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Homeopatia acabou com as constantes visitas dos veterinários, diz pecuarista
Nesses dez anos, nunca tivemos grandes problemas. Hoje temos carrapato e verruga controlados. A mastite é praticamente zero, revela o produtor rural Inácio Mattiuzzi
Caminhando entre o rebanho tranquilo e sadio no verão escaldante de Terra Roxa, no Oeste paranaense, o produtor rural Inácio Mattiuzzi garante que fez a escolha certa há dez anos, quando trocou a alopatia pela homeopatia na produção de leite. Ele e os filhos Tiago Roberto e Marcos Vinícius tocam a propriedade com 120 vacas, que produzem aproximadamente 1,1 mil litros de leite por dia. Ele usa a homeopatia em várias frentes, que vão desde o auxílio à fixação do embrião no útero ao controle de mastite e carrapatos. Mais que isso, afirma que “a homeopatia acabou com as constantes visitas dos veterinários”. “O veterinário vem aqui pra tomar chimarrão, porque não tem o que fazer”, brinca.
A família comprou a propriedade há dez anos, sabendo dos graves problemas com carrapato e mastite que o local oferecia. O antigo proprietário, também produtor de leite, encerrou as atividades por conta desses desafios. Mesmo assim, investiram na fazenda, mas se apoiaram na homeopatia para eliminar os desafios. “O dono anterior já tinha muito problema com carrapato, verruga e mastite. A gente sabia que a propriedade estava infestada de carrapato. Começamos a fazer o controle e então descobrimos a homeopatia”, lembra o produtor. “Nesses dez anos, nunca tivemos grandes problemas. Hoje temos carrapato e verruga controlados. A mastite é praticamente zero”, revela.
Na propriedade, explica a médica veterinária Mônica Freire, da Real H, empresa que atende a família Mattiuzzi, a homeopatia é usada de modo preventivo, para estimular a resposta natural do organismo, em todo o rebanho ou em grupos específicos, dependendo do desafio ou interesse. “Para prevenção de mastite e drenagem do fígado – que auxilia a eliminação de micotoxinas e a metabolizar os medicamentos -, por exemplo, usamos a homeopatia em todo o rebanho. Para retenção de placenta, usamos para vacas que estão no pré-parto. Ela ajuda a eliminar a placenta”, cita. “Essa medicação deixa o útero limpo, sem infecção”, emenda Tiago. “Vacas recém prenhas recebem uma medicação para ajudar na fixação do embrião”, amplia Freire.
A medicação é misturada à dieta dos animais, à base de pasto, silagem, feno, ração e minerais. Inácio cita benefícios que alcançou ao homeopatizar o rebanho. “Quando a gente usava a alopatia a gente tinha três, quatro casos de amarelão por semana. Era um grande problema. Nesse último ano, com a homeopatia, tivemos só um caso”, diz. “É melhor prevenir que curar ou até perder um animal”, avalia Mattiuzzi.
Para o diretor técnico da Real H, Mário Renck Real, o sucesso da homeopatia está exatamente na prevenção a enfermidades. “Por muitos anos, a homeopatia foi usada como uma medicina individual e curativa, mas no dia a dia percebemos que poderíamos usá-la coletivamente e preventivamente”, conta. “Usamos a homeopatia para estimular a resposta natural do animal, reduzindo a resposta ao estresse, o que resulta em melhor produção, como prenhes, leite, retorno ao cio menor, menos diarreia, etc. Ela tem o aspecto curativo, mas 85% da abordagem da homeopatia é a prevenção”, comenta Real.
Ele explica que o Brasil é um dos países em que a homeopatia na produção animal está mais difundida no mundo. “O Brasil é pioneiro na homeopatia aplicada a animais em grandes populações. Ninguém faz como nós, mas também exportamos (medicamentos) para Paraguai, Bolívia, África do Sul, França”, cita.
Novo Mercado
Adeptos, os produtores do Paraná citam ainda que a homeopatia vem de encontro ao que o mercado mundial está pedindo: alimentos mais seguros e sustentáveis. “A homeopatia não causa nenhum problema no animal, não tem carência, deixa o leite livre de resíduos. Além disso, não contamina o meio ambiente”, avalia Mattiuzzi. O filho explica, porém, que ainda espera melhor retorno econômico por conta do método que usa. “A gente tem um leite com mais qualidade, mais gordura, proteína e menos células somáticas, mas a indústria ainda não paga a mais para quem usa a homeopatia. Estamos esperando”, diz Tiago.
Menos Custos
Para os produtores, a homeopatia ainda tem outros benefícios, como o custo. “A homeopatia é de fácil administração, porque a gente mistura no mineral, mantém as vacas sadias e produtivas e elimina 95% as visitas do veterinário”, expõe. “O veterinário só vem mesmo para questões básicas, como vacinar contra brucelose”, emenda o filho Marcos. “Tenho vizinhos que não usam a homeopatia e gastam R$ 3 mil, quatro mil por mês com medicação. Eu devo gastar R$ 200 ou R$ 300”, comenta Mattiuzzi.
Mais Benefícios
O professor Ranulfo Piau Júnior, da Universidade Paranaense (Unipar), em Umuarama, no Noroeste do estado, cita que o custo da homeopatia pode ser a metade dos custos com a alopatia na bovinocultura. “Os custos da utilização da homeopatia são menores. Ela pode reduzir até 50% do custo quando comparada à alopatia”, cita.
Piau Júnior lidera o laboratório da Minerphós, outra empresa de medicamentos homeopáticos no país. Doutor em Biomedicina, ele esteve à frente da criação de alguns dos mais eficientes medicamentos do mercado de homeopatia animal, também conhecida como zoopatia. Ele cita diversos benefícios que o método pode oferecer. “A homeopatia reduz o estresse nos animais, promove o bem estar animal, não deixa resíduos na carne e no leite, como acontece com o uso dos antibióticos, carrapaticidas, vermífugos, anti-inflamatórios, etc. Ela pode ser usada na produção orgânica de alimentos de origem animal. Além disso, o produto homeopático é de fácil administração – misturado no sal ou ração -, não contamina o meio ambiente, reduz os custos de produção, confere sustentabilidade aos meios de produção e não têm contraindicações, nem efeitos colaterais”, revela.
De acordo com ele, a administração do produto homeopático pode ser de forma preventiva e curativa. “No tratamento preventivo, utilizamos o produto homeopatia antes que ocorra a doença, prevenindo a ocorrência, por exemplo, contra a mastite em bovinos. No tratamento curativo, vamos utilizar a homeopatia para tratar a doença já instalada”.
Conforme Piau Júnior, “a homeopatia trata um grande número de doenças em grandes, médios e pequenos animais” e tem reflexos na produtividade. “A homeopatia trabalha com os sintomas das doenças, praticamente trata quase todas as doenças. Além de tratar doenças e estimular a imunidade dos animais, a homeopatia atua em determinados órgãos e glândulas, aumentando desta forma o desempenho e a produtividade dos animais”.
De acordo com ele o método atinge os mesmos resultados e a abrangência da medicação alopática. “Além de atuar nas doenças de forma preventiva e curativa, a homeopatia promove uma equilibrismo fisiológico no animal, reduz o estresse e atua como imunomodulador”.
Informação
O professor explica que o método ganha cada vez mais adeptos, mas cita a falta de informações para o produtor conhecer mais sobre as vantagens frente à alopatia. “Não sabemos os valores exatos, mas o uso da homeopatia na produção animal tem crescido muito nos últimos dez anos no Brasil. Falta mais informação ao produtor sobre os benefícios e vantagens da homeopatia”, orienta.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Nova política chinesa para carne bovina pressiona margens da pecuária brasileira
Excedente fora da cota tende a encarecer o acesso ao principal mercado e desacelerar investimentos em confinamento e expansão do rebanho.

A partir desse ano, a China passa a adotar cotas anuais para a importação de carne bovina, inaugurando uma nova fase na relação comercial com os grandes exportadores globais. Pelo novo modelo, os volumes dentro da cota seguirão sujeitos à tarifa de 12%, enquanto o excedente será onerado com uma sobretaxa de 55%. A política terá vigência inicial de três anos e atinge diretamente o Brasil, responsável por cerca de metade da receita das exportações chinesas de carne bovina.
O ponto central da medida não está em um bloqueio imediato, mas na mudança estrutural do fluxo de mercado. A cota anunciada cobre aproximadamente 65% do volume atualmente exportado pelo Brasil, criando um excedente relevante que dificilmente encontrará realocação no curto prazo, dada a limitação de absorção de outros destinos. “A China não está interrompendo as compras, mas redesenhando a forma como controla preços, contratos e volumes. A carne bovina deixa de ser um fluxo livre e passa a funcionar como um ativo regulado”, explica a agrônoma Yedda Monteiro.

Instrumento de barganha e ajuste de oferta
Diferentemente de embargos sanitários ou medidas emergenciais, a cota funciona como um mecanismo estrutural de controle, permitindo à China reduzir sua dependência marginal de proteína importada sem comprometer o abastecimento interno. Ao mesmo tempo, o modelo amplia o poder de barganha do país asiático sobre preços e prazos, além de forçar ajustes de oferta nos países exportadores mais eficientes. “Ao estabelecer um teto formal, Pequim ganha flexibilidade para comprar quando quiser e pressionar preços em momentos de excesso de oferta, evitando repasses inflacionários ao consumidor doméstico”, expõe Yedda.
Na prática, o impacto não se manifesta como choque imediato de mercado, mas como mudança de expectativa. A partir de 2026, o setor tende a operar com maior cautela, o que pode desacelerar a expansão do rebanho, reduzir investimentos em confinamento e alargar o ciclo pecuário como forma de diluir o risco.
Efeito indireto sobre milho e soja aparece na margem
É por esse canal que a decisão chinesa ultrapassa a pecuária e alcança os mercados de grãos. Embora o consumo direto de milho pela bovinocultura represente uma fatia menor do total nacional, ele funciona como demanda marginal justamente nos momentos de excesso de oferta, ajudando a equilibrar o mercado.
Nos últimos ciclos, a relação boi × milho foi favorecida pela combinação de preços firmes da carne, sustentados pela China, e milho pressionado por safras elevadas. Esse arranjo estimulou a intensificação da produção e o uso de ração. Com as cotas, essa sustentação deixa de ser estrutural e passa a ser cíclica e oportunista. “O impacto não aparece no embarque, mas na decisão produtiva. Quando a previsibilidade do escoamento diminui, o produtor ajusta a margem, e isso se reflete no consumo de milho e farelo de soja”, ressalta a agrônoma.

No curto prazo, o efeito tende a ser limitado, especialmente se o milho seguir pressionado pela oferta. Já no médio prazo, a partir do segundo semestre de 2026, o cenário mais provável é de menor crescimento do consumo de grãos pela pecuária, aumentando a dependência de outros vetores de absorção, como exportações e etanol.
Ajuste fino, não ruptura
A leitura do mercado é de ajuste gradual, não de ruptura. As cotas chinesas não desmontam a dinâmica de exportação da carne brasileira, mas retiram um importante pilar de sustentação permanente da relação entre pecuária e grãos. O impacto ocorre na margem, na estratégia e no ritmo de crescimento do setor ao longo de 2026. “É um ajuste que pesa mais do que parece, porque acontece justamente quando o mercado precisa de demanda adicional para equilibrar excedentes. O erro seria tratar esse novo cenário como se a sustentação chinesa fosse infinita”, salienta.
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Mato Grosso bate recordes e projeta novo salto na pecuária de corte em 2026
Presidente da Acrimat detalha avanços, gargalos e desafios da cadeia em um ano marcado por exportações e expansão da produção.

O Mato Grosso reafirmou em 2025 sua posição como maior potência pecuária do país, respondendo sozinho por 18,5% de todo o Valor Bruto da Produção (VBP) de bovinos do Brasil. Segundo dados parciais do painel nacional do VBP, divulgado em 21 de novembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estado movimentou R$ 37,96 bilhões com a cadeia bovina, se mantendo como o produtor individual mais relevante entre todas as unidades federativas.
No cenário nacional, o VBP dos bovinos somou R$ 205,38 bilhões, consolidando a atividade como uma das mais robustas da agropecuária brasileira. No ranking dos quatro principais produtores figuram ainda São Paulo (R$ 24,82 bilhões), Mato Grosso do Sul (R$ 20,49 bilhões) e Goiás (R$ 20,44 bilhões). Por sua vez, o VBP total do estado alcança R$ 220,43 bilhões, e a atividade bovina representa 15,6%, compondo parcela significativa da produção agropecuária local, ao lado de culturas como soja e milho, que lideram o ranking estadual.

Presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr.: “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”
Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr., detalhou os avanços, os desafios e a visão estratégica do setor para 2026. “O ano de 2025 foi marcado por recordes de produção, abates e exportação, fortalecendo a posição de Mato Grosso como o principal fornecedor de carne bovina do Brasil para o mercado interno e para mais de 80 nações”, frisa.
O estado encerrou 2025 com cerca de 7,2 milhões de animais abatidos, número nunca antes registrado. Ribeiro Jr. explica que o resultado foi impulsionado tanto pelo bom desempenho dos sistemas a pasto quanto pela intensificação dos modelos de terminação. “Aumentamos em cerca de 4% a área de confinamento”, afirmou.
Ele ressalta que o movimento coincidiu com um período de forte demanda internacional. “A exportação seguiu em alta, com abertura de novos mercados. O Sudeste asiático se tornou um destino em expansão impressionante. Além disso, tivemos a retomada do mercado norte-americano e o crescimento significativo das compras do México”, ressalta.
Padronização da produção
O avanço das áreas de confinamento reforça a busca por maior eficiência e previsibilidade na cadeia produtiva. Para Ribeiro Jr., os ganhos são relevantes, mas o processo ainda está longe de substituir totalmente a pecuária a pasto. “Os frigoríficos atendem diversos mercados e consequentemente diversos tipos de demandas. Uns querem carne sem gordura, outros querem desossada, gerando dificuldades no abate”, explica.
Segundo ele, esse cenário exige regularidade e previsibilidade. “Os frigoríficos precisam padronizar o rendimento de carcaça, precocidade, volume e frequência, e os confinamentos procuram suprir essa necessidade. Porém a demanda é grande e o confinamento é uma solução boa para padronizar, mas ainda não é definitiva. O frigorífico ainda depende do boi a pasto”, pondera.
Mercados internacionais em expansão
O presidente da Acrimat também projeta um ambiente favorável às exportações no próximo ano. A carne mato-grossense deve continuar ocupando espaço em mercados de alto consumo e em nações que vêm ampliando as compras nos últimos meses. “Acredito que o mercado americano ainda seja um mercado que vai demandar muito a nossa carne, pela necessidade histórica que eles têm pelos nossos produtos”, avalia.
Ele destaca que surpresas positivas vieram de mercados que não figuravam entre os principais destinos do estado. “A surpresa boa é como México e Rússia vêm comprando muito a nossa carne, além do Sudeste Asiático – Indonésia, Filipinas, Singapura e Vietnã – que se mostram em franca ascensão e devem continuar desta forma em 2026”, afirma.
Oscilações do mercado
Para o dirigente, o maior desafio do produtor em 2025 e também em 2026 é garantir remuneração adequada. “O maior desafio de hoje é ser mais bem remunerado pelo que se produz. Somos muito vulneráveis pelas oscilações de mercado, guerras e governos, sempre com retrocessos destes preços”, menciona.
Ribeiro Jr. lembra que, no passado, a volatilidade do mercado era compensada em determinados períodos, mas essa dinâmica mudou. “Alguns anos atrás o pecuarista tinha a recuperação desses preços. Hoje essa oscilação positiva está cada vez mais escassa, tirando muita gente do jogo. Hoje não há mais espaço para amadores, principalmente na terminação”, alerta, recomendando que o produtor faça suas contas bem-feitas para se manter no setor.
Processo de adaptação
Com a pressão global por sustentabilidade e rastreabilidade, a pecuária mato-grossense passa por um processo de adaptação. Ribeiro Jr. reconhece que o setor enfrenta um caminho inevitável. “Temos plena consciência de que a rastreabilidade é um caminho sem volta. Mas gostaríamos que fosse gradativa e não obrigatória”, defende.
A maior preocupação recai sobre os pequenos e médios produtores. “Se houver essa obrigatoriedade, que ao menos seja acessível para quem não tem condição de investir em sustentabilidade e rastreabilidade, já que esses processos encarecem a produção e os preços não serão compatíveis com os novos custos”, salienta, afirmando que a Acrimat acompanha de perto as discussões: “Estamos trabalhando junto à Câmara Setorial e ao Mapa nesse projeto de rastreabilidade, e acreditamos que ele deve ser opcional”.
Gargalos persistem
Apesar dos avanços, o estado enfrenta entraves estruturais que limitam seu potencial. O presidente da Acrimat destaca especialmente a logística. “Temos vários gargalos ainda, principalmente em Mato Grosso, que tem uma extensão continental. A maior dificuldade vem da logística, onde grandes regiões produtoras ainda não têm frigoríficos”, aponta.
A consequência recai diretamente sobre o bolso do produtor. “Os animais precisam se deslocar de 400 a 500 quilômetros para chegar ao frigorífico mais próximo, perdendo peso e gerando prejuízo”, relata.
Além disso, a distância dos portos exportadores encarece o frete. Ribeiro Jr. também aponta entraves ambientais e fundiários. “Precisamos de mais agilidade nas liberações ambientais, como o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Não podemos trabalhar com essa insegurança jurídica, preocupados com invasões de terra, desapropriações e incêndios que, na maioria das vezes, transformam o produtor em vítima, mas ainda assim ele é quem recebe o ônus”, afirma.
Dependência do mercado interno
Mesmo com o peso das exportações, o consumo interno permanece como principal destino da produção. “O mercado interno soma 70% da produção”, destaca Ribeiro Jr.
No entanto, fortalecer esse mercado é um desafio que está diretamente ligado ao desempenho da economia nacional. “Como melhorar o mercado interno sem avançar na melhoria das condições econômicas da população? Praticamente não se consegue”, enfatiza, acrescentando: “Vivemos em um país com muita distribuição de benefícios sociais e ajudas, o que dificulta o crescimento da economia, não gerando economia nova e nem movimentação do dinheiro. Precisamos de indústrias, comércios, agricultura e pecuária crescentes, mas temos mercados estagnados”, lamenta.
Pilares da pecuária
A Acrimat acompanha de perto o avanço das tecnologias no campo, e Ribeiro Jr. avalia que o produtor mato-grossense já opera em um patamar elevado de profissionalização. “Já utilizamos bem as ferramentas da pecuária como genética, nutrição, sanidade e manejo, sendo bem-feitos da porteira para dentro”, afirma.
Ele aponta três pilares essenciais para o futuro: oferta e demanda, tecnologia e rastreabilidade. “Já estamos em discussão sobre este último pilar. Temos um programa do Mapa, elaborado junto aos produtores, que vai estar ativo em oito anos, e é isso que vai nos gerar a confiança de que a pecuária do futuro será superior à atual”, projeta.
Riscos para 2026

Embora os riscos sanitários e ambientais sejam naturais da atividade, Ribeiro Jr. pontua outro tipo de ameaça como a mais preocupante. “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”, critica.
Ele reforça que o Brasil já possui um dos códigos ambientais mais rígidos do mundo. “Já temos um código ambiental bastante restrito e amplo, em que seguimos à risca. Não tem por que atender demandas acima do nosso código ambiental sem poder contar com respaldo do governo”, salienta.
Segundo ele, até mesmo durante a COP 30, o país não conseguiu mostrar plenamente seus avanços. “Tivemos a oportunidade de mostrar o que fazemos de bom, mas ficamos presos a estas questões ambientais”, lamenta.
Visão de futuro
Apesar dos desafios, Ribeiro Jr. mantém o otimismo em relação ao futuro da pecuária mato-grossense. “Temos certeza do sucesso da pecuária no futuro, porque conhecemos a fundo nosso setor, nossos produtores e sabemos que o que fazemos em relação à preservação ambiental é extremamente rígido”, diz.
Ele destaca a eficiência produtiva como um dos grandes diferenciais do Brasil. “Ninguém produz tão barato e em quantidade tão grande como o Brasil. Os produtores aprenderam a produzir mais no mesmo espaço, preservando mais áreas verdes, com sustentabilidade. Os dados de exportação mostram que estamos em uma crescente e devemos continuar assim por muitos anos. Temos volume, qualidade e sanidade”, exalta, frisando: “A pecuária do Mato Grosso e de todo o país só tende a crescer, e vamos continuar alimentando o mundo por muitos e muitos anos”.
O Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.
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Brasil lança selo para fortalecer mercado de carne premium
Iniciativa incentiva o cruzamento entre vacas leiteiras e touros Angus, ampliando a oferta de carne de alto valor e criando nova fonte de renda para produtores de leite.

Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus, o selo Beef on Dairy é o primeiro dessa categoria no País e contou com participação da Embrapa em sua construção técnico-científica. Essa estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. O objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada em mercados internacionais.
Além de proporcionar carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais.
O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca a importância dessa novidade para o mercado de carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo. Nosso projeto é o casamento perfeito entre as raças. O produtor vai se beneficiar e o consumidor terá carne diferenciada. Quem já provou sabe o resultado”, afirma.
“O lançamento do selo Beef on Dairy foi possível porque há uma base científica robusta por trás dele, e essa é justamente a contribuição da Embrapa”, afirma o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso. “Nós desenvolvemos os critérios técnicos e os índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para o cruzamento com vacas Holandesas e Jersey. É esse rigor científico que garante que o selo realmente represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade”, destaca.
Segundo Cardoso, o trabalho da Embrapa no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) desempenhou papel estratégico para dar segurança ao setor na adoção da tecnologia. “O Beef on Dairy abre um caminho importante para agregação de valor a toda a cadeia, e nossa missão é assegurar que essas escolhas estejam amparadas pelo melhor conhecimento técnico disponível”, conclui.
Participação técnica da Embrapa
A estratégia Beef on Dairy, já consolidada no cenário global, começa a ganhar força no Brasil ao incentivar o uso de touros de corte em vacas de leite. Como as raças leiteiras não são naturalmente especializadas em características de carcaça, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para esse cruzamento. Para isso, foram criados dois selos distintos: um voltado ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parto devido ao porte reduzido das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais excessivamente grandes, já que a raça é naturalmente de grande porte.
A Embrapa participa diretamente da implementação do selo por meio do Promebo, o programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores (ANC). Coube à instituição desenvolver e aplicar o índice técnico que orienta a seleção dos touros, identificando aqueles com melhor desempenho em crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça – características essenciais para melhor rendimento frigorífico. O selo também atende a uma demanda das centrais de inseminação, já que grande parte do uso desses touros ocorre via sêmen, agregando valor ao material genético certificado.
Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e ANC, o selo nasce de uma demanda do próprio setor. “Nada mais fizemos do que criar parâmetros claros, garantindo transparência e segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar”, reforçou.


