Conectado com

Bovinos / Grãos / Máquinas

“Milho é o produto com mais espaço para crescer no Brasil”

Publicado em

em

Foram
reunidos nesta terça-feira (19), em Cascavel, produtores rurais e técnicos de
diferentes áreas do agronegócio, para conferir a edição brasileira da Ronda
Latinoamericana promovida pela Alltech, sobre o tema “Desperte sua curiosidade:
as novas tecnologias poderão oferecer eficiência, rentabilidade e sustentabilidade?”.
A programação é levada anualmente aos principais centros produtores de
alimentos de cada país. Neste ano, a região Oeste do Paraná foi a escolhida no
Brasil. Na pauta assuntos ligados à produção de alimentos. Falaram ao público
presente o vice-presidente da América Latina da Alltech, Guilherme Minozzo, a
diretora de operações para a América Latina, Simone Cavalli, o gerente avícola
da Alltech para América Latina, Felipe Fagundes, o gerente regional Sul da
Alltech CropScience, Flavio Soares Muniz, 
e para finalizar, o diretor-presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, que
falou sobre os desafios do Brasil para aumentar sua produtividade. Segundo Grolli,
ainda há espaço e condições para o país aumentar sua produtividade de grãos,
apesar de grandes gargalos existentes.

O
presidente da Coopavel expôs que em 22 anos, o país aumentou 218% a sua
produtividade, saltando de cerca de 57,8 milhões de toneladas de grãos para os
prováveis 183,6  milhões de toneladas
deste ciclo. Isto com um aumento de apenas 40% em área (de 37,8 milhões de
hectares para 52,9 milhões em 2013). A área cultivada atualmente não passa de
6% do território brasileiro, sendo que a maior produtividade – 78% está
concentrada entre o sul e a região centro Oeste). “Ainda temos disponível cerca
de 85 milhões de hectares para serem cultivados, ou seja, cerca de 10% do
território do país. Isto sem precisar mexer em um centímetro sequer da
Amazônia”, informa Grolli.

 Solução

A
solução para o aumento da área, aponta o cooperativista, está no melhor aproveitamento
das áreas de pasto para gado de corte. Conforme ele, o rebanho nacional, de
aproximadamente 200 milhões de animais está distribuído em cerca de 210 milhões
de hectares de terra – 25% da terra brasileira. Assim, ele explica que é
possível potencializar esse aproveitamento de área, transferindo área de pasto
para as culturas – cerca de 50%. Com esta medida, raciocina o ruralista, seria
possível crescer em até três vezes a área destinada à agricultura no Brasil.
“Hoje em dia temos tecnologia eficiente para criar gado em menos espaço ou
confinado”, argumenta.

 A
vez do milho

E
o crescimento da produtividade brasileira de grãos não está concentrada
principalmente na soja. Dilvo Grolli acredita que o milho deve ser a principal
vedete nesse processo de crescimento. Para esta conclusão, ele também faz
algumas análises. A primeira delas é que a produtividade de soja por hectare no
Brasil é equivalente aos EUA (2,9 mil Kg/ha), grande produtor mundial. Porém,
no milho, há grande variação de produtividade por hectare de acordo com cada
região brasileira, haja vista que a extensão territorial leva a diferentes
tipos de clima e até solo.  Ele cita que
a média de produtividade norte-americana é de 10 mil quilos de milho por
hectare, enquanto na Argentina é de 7,3 mil quilos/ha e no Brasil essa média
cai para 4,9 mil kg/ha. “O que acontece é que temos uma diferença de tecnologia
e consequentemente de produtividade nas diversas regiões: no Norte e Nordeste é
de apenas 2,3 mil Kg/ha; no Centro Oeste, mais precisamente no Mato Grosso, a
média é de 5,3 mil Kg/ha. Já no Sul do país, alcançamos em torno de 8 mil Kg/ha
no verão e cerca de 6 mil Kg/ha na safrinha. Em regiões potencialmente
produtoras, como o Oeste do Paraná, essa produtividade gira entre 10 e 12 mil
Kg/ha”, detalha.

Diante
do quadro apresentado, Dilvo Grolli acredita que o aumento da área de cultura
de grãos vai aumentar com milho, mas que o cultivo deverá ser feito por
“especialistas”. “Vai plantar no milho quem investe visando resultados mais
altos”, declara.

Por
que o milho? A resposta de Dilvo Grolli está na ponta da língua: “O milho, além
de ser uma alternativa viável para o aumento da produção de alimentos, também é
excelente alternativa para atender a demanda energética, na produção de
combustível”, ressalta. Além disso, ele destaca que as condições brasileiras de
produção são muito melhores que outros potenciais países agricultores, como
China ou Rússia, e a própria Argentina. Os EUA produzem 369,1 milhões de
toneladas/ano, a China 208 milhões e o Brasil 76 milhões.

Grolli
faz uma análise audaciosa do aumento da produtividade brasileira de grãos. Cita
que, se o Brasil continuar crescendo na produção de grãos em média de 5% ao
ano, em 2020 produzirá 260 milhões de toneladas. “Um incremento que temos que
concordar, é excepcional”, vislumbra. No entanto, ele destaca que ainda
estaremos longe dos campeões mundiais, a China – 550 milhões de toneladas e os
EUA – 530 milhões. (O Presente)

Tecnologia combate
gargalos do Brasil

Sem
medo de errar, o diretor-presidente da Coopavel afirma que é com uso de
tecnologia de ponta que o Brasil vai aumentar sua produtividade de grãos. “Este
é o caminho: a implementação de tecnologia e o melhor aproveitamento de áreas
que hoje são destinadas a pastagens”, diz, citando que foi graças à utilização
de tecnologia de insumos, máquinas, genética e à profissionalização que o país
ampliou em mais de 200% a sua produtividade em 20 anos, com um incremento de
apenas 40% em área.

É
a utilização de tecnologia, ressalta o dirigente, que por enquanto pode fazer
frente aos graves gargalos que a agricultura brasileira enfrenta. Ele cita que
os maiores entraves são a infraestrutura e logística, a alta carga tributária
do país e a falta de mão de obras e o seu alto custo.

Viabilidade

O
cascavelense tem números que refletem o problema que transformou-se no Brasil o
transporte das safras. Para transportar a saca de soja do Centro Oeste para um
porto, o custo do frete rodoviário é de R$ 15 a R$ 20 a tonelada do grão. Se
for de milho, levando em conta o preço desta commoditie, é inviável o
transporte. De Cascavel ao Porto de Paranaguá, o valor do frente é de
aproximadamente R$ 6 a tonelada. “É um custo muito alto que torna a nossa safra
muito cara”, lamenta, destacando que o transporte das produção agropecuária
brasileira é feita 60% por rodovia, 33% por ferrovia e 7% por hidrovia.Nos
Estados Unidos, o transporte por rodovia é de apenas 16%.

Por
outro lado, ele declara que o problema de logística e de alta carga tributária,
além da burocracia, são resolvidas via governamental. Mas a solução do alto
custo e escassez de mão de obra pode estar na maior utilização de tecnologia.

Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

1 + dezenove =

Bovinos / Grãos / Máquinas Mercado Interno

Concorrência por matéria-prima mantém preço do leite ao produtor em alta

Preço do leite pago ao produtor em março registrou alta de 1,4% em relação ao mês anterior

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

O preço do leite pago ao produtor em março (referente ao volume captado em fevereiro) registrou alta de 1,4% em relação ao mês anterior, chegando a R$ 1,4376/litro na “Média Brasil” líquida, segundo pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. O movimento de alta nos valores do leite no campo ocorre desde dezembro/19 e está atrelado à concorrência entre laticínios para garantir a compra de matéria-prima num contexto de oferta limitada.

O Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea recuou 4,35% na “Média Brasil” de janeiro para fevereiro e acumula queda de 7,9% neste ano. A menor disponibilidade de leite – no que seria o período sazonal de safra – se deve, principalmente, à instabilidade climática. Além disso, outros fatores também têm desestimulado o aumento da produção no campo, como a alta nos valores do concentrado (puxada pela constante valorização dos grãos) e o maior abate de vacas leiteiras, devido à elevação dos preços no mercado de pecuária de corte. Destaca-se, ainda, as dificuldades em anos anteriores, que comprometeram os investimentos de longo prazo na produção leiteira, limitando o atual potencial de crescimento da atividade.

Coronavírus 

As recomendações de isolamento e a necessidade de menor circulação geraram incertezas nos consumidores acerca da manutenção do abastecimento. Diante disso, redes atacadistas e varejistas intensificaram a procura por derivados em março, em especial do leite UHT. De 2 a 27 de março, o preço nominal do leite UHT recebido pelas indústrias em negociações no estado de São Paulo saltou 24,7%.

Por outro lado, o fechamento de redes de serviço de alimentação impactou severa e negativamente o consumo de lácteos refrigerados, como queijos – que respondem por mais de 30% da alocação do leite nas indústrias. Assim, as indústrias lácteas poderão se deparar, em poucas semanas, com um cenário de baixo faturamento, o que será transmitido aos produtores. Em algumas regiões, especialmente as que direcionam maior parte do volume para queijos, a coleta de leite no campo foi interrompida. Vale lembrar que, no episódio da greve dos caminhoneiros, a interrupção da coleta de leite durante uma semana levou ao descarte de mais de 300 milhões de litros nas fazendas, o que somou prejuízo de R$ 1 bilhão ao setor.

Fonte: Cepea
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas Para presidente da Abraleite

“Temos o objetivo de tornar o país o maior produtor e maior exportador de lácteos do planeta”

Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite, Geraldo Borges, deu entrevista exclusiva ao O Presente Rural

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

A produção de leite no Brasil é feita em 99% dos municípios brasileiros, em 1,2 milhão de propriedades rurais. Cerca de 35 bilhões de litros são ordenhados todos os anos, basicamente destinados ao mercado interno. Ou seja, 165 litros por habitante. O rebanho tecnificado soma mais de 11 milhões de cabeças. O país é um dos que mais produzem no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e Índia, variando a terceira e quarta posições com a China.

Mas mesmo com esses números estratosféricos e importância econômica e social que o leite tem, a cadeia ainda é bastante heterogênea, apresentando ótimos desempenhos em alguns locais e péssimos em outros. Mais ainda, a cadeia é desorganizada. Somente em outubro de 2017, há menos de três anos, uma entidade foi criada para defender os interesses da classe. A Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite) é uma criança comparada a entidades como a Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), que tem 60 anos, e até entidades que representam culturas bem menos expressivas, como a Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa), fundada no fim dos anos 1970.

Em entrevista exclusiva ao jornal O Presente Rural, o presidente da Abraleite, Geraldo Borges, conta como a entidade com sede em Brasília, DF, tenta recuperar o tempo perdido e o que fazer para tornar o Brasil também exportador desse importante item da gôndola do agronegócio brasileiro. “Temos o objetivo de organizar e fortalecer a cadeia do leite e tornar o país no maior produtor e maior exportador de lácteos do planeta. É nosso dever de casa”. Confira.

O Presente Rural (OP Rural) – Conte um pouco sobre a Abraleite. Porque essa entidade demorou tanto para ser criada?

Geraldo Borges (GB) – A Abraleite foi criada em julho de 2017 e começou a funcionar em outubro de 2017. A Associação veio cumprir o papel de defender os interesses da classe produtora de leite e trabalhar políticas públicas para que o setor se desenvolva.

Existem mais de 40 instituições similares ou congêneres, como Abramilho (Associação Brasileira dos Produtores de Milho), Aprosoja (Associação Brasileira de Produtores de Soja, incialmente chamada de Abrasoja), ABCS (Associação Brasileira de Criadores de Suínos). A cadeia do leite demorou para criar essa instituição. O leite demorou bastante talvez por ser a categoria mais numerosa. O fato de termos 1,2 milhão de propriedades que produzem leite, num país com cinco milhões de propriedades, nos torna uma categoria gigantesca, extremamente pulverizada. Nós produzimos leite em 99% dos municípios do Brasil, segundo dados do IBGE de 2018. E essa cadeia é bastante heterogênea. Têm pequenos, médios e grandes produtores, com diferentes sistemas de produção, em que observamos divergências e diferenças muito grandes de uma região para outra. Isso também pode ter ajudado a cadeia a não se organizar e demorar tanto para ter uma instituição que o representasse, principalmente nos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário).

Nós temos feito um trabalho muito consistente, promovendo políticas públicas através de leis, decretos e normativas junto ao Executivo e Legislativo, para que a gente organize-se melhor, tenha força maior não só no mercado interno, mas que consigamos ser um grande exportador de leite como somos na carne bovina, no frango, na soja, no café e em tantas outras atividades.

Temos o objetivo de organizar e fortalecer a cadeia do leite e tornar o país, tomara que em breve, no maior produtor e maior exportador de lácteos do planeta. É nosso dever de casa. Somos o terceiro ou quarto produtor de leite do planeta, mas não exportamos. Somos grandes consumidores, mas precisamos também exportar.

OP Rural – Quais são os gargalos hoje da cadeia e o que falta para tomar da Nova Zelândia o posto de maior exportador de leite do mundo?

GB – Muito bem lembrado. A Nova Zelândia é responsável por 50% das exportações de lácteos do planeta. É um país que soma o tamanho do Estado do Rio Grande do Sul, mas consegue ter metade das exportações totais de lácteos no mundo. Eles têm uma cadeia extremamente organizada, extremamente tecnificada, com gestão eficiente, entre outros pontos. Chegar a esse nível depende muito do trabalho da Abraleite.

A Abralrite trabalha muito da porteira para fora, com políticas públicas, mas também temos que ajudar, incentivar e trabalhar da porteira para dentro, sempre almejando maior e melhor produtividade, através de tecnologias e gestão.

OP Rural – Aumentar a produtividade é um desafio. E qualidade?

GB – A primeira coisa que temos que entender é que a classe é muito grande, e temos não só produtores de todos os tamanhos e sistemas, mas temos ainda extrativismo no Brasil. Nós temos tiradores de leite no Brasil, sem nenhum demérito a esses produtores rurais, que ainda tratam a atividade de forma amadora, não tão profissional. Temos propriedades com uma ordenha diária apenas, temos propriedades abaixo da média nacional, que já é muito baixa, em torno de 4 a 5 litros/matriz/dia. Se você pensar na média, deve ter rebanho com um ou dois litros ao dia. Uma vaca com essa quantidade de leite certamente não é especializada para o leite. Ela até pode ser uma matriz de sangue leiteiro, mas com certeza está muito mais próximo do corte do que do leite.

Então, precisamos aperfeiçoar o melhoramento genético, melhorar a alimentação dos animais e na gestão das propriedades para que tudo isso mude. A questão da qualidade é outra preocupação que nós temos. Quanto maior qualidade tivermos para mandar nosso leite para as indústrias, maior qualidade a indústria terá na sua matéria-prima que será utilizada para produzir derivados lácteos, que são tão valorizados no mundo inteiro.

É insano pensar que um produtor vai continuar a vida inteira produzindo um leite de baixa qualidade. Muito se fala que é difícil e caro, mas alguns problemas podem ser resolvidos com uma simples higiene no manejo da vaca ou na sala de ordenha, como é o caso da contagem bacteriana total. Para mudar isso não é caro, mas falta assistência técnica no Brasil. Precisamos que o governo tenha olhos para isso. Precisamos investir nas agências de assistência técnica do Brasil porque muito produtor não produz corretamente porque não tem a instrução. Temos problemas estruturais e falta de assistência técnica no país. Isso vai dificultar para pequenos produtores.

OP Rural – Na cadeia de suínos e aves houve queda no número de produtores, mas aumento da eficiência e da produção. Muitos deixaram de produzir, mas quem ficou na atividade está altamente tecnificado. O leite deve seguir esse modelo?

GB – Certamente. Esse exemplo que você dá é muito bom. No Sul, percebemos que aquela mão de obra foi realocada no setor. São 1,2 milhão de propriedades produtoras de leite, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mas não sabemos quantos produtores são. Estimamos algo em torno de 2 ou 3 milhões de produtores, já que algumas propriedades têm dois ou três CPFs (produtores distintos). Com certeza, muitos vão ter que se realocar na cadeia.

Podemos usar o exemplo da Nova Zelândia ou do Canadá, com sua cadeia leiteira também desenvolvida. Na Nova Zelândia existe a terceirização extremante empregada no país. Aqui no Brasil estão começando surgir algumas ações na região Sul, em Minas Gerais e São Paulo, mas muito incipiente.

Vou dar um exemplo. O produtor de leite neozelandês ou canadense não cria e nem recria as bezerras. Ele terceiriza isso para um produtor que deixou de ser produtor de leite, se especializou e passou a ser um recriador. Ele recolhe as bezerras quando nascem, são levadas para fazendas recriadoras e retornam recriadas e insemidas. Só chegam na propriedade na semana ou dia do parto. Então, a preocupação do produtor de leite é apenas produzir leite.

Outro exemplo é o macho. Lá existem rotas iguais às das fêmeas, em que camionetes e caminhões passam recolhendo bezerros machos, que vão para fazendas terceirizadas recriadoras. Muitas adquirem esses bezerros e já têm contratos futuros com redes de fast food para vender a carne desses bezerros como vitelos e baby beefs.

OP Rural – O que esperar do mercado do leite para 2020?

GB – A Abraleite não espera, ela trabalha para acontecer. Hoje somos a segunda maior instituição do país em número de produtores. E fazemos um trabalho que a cada dia convence os produtores de apoiarem e estarem juntos. É uma associação democrática, que filia qualquer produtor e parceiros do setor, como técnicos de entidades, e esses associados fazem a opção se querem ou não contribuir. Com isso, temos apoio, força e representatividade muito grandes.

OP Rural – Como é formada a Abraleite?

GB – Eu, como presidente da Abraleite, mas também a Diretoria e os conselheiros, somos pessoas que acreditam no leite e nas mudanças necessárias para o setor. Temos um conselho de representantes estaduais, que é composto por 27 unidades da federação (26 estados e o Distrito Federal), temos lideranças de sindicados, de cooperativas e federações ou apenas lideres natos que, acreditam no setor. Todos que estão na diretoria e no Conselho têm esse perfil.

Precisamos estar unidos, trabalhar, acreditar e conquistar aquilo que a carne e a soja já conquistaram. O leite tarda, mas não falha. Nós iremos incomodar muitos países, que já estão preocupados com nossa cadeia leiteira, pois sabem que mais cedo ou mais tarde ela vai se organizar e vamos ser um grande exportador de lácteos do planeta.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Por que as vacas merecem tanta atenção no pré e pós-parto?

Quanto melhor a vaca passar pelo período de transição, melhores resultados terá ao longo da vida

Publicado em

em

Divulgação

Artigo escrito por Jessica Karina Poncheki, zootecnista, mestre em Ciências Veterinárias, doutora em Zootecnia e equipe Técnica Comercial da Auster Nutrição Animal

Com certeza você já ouviu falar sobre período de transição, que compreende 21 dias antes até 21 dias depois do parto. Mas o que acontece de tão importante nesse período? Por que devemos cuidar dos animais com maior zelo?

Durante esse período, as vacas passam por diversas mudanças em seu organismo, sejam mudanças fisiológicas, hormonais e até mesmo anatômicas, para estarem aptas à nova lactação. Essas mudanças causam um estresse metabólico muito grande e o sistema imune acaba ficando comprometido. Além disso, a maioria das doenças é inter-relacionada, ou seja, é muito provável que o animal que tenha uma doença no período de transição tenha outra doença concomitante ou no período subsequente.

Grande parte das doenças que acometem as vacas leiteiras ocorrem nos primeiros 30 a 60 dias pós-parto. Essas doenças podem acontecer inclusive de maneira subclínica, sem apresentar sintomas que possam ser identificados pelo produtor, causando uma perda em produção de leite de até 30% quando comparado a animais saudáveis. Fora a perda de produção, animais que apresentam doenças no início da lactação têm mais chance de descarte involuntário e mais dificuldade em emprenhar novamente, aumentando o número de dias abertos.

Existem várias estratégias que podem ser empregadas para aumentar o sucesso do período de transição. Uma delas é usar dietas aniônicas durante os 21 dias que antecedem o parto. O objetivo da dieta aniônica é prevenir uma das principais doenças de vacas leiteiras: a hipocalcemia. O DCAD negativo estimula o paratormônio (PTH), que por sua vez aumenta a captação de cálcio dos ossos e também maior absorção de cálcio nos rins, aumentando a disponibilidade no sangue.

A forma clínica da hipocalcemia é a febre do leite, ou vaca caída, como é conhecida popularmente. De maneira geral, a febre do leite acontece em porcentagem muito baixa, cerca de 3 a 5% dos animais e assim a maioria dos produtores acaba se enganando em relação ao real problema, a hipocalcemia subclínica. Trabalhos recentes mostram que a incidência de hipocalcemia subclínica pode chegar a 70-80% dos animais, em rebanhos especializados. O baixo nível de cálcio sanguíneo está correlacionado com casos de retenção de placenta, deslocamento de abomaso, metrite e até mesmo mastite no início da lactação. O cálcio, além de ser extremamente importante para a contração muscular, é fundamental para o bom funcionamento das células de defesa do organismo.

A dieta aniônica é aquela dieta que proporciona uma diferença catiônica-aniônica (DCAD) negativa, ou seja, maior prevalência de cloro (Cl) e enxofre (S) do que sódio (Na) e potássio (K). Muitos acreditam que simplesmente incluir o sal aniônico na dieta resolve o problema, mas é preciso conferir se o DCAD realmente ficou negativo, principalmente em dietas que têm forragens com alto teor de potássio (forragens altamente adubadas, por exemplo). Importante sempre solicitar a avaliação de um nutricionista para adequar a dieta aniônica e também respeitar o período adequado de suplementação, que é 21 até no máximo 30 dias de pré-parto.

Outra doença que tem grande incidência no pós-parto e que os produtores não identificam com facilidade é a cetose. Pode chegar a 40% de incidência em rebanhos especializados. A cetose do início da lactação é resultado da incapacidade da vaca ingerir energia suficiente para suprir sua necessidade, é o que chamamos de balanço energético negativo. Apesar de ser uma doença típica das primeiras semanas pós-parto, ela pode aparecer em alguns animais mais tardiamente na lactação. Não é comum uma vaca morrer por cetose, mas o prejuízo dessa doença está relacionado à menor produção de leite, maior chance de desenvolver outras doenças e atraso reprodutivo.

Escore de condição corporal

Já está comprovado que vacas com elevado escore de condição corporal (ECC) têm maior chance de apresentar cetose. Por isso é importante sempre monitorar o ECC dos animais, seja durante a lactação e até mesmo em animais em crescimento, para que novilhas e vacas cheguem ao parto com ECC entre 3,00 e 3,50 (numa escala de 1 a 5, sendo 1 “muito magro” e 5 “muito gordo”).

Mais importante que o ECC ao parto, devemos nos atentar à perda de ECC no início da lactação. Podemos dizer que todas as vacas modernas vão passar por um período de balanço energético negativo e a perda de peso ocorre até por volta do dia 35-40 pós-parto. Esse processo acontece tanto em primíparas quanto multíparas. Quanto menor for a perda de peso, mais chance a vaca tem de passar pelo balanço energético negativo sem complicações maiores. Estudos mostram que animais que perdem mais de 1 ponto de ECC no início da lactação têm menos chances de sucesso reprodutivo. O ideal é que a vaca tenha uma variação de até 0,5 pontos. Ou seja, se uma vaca tem ECC 3,00 ao parto, o ECC mínimo que ela deve atingir é 2,50.

Também não é ideal que vacas cheguem muito magras ao parto, porque as reservas corporais não são suficientes para atender o período de baixa ingestão de matéria seca. A recuperação de ECC deve acontecer ao longo da lactação, fazendo com que as vacas cheguem a secagem novamente com ECC entre 3,00 e 3,50. Período seco e pré-parto não são bons momentos para corrigir ECC, sempre importante reforçar isso. Para novilhas, elevado ECC durante o desenvolvimento, além de ter maior relação com cetose, diminui o potencial produtivo do animal. Durante o desenvolvimento, caso as novilhas ganhem peso em forma de gordura, a glândula mamária terá mais proporção de tecido adiposo em relação ao tecido secretor, prejudicando a produção de leite.

Conforto

Não menos importante, vale reforçar outros pontos que comprometem o desempenho positivo do período de transição. Conforto talvez seja um dos principais. Muito importante se preocupar com estresse térmico, que afeta tanto a vaca quanto a bezerra que está dentro do útero. Caso seja possível, o ideal é separar primíparas de multíparas, tanto no pré quanto no pós-parto, para que tenham mais chances de receber uma dieta adequada para seu crescimento e tenha menor disputa hierárquica.

Conclusão

Quanto melhor a vaca passar pelo período de transição, melhor será sua produção de leite, menor será a incidência de outras doenças e maior será o sucesso reprodutivo. É tudo isso que um produtor de leite precisa para ter sucesso na sua atividade.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Biochem site – lateral

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.