Saúde Animal - 05.07.2018

Você dá importância devida à qualidade da água de bebida?

É importante ter uma visão generalista do ambiente criatório, onde profissionais consigam encontrar soluções para melhorar os processos de criação e aumentar a produtividade

- Arquivo/OP Rural

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Artigo escrito por Diomar Roberto Barro, médico veterinário da Kobra

A água tem uma importância vital para o elevado desempenho zootécnico e econômico na produção de aves e suínos. Afinal esses animais a utilizam como veículo de troca de calor e consomem em torno de 2,5 vezes o volume de ração. Numa análise de curva abc de consumo, a água é o principal elemento. Será que damos a devida importância para a qualidade deste ingrediente?

É importante ter uma visão generalista do ambiente criatório, através de equipes técnicas diversificadas, onde profissionais especialistas e generalistas consigam encontrar soluções para melhorar os processos de criação e aumentar a produtividade. Neste contexto podemos inserir a importância das ações relativas à busca da qualidade da água. Avalie quantas horas são dedicadas para: Verificar as condições de captação e estocagem da água de bebida dos animais; coletar e analisar amostras de água em laboratório; criar planos de ações para a melhoria efetiva da qualidade da água; gerir as ações na granja e rodar o PDCA desses planos de ações; buscar opções tecnológicas que proporcionem facilidade aos produtores e tenham custo/benefício positivo; compartilhar as boas práticas através das unidades modelo.

Como a qualidade da água para consumo animal é regulamentada pelo Mapa/Anvisa, necessitamos clorar toda água de consumo. Nos casos de pH alcalino, como fica a eficiência da cloração, já que sua eficiência é inversamente proporcional ao aumento do pH?

Cloração

É comum encontrarmos água de consumo animal com pH superior a oito. A eficiência da cloração nesses casos é em torno de 20% o que não nos proporciona os efeitos de sanitização de água necessários para oferecer aos animais. Por exemplo, em aves, se estamos clorando para atingir 5ppm de Cloro livre, somente 20% (1ppm) desse valor estará sendo efetivo, já em suínos, se estamos buscando clorar para 2 ppm de cloro livre, seria o equivalente a 0,4ppm (20%).

Quando isso acontece, permitimos que as bactérias existentes na água, nas tubulações sejam ingeridas continuamente junto com a ração, gerando quadros de desequilíbrio da microbiota do trato gastrointestinal ou até casos clínicos. Por isso toda ação de cloração deve ser precedida da correção do pH para obtermos o seu efeito. Nenhum antibiótico irá resolver os problemas de contaminação microbiológica da água, somente a cloração.

É comum ouvirmos colegas técnicos que dizem: “O tratamento com antibiótico reduziu os problemas entéricos, mas quando tiro o tratamento, os problemas voltam”. Isso acontece devido à contaminação contínua da água.

A ação conjunta da diminuição do pH e da cloração efetiva são ferramentas importantíssimas para a diminuição da proliferação de enterobactérias (bactérias que se multiplicam prioritariamente no trato gastrointestinal), tais como E. coli, Salmonelas e Clostridium.

Prejuízos

No caso dessas enterobactérias gerarem desequilíbrio da flora gastrointestinal, elas trazem como consequência:

  1. O aumento da motilidade intestinal;
  2. Diminuição do tempo de passagem da ração e seus nutrientes e aditivos;
  3. Aumento da conversão alimentar e custos de produção devido à perda de ração nas fezes e lesões da mucosa gastrointestinal.
  4. Diminuição do ganho de peso (aumento da idade de abate = aumento de custo de produção).

O mesmo efeito observamos quando a análise físico-quimica da água mostra altos níveis de Ferro. Esse evento é fator desencadeador do biofilme nas tubulações, criando condições para que as bactérias se depositem nas tubulações e se desprendam das mesmas e acabam sendo consumidas pelos animais, gerando quadros entéricos importantes.

Os minerais (Carbonato de Cálcio, Magnésio e Óxido de Ferro) geram biofilme, além de precipitar alguns medicamentos (especialmente alguns antibióticos), impedindo que os mesmos produzam a melhora efetiva dos quadros de doenças bacterianas.

Para minimizar esses quadros, o uso de Fosfatizante na água de bebida permite que ocorra a “quebra química” desses minerais e que melhore o efeito dos antibióticos. Além disso, o Fosfatizante evita que esses minerais se depositem nos bebedouros (nipple ou chupeta). Isso previne o “gotejamento” desses bebedouros sem serem acionados, molhando as baias (suínos) e a cama de aves em demasia, abrindo portas para doenças bacterianas e coccidioses.

A qualidade da água de bebida também tem importante papel como diluidor de medicamentos que não podem ser usados nas rações.

A legislação do Mapa está definindo que, “cada vez menos usaremos produtos quimioterápicos via ração” isso está exigindo que as granjas instalem “dosadores de medicamentos” para realizar esses tratamentos.

De qualquer forma a água que dilui esses produtos precisa estar equilibrada nos seus componentes minerais, pois do contrário vai gerar precipitação do mesmo no fundo das caixas d’água.

Por tudo isso, as recomendações de limpeza dos sistemas, o uso de filtração, acidificação, cloração, tratamento de águas duras e dosador de medicamentos são cada vez mais decisivas na obtenção de melhores índices de desempenho zootécnico e econômico.

A genética atual disponibiliza esse potencial. Precisamos dar condições favoráveis para que esses animais expressem esse potencial em produtividade e, consequentemente em menores custos, o que vai nos tornar cada vez mais competitivos, tanto no mercado interno quanto externo.

Mais informações você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2018.

Fonte: O Presente Rural

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