Nutrição - 28.09.2017

Zeralenona e seus efeitos estrogênicos: por que e como controlar?

Zearalenona causa alterações nos órgãos genitais de suínos, e interfere nos índices reprodutivos, por ser uma micotoxina apolar seu controle através da utilização de aditivos adsorventes convencionais se torna pouco efetivo

- Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por MSc. Fabrizio Matté, médico veterinário e coordenador Técnico da Vetanco Brasil

A distribuição mundial de matérias-primas (milho, soja, etc.) contaminadas com fungos filamentosos e suas micotoxinas tem sido amplamente documentado na literatura. Dentre as micotoxinas, as de maior interesse incluem: Aflatoxina, que geralmente é produzida por Aspergillus; Ocratoxina produzida por Penicillium; e Zearalenona (ZEA), Fumonisinas, Desoxinivalenol (DON) e T-2 que são produzidas por Fusarium spp.

Nos últimos anos é possível se observar uma diminuição nas contaminações por Aflatoxinas, principalmente em milho, micotoxinas estas produzidas por fungos de armazenamento. Porém, o aumento da contaminação do milho pelas Fusarium toxinas vem crescendo muito nos últimos anos, e dentro desta categoria se destacam a Zearalenona (ZEA), Fumonisinas e Deoxinivalenol (DON), micotoxinas estas produzidas por fungos de campo.

Os micélios e esporos do Fusarium spp. produzem pigmentos avermelhados ou pink, tendo em seus mofos esta coloração. A sua presença é extremamente comum e a produção de suas micotoxinas em cereais podem ocorrer nas diversas fases do desenvolvimento da planta, como na maturação, colheita, transporte, processamento ou armazenamento dos grãos.

Dentre as Fusarium toxinas, temos a zearalenona (ZEA), que é classificada como uma lactona ácido resorcíclica, a única micotoxina que gera efeitos primariamente estrogênicos. A ZEA possui um derivado fenólico, que do ponto de vista químico a torna praticamente insolúvel em água (pH < 8) e que na prática significa que a mesma pode ser minimamente adsorvida no trato gastrointestinal dos suínos.

Várias espécies e subespécies de Fusarium spp. são responsáveis pela produção da ZEA. Como a maioria destas espécies de fungos também são produtoras de outras micotoxinas, é muito difícil que apenas a ZEA esteja contaminando a matéria-prima, ocorrendo assim uma ação sinérgica e potencializando os efeitos negativos das micotoxinas sobre os animais.

Após a ingestão, a ZEA é rapidamente absorvida pelas células do trato gastrintestinal, sendo a absorção estimada em 85% nos monogástricos. A flexibilidade na conformação espacial da ZEA e dos produtos de sua biotransformação hepática permite a competição com o 17β-estradiol por receptores estrogênicos das células uterinas, hipotalâmicas, hipofisárias e das glândulas mamárias.

Essa interação incrementa a síntese proteica e manifesta-se principalmente pelo aumento de volume nos tecidos do trato reprodutivo e em quadros caracterizados de vulvovaginite. Também pode ser observada redução na taxa de concepção acompanhada de repetição de cio e pseudogestação pela manutenção de corpo lúteo, nascimento de leitões fracos e natimortos e, muitas vezes, surtos da síndrome dos membros abertos ou splayleg.

Controle da Zearalenona

O controle de micotoxinas evoluiu drasticamente nas últimas décadas, onde surgiram formas mais eficazes para minimizar ou evitar seus efeitos nocivos sem a interferência em outros componentes da alimentação (ex.: vitaminas, minerais e antibióticos). Muitos estudos foram direcionados para a inativação enzimática das micotoxinas. Devido ao fato de as enzimas serem extremamente específicas e dependentes de um meio característico (temperatura, pH, etc.), as pesquisas buscaram encontrar aquelas que catalisassem as micotoxinas de importância e que tivessem sua atividade potencializada no ambiente do trato gastrointestinal dos monogástricos. A partir de isolamentos realizados no sistema digestivo de porcos selvagens (naturalmente resistentes a certas micotoxinas), foram obtidos microrganismos que sintetizavam enzimas com as características desejadas, alcançando assim à base do desenvolvimento de um produto com essa tecnologia.

No artigo publicado na revista Acta Vet. BRNO 2014 e descrito resumidamente nos parágrafos que seguem, pesquisadores do Centro Biotecnológico de Agricultura do Instituto Central de Veterinária e Faculdade de Ciências Veterinárias de Budapest na Hungria, testaram a eficiência de um Aditivo Antimicotoxinas especialmente desenvolvido para inativação enzimática de micotoxinas, sobre os efeitos tóxicos produzidos pela zearalenona.

Foram avaliadas 60 leitoas com 6 semanas de idade, desmamadas aos 30±2 dias com peso médio de 8,4±0,3 kg e divididas em 6 grupos padronizados em peso e conformação com 10 animais cada.

Além dos animais de dois grupos de controle negativo, os demais animais foram desafiados com ZEA na dose de 8 e 16 mg/dia durante um período de 20 dias, entre os 50 e 70 dias de idade. Os grupos com numeração pares receberam aditivo enzimático para micotoxinas via ração na dose 1 kg/tonelada.

Nos grupos desafiados, foi usado ZEA purificada dissolvida em propilenoglicol e administrada diariamente via sonda esofágica. Grupos não desafiados receberam propilenoglicol puro na mesma proporção e no mesmo período.

Como critérios de avaliação foi definido a histologia do tecido vaginal, diferenciando em escores. Ványi et al. (1994) encontrou proliferação epitelial do endométrio e proliferação epitelial das células da vagina, além de edema e hiperemia confirmando os resultados encontrados.

E a concentração de ZEA e seus metabólitos no fígado encontrados aos 70 dias de idade. Método descrito por Bata et al. (1989).

Conclusão

Zearalenona causa alterações nos órgãos genitais de suínos, e interfere nos índices reprodutivos, por ser uma micotoxina apolar seu controle através da utilização de aditivos adsorventes convencionais se torna pouco efetivo.

Assim como apresentado nesse artigo o uso de um aditivo antimicotoxinas enzimático é capaz de hidrolisar a molécula de ZEA quebrando seu anel lactônico e resultando em um produto sem toxicidade. A utilização desse aditivo na alimentação dos suínos demonstrou efeitos positivos, diminuindo a proliferação celular vaginal e a redução dos níveis de ZEA e seus metabólitos no fígado após o desafio com inoculação oral da micotoxina.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Farmácia na Fazenda

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.

Farmácia na Fazenda