mundial e nem teríamos a relevância econômica que temos hoje, gerando milhares de empregos. Por isso, a pesquisa é fundamental”, reforça o doutor em Fitotecnia.

Cultivares adaptadas impulsionam produtividade da soja

Na década de 1950 e 1960, as primeiras cultivares de soja no Brasil produziam cerca de 1,5 mil quilos por hectare. Hoje, a média nacional já chega a 3,5 mil quilos, com variedades que podem atingir entre 5 mil e 6 mil quilos por hectare. Esse avanço foi possível graças à pesquisa científica e ao melhoramento genético, tanto pela Embrapa quanto por empresas privadas. Além do aumento de produtividade, a adaptação da cultura a diferentes regiões foi que permitiu a expansão da soja para o Cerrado.

No Mato Grosso, maior produtor do país, cultivares desenvolvidas para o Sul apresentam baixa adaptabilidade. “É essencial que os programas de melhoramento genético selecionem materiais com características específicas para cada região”, argumenta o engenheiro agrônomo. Esse processo, conhecido como tropicalização da soja, possibilitou a produção em áreas antes consideradas inviáveis. “Originalmente, a soja era cultivada em latitudes próximas a 30ºC. Hoje, já há produção até em Roraima, próxima à linha do Equador”, completa.

Desafios atuais

Atualmente, um dos principais desafios para a sojicultura são as condições climáticas adversas. As perdas por seca e estresse hídrico são cada vez mais significativas, exigindo respostas rápidas da pesquisa, com o desenvolvimento de cultivares mais tolerantes à estiagem e resistentes a temperaturas elevadas. “O produtor tem grande expectativa por cultivares com essas características. O melhoramento genético segue avançando, seja por métodos tradicionais, transgenia ou edição gênica, para atender a essas demandas”, ressaltou o especialista.

Além da adaptação climática, outro desafio é a qualidade da semente e da soja produzida. Nos Estados Unidos, há um movimento crescente para o desenvolvimento de grãos com alto teor de ácido oleico e baixo teor de ácido linoleico, resultando em um óleo de melhor qualidade. Essa evolução também está ligada ao uso da soja para biocombustíveis, incluindo o combustível de aviação. “Essas mudanças envolvem uma adaptação no perfil tecnológico do grão. Se não acompanharmos essa tendência, corremos o risco de que a soja brasileira perca competitividade no mercado global, tornando-se um produto de segunda categoria enquanto outros países lideram a produção de grãos com maior valor agregado”, alerta Borges. Segundo ele, o Brasil já está se antecipando a esse movimento, desenvolvendo materiais com perfis diferenciados de óleo e proteína, essenciais para se manter no mercado internacional.

Somado a  isso, nos últimos anos a cultura da soja passou a enfrentar novas doenças e pragas. A ferrugem asiática, por exemplo, foi identificada no Brasil pela primeira vez na safra 2001/2002 e hoje é uma das principais ameaças à produção. Outra preocupação crescente são os nematoides, que se espalham rapidamente e desafiam os produtores diariamente. “A pesquisa precisa oferecer soluções tanto em melhoramento genético quanto em manejo. A indústria busca alternativas com novos produtos, mas os desafios surgem continuamente. Com a expansão da área cultivada, novos problemas aparecem, exigindo que a pesquisa esteja sempre um passo à frente para antecipar e prevenir impactos expressivos no campo”, frisou Borges.

Importância do vazio sanitário

Para reduzir a incidência da ferrugem asiática, foi instituído o vazio sanitário, período sem cultivo da soja para evitar a chamada ‘ponte verde’, que favorece a sobrevivência de pragas e doenças. “Os fitopatologistas identificaram que a ferrugem da soja não sobrevive por muito tempo nos restos de cultura. Com três a quatro meses sem soja, o inóculo da doença reduz significativamente. Assim, mesmo que a ferrugem reapareça, ela demora mais a se espalhar, permitindo menor necessidade de aplicações de fungicidas”, detalha o profissional.

O uso excessivo de defensivos acelera a seleção de indivíduos resistentes dentro da população de fungos. “Cada aplicação pode selecionar organismos que sobrevivem ao produto, tornando o controle menos eficiente ao longo do tempo. Por isso, é essencial combinar manejo adequado com controle químico, preservando a eficácia das ferramentas disponíveis no mercado”, acrescenta Borges.

Estratégia do refúgio estrutural

Na transgenia, é recomendada a semeadura de 20% da área com cultivares sem o gene BT, estratégia conhecida como refúgio estrutural. “Isso permite a reprodução de lagartas suscetíveis, que cruzam com indivíduos resistentes ao BT, retardando o desenvolvimento de populações 100% resistentes”, esclarece Borges.

Ele alerta para o risco de perda de eficácia dessa tecnologia, como já ocorreu com variedades de milho BT. “Sempre haverá indivíduos resistentes que sobrevivem ao consumo de soja BT. Se toda a lavoura for transgênica, esses indivíduos resistentes cruzarão entre si, gerando descendentes totalmente imunes à tecnologia. O refúgio mantém uma população suscetível na área, prolongando a vida útil da tecnologia”, frisa o doutor em Fitotecnia.

Destino da produção de soja

A maior parte da soja produzida no Brasil é destinada à alimentação animal e à indústria de biocombustíveis, setor que vem ganhando participação. “O segmento de soja convencional, não transgênica, para consumo humano ainda é pequeno, mas a Embrapa mantém um programa de melhoramento genético ativo”, comenta Borges. No entanto, a commodity transgênica domina o mercado, principalmente na produção de ração.

Coleção com 65 mil tipos soja

As sementes das 16 cultivares de soja expostas no Show Rural, fazem parte do Banco Ativo de Germoplasma (BAG), uma coleção de aproximadamente 65 mil tipos de soja introduzidos da coleção dos Estados Unidos e de outros países da África, Europa, Ásia, Oriente Médio e Oceania. O BAG, mantido pela Embrapa, é responsável por guardar a variabilidade genética da soja. Quanto mais acessos diferentes e caracterizados, melhor é a utilização nos programas de melhoramento para desenvolvimento de novas variedades.

O acesso à edição digital do Bovinos, Grãos & Máquinas é gratuito. Para ler a versão completa on-line, basta clicar aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Seapi emite alerta para raiva herbívora no Rio Grande do Sul

Focos confirmados em Piratini mobilizam reforço na vacinação e no controle de morcegos transmissores em municípios vizinhos.

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Foto: Fernando Dias/Seapi

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) do Rio Grande do Sul emitiu nesta quinta-feira (26) alerta sanitário para raiva dos herbívoros no município de Piratini e nas cidades vizinhas Herval, Pedro Osório, Cerrito, Pinheiro Machado e Canguçu. A medida ocorre após a confirmação de focos da doença em Piratini.

De acordo com o órgão, o alerta considera o registro de elevado número de agressões a animais de produção na região e o fato de que ainda não foram localizados e identificados os refúgios de morcegos hematófagos, conhecidos como morcegos-vampiros, responsáveis pela transmissão do vírus.

A estratégia de enfrentamento envolve duas frentes: controle populacional dos morcegos transmissores e vacinação dos rebanhos. O coordenador do Programa de Controle da Raiva Herbívora da Seapi, Wilson Hoffmeister, reforça a necessidade de vacinação e revacinação dos animais suscetíveis, além da comunicação imediata sobre possíveis abrigos dos morcegos.

Foto: Fernando Dias/Seapi

A orientação técnica aos produtores é que, ao identificarem refúgios, não realizem captura por conta própria. A recomendação é informar a Inspetoria ou o Escritório de Defesa Agropecuária do município. Troncos ocos, cavernas, fendas em rochas, túneis, furnas e construções abandonadas estão entre os locais comumente utilizados pela espécie transmissora, a Desmodus rotundus.

A captura e o controle dos morcegos são atribuições exclusivas dos Núcleos de Controle da Raiva do Estado, cujas equipes são capacitadas e vacinadas contra a doença. A atuação é desencadeada mediante laudo positivo para raiva em herbívoros ou quando são constatados índices elevados de mordeduras em bovinos, equinos, ovinos e suínos em determinada área.

A Secretaria mantém orientações atualizadas sobre prevenção e manejo da doença no âmbito do Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros, disponíveis em seu portal oficial.

Fonte: O Presente Rural
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Fundesa-RS propõe nova tabela de indenizações da pecuária leiteira

Reajuste de 8% nos valores para casos de abate sanitário por brucelose e tuberculose eleva indenizações para faixa entre R$ 1.636 e R$ 4.548 por animal e segue para deliberação final em março.

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O Conselho Técnico Operacional da Pecuária Leiteira (CTOPL) do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou reajuste de 8% na tabela de indenizações pagas a produtores que tiverem animais sacrificados ou destinados a abate sanitário após diagnóstico positivo para brucelose ou tuberculose.

A decisão foi tomada em reunião híbrida realizada no último dia 13, na Casa do Fundesa-RS, e representa atualização dos valores frente ao custo de reposição dos animais e à necessidade de manter a adesão dos produtores aos programas sanitários.

Com o reajuste, o menor valor de indenização passa a ser de R$ 1.636,00, destinado a animais sem registro, na faixa de zero a 12 meses. No topo da tabela, o valor alcança R$ 4.548,00, aplicado a animais com registro puro de origem, entre 25 e 36 meses de idade.

A atualização busca preservar o equilíbrio econômico do produtor em casos de eliminação compulsória de animais positivos, instrumento considerado estratégico para o controle de doenças que impactam tanto a saúde animal quanto a saúde pública. A indenização é um dos pilares dos programas de erradicação, ao reduzir a resistência à notificação e ao descarte sanitário.

Após a consolidação técnica, a nova tabela será encaminhada ao Conselho Deliberativo do fundo, que deve apreciar os valores em reunião prevista para o dia 10 de março. Somente após essa etapa os novos parâmetros passam a vigorar oficialmente.

A medida ocorre em um contexto de manutenção das políticas estaduais de defesa sanitária, que exigem rastreabilidade, testagem periódica e eliminação de focos para garantir status sanitário e acesso a mercados.

Conforme a vice-presidente do CTOPL, Ana Groff, o percentual sugerido é superior ao reajuste da UPF (Unidade Padrão Fiscal) do Rio Grande do Sul, critério adotado no anos anteriores, e também maior do que a inflação no período.

Os conselheiros não descartam uma revisão dos valores após avaliação da implantação da tabela atualizada. Os novos valores têm o objetivo de trazer mais robustez ao fundo que tem se destacado em alto aporte para a indenização de produtores ao longo de sua existência. “Desde o início das indenizações, o Fundesa já indenizou produtores em mais de R$53 milhões”, afirma o presidente do Fundesa, Rogério Kerber.

A medida visa dar mais segurança ao produtor e estimular os testes e a eliminação de animais doentes.

Todo o trabalho do Fundesa segue o recomendado pelo Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose (PNCEBT), que estabelece protocolos obrigatórios para garantir a sanidade do rebanho e a segurança dos alimentos.  Para ter direito às indenizações, o pecuarista deve estar em dia com suas contribuições e apresentar o laudo oficial emitido pelo médico veterinário habilitado e a comprovação do abate em estabelecimento com inspeção oficial. A contribuição do setor leiteiro é recolhida pela indústria.

Fórum vai debater sanidade para acesso a mercados

Outro tema abordado na reunião do CTOPL foi a realização de um evento durante a Expoleite Fenasul para abordar a responsabilidade compartilhada para o controle das duas doenças no rebanho leiteiro gaúcho. O Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul é reconhecido como atuante no trabalho junto aos produtores para reduzir a presença de brucelose e tuberculose na produção e o evento deverá ter na pauta as exigências para acesso a novos mercados, medida que será importante para melhorar as condições de preço e liquidez ao produtor.

Conforme o presidente do CTOPL, Marcos Tang, também presidente da Gadolando, o evento tem o foco no papel das indústrias no estímulo à prevenção. O evento será realizado no dia 14 de maio, das 13h30 às 17 horas, na casa do Fundesa, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A Expoleite Fenasul será realizada de 13 a 17 de maio.

Fonte: Assessoria Fundesa-RS
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Preço de referência do leite sobe quase 2% no Rio Grande do Sul

Indicador projetado para fevereiro alcança R$ 2,0966 e reforça debate sobre competitividade e custos da cadeia frente a concorrentes internacionais.

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Foto: Juliana Sussai

O valor de referência do leite projetado para fevereiro no Rio Grande do Sul ficou em R$ 2,0966, conforme divulgação realizada nesta quinta-feira (26) durante reunião virtual do Conseleite. O indicador representa alta de 1,98% em relação à projeção de janeiro, que havia sido estimada em R$ 2,0560.

O resultado consolidado de janeiro fechou em R$ 2,0382, avanço de 2,64% frente a dezembro, quando o valor havia sido de R$ 1,9857. A sequência de reajustes sinaliza recuperação gradual na remuneração ao produtor.

Foto: Carolina Jardine

De acordo com o coordenador do conselho, Kaliton Prestes, a expectativa é que o ajuste tenha reflexo positivo na rentabilidade da atividade. “O custo da produção láctea no Brasil é alto em comparação a outros países como a Argentina. Temos uma perda importante de competitividade. Mas não podemos avaliar isso olhando apenas para o produtor. A margem é apertada e essa análise de competitividade do leite precisa ser feita de forma global”, afirmou.

Para ele, o momento exige aprofundar a discussão sobre a inserção da cadeia brasileira no mercado internacional e os entraves logísticos que impactam o setor.

Os valores de referência são divulgados mensalmente e calculados pela Universidade de Passo Fundo (UPF), a partir de dados repassados pelas indústrias sobre a movimentação dos primeiros 20 dias de cada mês.

Fonte: Assessoria Sindilat/RS
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