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Avicultura

“Não existe mágica no controle da Salmonella, existe controle integrado”

Para pesquisador, redução iminente ao uso de antibióticos vai potencializar a dificuldade em controlar esse patógeno nas granjas

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Nada mais apropriado que uma palestra sobre prevenção da salmonelose na produção avícola. É esse o tema que o doutor em Ciência Animal, Eduardo Muniz, aborda no Seminário online Atualização em Microrganismos Emergentes e Reemergentes em Avicultura, disponibilizado no mês de março na rede mundial de computadores para aperfeiçoamento dos profissionais da cadeia produtiva. Promovido pela Agroqualita, consultoria do agronegócio com sede em Porto Alegre, RS, o evento online já foi visto por centenas de profissionais especializados. Além da palestra de Muniz, conta com extensa programação técnica.

Muniz explica que, em princípio, combater as salmoneloses é de extrema importância para a produção de alimentos e que conhecer bem o microrganismo, o hospedeiro e o ambiente são fundamentais para seu controle. “A agroindústria se sente pisando em ovos, uma vez que Salmonella oferece risco à qualidade do alimento, pois são possíveis causadoras das toxinfecções alimentares, o que representa ameaça ao nome e reputação das indústrias de alimentos. Seu controle é extremamente complexo e depende de um conjunto de ações denominado controle integrado”, pontua. Dados apresentados por ele mostram que a Salmonella é um dos 12 microrganismos que mais matam no mundo (tabela 1). “A Salmonella sempre se encontra entre os primeiros. Em casos extremos, sendo envolvido em óbito de seres humanos”, destaca.

 

MAIS CRÍTICO

A redução iminente ao uso de antibióticos preocupa o pesquisador. Em sua opinião, essa prática vai potencializar a dificuldade em controlar esse patógeno nas granjas. “Para tornar o tema mais crítico, existe uma forte tendência na produção avícola em se reduzir o uso de antimicrobianos para anteder mercado e acompanhar o consumidor. A indústria tem buscado por alternativas ao uso de medicamentos”. De acordo com ele, muito dessa tendência é motivada por estudos que apontam para resistência dos microrganismos aos antimicrobianos. “Existe até transferência de resistência por plasmídeos entre diferentes gêneros de bactérias”, amplia, destacando que um estudo já publicado demonstrou essa transferência de resistência da E. Coli para a Salmonella.

“O tema é bastante polêmico, mas o fato é que a sociedade pressiona para um uso menor, e a indústria está movendo esforços para buscar essas alternativas. Tudo (restrição) tem impacto no controle da Salmonella”, destaca.

 

TRÊS LINHA DE ATAQUE

Para alcançar um desejável controle das salmoneloses, explica Muniz, é preciso “conhecer o agente etiológico, o hospedeiro e a o ambiente e saber as interrelações entre esses três fatores”. “O roteiro apresentado no curso online é uma abordagem lógica dos principais pontos para manejo do microrganismo na agropecuária”, aposta.

 

HOSPEDEIRO

O hospedeiro nada mais é que a ave propriamente dita. Muniz explica que o animal pode receber a Salmonella tanto pela genética, ainda no ovo ou pela casca, quanto de ave para ave, já na granja. “A Salmonella é uma enterobactéria. A transmissão se faz tanto por via vertical, das matrizes para a progênie, ou de forma horizontal, de ave para ave, por contato ou ambiente contaminado, mas com contaminação de forma predominante por via oral – há relatos por via respiratória”, pontua. De acordo com ele, “no ceco, porção distal do trato digestivo, encontra melhores condições de sobrevivência e multiplicação”. “O papo também tem importância grande, pois quando levamos a ave contaminada para o abatedouro, existe de forma indesejável o rompimento de porções do intestino e do papo, com risco de contaminar a carne com a Salmonella”, orienta.

 

AGENTE ETIOLÓGICO

O agente etiológico, ou microrganismo, deve ser o primeiro que o produtor e o técnico precisam entender e conhecer de perto. Atualmente o sorovar mais problemático no Brasil, explica, é a Salmonella Heidelberg, que tem a maior prevalência e é de extrema dificuldade de controle.

“Entre as diversas Salmoenlas há uma enorme diversidade, mais de 2,5 mil sorovares, que possuem comportamentos biológicos diferentes. Esse é um dos fatores de dificuldade para o controle. Neste grupo, temos gêneros, com a Salmonella Gallinarum e Salmonella Pullorum, que causam doenças clínicas para as aves e não têm nenhum impacto para seres humanos. Por outro lado, temos o grupo das salmonelas paratíficas, praticamente são assintomáticas, não causam doença nas aves, mas quando contaminam a carne podem levar a ocorrências de infecções alimentares em humanos”, argumenta.

Ele explica que a Salmonella conseguiu adaptar mecanismo de invasão, uma capacidade de entrar dentro da célula e lá permanecer escondida sem que o hospedeiro consiga destruir o agente por mecanismos imunes. Para ele, esse é “um dos fatores mais importante dentro das dificuldades de controle do microrganismo, que muitas outras bactérias não conseguem, como a E. Coli”. “É o que explica as tentativas frustradas de tentar o controle por meio de antimicrobianos”, pontua. Para o pesquisador, membro do corpo técnico da Zoetis, é mais difícil combater o agente quando ele está escondido dentro da célula. Ainda segundo ele, isso faz com que a ave contaminada permaneça por período longo de forma inaparente, mas basta passar por uma situação de estresse para voltar a excretar a Salmonella no meio ambiente.

 

A MAIS INCÔMODA

Um dos mecanismos já observados pelos pesquisadores é que, quando um sorovar apresenta um aumento por dominância, o outro tem decréscimo, explica Muniz. “Outro aspecto interessante é a alternância de sorovares ao longo do tempo. Ou seja, à medida que há redução de um sorovar existe a emergência de outro sorovar. Assim, o controle de todos os sorovares encontrados na natureza passa a ser utópico. O mais sensato é fixar ferramentas de controle naqueles de maior importância para aves e humanos”, acentua.

De acordo com dados apresentados pelo profissional, a Salmonella que causa mais dor de cabeça no Brasil é a Heidelberg. Alertas rápidos publicados pela União Europeia (UE) até este ano mostram a maior prevalência desse sorovar (tabela 2). Os alertas têm como base as exportações brasileiras para a UE. “Fica claro que na avicultura brasileira é predominante a Salmonella Heidelberg. O grande desafio da avicultura, que tem demandado bastante pesquisa para que a indústria consiga descobrir ferramentas ideais para fazer o controle”, cita.

 

IMUNIDADE

Diferente da ave livre da natureza, a ave industrial não tem contato com a “mãe”, o que exige mais cuidados contra a Salmonella, menciona o palestrante. “Há diferença entre ave industrial e a ave caipira. Na natureza após a eclosão, a ave livre já recebe uma carga muito grande de bactérias da mãe no ninho, nas fezes presentes no ambiente, e de certa forma, essa microbiota participa da proteção do recém nascido. Essa carga, na maioria das vezes, é composta por bactérias benéficas. Já o frango industrial não tem contato com a mãe, pois os ovos férteis vão para o incubatório. Essa ave industrial não recebe a microbiota da progenitora. Justamente por isso é imperativo dentro do controle que as reprodutoras não transfiram a contaminação para a progênie. É o primeiro passo do controle – ter reprodutoras livres (de Salmonella)”, menciona.

Nesse contexto, um bom desenvolvimento da microbiota das aves é fundamental. “As bactérias gram negativas são consideradas ‘personas non gratas’, devem ser excluídas. Sob essa ótica, importante que haja ferramentas para formação de microflora predominantemente gram positivas para ajudar as aves que são criadas em ambiente industrial”, situa.

De acordo com Muniz, existem várias ferramentas e opções para o controle da Salmonella ou para melhorar a resposta imune, mas é preciso usar com parcimônia e, caso haja misturas, devem ser bem estudadas porque o produtor colocando vários aditivos ao mesmo tempo pode, ao invés de estar ajudando o animal, está auxiliando à perda de desempenho ou mesmo gerando antagonismo. Ele destaca durante a palestra alguns estudos com aditivos e resultados que podem embasar o profissional de campo.

 

VACINAS

Uma das ações concretas para o controle da Salmonella é a vacinação, cita Muniz. “É ferramenta importante no controle da Salmonella”. De acordo com ele, estudos demonstram que o uso das vacinas vivas com inativadas promovem melhores resultados para as aves. “Os melhores resultados são obtidos quando associada a vacina viva, que tem efeito de ocupar espaço e estimular a imunidade de mucosa, e a inativa, que tem como efeito a produção de altos níveis de anticorpos, que contribuem na proteção sistêmica da Salmonella”, sugere.

Entre as características que ele cita como determinantes para a vacinação estão “capacidade de reduzir a transmissão vertical para não contaminar a casca do ovo, prevenir contaminação do trato reprodutivo, potencial de proteção cruzada, segurança para aves para que não haja reversão de virulência, não pode interferir no desenvolvimento da ave, de preferência devem ser sensíveis aos antibióticos, praticidade na aplicação massal (spray, água de bebida) e capaz de ser diferenciada da cepa de campo”, aponta.

 

ESTUDOS

Em um estudo, foram usados ácidos orgânicos, prebióticos e probióticos. Muniz conta que o objetivo era entender como essas ferramentas estimulavam o sistema imune das aves. O estudo foi conduzido na Universidade Federal do Paraná (UFPR). “As aves que receberam ácidos tiveram redução de carga (bacteriana) no papo. Por outro lado, o mesmo não se observou no ceco”, onde a Salmonella mais está presente. Percebemos dificuldades dos ácidos em atingir todas as porções do intestino, em atingir a porção distal”, cita.

O mesmo experimento aconteceu com os probióticos, que se mostraram mais eficientes no ceco, porém menos no papo. “O mesmo delineamento experimental fizemos com probióticos, mas com quatro produtos diferentes. Os probióticos tiveram efeito significativo no ceco (porção distal) e redução de excreção da Salmonella, por outro lado não percebemos os efeitos no papo, o que era até esperado, porque atua mais no intestino e no ceco”, comenta o estudioso.

Também foi observado que “probióticos são capazes de modular a resposta imune, através do recrutamento de linfócitos na mucosa intestinal, tornando o organismo mais eficaz no controle desse patógeno, tornando a ave mais habilitada para responder a esses desafios”, frisa.

Em um terceiro experimento para avaliar a sinergia/antagonismo, uniram ácidos orgânicos com prebióticos e probióticos, versus apenas probióticos. Ao invés de sinergia, perceberam antagonismo. “Não percebemos efeito de sinergia. O probiótico sozinho teve resultado melhor do que a mistura de três produtos. Pode haver um certo antagonismo quando fazemos misturas de diferentes ferramentas. Claro que devem haver associações sinérgicas, porém o trabalho chama atenção para que avalie a relação entre esses diferentes produtos”, orienta. “Os produtos alternativos (aos antibióticos) já são consideradas ferramentas válidas para o controle da saúde intestinal”, afirma.

 

AMBIENTE

O terceiro tripé é o ambiente, argumenta Muniz, que alerta para a falta de controle nesse setor. “Muitas vezes o ambiente é fator subestimado dentro do controle das salmoneloses. O ponto mais crítico é a forma de alta densidade em que são criadas as aves. Essa situação permite que haja rápida disseminação quando o microrganismo atinge o ambiente. Por isso é difícil controlar a Salmonella na avicultura”, pontua.

Ele explica que exatamente por isso essencial é fazer com que o patógeno não chegue à granja. “Por conta desse risco aumentado é fundamental prevenir a chegada do microrganismo no meio ambiente. A disseminação é facilitada de ave para ave”, comenta. De acordo com ele, estudos mostram que poucas aves contaminadas podem contaminar 40% do plantel em 48 horas.

Para ele, biosseguridade deve ser algo feito de forma impecável. “A biosseguridade é um conjunto de medidas para prevenir a entrada de agentes causadores de enfermidade em uma região (granja/propriedade), controlar a disseminação e evitar a saída deste agente da região. Ela depende de investimento em estrutura, educação continuada, muita disciplina para que o que foi planejado seja executado e dedicação por parte das pessoas envolvidas”, sugere.

“Muito se fala na busca da propriedade ideal, mas a grosso modo a biosseguridade está preservada quando se aplica o conceito de área limpa e área suja. Tudo o que está dentro do núcleo passa por controle extremo com vacinação, limpeza, desinfecção, controle de fluxo”, garante.

 

SALMONELLA EXPULSA DA CAMA

Para ele, vários métodos empregados hoje são eficazes. “Existem vários tratamentos adequados para reaproveitamento da cama, como uso de lona, muito eficaz para cascudinhos, uso do cal para alteração do pH e redução da atividade da água, amontoamento da cama, que eleva a temperatura e reduz a contaminação. Todas são alternativas válidas para redução da contaminação ambiental especialmente da cama”

De acordo com o pesquisador, estudos demonstram que os níveis de Salmonella reduzem à medida que a cama de aviário é reutilizada. Isso não descarta o tratamento da cama e sua substituição, de tempo em tempo, porque outros microrganismos se formam no conteúdo. “Quando se faz a reutilização da cama por sucessivos lotes aplicando técnicas, é possível perceber até a redução na contaminação por Salmonella. A Salmonella é uma péssima competidora. A medida que se faz reutilização, outras bactérias competem e excluem as salmonellas das granjas”, cita, apontando outro estudo conduzido na UFPR. “A Salmonella tem dificuldade de competir com outros microrganismos”, reforça.

 

MANEJO INTEGRADO

Muniz sustenta que o manejo integrado depende de conhecer microrganismo, hospedeiro e ambiente, mas é dependente das pessoas. “Atitudes simples, como a higiene das mãos, são atitudes que demandam treinamento e investimento para que haja entendimento de que hábitos simples são importantes para o controle desse microrganismo. Esse é o grande desafio do técnico, do extensionista rural”, sugere Muniz, destacando ainda a necessidade de um controle de pragas. “Vetores, como roedores, aves silvestres, animais domésticos, cascudinhos, desempenham papel primordial na manutenção da Salmonella. Portanto, manejo integrado, que leva em consideração as particularidades da granja, é imprescindível”.

“É importante enxergar de forma holística, olhando o agente e a relação que tem com o hospedeiro, olhando ambiente e as ações necessárias para controle. O controle das salmoneloses depende de uma visão integrada dessa doença, levando em consideração todos esses fatores para termos sucesso. Manejo, vacinação, biossegurança integrada como engrenagem, pessoas com disciplina, iniciativa, protagonismo, estratégia e resiliência são fundamentais para o sucesso do controle integrado. Não existe mágica no controle da Salmonella, existe controle integrado”, acredita o palestrante.

 

Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2018 ou online.

 

Eduardo Muniz tem sua palestra no Seminário online Atualização em Microrganismos Emergentes e Reemergentes em Avicultura, disponibilizado no mês de março na rede mundial de computadores para aperfeiçoamento dos profissionais da cadeia produtiva

Fonte: O Presente Rural

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Avicultura

Problemas respiratórios desafiam biosseguridade da avicultura brasileira

Para prevenir e impedir a disseminação de doenças respiratórias em aviários várias medidas podem ser adotadas, entre elas ações de biosseguridade e monitoramento constante dos agentes infecciosos associados às doenças respiratórias, que podem contribuir na identificação da origem do problema quando detectado na granja.

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Fotos: Divulgação

Responsáveis por grandes perdas econômicas, as doenças do sistema respiratório em frango de corte podem atingir toda a cadeia produtiva da granja, levando, inclusive, a condenação do lote a nível de abate. Dado a sua importância, o médico-veterinário e diretor técnico do MercoLab, Alberto Back, foi um dos convidados do 22º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) para tratar sobre o assunto, que fez parte da programação do Bloco Nutrição e Manejo do evento realizado pelo Núcleo de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), de 05 a 07 de abril, em Chapecó, SC.

Médico-veterinário e diretor técnico do MercoLab, Alberto Back: “Se soubermos identificar a causa do problema respiratório, vamos atacar e resolvê-lo”

Dentre as doenças respiratórias mais recorrentes em aves nas criações comerciais, citadas por Back, estão Mycoplasma gallisepticum, Pneumovírus aviário (PVA), Newcastle, Coriza Infecciosa (Gôgo), Colibacilose, além de Bronquite infecciosa e a Escherichia coli que especialmente foram tratadas pelo profissional no SBSA.

Normalmente os problemas respiratórios são resultantes de causas multifatoriais, que incluem agentes infecciosos, problemas de ambiência e falhas de manejo. “As doenças respiratórias sempre existiram em maior ou menor grau e vão continuar existindo pelas próprias condições dos modelos de criação de aves no país”, sentencia Back em entrevista ao Jornal O Presente Rural.

Para prevenir e impedir a disseminação de doenças respiratórias em aviários várias medidas podem ser adotadas, entre elas ações de biosseguridade e monitoramento constante dos agentes infecciosos associados às doenças respiratórias, que podem contribuir na identificação da origem do problema quando detectado na granja.

Um bom programa de biosseguridade inclui alojamento de aves de idade única e procedentes de um mesmo estabelecimento, certificado em relação ao controle de doenças, boas práticas de conservação e uso das vacinas, boas práticas de produção e conservação da ração, tratamento da água com cloro, restrição de acesso de pessoas e veículos não relacionados ao trabalho nas propriedades, com sistema de desinfecção para calçados e veículos que necessitam acessar o local, impedir a entrada de outros animais na granja, manter um programa de controle de pragas, fazer correto manejo ambiental (temperatura, umidade, ventilação), fazer correto manejo das excretas/cama, assim como de aves mortas e de ovos descartados, ter um programa de limpeza e desinfecção, além de fazer a nebulização dos galpões.

“Se soubermos identificar a causa do problema respiratório, vamos atacar e resolvê-lo. É muito importante fazer o monitoramento dos agentes infecciosos associados com os problemas respiratórios, tanto de ambiência quanto de nutrição e da capacidade imunitária dos animais. O trabalho deve começar na matriz, seguir para os intervalos entre lotes, na densidade de aves por metro quadrado, no manejo, na ambiência, no controle do ar que as aves respiram, na ventilação interna, nos gases produzidos pelas excreções das aves, entre outros. A palavra-chave é monitoramento”, pontua Back.

Controle e tratamento 

Conforme Back, a maior parte do controle é feito antes da doença aparecer. “O controle é feito em toda cadeia, desde o material genético até o intervalo entre os lotes, atribuídos de duas a três semanas justamente para reduzir a incidência de problemas respiratórios. Quando se faz um bom manejo e oferece uma boa ambiência as chances de ter um problema respiratório diminuem”, reforça.

O tratamento é variável, existe em determinadas circunstâncias que o uso de produtos específicos para controle da Bronquite infecciosa e da Escherichia coli funcionam, no entanto apenas ajudam a contribuir para reduzir o problema, mas não são uma solução, aponta Back. “Não há um tratamento que resolva todo o problema, tem que identificar a causa para reduzir a incidência”, reforça.

Sinais clínicos e consequências 

Entre os principais sinais clínicos de doenças respiratórias nas aves estão espirro, secreção nasal e ocular, edema facial, dificuldade respiratória e estertores. E as lesões mais comuns provocadas incluem sinusite, traqueíte, bronquite, pneumonia e aerossaculite. De maneira geral, doenças no sistema respiratório em aves reflete em desempenho baixo, perda de peso e piora da conversão alimentar, o que resulta em aumento de custos com medicações e nos índices de mortalidade. “Os problemas respiratórios podem acontecer em qualquer idade, inclusive ao nascimento, se estender por toda vida da ave, gerando necessidade de medicamento, além de poder provocar mortalidade”, menciona Back.

A região Sul do país e mais especificamente o Estado do Paraná apresentou em 2021 um aumento exponencial de mortalidade em frangos de corte, com as primeiras ocorrências de doenças respiratórias identificadas em abril, com seu pico atingido entre os meses de junho a agosto.

Através de exames laboratoriais constatou-se que os casos nos planteis paranaenses tinham em comum duas características: estavam associados com a Escherichia coli – agente causador da Colibacilose aviária, identificada nas três primeiras semanas de vida dos frangos, elevando a mortalidade das aves em idade jovem; e a um quadro de Aerosaculite, não evidente durante a criação do frango, mas sendo detectado no momento do abate, gerando condenação do lote, criando uma restrição de velocidade da linha de abate e um impacto econômico muito grande para a indústria.

De acordo com Back, diversos estudos foram e continuam sendo realizados, mas ainda não se chegou à origem do agente causador que pode ter afetado os aviários paranaenses.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Uso racional

Avicultura precisa mensurar melhor quanto gasta de água

Frangos de corte, matrizes reprodutoras e poedeiras comerciais consomem, em média, dois litros para cada quilo de ração consumida. Diante disto, aves com melhor conversão alimentar vão consumir menos água para produzir o mesmo peso.

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Envolvida em muitas funções fisiológicas, a água chega a compor 85% da estrutura corporal de pintainhos e de até 75% em aves adultas. Por isso, a reposição da água corporal e a qualidade desta água ingerida é fundamental para o consumo adequado dos animais para evitar desidratação e redução no consumo da ração.

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o diretor Global de Contas Estratégicas da Cargill Animal Nutrition, Antônio Mário Penz Junior, destacou que diante da escassez hídrica vivenciada nos últimos anos é preciso cada vez mais buscar alternativas para o uso racional da água. Neste contexto, é fundamental rever todos os processos que envolvem a utilização de água na atividade avícola, desde as granjas reprodutoras, passando pelos incubatórios, produção de frangos, abatedouro e fábrica de ração.

Antônio Mário Penz Junior: “Sem medir a qualidade da água não podemos melhorar qualquer processo” – Fotos: Arquivo/OP Rural

Conforme Penz, em um incubatório se espera um consumo total de água de 300 ml/1000 pintainhos, enquanto que em um abatedouro, o valor médio empregado de água é de 22 litros/ave abatida. “Na propriedade rural só agora começa a discussão deste tema, uma vez que se começa a ver a coleta de água da chuva e de linhas de bebedouros para serem usadas em refrigeração de painéis evaporativos ou para outros usos, até irrigação de plantas da casa do produtor ou em suas hortas, quando não em alguma produção de grãos”, relata. Ele palestrou sobre “Qualidade de água: sustentabilidade x crise hídrica” no 22º Simpósio Brasil Sul de Avicultura, promovido em abril pelo Núcleo de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), na cidade de Chapecó (SC)

Quantidade ideal de água por frango

Frangos de corte, matrizes reprodutoras e poedeiras comerciais consomem, em média, dois litros para cada quilo de ração consumida. Diante disto, aves com melhor conversão alimentar vão consumir menos água para produzir o mesmo peso. “Qualquer desvio desta proporção por dias subsequentes sugere alguma anomalia na saúde dos animais, que podem consumir mais, em um processo febril e consumir menos pelo uso de água quente, bebedouros altos, etc.”, alerta.

Outro fator a ser considerado é a mortalidade, uma vez que quanto maior a idade com que as aves morrem, maior o consumo de água e de ração que serão perdidos. Já frangos com dieta peletizada podem consumir até 20% menos água do que aves que consomem dieta farelada, além de apresentar melhor conversão alimentar, o que leva a uma redução de consumo de água.

Penz diz que é imprescindível medir o que é gasto nos diferentes processos de produção. Em incubatórios e abatedouros esta é uma medida regular, um item de controle. Mas na propriedade, além do que é gasto com as aves, tem que medir o que é gasto em outros processos na produção, como nos painéis evaporativos. “Cada produtor, com a medida de consumo total na propriedade, definirá um indicador que poderá ser por frango produzido/mês, por frango produzido por metro quadrado de galpão por ano, etc. As empresas integradoras terão importante papel nesta atividade, estimulando os produtores a começar a medir o que gastam e como podem fazer para que reduzam seus gastos. Sem medir não podemos melhorar qualquer processo”, expõe.

Para aplicar na prática o método da água sustentável, Penz afirma que é necessário começar com a medição do consumo de água que cada propriedade tem e definir valores de referência para cada segmento de produção. Para isto, as propriedades deverão ter pelo menos um hidrômetro de registro. “E se quiserem ser ainda mais eficientes que tenham hidrômetros em diferentes segmentos como tambo, pocilga, aviário, casa do proprietário etc.”, menciona, ressaltando: “Temos que medir o que é consumido e devemos fazer análises sistemáticas da água usada pelos frangos – duas vezes por ano, sendo na época de chuva e na seca -, para identificarmos se há algum cuidado que deve ser dado à água antes que seja utilizada pelos produtores e seus animais”.

Em termos de temperatura, são recomendados valores inferiores a 25ºC. Com relação ao pH, que seja entre 6 e 7. Água com pH alcalino (9) deve ser acidificada, para que atinja, pelo menos a neutralidade (pH 7,0), orienta o diretor global.

Para a concentração mineral da água, Penz sugere como indicador de referência o uso de sólidos dissolvidos totais, onde os valores devem ser de no máximo 1000 mg/L. “Acima disto e quanto maior for este valor, maior atenção o produtor deverá dar a água que está sendo usada pelas aves, em geral”, salienta.

Em relação ao que provoca nas aves a falta de consumo d’água, Penz é enfático: “O frango come por que bebe! Desta forma, se a ave toma 90% do que deveria consumir, seu consumo de ração será 10% abaixo do previsto e, com isto, o resultado de produção do lote será muito prejudicado”.

Medição de consumo de água

O profissional declara que para se pensar em soluções econômicas ao uso d’água para o futuro é preciso agir no presente, iniciando com a medição do que está de fato sendo consumido na propriedade. “A medição de consumo de água de uma propriedade rural não é um procedimento convencional, pois a água, normalmente, vem da propriedade, através de açudes, poços rasos ou profundos, porém, sem medir não podemos definir metas”, pontua.

Tecnologia e uso racional

“Com os equipamentos hoje disponibilizados já é possível identificar o consumo e a temperatura de água em tempo real e relacionar este consumo com o consumo de alimento. Qualquer alteração que ocorra no aviário será identificada imediatamente, permitindo ações mais rápidas e efetivas”, assegura Penz.

Ele cita que já estão disponíveis no mercado equipamentos que permitem medir o peso dos frangos, em tempo real, através do uso de câmeras, além do surgimento de equipamentos que mensuram características ambientais importantes no galpão, como concentração de CO², umidade, amônia, velocidade do ar e temperatura, além de sons distintos produzidos pelos animais. “Qualquer desvio de parâmetros ambientais e comportamentais podem comprometer o consumo de água que, por consequência, comprometerá o consumo de alimento”, reforça.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Alternativas eficientes

Especialista orienta sobre como manter a saúde das aves sem o uso de antibióticos como promotores de crescimento

Coordenador do Programa de Resistência Antimicrobiana e Desenvolvimento de Alternativas e vice-diretor do Instituto de Patobiologia Veterinária do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina, Mariano Fernández Miyakawa, diz que existem muitas alternativas em uso e em outras em desenvolvimento que vão em encontro a substituição desse medicamentos.

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Fotos: Arquivo/OP Rural

Usados na avicultura, principalmente, para gerar benefícios na produção, como melhorar o ganho em peso, a conversão alimentar e reduzir a mortalidade, os antibióticos são aplicados na avicultura, porém o uso desses medicamentos vem sendo reduzido gradualmente na produção brasileira. A redução se deve às mudanças na legislação, em razão da resistência antimicrobiana que pode interferir também na saúde humana.

Coordenador do Programa de Resistência Antimicrobiana e Desenvolvimento de Alternativas e vice-diretor do Instituto de Patobiologia Veterinária do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina, Mariano Fernández Miyakawa: “A recomendação é usar antibióticos com prudência e apenas medicar animais doentes ou lotes onde a percentagem de animais doentes o justifique, sempre sob a supervisão de um veterinário e com um diagnóstico preciso” – Foto: Divulgação

No entanto, os problemas causados pelo uso excessivo de antibióticos como promotores de crescimento não ser restringem aos humanos. “O desenvolvimento e disseminação da resistência antimicrobiana também terá um impacto negativo na produção animal e na economia mundial”, é o que aponta Mariano Fernández Miyakawa, coordenador do Programa de Resistência Antimicrobiana e Desenvolvimento de Alternativas e vice-diretor do Instituto de Patobiologia Veterinária do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina. O profissional fala sobre as novidades desse tema durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, que aconteceu em abril, em Chapecó (SC).

A prática, segundo Fernández, é totalmente desaconselhada, pois os antibióticos devem ser usados apenas para tratar animais doentes. “Sob essa perspectiva, cada vez mais países estão restringindo seu uso, somado à pressão dos consumidores para poder acessar a carne produzida sem antibióticos, incluindo, sobretudo, os promotores”, relata.

Portanto, reduzir seu uso é considerado fundamental para minimizar o impacto do problema e se adequar à legislação brasileira. Desta forma, a retirada dos antibióticos deu origem à alternativas para como estratégias para substituir os promotores de crescimento.

De acordo com Mariano, a retirada dos antibióticos como promotores de crescimento não causa nenhum problema às aves, “pois há conhecimento, ferramentas e aditivos (alternativas) que em seu resultado global podem até ser superiores ao uso de antibióticos”, afirma.

Para ele, saúde intestinal, como parte da saúde das aves, deve ser mantida com medidas que incluem vacinação eficaz, medidas de biossegurança, densidade adequada do lote e a escolha correta de aditivos. “Muitas vezes essas medidas são difíceis de abordar, ou devido a questões culturais, econômicas ou de gestão/conhecimento. Mas devemos dizer que a saúde intestinal das aves não foi garantida pelos antibióticos promotores”, pois segundo Fernández, há evidências de que os antibióticos poderiam agravar o aparecimento de patógenos cada vez mais virulentos e aumentar sua dispersão e manutenção dentro do sistema. “Portanto, essa mudança de paradigma no uso de alternativas deve ser vista como uma oportunidade para aumentar a eficiência do nosso sistema produtivo a médio e longo prazos”, afirma Fernández.

A saúde intestinal das aves é fundamental, pois é o que permite manter a absorção adequada de nutrientes e uma barreira contra muitos patógenos, um ponto-chave para a eficiência econômica. De acordo com Mariano, também é importante ter um ambiente saudável e manter um desenvolvimento adequado do animal. “Assim, evitamos complicações gerais de saúde, bem como alterações fisiológicas e comportamentais da ave que possam impactar negativamente nessa busca pela eficiência e bem-estar do animal”, ressalta.

Alternativas

Existem muitas alternativas em uso e em outras em desenvolvimento que vão em encontro a substituição desse medicamentos e que podem ser classificados de várias maneiras, mas em geral estão associados a produtos derivados de microrganismos (probióticos, pós-bióticos, peptídeos, etc.); medicamentos, produtos químicos (prebióticos, ácidos, etc.) e enzimas; fitoquímicos (extratos vegetais, óleos essenciais, saponinas, taninos, etc.) e produtos derivados relacionados ao sistema imunológico.

Conforme Fernández, cada um possui características específicas e, embora os mecanismos de ação propostos variem, mesmo entre produtos semelhantes (por exemplo, dois fitoquímicos semelhantes), em geral estão relacionados à modulação da microbiota, efeitos diretos no trato intestinal e na fisiologia do hospedeiro, incluindo o sistema imunológico. “Em algumas alternativas, um mecanismo pode ser mais preponderante que outro, porém temos que considerar que estamos falando de um sistema complexo, que se estabelece entre a microbiota intestinal e a ave, de modo que cada efeito de um lado influenciará o outro”, explica.

Processo de transição

A transição dentro da granja pode ocorrer de maneira rápida e segura, desde que se escolher corretamente as alternativas indicadas para cada sistema produção. No entanto, de acordo com Fernández, o maior desafio muitas vezes está nas pessoas encarregadas de aplicar a mudança, pois ainda existe receio e resistência a essa substituição. “Este medo leva a crer que qualquer situação negativa que surja no sistema de produção é rapidamente associada à substituição, o que pode ameaçar a mudança realizada”, aponta Fernández.

Custo

Considerado o principal “vilão” na produção brasileira de proteína animal, o custo de produção é extremamente debatido e os processos produtivos ajustados para que sejam minimizdos, sem comprometer a produtividade.

Dentro desse atual contexto, qualquer mudança pode ser vista com preocupação pelos produtores, em razão de possíveis encarecimentos do custo de produção.

Entretanto, as alternativas aos promotores de crescimento convencionais não acarretam aumento aos avicultores, segundo Fernández. “Com a oferta de alternativas disponíveis, não deve ser mais caro se a escolha for adequada ao meu sistema”, afirma.

No entanto, conforme Mariano, devemos ter em mente que muitas vezes diferentes alternativas são adicionadas aos alimentos, por diferentes motivos, como cobrir possíveis problemas, que muitas vezes não são necessários. “Isso acaba aumentando o custo do uso dessas alternativas”, menciona.

Por outro lado, o impacto ao longo do tempo, o uso dessas alternativas nos sistemas de produção, acompanhado de outras medidas como vacinação, biossegurança e densidade, devem gerar um sistema mais estável e previsível. “E portanto, menor custo de produção associado a problemas de saúde clínicos e subclínicos”, salienta Fernández.

Alternativas futuras

O desenvolvimento de alternativas vem evoluindo desde os anos 2000, com um forte impulso de pesquisa e desenvolvimento nos últimos anos.

Segundo Fernándes, no início, o foco era muito na capacidade antimicrobiana das alternativas, para depois incluir a ave como alvo de ação das alternativas e depois incluir ambas. “No futuro, talvez mais próximo do que esperamos, teremos alternativas que atuem diretamente nos principais mecanismos que nos permitem estimular o crescimento dos animais e teremos mais uma mudança de paradigma”, ressalta. Embora, conforme ele, a indústria ainda esteja tentando entender quais são esses mecanismos, muito desse conhecimento já se tem e o desafio está em juntar essas peças. “É muito provável que isso também afete a forma como prevenimos a adversidade das doenças infecciosas intestinais, favorecendo uma microbiota robusta e um sistema imunológico ativo”, salienta.

Mas para progredir ainda mais, de acordo com ele, é preciso descrever com mais detalhes a dinâmica das várias microbiotas sob diferentes condições, os metabólitos que são gerados e as vias de comunicação que se estabelecem entre a microbiota gastrointestinal e a ave. “Essas práticas começaram a entender graças ao custo cada vez mais acessível das técnicas de sequenciamento massivo, por exemplo”, sustenta.

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Fonte: O Presente Rural
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