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100 anos: cooperativismo faz bem

Para assegurar recursos ao setor rural e outros setores da atividade econômica, surgiram as cooperativas de crédito que fomentaram a base produtiva e dinamizaram as cadeias de suprimento, dando musculatura à economia local e microrregional.

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Presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina, Luiz Vicente Suzin - Foto: Divulgação/Ocesc

Neste primeiro sábado de julho comemora-se em todo o mundo o Dia Internacional do Cooperativismo. Em 02 de julho, pela centésima vez, essa emblemática data será festejada. Uma reflexão acompanha a marca dos 100 anos dessa efeméride: o cooperativismo pode ser a solução para todos ou praticamente todos os problemas da humanidade.

Um dos maiores flagelos da atualidade – a fome – é combatida pelas cooperativas do ramo agropecuário, responsáveis pela organização de produtores e empresários rurais na estruturação da produção de cereais, frutas, hortigranjeiros, lácteos e proteína animal. Essas cooperativas levaram tecnologia ao campo, capacitaram agricultores, abriram mercados e incorporaram milhares de pequenos produtores, transformando-os em competitivos agentes econômicos. Disso resultou a maior oferta de alimentos e a redução da fome no país e no exterior.

Para assegurar recursos ao setor rural e outros setores da atividade econômica, surgiram as cooperativas de crédito que fomentaram a base produtiva e dinamizaram as cadeias de suprimento, dando musculatura à economia local e microrregional. Da mesma forma, as  cooperativas do ramo da infraestrutura levaram sistema de abastecimento de energia elétrica ao campo e aos municípios isolados. As cooperativas de trabalho médico organizaram profissionais de saúde e criaram formidáveis aparatos que envolvem desde a atenção primária à saúde até a medicina de alta complexidade, aliviando o sistema público de saúde, este sempre no limiar de um colapso.

As cooperativas, portanto, exercitando uma doutrina de livre associação, meritocracia e estímulo ao esforço individual, premiando a todos na proporção direta do esforço de cada um tornou-se um fator essencial da livre-iniciativa – que deixou de ser uma ficção constitucional para tornar-se fator indispensável à saúde da vida econômica. Os paradigmas se espraiam por todos os ramos: transporte, consumo, habitacional etc.

Nesses tempos em que as mudanças e transformações tecnológicas estão destruindo empregos, as cooperativas do ramo de trabalho podem oferecer uma alternativa para a empregabilidade. Transformações disruptivas em curso tendem a tornar anacrônica ou obsoleta a legislação trabalhista. É um fenômeno mundial inescapável. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), editada em 1º de maio de 1943 – há 79 anos, portanto –  marcou território na defesa dos trabalhadores, inaugurando um novo tempo nas relações de trabalho e impregnando conceitos  de dignidade, humanidade e justiça social.

Mas os tempos mudaram e, hodiernamente, os 922 artigos originais – que depois derivaram em milhares de normas via portarias, decretos, instruções etc. – regulamentam excessivamente aspectos como identificação profissional, jornada de trabalho, férias, salário mínimo, aviso prévio, rescisão contratual, estabilidade, direito judiciário do trabalho, organização sindical, negociações e dissídios coletivos, profissões com tratamento diferenciado etc. Surgiu uma suspeita de que a excessiva regulamentação tornou-se um fator de desempregabilidade. O legislador original teria  ignorado a realidade social e econômica brasileira, como prova a intensa judicialização que há quase 80 anos congestiona a Justiça do Trabalho.

Acreditamos que a organização de trabalhadores e profissionais qualificados de nível operacional, básico ou superior em regime de sociedade cooperativista poderia ser uma grande alternativa no combate ao desemprego em muitas regiões brasileiras. A resistência observável, de potenciais contratantes ou dos próprios trabalhadores é uma decorrência dessa cultura fulcrada na CLT que impregna o mercado de trabalho no Brasil.  É possível que o amadurecimento das relações sociais em face das transformações distópicas e que nos referimos possa revalorizar e proporcionar uma ressignificação às cooperativas do ramo de trabalho.

Quaisquer que sejam as reflexões, a 100ª comemoração do Dia Internacional do Cooperativismo renova uma sólida e evidente convicção – cooperativismo faz bem em todas as atividades humanas.

Fonte: Ascom Ocesc
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ESG: como essa tendência está ganhando destaque no atual modelo de governança das empresas?

Modelo de gestão intrínseco na prática do ESG permite e assegura a execução de melhores práticas de gerenciamento, permeando entre os conceitos de responsabilidade social, ambiental e governança.

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Head de ESG da Seidor Brasil, Fabiano Sant Ana - Foto: Divulgação/Seidor Brasil

Nos últimos dois anos, fomos impactados com situações totalmente inimagináveis no nosso cotidiano. Vimos os reflexos da pandemia de Covid-19, as alterações climáticas, bem como os avanços da guerra protagonizada por Rússia e Ucrânia. Tais fatos despertaram na sociedade em geral a reflexão acerca do que o futuro nos reserva. E, tratando-se do meio corporativo, os recentes acontecimentos reforçaram a necessidade de repensar as estratégias e modelos de gestão utilizados, bem como sua eficácia mediante períodos de instabilidade como o que vivemos.

Neste aspecto, o ESG, que é a sigla para abreviação do termo em inglês “ambiental, social e governança”, ganha relevância, já que deixa em destaque a importância de as empresas assumirem um verdadeiro compromisso com as causas socioambientais na definição de estratégias. Afinal, essa cultura, quando bem implantada, proporciona benefícios diversos para a sociedade, empresas e nações, especialmente no contexto da globalização.

Desta forma, o ESG ganhou ainda mais protagonismo. O conceito de sustentabilidade cresceu 292% no ranking e é uma prioridade para CEOs globais e brasileiros. Até porque, o seu conceito faz jus à valorização de incorporar os três itens carregados em suas siglas nas práticas de gestão, que servem como parâmetros para avaliação e fortalecimento das relações de negócios.

Não à toa, o tema está sendo amplamente discutido, em bate-papos com especialistas mostra o porquê do tema sustentabilidade é hoje um dos principais desafios dos dirigentes de empresas e discussão da importância das práticas socioambientais, pois, segundo projeção do Fórum Econômico Mundial, estima-se que até 2050, as alterações climáticas devem reduzir o PIB mundial em até 18%. Frente a isso, acende um alerta das empresas repensarem em suas estratégias, até porque, se antes desenvolver ações sustentáveis era considerado algo opcional, atualmente, já não se trata mais de algo facultativo.

Presenciamos constantemente o aumento da procura das organizações em aderir práticas em prol da sustentabilidade, visto que esse é um movimento que cresce cada vez mais em um efeito cascata. Temos exemplos claros do mercado internacional que já adere as medidas de forma interiorizada, onde só comercializam produtos com nações que também têm ávido o compromisso com a causa ambiental.

E o Brasil? Nosso país também marca presença nesse cenário com a criação de projetos e medidas, como a Lei do Carbono, onde prevê que até 2050 seja completamente zerada a emissão de gás carbono que contribui para o efeito estufa. Desta forma, todos esses aspectos e elementos citados corroboram com o papel de destaque do ESG para o cumprimento e realização de tais objetivos.

O modelo de gestão intrínseco na prática do ESG permite e assegura a execução de melhores práticas de gerenciamento, permeando entre os conceitos de responsabilidade social, ambiental e governança. Além disso, fomenta a integração de recursos e tecnologias para o cumprimento das obrigatoriedades de forma benéfica para todos os envolvidos. Entretanto, mesmo em meio à popularidade, é necessário ter atenção com informações equivocadas que podem surgir no meio do caminho, transmitindo uma mensagem errônea de como implementar o ESG nas empresas.

Por isso, sim, todo cuidado é pouco. Para as empresas que buscam aderir e instaurar a cultura do ESG na sua gestão, é necessário dar início ao processo com a sua equipe, o que implica em investir na preparação e treinamento ao longo dessa jornada, que acarretará benefícios de longo prazo.

Nesse processo, o apoio de consultorias especializadas nesse segmento se configura como uma excelente alternativa para ajudar na implementação de medidas e acesso a abordagens eficazes. A partir de um diagnóstico empresarial é possível posicionar a empresa mediante as oportunidades de mercado e orientação para definição de estratégias e tomadas de decisão embarcadas no ESG.

Em suma, essas práticas permitem uma série de benefícios, desde que a organização comprove suas ações positivas. Contudo, existe um trabalho árduo no processo de conscientização e cultura. Até porque, a organização, quando implementa esse novo modelo de gestão baseado em melhores práticas, atinge uma posição de destaque no mercado. Por isso, o quanto antes começar, melhor. Afinal, o futuro não espera.

Fonte: Por Fabiano Sant Ana, head de ESG da Seidor Brasil.
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Intercooperação: qual sua importância no pós-pandemia?

Iniciativa permite melhorar a qualidade dos produtos e aumentar a rentabilidade para os cooperados, além de impulsionar o desenvolvimento econômico da região.

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Foto: Divulgação/Unium

Nos últimos dois anos, o mundo enfrentou a maior crise sanitária dos últimos 100 anos. Refletindo em todos os setores, a pandemia trouxe muitas incertezas e desafios jamais vividos. Com isso, pensar em novas soluções e maneiras para “sair da caixa” se fez necessário. Em meio a tantas dúvidas e sequelas, a intercooperação obteve resultados positivos. O modelo é baseado em pessoas e na ajuda mútua, trabalhando sempre em torno dos interesses em comum.

Há séculos, sabemos que essa união era o caminho para o sucesso. A iniciativa permite melhorar a qualidade dos produtos e aumentar a rentabilidade para os cooperados, além de impulsionar o desenvolvimento econômico da região. Na prática, o modelo faz a diferença para o dia a dia dos produtores, pois o pequeno produtor não tem como concorrer com grandes nomes do mercado. Como cooperativa, é formada uma grande organização e toda a produção é vendida diretamente para a indústria. Sendo assim, há possibilidade de um produtor individual competir com os maiores players do mercado.

Comprar os insumos necessários na própria cooperativa e poder negociar sua produção localmente, sem perder no faturamento são mais alguns dos diferenciais. Com isso, o produto final sempre sai ganhando, principalmente na questão da qualidade. O estímulo à troca de informações técnicas e de mercado, o aprendizado proveniente da interação com os parceiros de negócio, os investimentos e a evolução nos modelos de gestão das cooperativas, são processos internos da intercooperação que impactam o resultado final. Além de conceitos como colaboração, crescimento sustentável e economia compartilhada serem reforçados no formato.

Hoje, é notória a importância desse modelo tanto para os produtores como para o faturamento de cada cooperativa. Mesmo independentes, os resultados foram expressivos após a intercooperação ter sido adotada. Durante a pandemia, o setor se fez presente e cresceu consideravelmente para o momento de crise que o mundo todo enfrentava, mostrando ser uma decisão acertada. É importante ressaltar que não se trata de uma fusão ou nova cooperativa, mas sim de uma marca “guarda-chuva”, que tem abaixo de si as marcas de produtos das cooperativas, que deixam de utilizar suas marcas de fabricantes. Incluindo também um complexo modelo de gestão de negócios, produção e logística.

Nosso objetivo é apresentar esse modelo ao mercado, já que somos um exemplo e podemos fazê-lo crescer cada vez mais. As cooperativas fazem a “lição de casa” ao oferecer insumos, serviços e lojas agropecuárias para os associados. Já, a parte industrial é realizada em conjunto, sem que a identidade de cada cooperativa seja perdida ao longo do processo. O investimento em novas tecnologias, a preservação da qualidade e a produtividade também são fatores relevantes e vantajosos para a intercooperação, fazendo com que a qualidade, já reconhecida dos produtos, seja mantida.

Nas cooperativas, temos um grande número de pessoas comprometidas com o que acreditam. Apesar de desafiadora, a pandemia nos mostrou que a cooperação é importante para superar os obstáculos, identificamos a importância da cooperação para o bem-estar da população e do desenvolvimento em conjunto, valores que já faziam parte da rotina de instituições cooperativas há tempos e que, a partir de agora, devem manter-se na rotina de cada uma. Sendo assim, essencial no pós- pandemia, pois, dessa maneira, é possível transformar o trabalho realizado e a vida de cada cooperado, além de inovar e alcançar resultados significativos. Como dizem, a união faz a força, e, também, a diferença.

Fonte: Por Auke Dijkstra Neto, Gestor de Estratégia e Inovação da Unium.
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Muito além da proteína halal

A partir da tradição no fornecimento de proteína ao mundo islâmico, Brasil pode se tornar um hub de produtos e serviços para o mercado global muçulmano.

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Presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Osmar Chohfi - Foto: Divulgação

No final dos anos 1970, a crise do petróleo deu ao Brasil a oportunidade de incrementar o intercâmbio comercial de início com o mundo árabe e depois com o resto do mundo islâmico a partir da troca de alimentos, aviões, automóveis e serviços de construção pelo precioso petróleo do qual dependíamos na época.

Dessas trocas comerciais, a relação evoluiu para um sofisticado comércio bilateral de pautas complementares, que inclui uma expressiva presença brasileira no mercado consumidor muçulmano, composto por 1,9 bilhão de pessoas nos 57 países da Organização para Cooperação Islâmica (OCI) e, também, nos Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, países a abrigar grandes comunidades ilsâmicas.

Um dos destaques desse comércio foi e é até hoje a proteína animal. Refiro-me especificamente à proteína halal, voltada ao consumidor muçulmano, que, além das características demandadas em peso, volume e porcionamento, também precisa ser obtida a partir de um método produtivo que respeite integralmente as tradições e crenças do islã.

Já na década de 1980, havia no Brasil dezenas de frigoríficos de aves e bovinos especializados em proteína halal. Nessas instalações, as linhas de abate são posicionadas em direção à cidade sagrada de Meca. Os abatedores são muçulmanos e versados no rito religioso de degola. Também existe um processo de certificação halal (palavra árabe para aquilo que é lícito segundo o islã) que dá ao cliente muçulmano a certeza de que o consumo do produto não vai representar uma transgressão a suas tradições.

O empenho dos frigoríficos, das entidades setoriais e governo brasileiro em cultivar relações com os mercados islâmicos fez do Brasil em pouco mais de 20 anos o líder mundial na exportação de proteína animal halal. Em 2020, esse comércio rendeu ao Brasil US$ 3,22 bilhões somente com os países da OCI e deve render ainda mais em 2021, dado que entre janeiro e outubro as vendas já somam US$ 3,07 bilhões, com alta de 14% sobre o mesmo período do ano anterior.

É curioso como, a partir do comércio de alimentos, o Brasil passou a ser conhecido no mundo islâmico como um país especializado no halal, cujos conceitos de licitude baseiam padronizações não só para a comida, mas também cosméticos, fármacos, produtos de entretenimento, vestuário, serviços hotelaria e financeiros. O muçulmano crê que nosso país sabe como atendê-lo, o que por si já é uma grande vantagem competitiva.

No entanto, mesmo com a forte presença em alimentos e a liderança em proteínas, o Brasil apenas começou a explorar o imenso mercado muçulmano. Para se ter uma ideia, em 2020, no setor de alimentos e bebidas em que somos competitivos, a OCI importou US$ 190,5 bilhões, dos quais apenas US$ 14,1 bilhões corresponderam a produtos brasileiros.

Em cosméticos, as compras muçulmanas totalizaram US$ 14,2 bilhões, com o Brasil fornecendo US$ 21,6 milhões. Isso mesmo, milhões. Nos fármacos, dos US$ 40,4 bilhões importados pelos países islâmicos, a parcela brasileira foi de US$ 54,1 milhões. Vestuário, US$ 34,2 milhões, num mercado total de US$ 40,3 bilhões.

Esses números dão a medida do potencial do Brasil no mercado de consumo muçulmano, que já movimenta US$ 4,88 trilhões e vai crescer 18% até 2024, pela altas taxas de natalidade dessa população, pelo investimento em cadeias halal no mundo árabe, e pelo vigor de normatizações de padronização halal na Malásia e na Indonésia, que, ressalte-se, são países multiculturais e o produto halal é consumido e, o mais importante, preferido, por não-muçulmanos.

Mas também dão uma ideia do imenso trabalho a fazer. Nosso país tem capacidade técnica para atender qualquer mercado no mundo, cabendo ao setor produtivo avançar na adoção de padronizações halal para seus produtos, já disponibilizada no Brasil por uma ampla rede de empresas especializadas em certificação halal.

No fronte governamental, estou certo de que um trabalho de promoção adequado, a ressaltar nossa expertise no halal e os aspectos positivos do Brasil admirados no mundo islâmico, pode fazer do nosso país um hub de serviços e produtos para o mundo islâmico.

Também no fronte setorial, onde atuamos especificamente, vamos continuar buscando difundir as oportunidades existentes e auxiliando o setor produtivo a acessar mercados islâmicos, seja identificando oportunidades ou orientando intermediações comerciais.

Em 2060, uma em cada três pessoas no planeta será muçulmana. O que fizermos agora vai assegurar um futuro no qual o Brasil pode ter uma participação ainda mais efetiva e com lugar de protagonismo no mercado islâmico mundial.

 

Fonte: Por Osmar Chohfi, presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
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