- 26.12.2017

Turra pede que agro defenda JBS e outras empresas

Para ele, o erro de poucos dirigentes está colocando em perigo o setor de carnes, o emprego de milhares de pessoas e a economia do país

- Giuliano De Luca/OP Rural

Durante sua palestra sobre perspectivas para a carne de frango no Brasil e no mundo, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, pediu para que os atores do agronegócio defendam com veemência as empresas brasileiras, abaladas com a Operação Carne Fraca e espacialmente com os escândalos da JBS. Para ele, o erro de poucos dirigentes está colocando em perigo o setor de carnes, o emprego de milhares de pessoas e a economia do país.

Ele sustentou que a ABPA já está se portando dessa maneira e que dirigentes de empresas, indústrias e produtores deveriam fazer o mesmo. “Estamos defendendo com unhas e dentes a JBS, porque são mais de 70 mil empregos diretos. O restante é problema da Justiça. Temos que defender nossas empresas”, frisou.

Em sua apresentação, justificou seu pedido. “A BRF abate 6,7 milhões de aves por dia, outros 36,8 mil suínos, gera cem mil empregos diretos, tem 53 fábricas de aves, suínos e processados, tem 13 mil associados. A Seara abate 5,7 milhões de aves/dia, 21,2 mil suínos, emprega 64 mil pessoas em 60 fábricas. Tem 9,3 mil integrados. A Aurora abate 1,1 milhão de aves, 18 mil suínos, gera 34 mil empregos diretos e tem 72 mil associados. Tem 13 fábricas. E são números apenas das três maiores. Eu poderia pegar muitos outros exemplos”, pontuou o dirigente. “O Brasil comete o maior crime ao não defender suas marcas e suas empresas. Vi muita gente desprezar as empresas, e isso não podemos admitir”, acrescentou.

Francisco Turra destacou que a defesa das empresas e dos produtores foi decisiva para o Brasil manter seus mercados. “Agimos com rapidez para evitar mais prejuízos. Tivemos uma reação conjunta com o governo, na ABPA fizemos uma coletiva imprensa com imprensa nacional e internacional, fizemos mais de dois mil contatos internacionais para esclarecimentos com clientes, autoridades estrangeiras e entidades de consumidores. Tivemos ações em embaixadas, participamos de firas internacionais, fizemos missões em mercados estratégicos na Ásia, União Europeia, Americas, Oriente Médio e África”, enumerou o presidente da ABPA.

“Me lembro que só durante a coletiva, das 09 às 12 horas, 15 países suspenderam a compra. Até os jornalistas se assustavam porque era um comunicado de suspensão atrás do outro. No fim das contas, 74 países suspenderam as compras, mas agimos rápido e hoje somente quatro, que não têm expressão nas nossas exportações - é claro que queremos todos -, como Trinidad e Tobago, ainda permanecem”, evidenciou o presidente.

Cresce Mesmo Assim

Mesmo sem o devido cuidados com as corporações brasileiras, Turra disse que o setor ainda experimenta crescimento em produção e exportação. “Na avicultura não tivemos desemprego, não vimos a crise profunda perto da gente. No ano da Carne Fraca, ninguém tirou nossos espaços. Crescemos o dobro da média americana e o triplo da média mundial”, destacou a liderança.

De acordo com ele, a produção brasileira deve fechar o ano com crescimento de 1%. Já as exportações a receita em dólar devem ser mais robustas: 4,5% a mais de embarques comparado com 2016 e entre 5 e 6% a mais em receita em dólar. Na exportação, em receita devemos ter crescimento de 5% a 6% no setor de aves, apesar de volume (menor)”, apontou.

Nesse sentido, Turra disse estar confiante para uma retomada ainda maior de crescimento em 2018. Ele citou pontos importantes a favor do Brasil, como o possível “fim da vacinação contra aftosa no Paraná, especialmente para a suinocultura, continuamos livres de Infleunza Aviária”, aponta. “Não temos que ter medo do setor de alimentos. O Brasil produz três safras por ano, a renda no mundo tem aumentando, a produção de alimentos vai aumentar”, destacou, observando boas oportunidades também para o setor de ovos: “O setor de ovos vai muito bem, muitos mercados estão se abrindo. Aliás, se alguém quiser investir em ovos, pode investir que é um bom negócio”.

Milho

O presidente da ABPA alertou os participantes do worshop sobre ter uma postura mais objetiva com o milho, evitando especulações que aumentem o preço do grão. “Tem que falar que o milho acabou só quando acabou mesmo. Se você ainda tem, mas existe rumor, o produtor vai lá e aumenta”, destacou. “Nosso estoque de passagem é de 22 milhões de toneladas. Junto com a primeira safra, já é 70% do que vamos usar em 2018. Acredito que não vai faltar milho”, aposta.

Agregar Valor e Importar Menos

O presidente expemplificou em números porque as exportações são tão importantes para o setor de aves e para o agronegócio de maneira geral. “Se todo milho e soja usados no frango fossem exportados, renderiam US$ 925 milhões, ou R$ 5,9 bilhões a menos que o saldo dos embarques de frango em 2016”, destacou.

Na visão de Turra, o Brasil deve investir suas ações para reduzir a quantidade de produtos alimentícios importados em outros setores. “O Brasil é importador de lácteos, importador de pescados. Com o maior rebanho do mundo, com uma costa desse tamanho, não tem cabimento”, destacou.

Exemplo do Paraná

Em Foz do Iguaçu, o presidente da ABPA teceu rasgados elogios ao Estado, que é líder nacional na produção e exportação de carne de frango. “O Paraná é diferente, eu tenho muita inveja de vocês, mas é uma inveja santa, o que me traz aqui (Workshop Sindiavipar) cada vez com alegria redobrada”, encerrou o líder associativista.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de novembro/dezembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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