Nutrição - 30.07.2018

Uso da homeopatia populacional na prevenção e controle da mastite bovina

Mastite bovina é a doença de maior impacto econômico na pecuária leiteira devido aos prejuízos que causa ao produtor e à indústria de alimentos

- Arquivo/OP Rural

 -  -

Artigo escrito por Roberta Porto, médica veterinária e promotora técnica da Real H e Ricardo Melotti, médico veterinário e gerente técnico da Real H

O leite é um dos mais completos produtos in natura em decorrência do seu alto valor nutritivo. Após dois anos em queda, em 2017 os laticínios submetidos à inspeção sanitária captaram 24,12 bilhões de litros, totalizando 4,1% de acréscimo na aquisição de leite quando comparado ao ano anterior. No 4º trimestre de 2017, obtivemos o melhor resultado para o período desde 2014, quando a aquisição de leite cru foi de 6,44 bilhões de litros, quando comparado ao mesmo período em 2016 apresentou um crescimento de 3,2%.

Na pecuária leiteira, a mastite bovina e o descarte do leite em decorrência da presença de resíduos são responsáveis por grandes prejuízos ao produtor e à indústria de alimentos. Os resíduos de antibióticos estão relacionados ao tratamento da mastite, representando a principal contaminação química do leite e de produtos lácteos. Deste modo, os derivados como o iogurte, a manteiga, o queijo, entre outros, pode ter suas características físico, químicas e sensoriais alteradas devido à presença destas substâncias, prejudicando o processo de fabricação.

A mastite bovina é a doença de maior impacto econômico na pecuária leiteira devido aos prejuízos que causa ao produtor e à indústria de alimentos, o que corrobora com os achados de 1994, que afirmam que mais de 25% de todas as perdas econômicas relacionadas às doenças podem ser diretamente atribuídas à mastite. Esta caracteriza-se por uma inflamação da glândula mamária, que ocorre devido a contaminação por bactérias patogênicas, vírus, fungos, algas ou por traumas provocados por agentes químicos, físicos, mecânicos, térmicos ou por problemas metabólicos. De difícil controle e erradicação, é a mais comum enfermidade que acomete o gado bovino no mundo, correspondendo a 38% de toda a morbidade.

Entre os principais prejuízos apontados pela Embrapa, estão a redução na produção de leite, descarte do leite proveniente dos animais doentes, custos do tratamento e até morte dos animais. As perdas afetam também os laticínios e especialmente o consumidor, em virtude das modificações que ocorrem nas propriedades físico-químicas do leite, refletindo no valor e na qualidade nutricional do produto. A isto atribui-se o uso de produtos químicos para o tratamento, resultando em risco de resíduos, mudanças nas suas características naturais e efeitos indesejáveis para a saúde pública.

A mastite pode se apresentar de forma clínica (superaguda, aguda, subaguda ou crônica) ou subclínica. A forma clínica se caracteriza pelas alterações visíveis no leite e/ou no úbere, além de poder haver comprometimento sistêmico dependendo do microrganismo envolvido. No entanto, é a forma subclínica a mais comum e que gera maiores prejuízos ao produtor, já que não apresenta alterações visíveis no leite e no úbere, sendo necessárias para detecção a realização de testes químicos, ou a comprovação do aumento do número de células somáticas.

Para cada caso de mastite clínica na propriedade existam 14 casos de mastite subclínica, no entanto, um pesquisador considera que para cada caso de mastite clínica ocorram entre 20 e 50 casos de mastite subclínica. No mundo, os índices de mastite subclínica são bastantes similares: ao redor de 40% de vacas infectadas e 25% dos quartos afetados. Em algumas regiões do Brasil têm sido encontradas prevalências médias de 17,45% de mastite clínica e 72,56% de mastite subclínica.

Perdas

A perda na produção de leite em relação a CCS varia da seguinte forma:

  • CCS de 140.000 a 195.000, perda na produção de até 5%;
  • CCS de 225.000 a 380.000, perda na produção de 8%;
  • CCS de 420.000 a 1.200.000, perda na produção de 9% a 18%;
  • CCS de 1.280.000 a 2.280.000, perda na produção de 19% a 25%.

Ambiente

A manutenção de animais em ambientes higiênicos, secos e confortáveis visa, em primeiro plano, minimizar os problemas relativos às mastites ambientais, porém, indiretamente reduz índices de mastite contagiosa. O ambiente nessas condições ajuda a reduzir o risco de novas infecções e aumenta a eficiência da produção pela redução do tempo e da mão-de-obra necessária para preparar o úbere para ordenha.

É importante conhecer, então, quais as possíveis formas de transmissão da mastite em novilhas, pois considerando que estes animais nunca foram ordenhados, podemos concluir que as fontes ambientais são de grande importância, como o acúmulo de lama e umidade. Diversos estudos comprovam que outras formas importantes de transmissão da mastite em novilhas são através de moscas que atuam como vetores e a ocorrência da mamada entre bezerras.   

Homeopatia populacional

Dentro no manejo preventivo, além dos procedimentos normais de higiene, nutrição, bem-estar animal, uso racional de drogas químicas, temos como ferramenta a homeopatia populacional, a qual irá atuar diretamente na imunidade do animal, elevando sua capacidade de defesa natural e resultando em maior proteção contra a ação de agentes globais que tem potencial de gerar tal doença.  

A homeopatia populacional tem sua origem na homeopatia, método terapêutico criado por Samuel Hahnemann (1775-1843) que, com o intuito de não provocar intoxicações medicamentosas, produziu diluições centesimais dos princípios em estudo. Entre diluições realizava agitações, liberando a energia medicamentosa contida na substância, sendo este processo denominado dinamização.

Trabalhos mostram que a homeopatia populacional pode trazer resultados significativos nesse processo.

Mais qualidade

Além de efeitos sobre a questão sanitária, a tecnologia da homeopatia populacional pode trazer, também, resultados positivos na composição do leite. Certo pesquisador conclui que, apesar do mecanismo da resposta não ter sido elucidado, foi evidenciada a capacidade da homeopatia de induzir resposta positiva em secreção proteica no leite de bovinos.

Estudos

Em trabalho realizado em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, foi avaliado o efeito de um Núcleo Homeopático no tratamento da mastite subclínica em vacas Holandesas. O modo de fornecimento foi realizado, diariamente, via ração, pelo período de 12 dias, para um lote de vacas problema em lactação de produção média de 10 a 15 litros de leite. Os animais foram mantidos a pasto, recebendo ração farelada no momento da ordenha. As fêmeas bovinas foram selecionadas com base nos resultados do teste CMT (California Mastits Test), sendo escolhidas as que apresentaram reação positiva 3 cruzes.

Também realizou- se a coleta de amostras de leite para análise microbiológica individual. O experimento resultou na redução significativa do número total de isolamentos, e na quantidade de espécies isoladas já no 13º dia (resultados comparados aos da primeira coleta realizada). Já as análises microbiológicas concluíram que a ação do Núcleo Homeopático foi eficaz e contribuiu para a redução da infecção dos úberes das vacas problema. 

No diagnóstico de mastite, os tratamentos devem ser logo realizados, no entanto, em alguns casos, o prognóstico é desfavorável, como na detecção de infecções por Staphylococcus aureus. De acordo com o médico homeopata Leon Vannier, as doenças se caracterizam pelo acúmulo de toxinas no organismo. Um déficit no funcionamento celular, seguido de febre, distúrbios endócrinos, entre outros problemas, ocorrem devido ao mau funcionamento do organismo, o que resulta no acúmulo de toxinas. Do mesmo modo, fatores externos ou ambientais como erros alimentares, por exemplo, ou o uso de medicamentos químicos por longos períodos, acumulam gerando resíduos. Em ambas as situações, o resultado final é o mesmo, o organismo animal torna-se intoxicado, criando as condições para a instalação e desenvolvimento bacteriano. Os medicamentos homeopáticos atuam promovendo a eliminação das toxinas acumuladas e, desta forma, restabelecendo o equilíbrio orgânico.

Resultados semelhantes foram acompanhados em trabalho realizado na cidade de Dourados, Mato Grosso do Sul, onde concluiu-se que o uso de doses extras de complexo homeopático em vacas leiteiras saudáveis e produtivas foi capaz de promover um estímulo extra do sistema imune inespecífico, com o aumento temporário da CCS (Contagem de Células Somáticas), contribuindo para a eliminação de toxinas armazenadas no úbere ao longo da vida do animal através de drenagem orgânica induzida.

Existem diversos protocolos e tecnologias que otimizam a saúde dos animais na produção leiteira, porém, devido à grande intensificação da produção e necessidade de atendimento à demanda de produtos, muitos desafios comprometem a produção. A homeopatia populacional é uma ferramenta segura e viável no auxílio do controle da mastite em animais de aptidão leiteira, otimizando a saúde em vacas leiteiras em ordenha. Além de todos os benefícios citados, ela ainda é incapaz de intoxicar pessoas e animais, não deixando resíduos no leite. 

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Intercorte

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.

SBSB 2018IntercorteFACTA Dez 2018VIII ClanaEurotierACSURS