Tecnologia - 23.04.2018

Velozes para quando o clima não ajuda

Híbridos precoces e superprecoces ampliam suas participações nas lavouras quando a janela de plantio diminui em função das chuvas, a exemplo do que acontece para a safrinha 2018

- Giuliano De Luca/OP Rural

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O excesso de chuvas no início deste ano atrasou a colheita da soja nas regiões mais produtoras do país, o que, por consequência, retardou o plantio do milho safrinha. Com o atraso, a planta fica suscetível às primeiras geadas do inverno, que podem gerar grandes prejuízos e até inviabilizar a lavoura. Nessas horas, a ciência dá uma mãozinha. A criação dos híbridos precoces e superprecoces acelerou o tempo de permanência na lavoura, fazendo com que, em situações como essa, o produtor possa retardar o plantio e, mesmo assim, retirar o cereal pronto antes do início das intempéries climáticas tradicionais do inverno. Esses materiais existem em todo o país, embora sejam mais usados na região Sul.

É o que aconteceu no Paraná, Estado em que a soja é proibida no cultivo de inverno. Grande parte dos produtores optou por preencher suas lavouras com híbridos precoces, que têm ciclo de aproximadamente 130 dias - híbridos de ciclos normais ficam cerca de 150 dias na lavoura. “Para a safrinha de 2018, muita gente procurou o milho precoce. O precoce é um produto mais rápido. Especificamente neste ano, em regiões como o Oeste do Paraná, os produtores estão buscando milhos precoces em função do atraso no plantio por conta das chuvas. Como atrasou a colheita da soja, eles buscam um milho mais precoce para poder fugir das primeiras geadas”, aponta o engenheiro agrônomo Fábio Dotto, gerente de Transferência da Nidera Sementes.

“O que diferencia o precoce de um milho de ciclo normal é o tempo que vai ficar no campo. Enquanto o milho precoce fica por volta de 130 a 135 dias de ciclo completo, o híbrido de ciclo normal fica em torno de 150 dias. Então, vamos variar entre 15 e 20 dias, dependendo do ano, dependendo das condições climáticas”, explica o agrônomo. Ainda de acordo com ele, esse híbrido é mais usado no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. “Existem milhos precoces para todas as regiões do Brasil, mas percebemos que ele é mais usado na região Sul”, comenta o profissional.

Produtividade e riscos

Dotto conta que as empresas de pesquisa estão trabalhando para que a produtividade seja similar entre os materiais. “O melhoramento genético vem trabalhando fortemente nessa questão de produtividade, então, tanto híbridos precoces quanto híbridos de ciclos normais tem altos tetos produtivos”, diz. “Para o milho precoce, estamos falando entre 100 a 150 sacos por hectare, dependendo do investimento feito na lavoura”, assinala.

Por ser de ciclo mais rápido, os estágios fenológicos são mais curtos, o que pode ser um problema em casos de adversidades climáticas, pois a janela para períodos, como pendoamento e florescimento, são mais curtas. “A influência climática no milho precoce, se acontecer em um período de polinização, por exemplo, vai interferir mais efetivamente. Com baixa umidade relativa do ar, pouca chuva, a polinização não é tão efetiva, então não vai formar tantos grãos por espiga, diminuindo a produtividade”.

Por conta disso, o agrônomo recomenda, em cenários de clima normal, fazer o escalonamento da lavoura, intercalando híbridos precoces e de ciclo normal. Em um cenário normal o ideal é escalonar; plantar o precoce, depois o normal, para ter escalonamento da colheita”, diz. “No entanto, para a safrinha 2018 todo mundo procurou o milho precoce, então naturalmente esse escalonamento se perde”, menciona.

Safrinha

Dotto explica que as empresas de pesquisa estão buscando ampliar a produtividade do milho precoce, muito por conta da importância que a segunda safra do cereal tem acumulado no Brasil. “O milho safrinha começa a se tornar uma realidade muito forte dentro do Brasil. Já ultrapassou em muito a área de plantio da safra. Aos poucos, a produtividade está melhorando muito na safrinha”, destaca o profissional.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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