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Bovinos / Grãos / Máquinas

“Milho é o produto com mais espaço para crescer no Brasil”

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Foram
reunidos nesta terça-feira (19), em Cascavel, produtores rurais e técnicos de
diferentes áreas do agronegócio, para conferir a edição brasileira da Ronda
Latinoamericana promovida pela Alltech, sobre o tema “Desperte sua curiosidade:
as novas tecnologias poderão oferecer eficiência, rentabilidade e sustentabilidade?”.
A programação é levada anualmente aos principais centros produtores de
alimentos de cada país. Neste ano, a região Oeste do Paraná foi a escolhida no
Brasil. Na pauta assuntos ligados à produção de alimentos. Falaram ao público
presente o vice-presidente da América Latina da Alltech, Guilherme Minozzo, a
diretora de operações para a América Latina, Simone Cavalli, o gerente avícola
da Alltech para América Latina, Felipe Fagundes, o gerente regional Sul da
Alltech CropScience, Flavio Soares Muniz, 
e para finalizar, o diretor-presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, que
falou sobre os desafios do Brasil para aumentar sua produtividade. Segundo Grolli,
ainda há espaço e condições para o país aumentar sua produtividade de grãos,
apesar de grandes gargalos existentes.

O
presidente da Coopavel expôs que em 22 anos, o país aumentou 218% a sua
produtividade, saltando de cerca de 57,8 milhões de toneladas de grãos para os
prováveis 183,6  milhões de toneladas
deste ciclo. Isto com um aumento de apenas 40% em área (de 37,8 milhões de
hectares para 52,9 milhões em 2013). A área cultivada atualmente não passa de
6% do território brasileiro, sendo que a maior produtividade – 78% está
concentrada entre o sul e a região centro Oeste). “Ainda temos disponível cerca
de 85 milhões de hectares para serem cultivados, ou seja, cerca de 10% do
território do país. Isto sem precisar mexer em um centímetro sequer da
Amazônia”, informa Grolli.

 Solução

A
solução para o aumento da área, aponta o cooperativista, está no melhor aproveitamento
das áreas de pasto para gado de corte. Conforme ele, o rebanho nacional, de
aproximadamente 200 milhões de animais está distribuído em cerca de 210 milhões
de hectares de terra – 25% da terra brasileira. Assim, ele explica que é
possível potencializar esse aproveitamento de área, transferindo área de pasto
para as culturas – cerca de 50%. Com esta medida, raciocina o ruralista, seria
possível crescer em até três vezes a área destinada à agricultura no Brasil.
“Hoje em dia temos tecnologia eficiente para criar gado em menos espaço ou
confinado”, argumenta.

 A
vez do milho

E
o crescimento da produtividade brasileira de grãos não está concentrada
principalmente na soja. Dilvo Grolli acredita que o milho deve ser a principal
vedete nesse processo de crescimento. Para esta conclusão, ele também faz
algumas análises. A primeira delas é que a produtividade de soja por hectare no
Brasil é equivalente aos EUA (2,9 mil Kg/ha), grande produtor mundial. Porém,
no milho, há grande variação de produtividade por hectare de acordo com cada
região brasileira, haja vista que a extensão territorial leva a diferentes
tipos de clima e até solo.  Ele cita que
a média de produtividade norte-americana é de 10 mil quilos de milho por
hectare, enquanto na Argentina é de 7,3 mil quilos/ha e no Brasil essa média
cai para 4,9 mil kg/ha. “O que acontece é que temos uma diferença de tecnologia
e consequentemente de produtividade nas diversas regiões: no Norte e Nordeste é
de apenas 2,3 mil Kg/ha; no Centro Oeste, mais precisamente no Mato Grosso, a
média é de 5,3 mil Kg/ha. Já no Sul do país, alcançamos em torno de 8 mil Kg/ha
no verão e cerca de 6 mil Kg/ha na safrinha. Em regiões potencialmente
produtoras, como o Oeste do Paraná, essa produtividade gira entre 10 e 12 mil
Kg/ha”, detalha.

Diante
do quadro apresentado, Dilvo Grolli acredita que o aumento da área de cultura
de grãos vai aumentar com milho, mas que o cultivo deverá ser feito por
“especialistas”. “Vai plantar no milho quem investe visando resultados mais
altos”, declara.

Por
que o milho? A resposta de Dilvo Grolli está na ponta da língua: “O milho, além
de ser uma alternativa viável para o aumento da produção de alimentos, também é
excelente alternativa para atender a demanda energética, na produção de
combustível”, ressalta. Além disso, ele destaca que as condições brasileiras de
produção são muito melhores que outros potenciais países agricultores, como
China ou Rússia, e a própria Argentina. Os EUA produzem 369,1 milhões de
toneladas/ano, a China 208 milhões e o Brasil 76 milhões.

Grolli
faz uma análise audaciosa do aumento da produtividade brasileira de grãos. Cita
que, se o Brasil continuar crescendo na produção de grãos em média de 5% ao
ano, em 2020 produzirá 260 milhões de toneladas. “Um incremento que temos que
concordar, é excepcional”, vislumbra. No entanto, ele destaca que ainda
estaremos longe dos campeões mundiais, a China – 550 milhões de toneladas e os
EUA – 530 milhões. (O Presente)

Tecnologia combate
gargalos do Brasil

Sem
medo de errar, o diretor-presidente da Coopavel afirma que é com uso de
tecnologia de ponta que o Brasil vai aumentar sua produtividade de grãos. “Este
é o caminho: a implementação de tecnologia e o melhor aproveitamento de áreas
que hoje são destinadas a pastagens”, diz, citando que foi graças à utilização
de tecnologia de insumos, máquinas, genética e à profissionalização que o país
ampliou em mais de 200% a sua produtividade em 20 anos, com um incremento de
apenas 40% em área.

É
a utilização de tecnologia, ressalta o dirigente, que por enquanto pode fazer
frente aos graves gargalos que a agricultura brasileira enfrenta. Ele cita que
os maiores entraves são a infraestrutura e logística, a alta carga tributária
do país e a falta de mão de obras e o seu alto custo.

Viabilidade

O
cascavelense tem números que refletem o problema que transformou-se no Brasil o
transporte das safras. Para transportar a saca de soja do Centro Oeste para um
porto, o custo do frete rodoviário é de R$ 15 a R$ 20 a tonelada do grão. Se
for de milho, levando em conta o preço desta commoditie, é inviável o
transporte. De Cascavel ao Porto de Paranaguá, o valor do frente é de
aproximadamente R$ 6 a tonelada. “É um custo muito alto que torna a nossa safra
muito cara”, lamenta, destacando que o transporte das produção agropecuária
brasileira é feita 60% por rodovia, 33% por ferrovia e 7% por hidrovia.Nos
Estados Unidos, o transporte por rodovia é de apenas 16%.

Por
outro lado, ele declara que o problema de logística e de alta carga tributária,
além da burocracia, são resolvidas via governamental. Mas a solução do alto
custo e escassez de mão de obra pode estar na maior utilização de tecnologia.

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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária Leiteira

Médico veterinário provoca (no bom sentido) pecuarista a melhorar qualidade do leite

Para conseguir ter na propriedade a qualidade do leite exigida, basta o produtor investir em pontos simples na propriedade, como manejo, sanidade, higiene e biosseguridade

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Arquivo/OP Rural

Um assunto muito discutido e que ainda gera muitas dúvidas na pecuária leiteira é sobre a qualidade do leite. Ainda são muitos os desafios enfrentados por produtores para conseguir alcançar os índices exigidos e também para serem melhor remunerados por conta da qualidade. A Contagem de Células Somáticas (CCS) e a Contagem Bacteriana Total (CBT) são dois dos maiores problemas enfrentados para conseguir estes resultados. Porém, segundo o médico veterinário e gerente de Treinamentos da Bayer Animal Health, Luciano Rodrigues, conquistar isso é muito mais simples do que se imagina.

 De acordo com ele, quando se fala em qualidade do leite, o primeiro pensamento que surge para o produtor é a necessidade de se fazer investimentos. “Ele sabe da importância da qualidade, todos são preocupados com isso. Mas eles atrelam isso à necessidade de se fazer investimentos na propriedade, e não é nada disso”, afirma.

Rodrigues comenta que quando se fala em qualidade do leite, muitos produtores perguntam o que eles ganham com isso. “Eu já respondo: você consome algo que não é controlada a qualidade? Por isso é importante deixar claro o que ele ganha fazendo isso. Porque é importante que o produtor olhe para um todo, e não somente ele, somente o indivíduo”, conta. Ele explica que é preciso que o produtor olhe para si como um empresário. “Dentro do empreendedorismo você consegue afetar ou atuar em algumas circunstâncias e em outras não. Dessa forma, sempre falamos da fazenda ideal, que é aquela que dá lucros. E para ela dar estes resultados é preciso considerar seis aspectos que são muito importantes: gestão, sanidade, nutrição, funcionários, manejo e genética”, esclarece. E quando se fala em qualidade do leite, conta Rodrigues, ele afirma que dos seis aspectos, um dos mais importantes é a sanidade.

O médico veterinário conta que é preciso considerar a importância que o leite tem no Brasil. “Somo o terceiro maior produtor mundial, é um tipo de atividade que está presente em 99% dos municípios e que gera mais de quatro milhões de empregos. Por isso é importante perceber que há 20 anos se produzia de um jeito, mas agora se produz de outro. Usamos tecnologias. E assim como o produtor está se adaptando, é preciso ver que o consumidor também está”, comenta.

Além disso, algo que muitas vezes atrapalha, “e muito”, na produção e, principalmente, no consumo do leite é a quantidade de fake news que são produzidas. “Por isso é importante também que o produtor leve boas informações ao público. Produzir leite com qualidade e levar boas informações é essencial, porque tem um monte de gente falando que leite de vaca faz mal, o que é uma mentira. Temos várias pesquisas mostrando a qualidade do leite para o ser humano”, diz.

Desafios e oportunidades na produção leiteira

Segundo Rodrigues, quando se olha toda a cadeia do leite, o consumidor, supermercado, transportador, laticínio, laboratório e então a fazenda, o único lugar onde o produtor pode interferir é no último. “Então os desafios e as oportunidades na fazendo que o produtor tem é da porteira para dentro. E neste quesito destaco três pilares essenciais: o manejo antes da ordenha, onde o produtor pode interferir controlando a mastite; o manejo no momento da ordenha, limpando os equipamentos; e o manejo depois da ordenha, com o controle de temperatura no resfriador”, afirma.

O médico veterinário apresenta os desafios e as oportunidades para o produtor como quatro super-heróis e quatro vilões. “Dessa forma, quais são os quatro desafios? A falta de higiene, bactérias (CBT), alta temperatura e a CCS alta”, explica. Já as quatro oportunidades, de acordo com ele, são a boa higiene, as células de defesa do organismo (leucócitos), a temperatura “fria” e o gerenciamento.

Entender estes conceitos ajuda também o produtor a entender como é simples a forma de conseguir um leite de boa qualidade sem muito esforço. “Quando há bactérias no ambiente e esta bactéria entra no úbere, as células de defesa também vão para este local, e assim a CCS aumenta. Então, quando você não tem uma boa higiene a CCS aumenta”, informa. Assim, quando a CCS aumenta, são diversos os prejuízos para o produtor, como a perda de produção de leite, o descarte prematuro de vacas, leite descartado devido a resíduos e despesas com tratamento. Rodrigues afirma ter medidas para tratar a mastite com higiene.

Resfriamento em números

O médico veterinário comenta da importância da higiene em todos os momentos. “Quando você tem uma ordenha suja, uma vaca com mastite, logo você terá um leite de menor qualidade”, frisa. “Se no momento da ordenha o produtor tem um local sujo, já terá um número de bactérias alto e assim ele ainda leva essas bactérias para o tanque”, comenta. Ele explica que se, por exemplo, a CBT no momento da ordenha foi de um milhão, mas o tanque estiver a 4°C, ela irá continuar com um milhão, mas não vai aumentar ou diminuir. Porém, caso seja um milhão de CBT e o produtor demorou para resfriar o leite e ele ficar, por exemplo, um dia a 15°C, esse um milhão já passará para 20 milhões. “Olha o quanto multiplicou. Isso vai afetar a qualidade do leite”, exemplifica.

Contudo, caso o produtor tenha uma ordenha limpa, controle de mastite e higiene, ele terá quatro mil CBT. “Em 24 horas essa quantidade será a mesma. Isso é o básico do controle de CCS e CBT”, conta.

Dinheiro a mais

Rodrigues comenta que o produtor não vai conseguir afetar o preço do leite no mercado mundial, mas ele consegue melhorar o preço do leite que ele recebe pela qualidade do leite. “Hoje a maioria dos laticínios paga alguns centavos a mais por qualidade do leite. Por isso eu friso que entre os quatro heróis na produção leiteira está a higiene, porque a forma de defesa do organismo da CCS é boa porque o produtor tem uma vaca com uma imunidade boa”, diz.

Registro de atividade é essencial 

O médico veterinário afirma que não tem como o produtor saber como tratar uma vaca de mastite se ele não faz o acompanhamento com anotações. “Não adianta ele comprar um monte de produtos veterinários ou tentar fazer toda uma higiene, se não tem controle dentro da fazenda. Uma vaca com mastite subclínica, por exemplo, que o produtor não anota e ordenha ela primeiro, fará com ela contamine todas as outras. E isso o pecuarista evita simplesmente anotando e fazendo o manejo, gerenciando a fazenda corretamente”, afirma.

Ele reitera que possuindo uma rotina de limpeza e fazendo as anotações corretamente, o produtor consegue diminuir, e muito, os casos de animais doentes. “Uma vaca com mastite clínica ou subclínica que o produtor ordenha por último para não afetar as outras e o gerenciamento das vacas secas diminui em 90% as infecções e também cai 90% os casos subclínicos”, menciona.

Outro gargalo importante citado pelo profissional é sobre a mensuração de dados. “O produtor brasileiro é empreendedor. Mas infelizmente não está acostumado na sua rotina em fazer anotações e ficar analisando os pontos críticos. Infelizmente o maior gargalo do gado de leite e onde ele perde em qualidade é no manejo. Ele está fazendo, mas se não mensura, não vai identificar onde atua, onde está o problema”, diz.

Qualidade não significa gastar dinheiro

Um dos grandes entraves de alguns produtores imaginam é que para ele alcançar os índices de qualidade que são exigidos, ele precisa fazer altos investimentos na fazenda. Rodrigues assegura que isso não é verdade. “Todas as técnicas são básicas para o produtor tirar leite. Hoje, ninguém mais tira leite no latão, além de possuir um resfriador. Sendo uma ordenha mecânica ou manual, seguindo os passos (higiene, células de defesa do organismo, temperatura “fria” e gerenciamento) o produtor consegue bons resultados”, garante.

Por isso, reitera, é preciso que o produtor controle o ambiente e a mastite. “São coisas que todos podem controlar, seja uma fazenda grande ou pequena. A ordenha pode ser manual, mecânica ou um robô, é possível controlar. Os equipamentos que o produtor vai usar, seja de alta ou baixa tecnologia, o que faz a diferença é a limpeza deles e o manejo das vacas secas”, afirma. Rodrigues comenta que quando fala nos desafios e oportunidades da pecuária leiteira, muitos produtores já pensam que é investimento, gastar dinheiro. “E não é nada disso, é cuidado”, reafirma.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Uso da metafilaxia para o controle do complexo respiratório bovino

Metafilaxia nada mais é que a utilização de um antimicrobiano de longa ação destinado exclusivamente a grupo de animais em situação de risco

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 Artigo escrito por Eduardo Rezende, coordenador de Marketing e Comunicação Científica da J.A Saúde Animal

A pecuária bovina é de grande importância na economia nacional e ainda é exercida em grande parte no sistema tradicional de criação extensiva, criado solto em pastagens naturais ou cultivadas. Entretanto, a cada dia que passa, há maior investimento dos pecuaristas em sistemas de criação intensiva, nos quais muitas vezes o gado é criado confinado, o que aumenta a suscetibilidade a determinados problemas sanitários.

Dentre esses problemas, os respiratórios são os mais comuns em animais adultos nesse tipo de sistema de criação, ocorrendo o mesmo em bezerros até 9 meses de vida. Nesse contexto, a broncopneumonia é a enfermidade de maior destaque dentre todas as respiratórias, caracterizada pela inflamação dos bronquíolos, parênquima e pleura pulmonar, geralmente consequente a uma invasão por agentes infecciosos bacterianos ou virais.

Existem alguns fatores que impactam no aumento da morbidade de enfermidades respiratórias.  O estresse decorrente do transporte e do agrupamento em lotes faz com que haja aumento dos níveis de cortisol, depressão do sistema imunológico do animal e, consequentemente, maior suscetibilidade as doenças. Outro fator é a superpopulação, comum nesse sistema de criação, que induz ao aumento nos níveis de umidade do ar e o incremento no tempo de sobrevivência dos patógenos.

Um grupo muito frequente de agentes responsáveis pelas broncopneumonias são as Pasteurellas spp, que embora façam parte da microbiota normal do trato respiratório superior de muitos bovinos, em situações propícias de estresse (transporte, superlotação e desmama de bezerros, por exemplo), conseguem proliferar e adentrar no trato inferior (que é naturalmente estéril), causando assim a enfermidade. Um grande problema é que nem sempre esse acometimento é visível, podendo haver casos subclínicos, com disfunção pulmonar pequena ou inexistente, dificultando a identificação pelo pecuarista.

Segundo pesquisas, 68% dos animais considerados sadios por meio da inspeção visual apresentavam acometimento pulmonar no abate, inclusive responsável por redução de aproximadamente 80g de ganho médio de peso por cabeça (GMD). Conclui-se então que a detecção visual não tem acurácia suficiente para diagnosticar os casos positivos, não sendo indicado o tratamento baseado apenas nesse tipo de diagnóstico quando houver manifestação clínica de doenças respiratórias, poderão ser observados depressão, queda no apetite, aumento da frequência respiratória, dificuldade respiratória, febre, secreção nasal, narinas secas, orelha caída, magreza e morte súbita.

Soluções

Assim sabemos que a aplicação de tratamentos eficazes para as afecções pulmonares é fundamental para o controle da enfermidade e que não é tão fácil fazer o diagnóstico assertivo dos animais doentes, sendo necessário lançar mão de uma forma de tratamento mais estratégica, principalmente naqueles no início da doença ou em casos subclínicos. A metafilaxia é uma das formas de tratamento que reduz os casos clínicos e subclínicos, além de consequentemente reduzir o impacto da enfermidade no ganho de peso.

Metafilaxia nada mais é que a utilização de um antimicrobiano de longa ação, em doses terapêuticas, injetável e destinado exclusivamente a um grupo de animais em situação de risco, para que não se estimule a resistência antimicrobiana. A utilização desse tipo de medicação é altamente desejável na entrada do confinamento ou até mesmo em situações de surto da doença em bezerros, com destaque aos mantidos em instalações coletivas.

Uma excelente opção de metafilático é a Benzilpenicilina Benzatina, antimicrobiano da classe dos Beta-Lactâmicos, que em concentrações elevadas tem potencial bactericida de amplo espectro, ou seja, elimina bactérias Gram positivas e Gram negativas. A utilização de produtos à base desse ativo deve ser feita por via intramuscular em dose única na entrada do confinamento, lembrando sempre de não ultrapassar a dose máxima de 20 ml por local de aplicação.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Com coronavírus

Momento é de o produtor cuidar da fazenda, afirma pesquisador da Embrapa Gado de Leite

Para Glauco Carvalho, momento exige que o produtor de leite contenha gastos dentro da fazenda e reveja gestão; mercado pós covid-19 ainda é incerto

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 Quando a pecuária de leite no Brasil ensaiava uma ligeira recuperação, surgiu o novo coronavírus e tudo mudou de repente. As perspectivas para o setor, segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Leite Glauco Carvalho, não são muito diferentes do resto da economia: “É difícil prever o que irá acontecer, pois não sabemos nem quanto tempo deve durar esse contexto, mas a expectativa é de retração”.

Os analistas não acreditam que a crise terminará tão de repente quanto surgiu. “Deve ocorrer um longo período de desconforto, com as pessoas evitando aglomerações e a retomada será lenta”, diz Carvalho, que acredita em “fissuras” no comércio global, com Estados Unidos e China aumentando a polarização e cada país olhando para os próprios problemas domésticos. “Não sairemos desta crise sem sequelas”, declara.

O setor leiteiro já vinha sofrendo desde 2013 com o cenário econômico ruim. A produção brasileira andou praticamente de lado nos últimos anos e 2020 iniciou com baixo crescimento devido à seca na região Sul do país, com a piora na rentabilidade dos produtores. “Começamos agora a entressafra, que prometia melhores ganhos aos produtores, mas toda a cadeia produtiva terá de se ajustar ao novo cenário”, avalia Carvalho. Ainda segundo o pesquisador, é provável que haja um recuo na produção, o que ajuda a estabelecer um piso nos preços do leite.

Segundo relatório da Embrapa Gado de Leite, há pelo menos quatro impactos na cadeia do leite neste momento de pandemia. O primeiro é o efeito pânico, que levou o consumidor de forma desenfreada às compras para garantir estoques de alimentos. “Houve incremento na demanda por lácteos com maior vida de prateleira, como o leite UHT e o leite em pó, que apresentaram maior volume de vendas e elevação de preços. Superado o pânico, as compras voltaram a ocorrer de forma mais regular. A pressão de demanda recuou, houve ligeiro aumento dos estoques e os preços perderam força”, explica Carvalho.

O segundo ponto é o fechamento de canais de food service (alimentação fora do lar), prejudicando a venda de queijos e outros refrigerados. “Laticínios dependentes deste canal e empresas e cooperativas que atuam na captação, mas não na fabricação de lácteos, aumentaram a ofertar de leite no spot (venda entre empresas), provocando expressiva queda nos preços do leite cru neste mercado”, diz. Outro ponto é quanto a queda do PIB e a redução da renda da população, que parece ser o mais preocupante e menos previsível dos choques, podendo deixar sequelas por um longo período. “O impacto será maior conforme a duração da pandemia. Se for curta há possibilidade de recuperação. Caso contrário, o horizonte ficará mais sombrio”, avalia.

O último impacto refere-se à consolidação setorial, na produção primária e na indústria. “É um processo que já vem ocorrendo no Brasil, mas dependendo da duração da pandemia pode se acelerar. Laticínios e produtores com dificuldades operacionais e financeiras podem deixar a atividade. É importante neste momento uma gestão refinada, com corte de gastos, descarte de animais menos produtivos e muito diálogo com os fornecedores e clientes. Todos estão no mesmo barco”, comenta Carvalho.

Preços baixos, custo alto

De acordo com o relatório da Embrapa Gado de Leite, o preço de leite ao produtor registrou alta de 1% em abril, fechando a R$ 1,45/litro. Na comparação com abril de 2019, o valor foi 2,7% inferior. Além disso, a relação de troca continua pior que a observada no ano passado. Em abril deste ano foram necessários 47,6 litros de leite para aquisição de 60 kg de mistura. Em abril/2019 esse valor era de 32,7 litros. “Essa relação do preço do leite com o preço do concentrado piorou muito e tem afetado a rentabilidade do produtor nesse momento”, comenta o pesquisador. Ele diz que uma grande preocupação dos produtores está atrelada ao custo de produção e a conseguir gerenciar este custo. “Temos um cenário desafiador”, afirma.

Já no varejo, os preços de leite e derivados apresentaram alta de 3,8% no mês. Destaque para o leite UHT, que teve alta de 9,59%. Já o queijo caiu 1,48%. Na comparação com o mesmo mês de 2019, o preço do UHT está 13,36% maior, enquanto o do queijo está 4,08% menor.

As oportunidades frente à Covid-19

Carvalho destaca que mesmo neste momento de dificuldade, sempre existem oportunidades que podem ser aproveitadas pelo pecuarista. “Hoje, os produtores de leite vão ter que olhar para dentro da propriedade. O momento exige um acompanhamento de custo feito de forma muito detalhada”, diz. Outra oportunidade hoje que pode ser observada é quanto ao mercado de carne bovina, que continua bastante aquecido. “Existe a possibilidade de o produtor justamente descartar animais. Ele pode direcionar alguns animais para o abate, e isso gera caixa e diminui custos”, observa.

O momento também é oportuno para o produtor olhar para dentro da propriedade na questão de biosseguridade e, a partir disso, conseguir uma melhor qualidade do leite e segurança de alimentos. “O produtor pode aproveitar o momento e internalizar conceitos, mas também planejar melhor a estrutura dentro da fazenda, seja na parte de maquinários, funcionário, para ver se ele consegue uma maior produtividade, melhor mão de obra e ter mais capital investido”, afirma.

Para Carvalho, a oportunidade hoje está muito mais em o produtor olhar para dentro e ver onde ele pode cortar custos, onde pode buscar para produzir com qualidade superior e ter uma bonificação maior. Além disso, de acordo com o pesquisador, é uma boa ocasião para o produtor fazer contrato com os laticínios. “É um momento de o produtor estreitar o relacionamento com a empresa que coleta o leite, tentar fazer alguma forma de contrato. É o momento para ele criar algo rentável”, declara.

Mudanças nos hábitos de consumo de alimentos

Entre os consumidores, o efeito imediato da crise, desde que a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a pandemia, foi de correria às padarias e supermercados. É o que Carvalho chama de “efeito pânico”, com as pessoas comprando produtos estocáveis, como o leite UHT e leite em pó. Os preços desses produtos tiveram um aumento, mas, na medida em que a população percebeu que o abastecimento não seria comprometido, as compras voltaram ao normal, com os preços se estabilizando e, posteriormente, recuando. A pandemia teve como consequência uma radical mudança nos hábitos do consumidor, atingindo em cheio os food services (restaurantes, pizzarias, lanchonetes, food trucks). Segundo o pesquisador, os produtos que mais perderam com isso foram os queijos e outros lácteos refrigerados.

O que preocupa os economistas é uma terceira onda: a queda no poder aquisitivo da população, que tem efeito direto no consumo de produtos com maior valor agregado (queijos, iogurtes, leite fermentado). Mas, para Carvalho, dados históricos mostram que quando a renda cai, o consumo de produtos lácteos cai em menor proporção. “A maioria dos produtos lácteos é inelástico à renda”, explica.

Ainda assim, na visão do pesquisador, “a terceira onda” pode ser muito prejudicial ao setor e terá como consequência uma reorganização da cadeia, com a redução do número de produtores e laticínios maiores absorvendo os menores. “Haverá uma maior concentração”, explica, “produtores podem sair do mercado, com os mais estabilizados ocupando o espaço deixado, o que já vem ocorrendo de forma natural nas últimas décadas, mas que deve se intensificar”. No entanto, Carvalho aposta na mudança de hábitos do consumidor como uma das consequências da pandemia. “Estamos verificando que as pessoas estão mudando o estilo de vida, consumindo alimentos mais saudáveis e investindo mais na saúde. É a crise nos ensinando”, observa.

Impactos mundiais

No entender dos especialistas, o mercado global também passará por sensíveis mudanças e grandes exportadores como Austrália, Nova Zelândia e Uruguai podem sofrer importantes impactos com o recuo do comércio. Existem riscos de revés na globalização e na abertura de mercados, com a economia mundial encolhendo. Analistas internacionais apontam uma queda de 3% do PIB mundial e no Brasil já se fala em um tombo de até 5%. “Nunca tivemos uma queda tão grande”, frisa Carvalho. “Nossa pior queda foi de 3,5% do PIB, na crise do segundo governo da Dilma; mas a crise atual é diferente e os mecanismos tradicionais de política econômica têm efeito limitado. A duração da pandemia e do isolamento social vai nortear o real impacto econômico”, diz.

A vantagem do Brasil, neste momento, é que o país tem uma população grande e disponibilidade de insumos produtivos. Outro ponto importante é que, na pandemia, a indústria de alimentos sofre menos, já que não pode haver uma paralisação (lockdown) da produção agrícola (as pessoas precisam se alimentar).

Corte de custos e recuperação lenta

Houve também uma redução no preço de alguns insumos da cadeia do leite como o milho e o farelo de soja, embora ainda sigam com valores historicamente altos. Um conselho dado pelo especialista aos produtores é que eles cortem custos. “Sempre há gorduras para cortar”, ressalta Carvalho. A pecuária de leite tem como característica uma recuperação lenta. O rebanho que for reduzido hoje para se adaptar à nova realidade de mercado pode demorar até quatro anos para ser recomposto. Planejamento, organização e cuidados com a própria saúde é o que recomenda o cientista.

Em geral, observa Carvalho, a pecuária leiteira está fazendo o dever de casa. Comparado com outros países, como Alemanha e Estados Unidos, o Brasil está indo bem nestes primeiros meses de pandemia. “Nós, diferente destes países, dependemos basicamente do consumo interno. Se olharmos a dinâmica do nosso mercado, o principal produto é o leite UHT, que tem uma vida de prateleira longa, que é positivo. Mas esta não é a realidade de outros países. Nos EUA, por exemplo, o principal produto deles é o leite pasteurizado, que possui uma vida de prateleira menor”, conta.

O pesquisador diz que a cadeia do leite brasileira conseguiu se organizar bem. “A cadeia conseguiu ir muito bem nesse início de pandemia. Porém, a grande dúvida é: como vai ficar o consumo dentro dos próximos dois ou três meses?” questiona.

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Fonte: O Presente Rural
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