Avicultura
Não existe mágica no controle da Salmonella, existe controle integrado
Para pesquisador, redução iminente ao uso de antibióticos vai potencializar a dificuldade em controlar esse patógeno nas granjas
Nada mais apropriado que uma palestra sobre prevenção da salmonelose na produção avícola. É esse o tema que o doutor em Ciência Animal, Eduardo Muniz, aborda no Seminário online Atualização em Microrganismos Emergentes e Reemergentes em Avicultura, disponibilizado no mês de março na rede mundial de computadores para aperfeiçoamento dos profissionais da cadeia produtiva. Promovido pela Agroqualita, consultoria do agronegócio com sede em Porto Alegre, RS, o evento online já foi visto por centenas de profissionais especializados. Além da palestra de Muniz, conta com extensa programação técnica.
Muniz explica que, em princípio, combater as salmoneloses é de extrema importância para a produção de alimentos e que conhecer bem o microrganismo, o hospedeiro e o ambiente são fundamentais para seu controle. “A agroindústria se sente pisando em ovos, uma vez que Salmonella oferece risco à qualidade do alimento, pois são possíveis causadoras das toxinfecções alimentares, o que representa ameaça ao nome e reputação das indústrias de alimentos. Seu controle é extremamente complexo e depende de um conjunto de ações denominado controle integrado”, pontua. Dados apresentados por ele mostram que a Salmonella é um dos 12 microrganismos que mais matam no mundo (tabela 1). “A Salmonella sempre se encontra entre os primeiros. Em casos extremos, sendo envolvido em óbito de seres humanos”, destaca.
MAIS CRÍTICO
A redução iminente ao uso de antibióticos preocupa o pesquisador. Em sua opinião, essa prática vai potencializar a dificuldade em controlar esse patógeno nas granjas. “Para tornar o tema mais crítico, existe uma forte tendência na produção avícola em se reduzir o uso de antimicrobianos para anteder mercado e acompanhar o consumidor. A indústria tem buscado por alternativas ao uso de medicamentos”. De acordo com ele, muito dessa tendência é motivada por estudos que apontam para resistência dos microrganismos aos antimicrobianos. “Existe até transferência de resistência por plasmídeos entre diferentes gêneros de bactérias”, amplia, destacando que um estudo já publicado demonstrou essa transferência de resistência da E. Coli para a Salmonella.
“O tema é bastante polêmico, mas o fato é que a sociedade pressiona para um uso menor, e a indústria está movendo esforços para buscar essas alternativas. Tudo (restrição) tem impacto no controle da Salmonella”, destaca.
TRÊS LINHA DE ATAQUE
Para alcançar um desejável controle das salmoneloses, explica Muniz, é preciso “conhecer o agente etiológico, o hospedeiro e a o ambiente e saber as interrelações entre esses três fatores”. “O roteiro apresentado no curso online é uma abordagem lógica dos principais pontos para manejo do microrganismo na agropecuária”, aposta.
HOSPEDEIRO
O hospedeiro nada mais é que a ave propriamente dita. Muniz explica que o animal pode receber a Salmonella tanto pela genética, ainda no ovo ou pela casca, quanto de ave para ave, já na granja. “A Salmonella é uma enterobactéria. A transmissão se faz tanto por via vertical, das matrizes para a progênie, ou de forma horizontal, de ave para ave, por contato ou ambiente contaminado, mas com contaminação de forma predominante por via oral – há relatos por via respiratória”, pontua. De acordo com ele, “no ceco, porção distal do trato digestivo, encontra melhores condições de sobrevivência e multiplicação”. “O papo também tem importância grande, pois quando levamos a ave contaminada para o abatedouro, existe de forma indesejável o rompimento de porções do intestino e do papo, com risco de contaminar a carne com a Salmonella”, orienta.
AGENTE ETIOLÓGICO
O agente etiológico, ou microrganismo, deve ser o primeiro que o produtor e o técnico precisam entender e conhecer de perto. Atualmente o sorovar mais problemático no Brasil, explica, é a Salmonella Heidelberg, que tem a maior prevalência e é de extrema dificuldade de controle.
“Entre as diversas Salmoenlas há uma enorme diversidade, mais de 2,5 mil sorovares, que possuem comportamentos biológicos diferentes. Esse é um dos fatores de dificuldade para o controle. Neste grupo, temos gêneros, com a Salmonella Gallinarum e Salmonella Pullorum, que causam doenças clínicas para as aves e não têm nenhum impacto para seres humanos. Por outro lado, temos o grupo das salmonelas paratíficas, praticamente são assintomáticas, não causam doença nas aves, mas quando contaminam a carne podem levar a ocorrências de infecções alimentares em humanos”, argumenta.
Ele explica que a Salmonella conseguiu adaptar mecanismo de invasão, uma capacidade de entrar dentro da célula e lá permanecer escondida sem que o hospedeiro consiga destruir o agente por mecanismos imunes. Para ele, esse é “um dos fatores mais importante dentro das dificuldades de controle do microrganismo, que muitas outras bactérias não conseguem, como a E. Coli”. “É o que explica as tentativas frustradas de tentar o controle por meio de antimicrobianos”, pontua. Para o pesquisador, membro do corpo técnico da Zoetis, é mais difícil combater o agente quando ele está escondido dentro da célula. Ainda segundo ele, isso faz com que a ave contaminada permaneça por período longo de forma inaparente, mas basta passar por uma situação de estresse para voltar a excretar a Salmonella no meio ambiente.
A MAIS INCÔMODA
Um dos mecanismos já observados pelos pesquisadores é que, quando um sorovar apresenta um aumento por dominância, o outro tem decréscimo, explica Muniz. “Outro aspecto interessante é a alternância de sorovares ao longo do tempo. Ou seja, à medida que há redução de um sorovar existe a emergência de outro sorovar. Assim, o controle de todos os sorovares encontrados na natureza passa a ser utópico. O mais sensato é fixar ferramentas de controle naqueles de maior importância para aves e humanos”, acentua.
De acordo com dados apresentados pelo profissional, a Salmonella que causa mais dor de cabeça no Brasil é a Heidelberg. Alertas rápidos publicados pela União Europeia (UE) até este ano mostram a maior prevalência desse sorovar (tabela 2). Os alertas têm como base as exportações brasileiras para a UE. “Fica claro que na avicultura brasileira é predominante a Salmonella Heidelberg. O grande desafio da avicultura, que tem demandado bastante pesquisa para que a indústria consiga descobrir ferramentas ideais para fazer o controle”, cita.
IMUNIDADE
Diferente da ave livre da natureza, a ave industrial não tem contato com a “mãe”, o que exige mais cuidados contra a Salmonella, menciona o palestrante. “Há diferença entre ave industrial e a ave caipira. Na natureza após a eclosão, a ave livre já recebe uma carga muito grande de bactérias da mãe no ninho, nas fezes presentes no ambiente, e de certa forma, essa microbiota participa da proteção do recém nascido. Essa carga, na maioria das vezes, é composta por bactérias benéficas. Já o frango industrial não tem contato com a mãe, pois os ovos férteis vão para o incubatório. Essa ave industrial não recebe a microbiota da progenitora. Justamente por isso é imperativo dentro do controle que as reprodutoras não transfiram a contaminação para a progênie. É o primeiro passo do controle – ter reprodutoras livres (de Salmonella)”, menciona.
Nesse contexto, um bom desenvolvimento da microbiota das aves é fundamental. “As bactérias gram negativas são consideradas ‘personas non gratas’, devem ser excluídas. Sob essa ótica, importante que haja ferramentas para formação de microflora predominantemente gram positivas para ajudar as aves que são criadas em ambiente industrial”, situa.
De acordo com Muniz, existem várias ferramentas e opções para o controle da Salmonella ou para melhorar a resposta imune, mas é preciso usar com parcimônia e, caso haja misturas, devem ser bem estudadas porque o produtor colocando vários aditivos ao mesmo tempo pode, ao invés de estar ajudando o animal, está auxiliando à perda de desempenho ou mesmo gerando antagonismo. Ele destaca durante a palestra alguns estudos com aditivos e resultados que podem embasar o profissional de campo.
VACINAS
Uma das ações concretas para o controle da Salmonella é a vacinação, cita Muniz. “É ferramenta importante no controle da Salmonella”. De acordo com ele, estudos demonstram que o uso das vacinas vivas com inativadas promovem melhores resultados para as aves. “Os melhores resultados são obtidos quando associada a vacina viva, que tem efeito de ocupar espaço e estimular a imunidade de mucosa, e a inativa, que tem como efeito a produção de altos níveis de anticorpos, que contribuem na proteção sistêmica da Salmonella”, sugere.
Entre as características que ele cita como determinantes para a vacinação estão “capacidade de reduzir a transmissão vertical para não contaminar a casca do ovo, prevenir contaminação do trato reprodutivo, potencial de proteção cruzada, segurança para aves para que não haja reversão de virulência, não pode interferir no desenvolvimento da ave, de preferência devem ser sensíveis aos antibióticos, praticidade na aplicação massal (spray, água de bebida) e capaz de ser diferenciada da cepa de campo”, aponta.
ESTUDOS
Em um estudo, foram usados ácidos orgânicos, prebióticos e probióticos. Muniz conta que o objetivo era entender como essas ferramentas estimulavam o sistema imune das aves. O estudo foi conduzido na Universidade Federal do Paraná (UFPR). “As aves que receberam ácidos tiveram redução de carga (bacteriana) no papo. Por outro lado, o mesmo não se observou no ceco”, onde a Salmonella mais está presente. Percebemos dificuldades dos ácidos em atingir todas as porções do intestino, em atingir a porção distal”, cita.
O mesmo experimento aconteceu com os probióticos, que se mostraram mais eficientes no ceco, porém menos no papo. “O mesmo delineamento experimental fizemos com probióticos, mas com quatro produtos diferentes. Os probióticos tiveram efeito significativo no ceco (porção distal) e redução de excreção da Salmonella, por outro lado não percebemos os efeitos no papo, o que era até esperado, porque atua mais no intestino e no ceco”, comenta o estudioso.
Também foi observado que “probióticos são capazes de modular a resposta imune, através do recrutamento de linfócitos na mucosa intestinal, tornando o organismo mais eficaz no controle desse patógeno, tornando a ave mais habilitada para responder a esses desafios”, frisa.
Em um terceiro experimento para avaliar a sinergia/antagonismo, uniram ácidos orgânicos com prebióticos e probióticos, versus apenas probióticos. Ao invés de sinergia, perceberam antagonismo. “Não percebemos efeito de sinergia. O probiótico sozinho teve resultado melhor do que a mistura de três produtos. Pode haver um certo antagonismo quando fazemos misturas de diferentes ferramentas. Claro que devem haver associações sinérgicas, porém o trabalho chama atenção para que avalie a relação entre esses diferentes produtos”, orienta. “Os produtos alternativos (aos antibióticos) já são consideradas ferramentas válidas para o controle da saúde intestinal”, afirma.
AMBIENTE
O terceiro tripé é o ambiente, argumenta Muniz, que alerta para a falta de controle nesse setor. “Muitas vezes o ambiente é fator subestimado dentro do controle das salmoneloses. O ponto mais crítico é a forma de alta densidade em que são criadas as aves. Essa situação permite que haja rápida disseminação quando o microrganismo atinge o ambiente. Por isso é difícil controlar a Salmonella na avicultura”, pontua.
Ele explica que exatamente por isso essencial é fazer com que o patógeno não chegue à granja. “Por conta desse risco aumentado é fundamental prevenir a chegada do microrganismo no meio ambiente. A disseminação é facilitada de ave para ave”, comenta. De acordo com ele, estudos mostram que poucas aves contaminadas podem contaminar 40% do plantel em 48 horas.
Para ele, biosseguridade deve ser algo feito de forma impecável. “A biosseguridade é um conjunto de medidas para prevenir a entrada de agentes causadores de enfermidade em uma região (granja/propriedade), controlar a disseminação e evitar a saída deste agente da região. Ela depende de investimento em estrutura, educação continuada, muita disciplina para que o que foi planejado seja executado e dedicação por parte das pessoas envolvidas”, sugere.
“Muito se fala na busca da propriedade ideal, mas a grosso modo a biosseguridade está preservada quando se aplica o conceito de área limpa e área suja. Tudo o que está dentro do núcleo passa por controle extremo com vacinação, limpeza, desinfecção, controle de fluxo”, garante.
SALMONELLA EXPULSA DA CAMA
Para ele, vários métodos empregados hoje são eficazes. “Existem vários tratamentos adequados para reaproveitamento da cama, como uso de lona, muito eficaz para cascudinhos, uso do cal para alteração do pH e redução da atividade da água, amontoamento da cama, que eleva a temperatura e reduz a contaminação. Todas são alternativas válidas para redução da contaminação ambiental especialmente da cama”
De acordo com o pesquisador, estudos demonstram que os níveis de Salmonella reduzem à medida que a cama de aviário é reutilizada. Isso não descarta o tratamento da cama e sua substituição, de tempo em tempo, porque outros microrganismos se formam no conteúdo. “Quando se faz a reutilização da cama por sucessivos lotes aplicando técnicas, é possível perceber até a redução na contaminação por Salmonella. A Salmonella é uma péssima competidora. A medida que se faz reutilização, outras bactérias competem e excluem as salmonellas das granjas”, cita, apontando outro estudo conduzido na UFPR. “A Salmonella tem dificuldade de competir com outros microrganismos”, reforça.
MANEJO INTEGRADO
Muniz sustenta que o manejo integrado depende de conhecer microrganismo, hospedeiro e ambiente, mas é dependente das pessoas. “Atitudes simples, como a higiene das mãos, são atitudes que demandam treinamento e investimento para que haja entendimento de que hábitos simples são importantes para o controle desse microrganismo. Esse é o grande desafio do técnico, do extensionista rural”, sugere Muniz, destacando ainda a necessidade de um controle de pragas. “Vetores, como roedores, aves silvestres, animais domésticos, cascudinhos, desempenham papel primordial na manutenção da Salmonella. Portanto, manejo integrado, que leva em consideração as particularidades da granja, é imprescindível”.
“É importante enxergar de forma holística, olhando o agente e a relação que tem com o hospedeiro, olhando ambiente e as ações necessárias para controle. O controle das salmoneloses depende de uma visão integrada dessa doença, levando em consideração todos esses fatores para termos sucesso. Manejo, vacinação, biossegurança integrada como engrenagem, pessoas com disciplina, iniciativa, protagonismo, estratégia e resiliência são fundamentais para o sucesso do controle integrado. Não existe mágica no controle da Salmonella, existe controle integrado”, acredita o palestrante.
Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2018 ou online.
Eduardo Muniz tem sua palestra no Seminário online Atualização em Microrganismos Emergentes e Reemergentes em Avicultura, disponibilizado no mês de março na rede mundial de computadores para aperfeiçoamento dos profissionais da cadeia produtiva
Fonte: O Presente Rural

Avicultura Em Arapongas (PR)
1ª Feira Aves Seara deve reunir dois mil produtores do Paraná e Mato Grosso do Sul
Evento exclusivo para integrados terá painéis com lideranças da avicultura, exposição de tecnologias e participação de mais de 40 empresas do setor.

Arapongas, no Norte do Paraná, será palco da primeira edição da Feira Aves Seara na próxima sexta-feira (26). A iniciativa, criada para fortalecer a cadeia produtiva avícola e ampliar o desenvolvimento dos produtores integrados da companhia, deve reunir cerca de dois mil avicultores de frangos de corte e matrizes ligados às operações da empresa no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

Diretor-executivo de Agropecuária da Seara, José Antônio Ribas Junior: “A feira foi criada para fortalecer essa parceria de longo prazo, promovendo acesso a conhecimento, tecnologia e inovação que contribuam para o desenvolvimento das propriedades e para a evolução contínua da avicultura brasileira” – Foto: Divulgação
Com participação gratuita e exclusiva para os integrados, o evento foi estruturado como um ambiente de troca de experiências, atualização técnica e geração de oportunidades para o setor. A programação terá início às 08h30, no Golden Hall Eventos, às margens da PR-218, Km 5, na saída para Astorga.
Segundo o diretor-executivo de Agropecuária da Seara, José Antônio Ribas Junior, a proposta é reforçar a parceria construída com os produtores ao longo dos anos. “Os produtores integrados são protagonistas do modelo de negócio da Seara e fundamentais para a qualidade e a competitividade dos nossos produtos. A feira foi criada para fortalecer essa parceria de longo prazo, promovendo acesso a conhecimento, tecnologia e inovação que contribuam para o desenvolvimento das propriedades e para a evolução contínua da avicultura brasileira”, afirma.
Debates com lideranças da avicultura
A programação inclui painéis e debates com executivos da Seara e representantes de destaque do setor avícola nacional. Entre os convidados estão Francisco Turra, conselheiro da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), e Ricardo Santin, presidente da entidade.

Foto: Divulgação
Além do conteúdo técnico, os participantes terão acesso a uma área de exposição com mais de 40 empresas fornecedoras de equipamentos, tecnologias e soluções para a atividade. Também estarão presentes companhias ligadas às áreas de nutrição animal, genética e bem-estar animal, apresentando inovações, tendências e oportunidades de negócios para os produtores.
Plataforma de relacionamento com mais de 10 mil integrados
A Feira Aves Seara faz parte da Plataforma SuperAgro, principal programa de relacionamento da companhia com seus mais de 10 mil produtores integrados de aves e suínos em todo o país.
Criada há mais de uma década, a iniciativa reúne ações voltadas ao reconhecimento dos produtores, acompanhamento de desempenho, capacitação técnica e gerencial, treinamentos e suporte às propriedades, com foco no fortalecimento da atividade no campo e na evolução sustentável da cadeia produtiva.
Avicultura
Um em cada três frangos abatidos no Brasil sai do Paraná
Estado respondeu por 35% da produção nacional no primeiro trimestre de 2026, período em que o país atingiu o maior volume de abates da série histórica.

O Paraná ampliou sua liderança na avicultura brasileira e respondeu sozinho por mais de um terço de todos os frangos abatidos no país no primeiro trimestre de 2026. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o estado concentrou 35% do abate nacional no período, mantendo ampla vantagem sobre os demais produtores.

Foto: Ari Dias
Ao todo, o Brasil abateu 1,71 bilhão de frangos entre janeiro e março, resultado 3,6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apesar do crescimento anual, houve ligeira retração de 0,5% em relação ao quarto trimestre de 2025.
Ainda assim, o desempenho foi suficiente para garantir o melhor resultado já registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica do IBGE, em 1997. O mesmo ocorreu com os abates de bovinos e suínos, indicando um começo de ano marcado por volumes recordes nas principais cadeias de proteína animal do país.
A distância do Paraná em relação aos demais estados ajuda a dimensionar a importância da avicultura na economia estadual. Com participação de 35%, o estado produz praticamente três vezes mais do que o quarto colocado nacional.
Na sequência aparecem Santa Catarina, com 13,3% do total abatido, Rio Grande do Sul, com 11,8%, e São Paulo, com 10,9%. Juntos, os quatro estados responderam por mais de 70% do abate nacional de frangos no primeiro trimestre.
Produção de carne cresce acima do ritmo de abate
Além do aumento no número de aves abatidas, a produção de carne de frango registrou expansão ainda maior no

Foto: Ari Dias
início deste ano.
O peso acumulado das carcaças alcançou 3,73 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026, alta de 6,9% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 2,2% frente ao trimestre imediatamente anterior.
O crescimento da produção em ritmo superior ao do abate indica ganho de eficiência na cadeia produtiva, com aves mais pesadas e melhor aproveitamento dos sistemas de criação e processamento.
A avicultura brasileira ocupa posição estratégica no agronegócio nacional. Além de atender ao mercado interno, o setor é fortemente orientado às exportações e possui no Sul do país sua principal base produtiva, sustentada pela integração entre produtores, cooperativas e agroindústrias.
Os números divulgados pelo IBGE reforçam essa concentração. Somente Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul responderam por 60,1% do abate nacional no primeiro trimestre, confirmando a Região Sul como o principal polo da produção brasileira de carne de frango.
Avicultura
Galinhas livres de gaiolas e foco em biossegurança garantem produção de ovos bem-sucedida
Plantel de 500 mil aves, produção sem antibióticos melhoradores de desempenho e certificação em bem-estar animal sustentam o modelo adotado pela Planalto Ovos há oito anos.

Galinhas livres de gaiolas, biosseguridade e a adoção de sistemas preventivos e sustentáveis garantem há oito anos o sucesso da Planalto Ovos, cujos resultados produtivos obtidos ao longo da sua trajetória demonstram a consistência do modelo escolhido para sua operação desde a concepção do projeto. Membro fundadora da Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA), a empresa mantém hoje um plantel de aproximadamente 500 mil aves, distribuídas entre diferentes unidades produtivas em Minas Gerais.

Foto: Divulgação
A decisão de adotar a criação de galinhas livres foi influenciada pela experiência prévia dos sócios na avicultura, construída entre 1964 e 2017 na Granja Planalto, e pela avaliação de que o modelo permitiria estruturar uma produção baseada em manejo cuidadoso, disciplina sanitária e qualidade do produto.
Em 2018, o mercado brasileiro de ovos provenientes de sistemas alternativos ainda era pouco desenvolvido. Existiam iniciativas pontuais, muitas vezes de pequena escala e com baixa padronização de processos. Porém, as mudanças observadas em mercados internacionais indicavam que modelos de criação que proporcionassem melhores condições às aves tenderiam a ganhar relevância ao longo do tempo. Esse contexto sinalizava uma oportunidade para a Planalto, que desde o início descartou a ideia de realizar uma transição gradual a partir de estruturas convencionais.
Toda a produção da empresa é desde então conduzida em sistemas livres de gaiolas ou caipira e integralmente certificada em bem-estar animal, para estabelecer um elevado padrão produtivo para todas as aves, independentemente do destino comercial dos ovos. Essa abordagem contribui para maior consistência operacional e reforça o princípio de que as práticas de manejo e as condições de criação devem ser uniformes em todo o plantel.
Biosseguridade como eixo central da produção
Desde a concepção do projeto, a biosseguridade foi estabelecida como um dos principais pilares da operação. Inicialmente havia preocupação de que a criação no piso pudesse ampliar o risco de desafios sanitários. Na prática, a experiência demonstrou que um programa robusto de prevenção, aliado a boas condições de manejo, permite manter estabilidade sanitária e consistência produtiva.

Foto: Divulgação
Um dos desdobramentos dessa abordagem foi conduzir a produção sem utilização de antibióticos como melhoradores de desempenho. Para viabilizar esse modelo, a empresa estruturou um conjunto integrado de medidas preventivas, baseadas em biosseguridade rigorosa, nutrição equilibrada e manejo adequado das aves.
Nesse contexto, são utilizadas alternativas tecnológicas que contribuem para a saúde intestinal e para a estabilidade da microbiota das aves, como probióticos e simbióticos, ácidos orgânicos e óleos essenciais. Essas ferramentas auxiliam na manutenção do equilíbrio microbiológico e reduzem a necessidade de intervenções terapêuticas ao longo do ciclo produtivo.
A abordagem está alinhada ao conceito de Saúde Única, que reconhece a interdependência entre saúde animal, saúde humana e equilíbrio ambiental, reforçando a importância de sistemas produtivos preventivos e sustentáveis.
A estrutura produtiva é compartimentalizada, com unidades fisicamente separadas (fábrica de ração, fazendas e entreposto de ovos), o que, apesar de aumentar a complexidade logística, reduz significativamente o risco de disseminação de patógenos.
O manejo sanitário inclui vacinação, monitoramento, controle de acesso e desinfecção, com atenção adicional, em sistemas no piso, ao manejo da cama, escolha do ninho e prevenção de endoparasitas.
Reconhecimento internacional
Os resultados produtivos obtidos demonstram a consistência do modelo adotado. Um dos marcos mais relevantes foi o reconhecimento de um lote da linhagem Lohmann como o mais produtivo já registrado pela genética, atingindo 593,8 ovos por ave alojada.
A empresa também recebeu em 2024 o Good Egg Award, concedido pelo ONG de bem-estar animal internacional Compassion in World Farming. A premiação reconhece empresas que adotam padrões elevados de criação e práticas alinhadas à melhoria das condições de vida das galinhas poedeiras.

Diretor da Planalto Ovos, Daniel Mohallem: “A viabilidade de sistemas livres de gaiolas depende menos de discurso e mais de execução: planejamento, disciplina sanitária, observação das aves, equipe capacitada e expansão alinhada à demanda” – Foto: Divulgação
Segundo a empresa, esses reconhecimentos demonstram que essas dimensões não são conflitantes, mas que é possível combinar altos níveis de bem-estar animal com alta e consistente produtividade.
Cooperação e perspectivas para o setor
A participação na criação da COBEA está alinhada à visão de que iniciativas colaborativas podem acelerar o aprendizado do setor. A troca de experiências entre empresas, academia e organizações da cadeia produtiva contribui para ampliar o alcance de boas práticas e fortalecer discussões técnicas e estratégicas sobre produção animal.
Na avaliação da Planalto Ovos, o Brasil tem capacidade técnica para avançar, mas enfrenta desafios como acesso a financiamento, custos mais altos e necessidade de melhor organização comercial; nesse contexto, certificações independentes são chave para diferenciar boas práticas e dar transparência ao mercado. “A viabilidade de sistemas livres de gaiolas depende menos de discurso e mais de execução: planejamento, disciplina sanitária, observação das aves, equipe capacitada e expansão alinhada à demanda. Nossa participação na COBEA serve não apenas para compartilhar nossa experiência com outros, mas também para evoluir em conjunto e promover a colaboração necessária em toda a cadeia de valor, o que pode ajudar a acelerar a transição para sistemas de produção que promovam um melhor bem-estar animal”, afirma o diretor da Planalto Ovos, Daniel Mohallem.
