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05 dicas do CESB para obter altas produtividades em soja
Engenheiro agrônomo doutor João Pascoalino selecionou cinco dicas importantes para que o produtor obtenha altas produtividades em soja

“O importe é termos em mente que começar bem a lavoura é pretexto de finalizar bem. Logo, precisamos nos atentar para alguns aspectos iniciais da instalação da lavoura para que a condução dela seja favorecida e eficiente ao mesmo tempo”. A afirmação é do engenheiro agrônomo doutor João Pascoalino, coordenador técnico e de pesquisa do CESB, o Comitê Estratégico Soja Brasil.
Para que o produtor obtenha altas produtividades em soja, Pascoalino selecionou cinco dicas importantes. Confira:
Dica 01: Construção do perfil do solo
A busca por um perfil do solo fisicamente ideal, quimicamente corrigido e biologicamente ativo é a chave para um bom enraizamento das plantas, sendo este o primeiro passo para construir um ambiente altamente produtivo, que permitirá a sustentação e a manutenção das condições ideais para o crescimento, desenvolvimento e produtividade das plantas. Nesse contexto, existem premissas importantes de serem consideradas para iniciar o processo de construção do perfil do solo: evitar o impedimento físico do solo, corrigir a fertilidade química do solo em profundidade, manter o equilíbrio químico e melhorar aspecto biológico do solo, logo tornando-o bioativo.
Dica 02: Escolha do material genético
Atualmente, é possível afirmar que os cultivares super precoce a tardio estão apresentando alto potencial produtivo, logo, conferindo ao produtor o poder de escolha de qual tecnologia trabalhar em seus respectivos campos de produção. Neste contexto, vale destacar que os melhoristas genéticos fizeram um ótimo trabalho, possibilitando este trunfo ao produtor. A escolha do cultivar mais estável e adaptado a região, além de conferir maior possibilidade de altas produtividades, podem proporcionar outros benefícios, tais como tolerância a herbicidas, resistência a déficit hídrico, pragas e doenças, estratégia para escape da ferrugem-asiática em região de maior intensidade da doença, colheita antecipada e mantendo a qualidade dos grãos, cultura da safrinha instaladas em período de chuvas mais frequentes e regulares, diminuição de custo de água e energia em cultivo irrigado e maturação mais uniforme e concentrada permitindo maior eficiência de tecnologia de aplicação e mecanização.
Dica 03: Qualidade das sementes
A qualidade das sementes se resume obedecer a quatro específicos atributos: (i) genético; (ii) físico; (iii) fisiológico e (iv) sanitário. A qualidade da semente faz-se importante no contexto produtivo, uma vez que sementes de alto padrão podem conferir vários benefícios e dentre eles podemos citar melhor qualidade e tecnologias de adaptação em distintas regiões; maior germinação e emergência das plântulas de maneira rápida e uniforme conferindo melhor estabelecimento das plantas; plantas de maior vigor e com desempenho superior no campo, o qual resiste mais a situações de estresse; elevada taxa de crescimento, o qual confere maior índice de área foliar e sistema radicular mais profundo competindo de forma eficiente pelos recursos naturais e maior potencial produtivo, chegando a índices de até 10% de aumento de produtividade.
Dica 04: Implantação da lavoura
O fato de garantir uma correta escolha do cultivar e obter sementes de qualidade não garante o sucesso da lavoura, pois existem outros fatores de importância equivalente, os quais estão associados a implantação, tais como arranjo espacial e população de plantas, época de semeadura, tratamento de sementes e semeadora revisada e regulada, o qual permiti distribuir a sementes de forma equidistantes e em mesma profundidade. Cada prática complementar tem sua particularidade de manejo e soma dentro do aspecto produtivo, a exemplo, o tratamento de sementes cujo a sequência das aplicações dos produtos – fungicidas, inseticidas, micronutrientes e inoculantes – fazem a diferença na eficiência da prática, a definição da população de plantas “não tão poucas, a ponto de sobrar espaço na lavoura e nem muitas a ponto de causar problema de acamamento e competição entre plantas da mesma espécie pelos recursos essenciais”, assim o manejo precisa ser embasado em critérios e não ser realizado ao acaso.
Dica 05: Lavoura de alto potencial
A junção de todas as práticas, e isto associado ao correto manejo técnico delas, amplia as chances de obter uma lavoura de alto potencial, o qual tem como característica estande de plantas desejável e plantas uniformes facilitando e potencializando o manejo nutricional, de proteção de plantas e da colheita, sendo requisitos primordiais para uma lavoura de alta produtividade. Nesse contexto, a estratégia de lavouras bem instaladas é “tudo que adotar de manejo é para potencializar a produtividade” o contrário, para lavouras mal instaladas, é “tudo que adotar de manejo é para amenizar a perda de produtividade”. Essa lógica caracterizará lavoura de alto ou baixa investimento, respectivamente.

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Mercado de ração começa 2026 com milho em alta e farelo de soja em queda
Boletim do Centro de Inteligência do Leite da Embrapa aponta movimentos distintos nos principais insumos da alimentação animal.

O mercado de grãos utilizados na alimentação animal apresenta comportamentos distintos neste início de 2026. Enquanto o milho mostra sinais de recuperação recente nos preços, o farelo de soja ainda opera em patamar inferior ao observado no mesmo período do ano passado.

Foto: Shutterstock
As informações constam no Boletim de Preços do Mercado de Leite e Derivados referente fevereiro, elaborado pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite, que acompanha fatores que influenciam os custos de produção da atividade leiteira.
No caso do milho, os valores registram leve valorização na comparação com janeiro, indicando um movimento de reação após um período de recuo ao longo de 2025. Apesar dessa recuperação pontual, os preços permanecem significativamente abaixo do nível observado no início do ano passado, refletindo um cenário de maior oferta e ajustes no equilíbrio entre produção e demanda.
A trajetória recente do cereal sugere que o mercado passou por um ciclo de queda ao longo do último ano, seguido por um processo gradual de estabilização e recomposição parcial de preços no começo de 2026. Esse movimento costuma ocorrer após períodos de forte pressão de oferta, quando o mercado começa a absorver os volumes disponíveis.
Já no caso do farelo de soja, o cenário segue mais pressionado. O produto registra queda tanto no comparativo

Foto: Juliana Sussai
mensal quanto na comparação com o mesmo período do ano anterior, indicando que o mercado ainda enfrenta um ambiente de preços mais baixos.
A retração anual mais acentuada do farelo reflete principalmente o contexto global de ampla disponibilidade de soja e derivados, além de ajustes no comércio internacional e no processamento da oleaginosa. Esse ambiente tende a limitar movimentos mais consistentes de valorização no curto prazo.
Para os segmentos de produção animal, a combinação desses movimentos gera efeitos distintos no custo das dietas. A leve recuperação do milho pode elevar parcialmente os custos energéticos das rações, enquanto o farelo de soja, principal fonte proteica, ainda contribui para moderar a pressão sobre os custos de formulação.
De forma geral, o mercado indica um período de acomodação após oscilações registradas ao longo do último ano, com ajustes gradativos nos preços dos principais insumos utilizados na nutrição animal, fatores que influenciam diretamente a estrutura de custos da cadeia do leite.
Colunistas A nova era da proteína
Como as canetas emagrecedoras podem mudar o consumo de alimentos
Com menos fome e menor ingestão alimentar, os pacientes naturalmente passam a selecionar melhor aquilo que consomem, e é nesse ponto que surge uma mudança estrutural no padrão alimentar.

Nos últimos anos, uma nova revolução silenciosa começou a transformar o comportamento alimentar no mundo. O avanço dos medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, está provocando mudanças profundas na forma como as pessoas se relacionam com a comida.

Foto: Divulgação/Freepik
Esses medicamentos, baseados em análogos do hormônio GLP-1, atuam diretamente no controle do apetite, promovendo saciedade mais rápida e reduzindo o consumo total de calorias. Com menos fome e menor ingestão alimentar, os pacientes naturalmente passam a selecionar melhor aquilo que consomem, e é nesse ponto que surge uma mudança estrutural no padrão alimentar: a busca por alimentos mais nutritivos e, especialmente, mais ricos em proteína.
Quando o volume de alimento ingerido diminui, cada refeição passa a precisar entregar mais valor nutricional. A proteína ganha protagonismo nesse contexto por ser um nutriente essencial para a manutenção da massa muscular, da saúde metabólica e da sensação de saciedade prolongada. Não por acaso, médicos, nutricionistas e especialistas em saúde têm recomendado dietas com maior densidade proteica para pacientes em tratamento com esses medicamentos.
Esse movimento pode representar uma transformação significativa para toda a cadeia produtiva de proteínas animais, incluindo carne suína, bovina, aves, ovos e lácteos. Em vez de uma alimentação baseada apenas em volume ou calorias, a tendência aponta para uma nutrição cada vez mais orientada pela qualidade e pela densidade nutricional dos alimentos.
A proteína animal possui vantagens importantes nesse cenário, pois além de apresentar alto valor biológico, ou seja, fornecer todos os aminoácidos essenciais, ela também entrega nutrientes fundamentais como ferro, vitamina B12, zinco e outros compostos importantes para a saúde. Em um contexto de menor ingestão calórica, esses atributos passam a ser ainda mais valorizados.
Do ponto de vista do mercado essa mudança pode gerar novas oportunidades para o setor agropecuário. A valorização da proteína tende a fortalecer a demanda por alimentos que combinem qualidade nutricional, segurança alimentar e conveniência. Produtos que comuniquem claramente seus benefícios nutricionais e sua contribuição para uma alimentação equilibrada terão vantagem competitiva.
Ao mesmo tempo, abre-se uma oportunidade importante para que as cadeias de produção de proteína animal invistam ainda mais em comunicação e posicionamento junto ao consumidor. Durante muitos anos, grande parte do debate público sobre alimentação foi dominado por narrativas que priorizavam apenas a redução de calorias ou o consumo de determinados macronutrientes. Agora, começa a surgir uma abordagem mais equilibrada, que valoriza alimentos densos em nutrientes e menos processados.
Nesse cenário, o setor de proteína animal pode assumir um papel ainda mais estratégico na construção de uma alimentação saudável.

Foto: Shutterstock
Mais do que simplesmente produzir alimentos, o desafio passa a ser comunicar melhor os benefícios nutricionais, a qualidade dos sistemas produtivos e o papel dessas proteínas na saúde humana.
É importante lembrar que o agronegócio brasileiro ocupa uma posição de destaque global na produção de proteína animal. O país é um dos maiores produtores e exportadores de carnes do mundo e possui um sistema produtivo altamente eficiente e seguro. Entretanto, entender essas mudanças de comportamento e nos adaptarmos será fundamental. As transformações no consumo raramente acontecem de forma abrupta, mas quando uma nova tendência se consolida, ela pode redefinir mercados inteiros.
As chamadas canetas emagrecedoras podem ter surgido como uma solução médica para o tratamento da obesidade, mas seus efeitos já começam a ultrapassar os limites da medicina e alcançar o mercado de alimentos, entre outros.
E tudo indica que estamos diante de uma nova era em que a qualidade nutricional dos alimentos e especialmente a proteína volta a ocupar o centro do prato e das discussões sobre saúde e alimentação. E quem mais, senão nós, para darmos conta de tamanha responsabilidade (e oportunidade)?
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Rio Grande do Sul reforça monitoramento da gripe aviária após foco em aves silvestres
Equipes capacitam agentes de saúde, inspecionam propriedades rurais e intensificam vigilância sanitária na região da Reserva Ecológica do Taim.

O Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDA/Seapi) realizou, até esta quata-feira (12), a capacitação de 186 agentes de saúde e da área social, além de reuniões com gestores municipais em Rio Grande, Santa Vitória do Palmar e Chuí.
As ações vêm sendo desenvolvidas desde a notificação do primeiro caso de gripe aviária em aves silvestres, registrada no fim de fevereiro deste ano na Reserva Ecológica do Taim. Até o momento, 23 aves das espécies cisne-coscoroba e garça-moura foram recolhidas com a doença.

Fiscal agropecuária do DDA, Rosane Collares: “Finalizamos as atividades previstas, mas seguiremos na região para monitorar e ampliar as ações conforme a necessidade” – Foto: Divulgação
Segundo o diretor do DDA, Fernando Groff, o Estado mantém estrutura preparada para enfrentar a enfermidade. “O Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul está muito preparado para o enfrentamento da doença e segue atuando de forma permanente na região, com equipes em campo e ações coordenadas para enfrentar a gripe aviária e encerrar o foco o mais breve possível”, afirma.
A fiscal agropecuária do DDA, Rosane Collares, explica que as ações educativas e de articulação com os municípios continuam mesmo após a conclusão das atividades inicialmente previstas. “Finalizamos as atividades previstas, mas seguiremos na região para monitorar e ampliar as ações conforme a necessidade. Realizamos encontros nas três prefeituras, com reuniões individuais com gestores e também com agentes de saúde que, pela capilaridade, constituem um público muito importante na disseminação de informações nas comunidades”, ressalta.
Os encontros tiveram como objetivo atualizar gestores e profissionais sobre a situação sanitária e alinhar estratégias de prevenção e controle da doença. A articulação com autoridades locais e a capacitação de profissionais da saúde e da assistência social são consideradas medidas estratégicas para fortalecer a resposta ao foco.
As atividades também incluíram contato direto com a comunidade e reuniões com representantes das áreas de
educação, saúde, meio ambiente, agricultura e defesa civil, realizadas de forma presencial e on-line. A educação sanitária é apontada como um componente essencial da defesa agropecuária, tanto na prevenção quanto no enfrentamento de enfermidades.
Inspeção sanitária em propriedades rurais
Entre as medidas adotadas está a realização de uma varredura sanitária em propriedades com criação de aves. Desde o início de março, equipes técnicas realizam vistorias em um raio de até 10 quilômetros do local onde foi identificado o foco.
Ao todo, serão inspecionadas 93 propriedades com criação de aves de subsistência no entorno da reserva, com verificação das condições sanitárias e da presença de possíveis sintomas nos animais.
Também foram realizadas inspeções em granjas comerciais da regional de Pelotas e vistorias em criatórios de aves ornamentais em Santa Vitória do Palmar, com o objetivo de avaliar as medidas de biosseguridade e reduzir o risco de disseminação do vírus para a produção avícola.

Foto: Cassiane Osorio Ascom/Seapi
Atuação integrada
O Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS) atua de forma integrada com equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na Lagoa da Mangueira, onde foi identificado o foco em aves silvestres da espécie cisne-coscoroba.
Entre as ações estão vistorias em campo, monitoramento das aves com embarcações e o uso de drones para acompanhar a lagoa e a área afetada.
As amostras coletadas são encaminhadas ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), unidade de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), responsável por confirmar ou descartar a presença do vírus.
Casos suspeitos
A Secretaria da Agricultura orienta que qualquer suspeita da doença, caracterizada por sinais respiratórios ou neurológicos, além de mortalidade súbita e elevada em aves, seja comunicada imediatamente às autoridades sanitárias.
As notificações podem ser feitas nas Inspetorias ou Escritórios de Defesa Agropecuária, pelo sistema e-Sisbravet ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.



