Avicultura
Galinheiro de gente grande
Aquecimento por irradiação, água no copinho e controle de luminosidade são alguns dos recursos tecnológicos usados por um produtor do Paraná para melhorar resultados financeiros de seus aviários
Praticidade, conforto e melhores resultados zootécnicos são alguns dos benefícios que os avicultores experimentam ao adotar no aviário as mais diferentes tecnologias oferecidas no mercado. Seja em ambiência, alimentação ou redução na mão de obra, a utilização de tais equipamentos na produção garantem ao trabalhador um bom retorno ao investimento feito. Em Toledo, no Oeste do Paraná, o produtor Jacinto José Alflen tem em seus quatro aviários uma gama de tecnologias que o auxiliam no dia a dia, melhorando a produção e tornando o trabalho muito mais rápido.
Entre as tecnologias utilizadas pelo avicultor paranaense, há para alimentação, iluminação, aquecimento, ventilação, entre outras. Para Alflen, todas as tecnologias que são utilizadas em seus aviários resultam em ganhos na produção. “Toda a tecnologia que resulta em ganhos deve ser aplicada em qualquer atividade. Com determinada tecnologia, reduzo custo com mão de obra, com outra tenho melhor ambiência (para o plantel), o que proporciona um melhor resultado zootécnico e a redução de custos com energia e aquecimento”, comenta. Para ele, aplicar todas as tecnologias que auxiliam no dia a dia do aviário necessitam de um investimento inicial, mas o retorno é visível a cada lote entregue à sua integradora. “Os ganhos que essas tecnologias proporcionam, lote a lote, rapidamente justificam o investimento”, garante.
São diferentes tecnologias para diferentes funções que o produtor utiliza. Para aquecimento, Alflen explica que ele usa o sistema de aquecimento por irradiação, infravermelho e a gás. “Fundamental é entender que o método de aquecimento por irradiação é um método completamente diferente dos tradicionais métodos de aquecimento de ar, como lenha, pellets, diesel e até mesmo a gás”, conta.
Ele informa que os equipamentos trabalham aquecendo o ar da área desejada e, por contato, aquece a cama. Para isso, o avicultor deve, no inverno, por exemplo, ligar o aquecedor pelo menos 20 horas antes do alojamento para que a cama apresente conforto. “Já o sistema de aquecimento por irradiação faz o contrário, aquecendo apenas o desejado pelo pintinho, propiciando conforto térmico em pouco tempo de uso (uma hora antes do alojamento), já atingindo 32º C na cama. Aliado a isso, temos ainda o conforto do colaborador, já que não é necessário ficar abastecendo o aquecedor”, afirma.
O produtor comenta que o equipamento oferece conforto por zona de aquecimento com controle individual, personalizando a área de aquecimento, (terço inicial, terço de meio e terço final). Também para aquecimento, o produtor utiliza os aquecedores a gás, que, segundo ele, são bastante eficazes. “O aquecimento a gás não é o mais barato quando se compara com os demais métodos. Em média ele custa de 10 a 15% a mais, mas é o mais eficiente, seguro e tecnológico”, comenta.
Outra tecnologia utilizada pelo avicultor é para fornecimento de água e ração. Ele explica que o sistema de bebedouro utilizado em dois dos aviários é nippel tradicional e nos outros dois é um bebedouro sparkcup, ou bebedouro de copinho. “Este modelo proporciona maior volume de água para as aves, melhorando o desempenho zootécnico”, informa Alflen. Já em relação ao comedouro, também diferenciado. Em sua granja, ele usa um prato oval, instalado em circuito, que oferece maior espaço para as aves. “Isso permite acionar o comedouro várias vezes ao dia mesmo com ração dentro do tubo. O simples fato de acionar o comedouro estimula as aves a se alimentar”, conta.
O sistema de climatização nos aviários do paranaense também recebeu uma mãozinha da tecnologia para facilitar o trabalho e aumentar a produção. Alflen conta que, com a constante evolução da genética das aves, é imprescindível para garantir conforto térmico. “Isso nós vamos garantindo devido ao uso de paredes e telhados com isolamento térmico, entrada de ar com inlet lateral, que melhora a troca de ar nos primeiros dias de alojamento e placas evaporativas que garantem ótima eficiência por meio do processo de evaporação de água, reduzindo a temperatura em dias de calor”, explica. Ele ainda acrescenta que todo esse processo é fundamental para propiciar um ambiente sem grandes oscilações de temperatura. “Assim, as aves convertem melhor a ração consumida e reduzimos o índice de mortalidade”, diz.
O que também influencia diretamente na melhora da produção é o controle da luz. O sistema adotado pelo avicultor paranaense foi o dark house. “O aviário fica mais escuro com esse modelo, e desta forma conseguimos adotar ciclos de luz maiores e com intensidade baixa, e isso melhora o desempenho das aves”, conta.
Menos Gastos
Utilizar diferentes tecnologias também permite que o produtor tenha redução em determinados gastos. Em seus aviários, Alflen utiliza isolamento térmico tanto nas paredes laterais quanto no telhado. “São paredes de três centímetros com isolamento de poliuretano no meio. Com isso, não ocorrem variações bruscas no interior do aviário, exigindo menos aquecimento e menos ventilação”, diz. O resultado vem na conta de luz.
E para que as aves tenham um ambiente bem controlado para expressar melhor o desempenho, o produtor conta que os aviários são equipados com painéis de controle que permitem fazer o gerenciamento de ventilação e aquecimento, o que gera mais lucros. “Com melhor desempenho, temos melhor resultado financeiro”, pontua. Além disso, a granja é ainda atendida com um gerador de energia automático, o que garante o fornecimento de energia em qualquer circunstância.
O que também ajuda muito, tanto no quesito mão de obra quanto facilidade, é o rotoacelerador que o produtor tem na propriedade. “Como destino final das aves mortas, usamos uma máquina para isso, que nada mais é que um rotor, que fica girando o tempo todo. As aves são trituradas e depositadas dentro da máquina com maravalha. Com ela, reduzimos o tempo de compostagem e, além disso, aceleramos o processo, além de tornar o processo mais limpo e eficiente”, afirma. A sanidade é outro ponto importante com o uso dos rotoaceleradores.
Mais informações você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2016 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Avicultura
SBSA debate como transformar conhecimento técnico em resultados na avicultura
Especialistas discutem gestão, eficiência e aplicação prática durante evento em Chapecó.

A conexão entre conhecimento técnico, gestão e resultados práticos na produção avícola será discutida durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA). O tema Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura será apresentado pelos especialistas Kali Simioni e João Nelson Tolfo, na quarta-feira, 08 de abril, às 16h30, durante o Bloco Conexões que Sustentam o Futuro, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio. Com mais de 18 anos de atuação na avicultura industrial brasileira, construiu sua trajetória profissional em empresas como BRF e Seara Alimentos, onde atuou como extensionista, supervisor, especialista agropecuário e gerente agropecuário.

Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)
Ao longo de sua carreira, prestou consultoria técnica a mais de 30 plantas industriais, desenvolvendo atividades relacionadas à gestão agropecuária, ambiência, manejo de frangos de corte, elaboração de padrões técnicos, condução de testes zootécnicos e formação de equipes técnicas em extensão rural. Atualmente é empreendedor e sócio-proprietário da Granjas Pampeano, no Rio Grande do Sul, onde atua no desenvolvimento de projetos avícolas voltados à eficiência produtiva, sustentabilidade e excelência operacional.
Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Atua há 22 anos no setor agroindustrial, com experiência nas áreas de extensão rural, gestão e performance agroindustrial na produção de frangos, suínos, perus, postura comercial, matrizes e avós.
Atualmente dedica-se ao aperfeiçoamento dos sistemas de produção, com foco no desenvolvimento das pessoas que atuam na cadeia produtiva, buscando alavancar ganhos em eficiência, produtividade, qualidade, bem-estar animal, competitividade e sustentabilidade agropecuária, além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos profissionais do agronegócio.
A palestra abordará os desafios de transformar informações técnicas e orientações produtivas em resultados concretos no campo, considerando fatores como gestão de equipes, eficiência operacional, aplicação de tecnologias e aprimoramento contínuo dos sistemas de produção. O tema destaca a importância de alinhar conhecimento científico, experiência prática e capacitação de profissionais para garantir competitividade e sustentabilidade na avicultura moderna.

João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio
De acordo com a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o Simpósio busca promover discussões que conectem ciência e prática. “O SBSA tem como proposta reunir especialistas que compartilhem experiências aplicáveis à realidade da produção. Discutir como transformar conhecimento em resultados é fundamental para fortalecer a cadeia produtiva e apoiar profissionais que atuam diretamente no campo”, destaca.
A presidente da comissão científica do SBSA, Daiane Albuquerque, ressalta que o bloco Conexões que Sustentam o Futuro foi estruturado para ampliar a visão estratégica do setor. “A produção avícola evolui rapidamente e exige cada vez mais integração entre conhecimento técnico, gestão e desenvolvimento de pessoas. Trazer especialistas com experiência prática na indústria contribui para que os participantes compreendam como aplicar as orientações técnicas de forma eficiente e sustentável”, afirma.
O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura será realizado entre 7 a 9 de abril de 2026 e é considerado um dos principais eventos técnicos da avicultura latino-americana. Paralelamente ao Simpósio ocorre a 17ª Brasil Sul Poultry Fair, feira que reúne empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia produtiva avícola.
Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750,00 para profissionais e R$ 450,00 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100,00. As inscrições podem ser realizadas no site, acesse clicando aqui.
Programação geral
26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
17ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 07/04 – Terça-feira
13h30 – Abertura da Programação
13h40 – Painel Gestão de Pessoas
Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura.
Palestrantes:
Delair Bolis
Joanita Maestri Karoleski
Vilto Meurer
Luciana Dalmagro – Coordenadora da mesa redonda
15h40 – Intervalo
16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro.
Palestrante: Arene Trevisan
(15 minutos de debate)
17h- Solenidade de Abertura Oficial
17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026
Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC
19h15 – Coquetel de Abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 08/04 – Quarta-feira
Bloco Abatedouro
8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate.
Palestrante: Darwen de Araujo Rosa
(15 minutos de debate)
9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar.
Palestrante: Dianna V. Bourassa
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
Bloco Nutrição
10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo.
Palestrante: Wilmer Pacheco
(15 minutos de debate)
11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte.
Palestrantes: Roselina Angel
(15 minutos de debate)
12h30 – Intervalo almoço
Eventos Paralelos
Painel Manejo
14h00 – Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes:
Lucas Schneider
Rodrigo Tedesco Guimarães
16h – Intervalo
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.
Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo
(15 minutos de debate)
17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme
(15 minutos de debate)
18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 09/04 – Quinta-feira
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande
(15 minutos de debate)
9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.
Palestrante: Gonzalo Tomás
(15 minutos de debate)
11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.
Palestrante: Taís Barnasque
(15 minutos de debate)
Sorteios de brindes.
Avicultura
Frango cai 5,2% em março e atinge menor preço desde julho de 2023
Cotação média de R$ 6,73/kg no atacado paulista reflete demanda interna fraca e incertezas no mercado externo. Recuo amplia vantagem frente às carnes suína e bovina.

Os preços da carne de frango seguem em queda nas principais praças acompanhadas pelo Cepea, pressionados pela demanda doméstica enfraquecida e por incertezas no mercado externo. O cenário internacional, marcado por tensões no Oriente Médio, importante destino das exportações brasileiras, tem gerado cautela entre agentes do setor e influenciado as negociações.

Foto: Shutterstock
No atacado da Grande São Paulo, o frango resfriado é negociado à média de R$ 6,73 por quilo na parcial de março, até o dia 18, recuo de 5,2% em relação a fevereiro. Em termos reais, considerando deflação pelo IPCA de fevereiro de 2026, trata-se do menor patamar desde julho de 2023.
Com a queda mais acentuada nos preços, a carne de frango amplia sua competitividade frente às demais proteínas. No caso da suína, embora também haja desvalorização, o ritmo de recuo do frango é mais intenso. Já em relação à carne bovina, o diferencial é ainda maior, uma vez que os preços da carcaça casada seguem em alta, ampliando a atratividade do frango para o consumidor.
Avicultura
Diferença de preço entre ovos brancos e vermelhos supera 40% em março
Menor oferta de ovos vermelhos e demanda da Quaresma ampliam descolamento de preços. Granjas operam com produção ajustada.

A diferença entre os preços dos ovos brancos e vermelhos se ampliou ao longo de março nas principais regiões produtoras acompanhadas pelo Cepea. Em Santa Maria de Jetibá (ES), maior polo de produção do país, o diferencial já supera 40% na parcial até o dia 18, acima do observado em fevereiro.

Foto: Divulgação/Asgav
De acordo com o Cepea, o movimento é puxado principalmente pela menor disponibilidade de ovos vermelhos no mercado interno. A oferta mais restrita dessa categoria tem sustentado reajustes mais intensos em comparação aos ovos brancos, ampliando o descolamento entre os preços.
A demanda sazonal também contribui para esse cenário. Durante a Quaresma, há aumento no consumo de ovos, o que pressiona ainda mais as cotações, especialmente dos vermelhos, tradicionalmente mais valorizados em períodos de maior procura.
Com a produção mais enxuta, agentes do setor relatam que parte das

Foto: Divulgação
granjas tem operado com entregas previamente programadas, limitando negociações no mercado spot. Esse ajuste entre oferta e demanda resultou em elevação dos preços médios dos ovos nos últimos dias, com maior intensidade para a variedade vermelha.
