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“Homeopatia acabou com as constantes visitas dos veterinários”, diz pecuarista

“Nesses dez anos, nunca tivemos grandes problemas. Hoje temos carrapato e verruga controlados. A mastite é praticamente zero”, revela o produtor rural Inácio Mattiuzzi

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Caminhando entre o rebanho tranquilo e sadio no verão escaldante de Terra Roxa, no Oeste paranaense, o produtor rural Inácio Mattiuzzi garante que fez a escolha certa há dez anos, quando trocou a alopatia pela homeopatia na produção de leite. Ele e os filhos Tiago Roberto e Marcos Vinícius tocam a propriedade com 120 vacas, que produzem aproximadamente 1,1 mil litros de leite por dia. Ele usa a homeopatia em várias frentes, que vão desde o auxílio à fixação do embrião no útero ao controle de mastite e carrapatos. Mais que isso, afirma que “a homeopatia acabou com as constantes visitas dos veterinários”. “O veterinário vem aqui pra tomar chimarrão, porque não tem o que fazer”, brinca.

A família comprou a propriedade há dez anos, sabendo dos graves problemas com carrapato e mastite que o local oferecia. O antigo proprietário, também produtor de leite, encerrou as atividades por conta desses desafios. Mesmo assim, investiram na fazenda, mas se apoiaram na homeopatia para eliminar os desafios. “O dono anterior já tinha muito problema com carrapato, verruga e mastite. A gente sabia que a propriedade estava infestada de carrapato. Começamos a fazer o controle e então descobrimos a homeopatia”, lembra o produtor. “Nesses dez anos, nunca tivemos grandes problemas. Hoje temos carrapato e verruga controlados. A mastite é praticamente zero”, revela.

Na propriedade, explica a médica veterinária Mônica Freire, da Real H, empresa que atende a família Mattiuzzi, a homeopatia é usada de modo preventivo, para estimular a resposta natural do organismo, em todo o rebanho ou em grupos específicos, dependendo do desafio ou interesse. “Para prevenção de mastite e drenagem do fígado – que auxilia a eliminação de micotoxinas e a metabolizar os medicamentos -, por exemplo, usamos a homeopatia em todo o rebanho. Para retenção de placenta, usamos para vacas que estão no pré-parto. Ela ajuda a eliminar a placenta”, cita. “Essa medicação deixa o útero limpo, sem infecção”, emenda Tiago. “Vacas recém prenhas recebem uma medicação para ajudar na fixação do embrião”, amplia Freire.

A medicação é misturada à dieta dos animais, à base de pasto, silagem, feno, ração e minerais. Inácio cita benefícios que alcançou ao homeopatizar o rebanho. “Quando a gente usava a alopatia a gente tinha três, quatro casos de amarelão por semana. Era um grande problema. Nesse último ano, com a homeopatia, tivemos só um caso”, diz. “É melhor prevenir que curar ou até perder um animal”, avalia Mattiuzzi.

Para o diretor técnico da Real H, Mário Renck Real, o sucesso da homeopatia está exatamente na prevenção a enfermidades. “Por muitos anos, a homeopatia foi usada como uma medicina individual e curativa, mas no dia a dia percebemos que poderíamos usá-la coletivamente e preventivamente”, conta. “Usamos a homeopatia para estimular a resposta natural do animal, reduzindo a resposta ao estresse, o que resulta em melhor produção, como prenhes, leite, retorno ao cio menor, menos diarreia, etc. Ela tem o aspecto curativo, mas 85% da abordagem da homeopatia é a prevenção”, comenta Real.

Ele explica que o Brasil é um dos países em que a homeopatia na produção animal está mais difundida no mundo. “O Brasil é pioneiro na homeopatia aplicada a animais em grandes populações. Ninguém faz como nós, mas também exportamos (medicamentos) para Paraguai, Bolívia, África do Sul, França”, cita.

Novo Mercado

Adeptos, os produtores do Paraná citam ainda que a homeopatia vem de encontro ao que o mercado mundial está pedindo: alimentos mais seguros e sustentáveis. “A homeopatia não causa nenhum problema no animal, não tem carência, deixa o leite livre de resíduos. Além disso, não contamina o meio ambiente”, avalia Mattiuzzi. O filho explica, porém, que ainda espera melhor retorno econômico por conta do método que usa. “A gente tem um leite com mais qualidade, mais gordura, proteína e menos células somáticas, mas a indústria ainda não paga a mais para quem usa a homeopatia. Estamos esperando”, diz Tiago.

Menos Custos

Para os produtores, a homeopatia ainda tem outros benefícios, como o custo. “A homeopatia é de fácil administração, porque a gente mistura no mineral, mantém as vacas sadias e produtivas e elimina 95% as visitas do veterinário”, expõe. “O veterinário só vem mesmo para questões básicas, como vacinar contra brucelose”, emenda o filho Marcos. “Tenho vizinhos que não usam a homeopatia e gastam R$ 3 mil, quatro mil por mês com medicação. Eu devo gastar R$ 200 ou R$ 300”, comenta Mattiuzzi.

Mais Benefícios

O professor Ranulfo Piau Júnior, da Universidade Paranaense (Unipar), em Umuarama, no Noroeste do estado, cita que o custo da homeopatia pode ser a metade dos custos com a alopatia na bovinocultura. “Os custos da utilização da homeopatia são menores. Ela pode reduzir até 50% do custo quando comparada à alopatia”, cita.

Piau Júnior lidera o laboratório da Minerphós, outra empresa de medicamentos homeopáticos no país. Doutor em Biomedicina, ele esteve à frente da criação de alguns dos mais eficientes medicamentos do mercado de homeopatia animal, também conhecida como zoopatia. Ele cita diversos benefícios que o método pode oferecer. “A homeopatia reduz o estresse nos animais, promove o bem estar animal, não deixa resíduos na carne e no leite, como acontece com o uso dos antibióticos, carrapaticidas, vermífugos, anti-inflamatórios, etc. Ela pode ser usada na produção orgânica de alimentos de origem animal. Além disso, o produto homeopático é de fácil administração – misturado no sal ou ração -, não contamina o meio ambiente, reduz os custos de produção, confere sustentabilidade aos meios de produção e não têm contraindicações, nem efeitos colaterais”, revela.

De acordo com ele, a administração do produto homeopático pode ser de forma preventiva e curativa. “No tratamento preventivo, utilizamos o produto homeopatia antes que ocorra a doença, prevenindo a ocorrência, por exemplo, contra a mastite em bovinos. No tratamento curativo, vamos utilizar a homeopatia para tratar a doença já instalada”.

Conforme Piau Júnior, “a homeopatia trata um grande número de doenças em grandes, médios e pequenos animais” e tem reflexos na produtividade. “A homeopatia trabalha com os sintomas das doenças, praticamente trata quase todas as doenças. Além de tratar doenças e estimular a imunidade dos animais, a homeopatia atua em determinados órgãos e glândulas, aumentando desta forma o desempenho e a produtividade dos animais”.

De acordo com ele o método atinge os mesmos resultados e a abrangência da medicação alopática. “Além de atuar nas doenças de forma preventiva e curativa, a homeopatia promove uma equilibrismo fisiológico no animal, reduz o estresse e atua como imunomodulador”.

Informação

O professor explica que o método ganha cada vez mais adeptos, mas cita a falta de informações para o produtor conhecer mais sobre as vantagens frente à alopatia. “Não sabemos os valores exatos, mas o uso da homeopatia na produção animal tem crescido muito nos últimos dez anos no Brasil. Falta mais informação ao produtor sobre os benefícios e vantagens da homeopatia”, orienta.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações

Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

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Foto: Ana Maio

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.

As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso

Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.

Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.

Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.

Fonte: O Presente Rural com informações Consultoria Agro Itaú BBA Agro
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais

Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

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Foto: Carlos Eduardo Santos

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).

O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.

O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.

O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.

A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.

Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.

O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira

Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

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Foto: Julio Palhares

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.

O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.

De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.

A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.

O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sudeste
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