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Avicultura Perda de produtividade

β-mananos: é preciso encarar o problema com maior seriedade

Quando enzimas como fitase e xilanase passaram a ser usadas em caráter universal, abriram caminho para ganhos significativos na saúde e desempenho animal. Agora empresas debruçam esforços para ver o mesmo nível de atenção estendido a outro fator antinutricional: os β-mananos.

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Arquivo/OP Rural

Nas últimas décadas alguns dos aprimoramentos mais importantes na nutrição animal foram originados da melhor compreensão e subsequente abordagem, dos fatores antinutricionais em ingredientes alimentares. Quando enzimas como fitase e xilanase passaram a ser usadas em caráter universal, abriram caminho para ganhos significativos na saúde e desempenho animal.

Agora empresas debruçam esforços para ver o mesmo nível de atenção estendido a outro fator antinutricional: os β-mananos. Várias pesquisas mostram os danos que esses fatores podem causar ao desencadear os mecanismos de defesa do sistema imunológico inato que acabam provocando uma inflamação intestinal1,2. Os β-mananos provocam uma perda de energia metabolizável de até 90 kcal/kg, redução da uniformidade do lote e maior suscetibilidade a infecções.

Durante períodos de maior estresse, por exemplo, uma infecção aguda, os efeitos adversos dos β-mananos aumentam drasticamente, podendo levar a uma perda de produtividade que pode ultrapassar 20%. Quando isso acontece, a influência dos β-mananos sobre a saúde torna-se muito mais intensa, com maior mortalidade e morbidade. Obviamente, o problema é que os β-mananos são polissacarídeos comuns em ingredientes de origem vegetal. Para ajudar a entender como os β-mananos estão disseminados na alimentação de animais, estudiosos conduziram uma pesquisa para atualizar as tabelas de referências usadas para determinar se a aplicação de uma β-mananase para decompor esses PNA seria apropriada. Na entrevista a seguir, o pesquisador Karl Poulsen, consultor nutricional da Elanco, defende que a indústria encare o problema dos β-mananos com maior seriedade.

Que tipos de ingredientes tendem a conter β-mananos? Como eles diferem de outros fatores antinutricionais (FAN) como o inibidor de tripsina?

Karl Poulsen – Os β-mananos são encontrados na maioria dos ingredientes de alimentos à base de vegetais. São fibras de polissacarídeos não amiláceos (PNA) que pertencem à fração de hemicelulose das plantas. O teor de β-mananos solúveis em diferentes ingredientes varia de desprezível a mais de 5%. O teor de β-mananos é relativamente alto em muitas rações proteicas — cerca de 0,6% em farinhas de soja e girassol e até aproximadamente 7% em farinhas de guar e palmiste — portanto, tipicamente têm uma contribuição importante para o teor de β-mananos na dieta.

Os β-mananos são diferentes de outros FAN porque os danos que causam são criados principalmente por medidas de proteção geradas pelo sistema imunológico inato para combater os β-mananos. Em resumo, o sistema imunológico confunde até mesmo níveis muito baixos de β-mananos com patógenos invasores (PAMP, padrão molecular associado a patógeno) e então inicia uma defesa contra um problema que não existe. Essa atividade indireta faz com que os β-mananos sejam diferentes da maioria dos FAN, que têm uma influência direta sobre o desempenho ou a eficiência dos animais. Os inibidores de tripsina, que reduzem a atividade da tripsina, são um bom exemplo de FAN com influência direta. Outra diferença é que os inibidores de tripsina são inativados pelo processamento térmico, enquanto os β-mananos podem suportar os procedimentos térmicos usados na produção moderna de alimentos, como secagem, peletização e extrusão.

Por que pesquisar sobre o teor de β-mananos em diferentes ingredientes alimentares?

Karl Poulsen – Recentemente foi concluída uma pesquisa global sobre o teor de BM em ingredientes alimentares usados como rotina. A pesquisa inclui 236 amostras de ingredientes alimentares comuns de 21 países no mundo todo. Isto faz com que seja a maior pesquisa sobre β-mananos até o momento. Uma motivação importante por trás da pesquisa foi atualizar uma tabela de referência em termos do teor de β-mananos em ingredientes alimentares comuns. Essa tabela é importante porque nossa recomendação para uso de enzima poupadora de energia é baseada no teor estimado de β-mananos dietéticos e os valores estão incluídos em uma calculadora de mananos, que facilita a estimativa do teor de β-mananos na dieta e prediz se a adição de uma β-mananase será economicamente vantajosa.

 

Quais são os achados mais notáveis da pesquisa mundial sobre β-mananos? O que a pesquisa concluiu?

Karl Poulsen – O principal resultado da pesquisa consistiu em novas informações sobre o teor de β-mananos solúveis em 36 ingredientes alimentares comuns. Os resultados não indicaram uma correlação entre os teores de proteína bruta ou fibra bruta e os β-mananos; portanto, o teor de β-mananos não é reduzido em farelo de soja com um teor mais elevado de proteína bruta e não está aumentado em farelo de soja com um teor mais alto de fibra bruta.

Qual é o nível mínimo de β-manano dietético necessário para afetar a saúde animal? Há alguma estimativa em relação a quanto esse problema seria comum em dietas de monogástricos no mundo todo, ou seja, a porcentagem de dietas que incluem β-mananos acima desse nível?

Karl Poulsen – Em condições de produção comercial, nossos estudos e experiência indicam que podemos esperar uma perda de 3% na eficiência de produção quando o teor de β-mananos solúveis ultrapassa 0,2-0,25% e a ração também contém pelo menos 12% de farelo de soja ou de girassol. Virtualmente todas as dietas para produção de frangos ou perus ultrapassam esses critérios para o teor de β-mananos, portanto, esse é um problema muito comum. Os efeitos adversos dos β-mananos são influenciados por dois fatores: o teor de β-mananos na dieta é importante, mas o nível de permeabilidade intestinal ou inflamação, provavelmente são muito mais importante. Acredita-se que o a permeabilidade intestinal seja mais importante porque os β-mananos parecem ser inofensivos na ausência de permeabilidade intestinal ou inflamação. Quase sempre existem muitos desafios nas condições de produção comercial, por isso algum nível de inflamação e permeabilidade intestinal sempre está presente. Estudos in vitro indicaram que teores de β-mananos de apenas 0,05% podem causar uma resposta inata potente.

É razoável esperar que as empresas testem regularmente os níveis de β-mananos em suas rações? Quando e com que regularidade isso deve ser feito? Que outras ações são recomendadas para controlar o potencial de efeitos negativos causados pelos β-mananos?

Karl Poulsen – O procedimento de ensaio usado para quantificar os β-mananos em ingredientes alimentares é bastante demorado e também muito caro. Sendo assim, mesmo que o custo não constituísse uma preocupação, eu não recomendaria que as empresas de alimentos realizassem suas próprias análises, principalmente porque os lotes dos quais as amostras forem colhidas, na maioria das vezes serão consumidos antes que os resultados estejam disponíveis.

Portanto, o melhor conselho é continuar a usar a tabela de referência para estimar o teor de β-mananos dietéticos e determinar se uma β-mananase deve ser adicionada. Essa atividade deve constituir a prática padrão. A única outra ação que as empresas podem fazer para controlar os efeitos negativos dos β-mananos é adicionar β-mananase como rotina a todas as rações com um teor de β-manano relevante.

O senhor acredita que o setor de modo geral compreende bem como os β-mananos podem ser problemáticos? Como o interesse nessa questão vem evoluindo?

Karl Poulsen – A compreensão da influência dos β-mananos sobre a produção animal continua a melhorar, mas cada pesquisa que realizamos para monitorar a conscientização sobre β-mananos continua a identificar essa questão como um obstáculo fundamental. Portanto, parte de nosso trabalho consiste em educar sobre o impacto dos β-mananos sobre a imunidade e o desempenho animal. Fitase e xilanase estavam no mercado havia muitos anos antes que seu uso se tornasse padrão e é realista esperar um desenvolvimento semelhante em relação ao uso e à aceitação da β-mananase.

Desse modo, esperamos continuar a investir em pesquisas para ampliar a compreensão da influência dos β-mananos sobre o sistema imunológico e a produção animal. Os primeiros nutricionistas com experiência sólida no uso de β-mananase não hesitam em recomendar a produtores avícolas que considerem o uso de β-mananase como ingrediente alimentar padrão, do mesmo modo que as enzimas fitase e carboidrases são usadas.

Fonte: OP Rural
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Avicultura Entrevista Exclusiva

Pesquisadora Janice Zanella destaca avanços da Embrapa Suínos e Aves em sete anos

Nos últimos sete anos, a instituição se aproximou das indústrias e dos produtores para saber quais eram suas reais necessidades. O objetivo: criar linhas de pesquisa, gerar conhecimento científico e embasar mudanças que os setores necessitavam.

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Fotos: Divulgação

Nos últimos sete anos a Embrapa Suínos e Aves se aproximou das indústrias e dos produtores para saber quais eram suas reais necessidades. O objetivo: criar linhas de pesquisa, gerar conhecimento científico e embasar mudanças que os setores necessitavam. Esse é um dos avanços da Embrapa Suínos e Aves, com sede em Concórdia, SC, sob a chefia da pesquisadora Janice Zanella, que deu posse a seu sucessor, o pesquisador Everton Krabe, em 1º de novembro. Confira um balanço da gestão, sob a ótica de Janice Zanella, uma das mais renomadas e respeitadas pesquisadoras de suínos e aves do mundo.

O Presente Rural – Conte um pouco de sua trajetória acadêmica e profissional.

Janice Zanella – Nasci no Sul de Minas Gerais, minha família é de agricultores, plantavam café, criavam gado de leite. Fiz o ensino médio em Minas, fiz Medicina Veterinária na universidade federal em Belo Horizonte. Qaundo estava terminando meu curso, tive a oportunidade de uma bolsa de estudos da CNPQ e vim para Concórdia (SC), para trabalhar na Embrapa. Quem me orientava na época era o Nelson Mores. Fiz um ano na patologia, depois fiquei mais um ano na virologia e depois fui trabalhar na Sadia, na BRF. Fiquei lá no laboratório. Nesse meio tempo que fiquei na BRF, consegui uma bolsa e fui para os Estados Unidos, para a Universidade de Nebrasca, no meio oeste americano, para fazer meu mestrado. Acabei ficando, fiz o PHd e iniciei o pós doutorado.

Nesse tempo abriu concurso da Embrapa, prestei, passei e voltei para o Brasil em 1998. Comecei a trabalhar na pesquisa, com virologia de suínos e aves, depois me dediquei somente a suínos. Durante esse tempo fiz vários projetos, fiz o primeiro diagnóstico de Circuvírus, o primeiro diagnóstico de Influenza, desenvolvi metodologias de diagnóstico para várias doenças virais de suínos que não estavam estabelecidos no Brasil, por exemplo para PRRS e diagnóstico da PED.

Uma das grandes contribuições que dei foi atuar junto na erradicação da doença de Algeski, isso deu um diferencial para Santa Catarina. Na época a gente apoiava o Estado livre de aftosa sem vacinação, a gente estimulou o governo do Estado para implementar barreiras.

Orientei muitos colegas em vários projetos, atuei em vários comitês, organizamos eventos técnicos e também ajudei muito como membro de vários comitês na OIE, (Peste Suína Clássica, Peste Suína Africana), desde 2011 sou membro de um grupo de especialistas no mundo para controle e monitoramento da Influenza em suínos.

Recentemente fui indicada como uma das 25 pessoas no mundo para trabalhar com uma saúde (One Health), faço parte de um grupo bem forte, de apoio à questão da saúde única, juntamente com a FAO, a OIE e a OMS. Sou a única pessoa no Brasil que está trabalhando nesse comitê.

De 2008 a 2010 fiquei no laboratório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o Laboratório Central de Diagnóstico e Pesquisa, em Iowa. Lá consegui trabalhar com várias doenças, como PRRS e Influenza. Foi justamente durante a pandemia de 2009 da Influenza. Pude trazer essas metodologias de diagnóstico mais aprimoradas para o Brasil. Todo o trabalho de monitoramento de Influenza que hoje fazemos foi graças a essa parceria com a equipe do USDA.

O Presente Rural – Como chegou até a chefia da Embrapa Suínos e Aves?

Janice Zanella – Cheguei à chefia da Embrapa porque sempre gostei de desafios, sempre gostei de trabalhar muito, sou extremamente motivada, dedicada, posso reconhecer isso. Quero estar sempre fazendo o melhor, buscando fazer diferente e encarando os desafios.

Sempre tive apoio, tanto da família como dos meus colegas, amigos próximos e lideranças do setor. Posso dizer que tenho muitos parceiros, trabalho com muita gente e sou inquieta, gosto de fazer diferente, sempre melhorando e servindo, servindo a Embrapa e servindo o setor. Tive todo esse incentivo.

O processo de seleção de chefias da Embrapa é muito limpo, transparente, baseado em meritocracia. Você precisa fazer um plano de trabalho, que é avaliado. É realizada uma série de entrevistas, é muito aberto, tanto que a última seleção foi toda online. Cheguei à chefia através de uma caminhada, fui galgando em vários pontos, fui atuando tecnicamente como também em termos de atuação administrativa. Sempre liderei projetos, sempre fui gestora de núcleos temáticos, como por exemplo presidente do portfólio de sanidade animal de toda a Embrapa. Então sempre busquei e tive apoio muito forte da diretoria da Embrapa. Isso também me incentivou a chegar à chefia.

O Presente Rural – Enquanto esteve à frente da Embrapa, quais as principais linhas de pesquisa?

Janice Zanella – São várias linhas de pesquisa. Nós atuamos em cinco núcleos temáticos, de sanidade de aves, sanidade de suínos, de produção de aves, produção de suínos e o núcleo temático de meio ambiente. As atividades dentro desses núcleos seguem o plano diretor da Embrapa (PDE). Dentro desse PDE a gente faz um plano de execução da unidade, que é baseada em várias contribuições nas áreas de sanidade, diagnósticos de doenças, de geração de insumos, segurança de alimentos, modernização do abate. A gente atua na sanidade, tanto em doenças de produção quanto em doenças de apoio à defesa, como Senecavírus, por causa da causa da semelhança com Aftosa; Influenza, e a gente vai começar alguns trabalhos com PSA e PSC. Fizemos trabalhos, por exemplo, para produção de vacinas. Na questão do meio ambiente, para trazer mais sustentabilidade, com reuso de água, valorização dos dejetos, a questão do biometano, entre outras. Então a gente atua em sanidade, produção e meio ambiente.

O Presente Rural – Quais os principais resultados obtidos?

Janice Zanella – Os principais resultados são o atendimento às políticas públicas, é a geração de dados, a geração de ciência, gerando dados confiáveis para embasar políticas públicas. O Brasil tem que atender várias normas, tanto internas quanto internacionais, e essas normas vão mudando, como as questões de bem estar, resíduos de microbianos nos alimentos. São vários resultados em sete anos. É um trabalho de uma grande equipe. A Embrapa busca muito as soluções. Entender a dor do cliente, que é o setor como um todo, e procurar desenvolver soluções. Uma das coisas que a gente sempre busca é gerar tecnologia através de inovações abertas, como o abatedouro móvel, que foi um resultado legal, o Nanovo, que é o recobrimento nanoestruturado de ovos, e a vacina da Pesteurella.

Em questão de políticas públicas, todo o trabalho de destinação de animais mortos, a modernização do abate para suínos e aves que está dando um impacto tremendo, tem também as nossas genéticas, como o lançamento de uma fêmea suína, a MO025C.

Tanto questão de tecnologias como pesquisa aplicada, projetos de desenvolvimento em parcerias, a gente teve alguns desafios durante a gestão. Tínhamos o campo experimental que estava abandonado, a gente reativou, levou nossas linhas puras para lá, para anteder normativas e continuar realizando experimentos lá, onde tem o núcleo de conservação. Fizemos uma manutenção tremenda nos campos experimentais, renovamos a frota de veículos, isso tudo com muito apoio.

Uma das coisa que vejo que foi legal foram as parcerias, uma das grandes conquistas foi mostrar que a Embrapa pode ajudar a comunidade não só no setor da suinocultura e avicultura. Desde maio do ano passado a gente tem ajudado o laboratório de saúde pública de Santa Catarina na realização dos testes moleculares de Covid. A gente já realizou mais de 40 mil testes. A gente tem mostrado que a Medicina Veterinária é importante para a saúde pública, importante no conceito de saúde única, que a saúde humana e animal está muito ligada. A nossa pesquisa é muito interdisciplinar. A gente pode atuar em várias frentes.

Outra coisa de grande valia foram as parcerias, tanto no Inova Pork quanto no Inova Ave, e agora no programa Inova, que reúne os dois. A gente conseguiu abrir a Embrapa. Abrimos nossos campos experimentais para parcerias, fomos atrás das principais agroindústrias oferecendo nossas equipes para atuar diretamente em projetos com a demanda deles.

Outra coisa interessante foram as emendas parlamentares. A gente teve um relacionamento bem interessante com parlamentares, acima de qualquer partido, principalmente deputados federais e senadores. Um deles que destaco é o Projeto Javali.

São muitas coisas que me veem a mente quando penso nesses últimos anos, é um trabalho de uma equipe com muitas habilidades e muita dedicação.

O Presente Rural – Como é chefiar uma equipe de pesquisadores na Embrapa Suínos e Aves?

Janice Zanella – É um desafio dia a dia, o pesquisador é treinado para ser crítico, e muitas vezes quando a gente é muito crítico, acaba se frustrando, acaba exigindo muito, e isso é normal. Nosso nível é muito lá em cima. Mas falei desde o começo, vamos ter paciência, calma, vamos nos ajudar, trabalhar junto, a gente está aqui para fazer pesquisa com qualidade e criatividade, que era nosso lema, e foi assim. A gente teve muito apoio, a coisa não parou, passamos por dificuldades, principalmente de recursos, mas a equipe se reinventou, fez o possível para inovar, buscar novas parcerias e recursos. Foi muito bom, e tem sido, a gente conseguiu pavimentar um caminho bem interessante. A nova gestão vai poder trabalhar também, dar continuidade, e fazer da forma que para eles seja mais certa e aplicada ao plano de trabalho que eles pensam em realizar.

Sempre liderei equipes, mas não uma equipe tão grande, de 213 pessoas. Foi desafiador, mas também muito recompensador.

O Presente Rural – Quais foram os maiores desafios nesses sete anos?

Janice Zanella – A gente veio de um período de vacas gordas, digamos assim. A gente teve o PAC, tivemos o PAC Embrapa, o Ciência Sem Fronteiras, havia muito investimento na pesquisa brasileira, mas com o tempo a gente foi percebendo que os recursos foram ficando mais escassos, então a gente teve uma redução enorme do nosso orçamento, investimento praticamente zero nos últimos sete anos. Investimento é o que? compra de equipamentos, fazer reforma renovação de frota. A gente tinha vários projetos, como implantação de uma mini usina de energia solar que a gente não conseguiu, por exemplo, mas nós conseguimos outras coisas, como o posto de biometano do biogás, então a gente consegue gerar biometano para abastecer um veículo na unidade. A gente sempre teve parceria com indústrias e outros parceiros então a gente conseguiu manter o trabalho andando.

Vale lembrar que tivemos uma crise política muito forte, tivemos impeachment de presidente, tivemos mudança de presidente da Embrapa, nesses últimos anos tivemos três presidentes na Embrapa, muitos ministros da Agricultura. Cada vez que muda, muda política, dá uma lentidão digamos até tudo se acertar. Outro problema que eu vejo a questão de equipe. Nós estamos mais de 10 anos sem concurso público e para entrar na Embrapa a admissão é somente por concurso público. As equipes vão diminuindo, nós tivemos um plano de demissão incentivada, quando 25 colegas se desligaram, fora outros que também se transferiram, tivemos alguns falecimentos, então isso aí vai diminuindo a equipe. Acredito que uma das grandes dificuldades é a falta de recurso e a falta de pessoas. Mas tudo isso eu digo nos aproximou de outros parceiros e vimos como somos resilientes. Mesmo com todas essas dificuldades a gente conseguiu ainda mostrar que produzimos, que estamos gerando resultados e que a Embrapa é importante para o país. Basicamente isso nos dá uma realização muito grande do trabalho que a gente faz, o reconhecimento que é que é feito tanto pelo setor como também da sociedade brasileira.

O Presente Rural – A pandemia alterou os rumos de trabalho da Embrapa Suínos e Aves?

Janice Zanella – Alterou Sim. Ela é uma dos grandes desafios, a gente não tinha visto uma pandemia dessa magnitude nos últimos 100 anos. A última pandemia assim grande desse jeito, claro que a gente teve a gripe A em 2009, mas nada parecido com que a gente tá vendo, o impacto no mundo, na economia mundial, em mortes. A gente viu que realmente aqui no Brasil a situação não foi e não é muito fácil. Tivemos perdas de colegas, isso impactou e impacta muito. Com certeza impacta a cabeça de todo mundo. Todos nós ainda ficamos com essa pergunta: o que que vai ser? A pandemia veio para ter uma mudança, como aconteceu depois da segunda grande mundial, da primeira guerra. Creio que essa foi a mudança do milênio, ela ensinou também muita coisa para a gente. Eu acho que no começo a gente ainda ficou meio sem saber o que fazer, mas nunca paramos, a gente sempre deu continuidade aos trabalhos de uma forma virtual, de forma online e revezamento na unidade. Os campos experimentais não pararam, os laboratórios não pararam, a gente aprendeu a trabalhar diferente.

O Presente Rural – É possível avaliar “estragos” que a pandemia tenha deixado nas pesquisas?

Janice Zanella – A gente perdeu alguns colegas, ficamos com muitas pessoas com dificuldades até psicológicas porque perderam familiares, toda essa insegurança, as pessoas um pouco mais ansiosas, com dificuldade maior de saber o que vai ser daqui para frente, mas com relação às pesquisas eu posso te dizer com toda a segurança que não atrasamos nenhuma atividade, nenhum dos projetos foi interrompido ou foi cancelado. Atrasamos no início da pandemia, mas retomamos, estamos com tudo em dia, além desse apoio que a gente deu para o Ministério da Saúde. Nós conseguimos financiar um projeto de R$ 4 milhões com Finep para estruturar nosso laboratório NB2 Plus para um laboratório nb3, ou seja a gente vai poder atuar muito proximamente ao Ministério da Agricultura e Ministério da Saúde também em apoio principalmente a pandemias e zoonoses. Esse laboratório nb3 vai ter padrão OMS (Organização Mundial de Saúde), então isso foi uma grande conquista que eu posso dizer que foi reflexo também dessa pandemia e que veio para somar.

O Presente Rural – Você foi a primeira mulher a chefiar a Embrapa Suínos e Aves, criada em 1975. Fale sobre isso.

Janice Zanella – Sou a primeira mulher a chefiar a Embrapa, com 46 anos. Realmente foi um momento desafiador, mas eu nunca deixei que isso afetasse a forma de eu trabalhar, o fato de ser mulher, sempre tenho paixão pelo que eu faço e consegui ter reconhecimento. Claro que a mulher ainda parece que ela tem que mostrar porque veio, porque parece que o pessoal não confia de cara, mas tive apoio de toda uma equipe, uma equipe fantástica trabalhando junto comigo, meus chefes adjuntos, todos os meus supervisores. Nós tivemos uma união muito grande de esforços e a gente tem certeza que a gente conseguiu trabalhar e fazer o que a gente se propôs a fazer e mais. Acredito que essa questão de gênero não afetou, acredito muito na diversidade e acredito muito na multidisciplinaridade. As equipes têm que ser formadas por diferenças porque essas diferenças enriquecem a forma de trabalho. São essas diferenças de gerações, diferenças de gênero, de formação de culturas só enriquece.

O Presente Rural – O que vai fazer depois de passar o bastão ao pesquisador Everton Krabbe?

Janice Zanella – O Everton Krabbe é um pesquisador extremamente competente, é uma pessoa extremamente dedicada à Embrapa, é um amigo querido. Vou fazer tudo que eu puder para que seja uma transição muito tranquila, muito profissional. Nesse primeiro momento vou ajudar no que ele precisar, não só ele, mas toda equipe que ele escolheu para ajudar durante esses anos que ele vai ficar à frente da unidade. Eu trabalho para a Embrapa, trabalho para o setor e eu vou continuar fazendo o que eu puder para dar esse apoio.

Vou continuar me dedicando na pesquisa. Estou já me incluindo em grupos, eu nunca parei, mas estou retomando com mais força agora. Penso em sair fazer um ano sabático ou no ano que vem ou no outro, depois que acalmar essa pandemia, para ver o que realmente a gente vai fazer, mas eu penso em atuar muito proximamente com a parte de diagnóstico rápido, geração de diagnóstico rápido para que o técnico veterinário de campo possa ter esse primeiro diagnóstico a campo, dar segurança para ele com um diagnóstico clínico e também apoio aos laboratórios parceiros nossos, como o Sedisa e os demais laboratórios para que, quando chegue lá as amostras, já chegue com direcionamento. E também a questão da defesa, a gente vê a Peste Suína Africana chegando aí nas Américas e esse diagnóstico rápido é muito importante. E vacinas. Então o que eu quero fazer é geração de dados, dados epidemiológicos. Uma coisa que eu tenho muito interesse também de trabalhar com parte de compartimentos, são áreas que eu penso em atuar fortemente, na sanidade, é essa a minha proposta agora.

O Presente Rural – Deixe uma mensagem aos colegas de Embrapa e aos profissionais do agro.

Janice Zanella – A mensagem que trago aos meus colegas, que eu deixo para todos é primeiro continuar se dedicando, fazendo o máximo para o país, inovando, porque o nosso lema é inovação, se motivando e principalmente apoiando essa nova gestão, porque a situação não está fácil para o país. Por outro lado o agro nosso é líder mundial, nós somos líderes em várias setores. O Brasil deu muito certo na agricultura e vai continuar dando certo, a gente precisa apoiar isso tudo. E quero que meus colegas sejam felizes, procurarem trabalhar com amor, trabalhar com dedicação, acordar todo dia feliz de ter um emprego e se sentir abençoado em trabalhar no setor tão importante.

O agro é um setor fantástico, setor maravilhoso que eu adoro trabalhar junto, mas não podemos nos acomodar, os desafios estão cada dia mais próximos. A Embrapa tem um trabalho que se chama a visão 2030. O que vem na tua cabeça quando você pensa em próximos desafios? A questão da sustentabilidade. O planeta está passando por mudanças, mudanças climáticas, mudanças demográficas e mudanças sanitárias. Doenças novas vão continuar surgindo, o regime de águas, as mudanças climáticas, o calor, tudo isso vai impactar a produção de grãos, vai impactar a produção animal, a saúde humana e a saúde animal.

A globalização está cada vez maior, então essas doenças estão chegando cada vez mais rápido em vários continentes. A gente também tem que pensar que existem soluções, às vezes não são soluções fáceis, são soluções difíceis, mas por exemplo para a sustentabilidade têm várias tecnologias. Eu acho que o Brasil não pode depender de tecnologia dos outros. Por exemplo, tanto para produção de insumos fertilizantes, vacinas, o Brasil tem que ter isso. A gente viu agora como foi difícil durante a pandemia se manter, desde a construção civil até os diagnósticos moleculares a dificuldade que é de conseguir insumo. O Brasil tem que ser autossuficiente e também abrir.

Veja a China, né? A China comercializa com o mundo inteiro, importa do mundo inteiro e exporta para o mundo inteiro. O Brasil é relativamente fechado, tem que se abrir mais, investir em tecnologia. Dizem que nos próximos 30 anos a tecnologia vai avançar mais que nos últimos 200 anos. A gente vê isso nas comunicações, como evoluiu de um ano para cá.

Os desafios são grandes, mas também a gente tem que aproveitar essas oportunidades e construir o melhor, inovando, fazendo diferente, abrindo a cabeça, saindo da caixa. A ciência está aí para nos ajudar. Eu acredito que a maior conquista da humanidade realmente foi a ciência e a comunicação. Temos que aproveitar a tecnologia, trabalhar juntos, criticar também, mas também usar a criatividade para inovar. Então essa aí a mensagem que eu deixo, agradecendo todos os parceiros, principalmente os parceiros do nosso Inova, que acreditaram na gente, e que continuem nos apoiando e apoiando a Embrapa. E dizer que sempre podem contar comigo.

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Avicultura 2ª enfermidade que mais causa prejuízo

Estudo revela perdas financeiras e produtivas com a bronquite infecciosa

Diagnóstico preciso é o primeiro passo para o controle da doença.

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Arquivo/OP Rural
Por  Graziela Santos, Jorge Chacón e Tharley Carvalho da Ceva Saúde Animal

A bronquite infecciosa é uma doença grande impacto da indústria. O Banco Mundial aponta como a segunda enfermidade que mais causa prejuízo globalmente. Provocada por um coronavírus, pertencente ao gênero gammacoronavírus. Atualmente sabe-se que a doença possui um impacto mais amplo no organismo das aves, com manifestações respiratórias, renais e reprodutivas.

Você acha fácil identificar um lote comprometido pelo vírus? 

Muitas vezes o diagnóstico dos lotes acometidos apenas pela análise clínica do lote através das visitas de acompanhamento não é uma tarefa fácil. Tendo em vista que em lotes com uma infecção tardia os sinais clínicos podem ser mais brandos. Além disso é importante ressaltar, que a cepa BR da bronquite infecciosa tem importante acometimento renal que muitas vezes passa despercebido quando erroneamente atrelamos o diagnóstico da bronquite apenas à sinais respiratórios.

Vamos usar esse caso real como exemplo

Em uma empresa do sul do Brasil foi realizado o acompanhamento laboratorial e o desempenho zootécnico de 16 lotes de frango de corte (295 mil aves). No acompanhamento sorológico, 62,5% dos lotes apresentaram resultado positivo. No entanto em 94% dos lotes foi detectado o vírus variante BR.

O que isso significa?

Quando utilizamos somente a sorologia como ferramenta de diagnóstico, estamos excluindo os lotes que foram infectados tardiamente. Pois no diagnóstico realizado através da sorologia, identificamos os anticorpos IgG que podem levar até 3 semanas pós infecção para serem identificados. Já na PCR conseguimos fazer o diagnóstico em algumas horas após a infecção.

Os lotes nem sempre apresentam soroconversão elevada próximo ao abate. Mas isso não significa que não foram infectados e sofrem com os danos da doença. A alta positividade na PCR confirma que o vírus desafia os organismos desses animais.

A alta positividade na PCR demonstra claramente a infecção e a circulação do desafio na região. As aves positivas através de PCR confirmam a presença do vírus e as consequentes perdas causadas por ele.

Os lotes com maiores títulos indicam que foram infectados com o vírus nas primeiras semanas de vida e são mais prejudicados.

Os lotes com títulos mais altos indicam uma infecção mais precoce, já que sabemos que a soroconversão pode levar em torno de 3 semanas. As perdas produtivas, nesses lotes, iniciam desde o primeiro momento da infecção.

Os resultados zootécnicos provam isso

Quando comparamos lotes com GMT abaixo de 1.500 com lotes que possuem GMT acima de 1.500, observamos os indicadores zootécnicos com melhores resultados nos lotes com menor GMT, indicando uma infecção mais tardia nesses lotes.

Ou seja, em lotes positivos na PCR e com sorologia mais elevada as perdas zootécnicas são mais expressivas. Demonstrando que o momento da infecção, mais precoce ou tardiamente interfere no desempenho do lote.

Lotes com infecção precoce necessitaram de quase 1 dia a mais no campo para serem abatidos.

Os lotes com infecção mais precoce e consequente maior soroconversão apresentaram um resultado PIOR (R$ 142 reais) quando comparado aos lotes com menor soroconversão. Vale lembrar que apenas um lote não foi positivo na PCR.

Conclusões

❖   Somente a sorologia não deve ser utilizada como ferramenta de diagnóstico e monitoramento da circulação viral da Bronquite Infecciosa.

❖   Lotes infectados mais precocemente pelo vírus da Bronquite Infecciosa ficam expostos mais tempo e apresentam pior desempenho zootécnico (mortalidade, conversão alimentar e ganho de peso), além de aumento dos gastos com antibióticos.

❖   A infecção precoce pelo vírus da Bronquite Infecciosa Gera maiores impactos no Abatedouro, com aumento dos índices de condenação.

❖   Lotes infectados tardiamente podem não apresentar sinais clínicos evidentes no campo, mas podem apresentar altas condenas no abatedouro. Tendo em vista o diagnóstico tardio e a não medicação a campo.

As referências bibliográficas estão com os autores. Contato via: tharley.carvalho@ceva.com

Fonte: Ceva Saúde Animal
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Avicultura Cerimônia de abertura

3ª Conbrasul Ovos evidencia importância do setor

Evento reúne atores da agroindústria e fornecedores de insumos da cadeia avícola até a próxima quarta-feira (1º), em Gramado, na serra gaúcha.

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Foi aberta oficialmente a 3ª edição do Conbrasul Ovos – Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Ovos, neste domingo (28), na cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul. O evento reúne atores da agroindústria e fornecedores de insumos da cadeia avícola até a próxima quarta-feira (1º).

Na cerimônia de abertura foi enaltecida a importância do setor. O presidente executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos disse estar honrado em receber os congressistas após quase dois anos de muita dificuldade em decorrência da pandemia da Covid-19, mas que o compromisso com a avicultura faz com que eventos como da Conbrasul Ovos aconteçam. “Os desafios nos movem e nos fazem fazer um evento como esse direcionado para lideranças e principais profissionais do setor avícola do país, que atuam no dia a dia na produção, no fornecimento de tecnologias, na ciência ou nas mais diversas áreas. Vamos sempre lutar pela nossa avicultura, temos temas estratégicos e vitais que vamos discutir durante esse fórum de debates, assim como vamos ter temas desafiadores que precisamos colocar em pauta, para quer possamos traçar um novo rumo para o nosso setor, porque vamos ter desafios e novos cenários”, mencionou Santos.

Participam do evento representantes dos Estados de Alagoas, amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Roraima, Santa Catarina e São Paulo.

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, enalteceu em seu discurso o investimento de mais de R$ 1 bilhão no setor durante a pandemia para que não faltasse comida na mesa dos brasileiros. “Os produtores foram verdadeiros heróis, trabalharam com muita resiliência, investiram neste período mais de R$ 1 bilhão para não deixar faltar comida para os brasileiros. E estar aqui junto pra pensar o futuro de novo, pra pensar em uma retomada onde a gente possa entregar nutrição para as pessoas que vão continuar a lutar para ter imunidade para trabalhar com essas novas variantes chegando. Então as situações de limitações que estamos tendo agora, de ter que ficar longe um do outro e de usar máscara são temporárias e vai passar, mas nós vamos cada vez ficar maiores. O setor viveu grandes dificuldades, agora é momento de pensar olhando para frente. Nós temos um ano que precisamos crescer mais ainda na exportação e trabalhar para não deixar faltar a produção, é isso que nós temos que fazer!”, declarou Santin, chamando a atenção para casos de Influenza Aviária fora do país. “Não dá pra descuidar”, encerrou.

“É muito importante que os setores parem, se organizem, porque nunca se viveu um tempo de tanta disrupção como agora, o que  vale hoje já não vale amanhã, mas uma coisa é verdadeira, alimento na mesa das pessoas vai chegar, tem que chegar, e tomara que chegue em abundância. Na pandemia, vocês não imaginam a ginástica que fizemos para manter o nosso setor produzindo, havia literalmente gente querendo que parássemos o tempo todo. E o Brasil foi o país que melhor se comportou entre todos os países, porque nós não tivemos abate sanitário”, frisou o presidente do Conselho Consultivo da ABPA, Francisco Turra.

Por sua vez, o presidente do Conselho Diretivo da organização avícola do Rio Grande do Sul e de entidades membros ASGAV/SIPARGS, Nestor Freiberger, enalteceu a importância do congresso para o setor. “A avicultura sofreu e ainda sofre com os impactos da pandemia, mas não deixamos de produzir carne de frango e ovos para alimentar milhares de famílias no Brasil e no mundo. Momentos como este, de retomada de eventos presenciais, nos ajudarão a superar as dificuldades, definir novos horizontes para a nossa avicultura. Parabenizo a equipe da ASGAV capitaneada pelo presidente Eduardo em meio as mudanças constantes de regras sanitárias conseguiram organizar este avento para que pudéssemos estar juntos. Tenho plena convicção de que serão dias bem produtivos e que nossos palestrantes trarão informações muito importantes e muito conhecimento para ser compartilhado”, ressaltou.

Demais autoridades, lideranças, convidados, publico e imprensa em geral marcaram presença na solenidade. O Jornal O Presente Rural está fazendo a cobertura do evento, que você, caro leitor, cara leitora, pode acompanhar na próxima edição sobre Avicultura Corte & Postura.

As principais tendências econômicas e os fundamentos de mercado que devem impactar a avicultura nos próximos anos serão discutidos durante a 3ª Conbrasul Ovos, na abertura da programação nesta segunda-feira (29), com painéis sobre “Agronegócio Brasil: Novos Cenários e Novos Desafios” e “As forças que estão acelerando as transformações no mundo e no agronegócio”.

A 3ª Conbrasul Ovos está seguindo todos os protocolos sanitários vigentes e determinados pelos órgãos de vigilância.

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