Vacinação - 01.09.2017

Três em cada quatro aplicações de vacina são em local não preconizado

Pontos simples como manejo, local de aplicação e mão de obra capacitada são quesitos que estão deixando a desejar na pecuária brasileira

- Divulgação/AENPr

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Um rebanho bem alimentado, cuidado e sadio faz brilhar os olhos de todo pecuarista. Mas, alcançar este trio exige muita dedicação. O terceiro item, em especial, ainda merece uma atenção redobrada do produtor, já que é a partir dele que os demais conseguem ser alcançados. Porém, uma das questões para deixar os animais sadios, que é a aplicação da vacina, tem deixado a desejar. Seja pelo manejo incorreto, ou mesmo falta de informações adequadas sobre como aplicar, o pecuarista tem tido certas dificuldades para que a vacinação faça o seu real efeito e não provoque perdas.

O quesito vacinação envolve, principalmente, três componentes: o aplicador, que é a pessoa que está lidando com isso, o animal e o produto, a vacina em si. “Cada um tem as suas particularidades. A responsabilidade do produto é, seguindo todas as recomendações que são exigidas pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), demonstrar eficácia naquilo que foi designado”, explica o médico veterinário Paulo Colla. Mas, no que o produtor precisa se atentar também é onde ele está comprando o produto. “Se o local em que ele está adquirindo o produto é bem acondicionado, há pessoas treinadas no local para fazer o atendimento”, orienta. De acordo com Colla, estes pontos são importantes de serem observamos pelo produtor, pelo fato de que se pessoas não treinadas fizerem a administração do produto nos animais, é muito provável que surjam problemas no futuro.

O profissional afirma que não adianta o produtor fazer um processo “na correria”, ser o campeão de aplicação de animais vacinados por dia, se a qualidade desta aplicação não foi bem-feita. “Onde aplicar é o principal ponto. 25% das aplicações ocorrem no local certo e 75% em locais não preconizados. Não é que a pessoa erra, mas ela tem que saber onde aplicar. A recomendação é sempre na tábua do pescoço, naquele triângulo, que é um local onde tem carnes menos nobres. Além disso, fazendo a prega, o produtor vai conseguir administrar exatamente a vacina subcutânea”, explica.

Colla comenta que uma das coisas mais importantes que se observa é principalmente a eficácia do produto que foi comprado. “Quem me garante que com a aplicação feita de forma incorreta o produto vai trazer a proteção para a doença para qual foi produzido? Seja febre aftosa, brucelose ou raiva. Garantir que o produto seja bem aplicado é minha garantia para ter o resultado esperado”, observa. Outro ponto, de acordo com o médico veterinário, é o processo em si. “Como trabalhamos em um ambiente aberto, precisamos algumas dicas que são importantes. Como por exemplo, nestes casos não precisa da contenção total do animal. Somente aí já minimiza em quase 98% a chance de uma aplicação errônea”, diz.

Equipe

Segundo ele, para garantir que o trabalho seja feito de forma correta, é importante que o produtor se preocupe em ter uma equipe bem preparada. “É necessário o pecuarista prestar atenção em quem é a pessoa melhor preparada para fazer a aplicação. É preciso começar a definir quem vai trabalhar com o rebanho, qual a pessoa certa para este serviço”, argumenta. Colla explica que é preciso que seja uma pessoa calma, com orientação do que fazer exatamente. Outro ponto destacado pelo especialista é a importância da esterilização do estojo de aplicação. “É importante limpar o material, garantir que tenham agulhas novas, que cada uma seja trocada a cada dez animais, no mínimo. Esses detalhes vão garantir que você minimize riscos de contaminação. Tudo isso é determinante para que mantenham níveis acima de 99% de resultado eficiente, tanto na expectativa do produto que está aplicando, quanto nos resultados da reação pós vacinal”, afirma.

O principal ponto defendido por Colla, para realizar uma correta vacinação, é que uma pessoa capacitada faça este trabalho. “Muitas vezes, o produtor aplica a vacina de forma incorreta porque não foi bem orientado de como fazer e a orientação é uma coisa que sempre cabe. Todo o problema tem uma origem, talvez a falta de informação seja o da vacinação. Toda a cadeia envolvida precisa estar preocupada em repassar as informações, capacitar e estudar uma melhor alternativa”, comenta.

O médico veterinário diz ainda que o treinamento da mão de obra nas propriedades é de suma importância. “Mesmo que o produtor esteja comprando o produto em um ponto de venda idôneo, em que as pessoas falem sobre isso, é importante que o pecuarista tenha consciência que é preciso fazer um processo calmo, com menor estresse possível e um manejo racional. São coisas que precisam ser pensadas”, afirma.

Ele explica que a vacinação é um processo que deveria ser encarado com muito mais cuidado pelo pecuarista, além de sempre buscar orientação do fornecedor onde ele compra o produto, e perguntar o que é importante no processo de vacinação, como manter sobre refrigeração, fazer com que a pistola de aplicação e agulhas sejam esterilizadas antes e após o uso, fazer a troca de agulhas, entre outros.

Além disso, Colla diz que é importante a pecuária brasileira “começar a fazer a lição de casa” e entender onde está acontecendo o erro, em qual parte do processo. “Precisamos olhar tudo isso com serenidade, atrelado a pesquisa ao desenvolvimento e saber dizer onde cabe melhorias, buscar esse ideal, essa melhoria através do diálogo entre a cadeia”, comenta. Ele acrescenta que é importante a cadeia toda se mobilizar, sem a questão de culpar um ou outro, mas sim em se ajudar e buscar uma solução para que se minimize, melhore ou descubra de fato o problema. “É preciso que a cadeia tenha um nível de humildade muito maduro para que possamos em conjunto fortalecer um elo da economia da pecuária, que é muito importante para o Brasil. Precisamos olhar isso com vias de mercado externo e, principalmente, interno”, destaca.

Sanidade

E sendo a sanidade um assunto sempre bastante discutido quando o assunto é proteína animal, Colla destaca que dentro da pecuária, de todos os custos de produção de uma arroba de boi hoje ou de uma carcaça de qualidade, a sanidade representa de 2 a 4%. “É muito pouco, quando pensamos em outros custos como nutrição, mão de obra, pastagens, entre outros”, comenta. O médico veterinário afirma que a sanidade representa pouco, mas é de suma importância, levando em conta os problemas que a falta dela pode causar. “Não podemos nos dar ao luxo de perder 1% de exportação ou mercado. A sanidade, por representar tão pouco, as vezes acaba sendo negligenciada. É muito importante pensar na sanidade com pouco que ela representa em produção, mas muito quando encontramos algum problema”, diz.

De acordo com Colla, um bom programa sanitário precisa de uma boa análise do pecuarista de com quem ele vai adquirir os produtos, ter sempre a consultoria de um médico veterinário e buscar informações com os próprios laboratórios sobre os produtos que estão adquiridos. “Isso para garantir uma boa pecuária”, frisa.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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