Bovinos / Grãos / Máquinas
Determinados híbridos carregam características mais apropriadas para silagem
Profissional de grande empresa do setor de sementes orienta sobre milho ideal para o preparo da silagem para o gado de corte e leite
Seja para engorda do boi ou para a produção de leite, o primeiro passo para ter uma silagem de alta qualidade é escolher o híbrido certo. Para André Luís Prediger, representante de uma das maiores empresas de sementes atuantes no Brasil, o produtor deve escolher aquela com características específicas para esse fim, priorizando plantas mais altas, folhas sadias e alto potencial produtivo. “Usamos a seleção de características. Hoje temos determinados híbridos que carregam características mais apropriadas para a silagem”, aponta o profissional.
Ele explica que existem vários híbridos que podem ser usados para a silagem, mas é preciso saber em qual região ele será inserido para aproveitar seu máximo potencial produtivo e evitar investimentos frustrados. “Cada região tem seus híbridos com suas características que vão se adaptar à região. Têm híbridos melhor posicionados para regiões mais altas, outros para regiões mais baixas, e assim por diante. É importante conhecer a região e colocar o milho adequado. Não é o mesmo milho que vai em todas as regiões”, adverte.
“O que diferencia o milho para grãos do milho silagem é o foco que você vai dar para a cultura. É preciso é posicionar o híbrido de acordo com a região em que vai ser inserido, de acordo com a tecnologia que está sendo utilizada. Isso vai definir se tenho mais sucesso ou menos sucesso, se terei uma silagem de alta qualidade ou não”, reitera.
Custo versus potencial
Prediger explica que muitos produtores, ao fazer a escolha pelo milho para silagem, levam em consideração o baixo custo de determinadas tecnologias em detrimento de seu potencial produtivo, o que, em sua opinião, é um equívoco. Ele explica que, em geral, é recomendado ao produtor que ele mire sua escolha no potencial produtivo. De acordo com ele, quanto maior o potencial, melhor será a qualidade da silagem. “Na hora de escolher, o produtor de silagem deve saber que o híbrido tem que ter alta qualidade de rendimento de produção. Quanto maior a quantidade de produção, melhor vai ser a qualidade de silagem. O que não pode é fazer a escolha baseado no custo do híbrido, mas sim baseado no seu potencial produtivo”, aponta.
“Com isso, você terá maior massa verde, terá mais grãos e consequentemente maior teor de amido, tendo assim uma silagem de alta qualidade. Geralmente o híbrido é uma planta mais alta e sadia. O produtor tem que ver toda a planta. Hoje, 60 a 70% de uma silagem está diretamente relacionada ao grão. Quanto maior o teto produtivo, melhor vai ser o milho para silagem, com mais massa verde e grãos”, assegura. E amplia: “Na escolha, levo em consideração o potencial produtivo, a defensibilidade e o nível de investimento para ter sucesso”.
Outras ações
Mas não é só escolher o híbrido para garantir alimento de qualidade aos bovinos. Uma silagem de qualidade, na opinião de Prediger, requer passos importantes desde o plantio ao armazenamento no silo. “A silagem de alta qualidade começa na escolha do híbrido, mas para termos isso há um complexo de escolhas que preciso fazer. Começa na escolha do híbrido, passando pelo manejo da cultura, momento de corte, momento da compactação do silo, que é de extrema importância para que eu tenha uma silagem de alta qualidade, e vedação do silo para não entrar toxinas para prejudicar esse material”, orienta o profissional. “Todos esses passos são importantes para termos um alimento com maior valor nutritivo, tanto para engorda quanto para o leite”, descreve.
Momento de corte
De acordo com o profissional do setor agrícola, antes de escolher o híbrido é importante também o produtor saber qual o momento de corte daquele material e relacionar com os equipamentos que têm à disposição na fazenda para fazer essa silagem. “É preciso fazer o dimensionamento de máquinas, pois a janela de corte é muito importante. Por exemplo, se tenho um milho muito precoce que a janela de corte é muito rápida, muitas vezes, dependendo da estrutura que o produtor tem, não consegue fazer silagem no mesmo dia. Pode acontecer uma situação de clima adverso, como chuva e o produtor para a produção. Três dias depois, volta para acabar a colheita e para complementar, mas aquela silagem que já está no silo entrou em processo de fermentação e o produtor não vai ter uma silagem de alta qualidade”, destaca.
Para Prediger, o investimento em materiais de mais alta produtividade é o caminho para o produtor de silagem. “A silagem de alta qualidade é barata, por isso a opção por um híbrido tem que ser sobre potencial de massa e teor de milho”, reafirma.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2018 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor
Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.
Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas
Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.
De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.
A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato
Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.
A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.
Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.
Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado” – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.
No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.
Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.
“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27
Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.
A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina
Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.
A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.
Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos
Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.
Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.
