Proteção - 02.04.2018

Três doenças acometeram lavouras de soja no Sul

Em várias áreas, houve perda significativa de produtividade. Isso aconteceu por conta do excesso de chuvas, que prejudicou o manejo de pragas, fungos e ervas daninhas
Mancha alvo na cultura da soja

Mancha alvo na cultura da soja - Divulgação/Basf

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Mancha alvo, mofo branco e ferrugem asiática. Essas foram as três principais doenças que acometeram as lavouras de soja da região Sul do Brasil. Em várias áreas, houve perda significativa de produtividade. Isso aconteceu por conta do excesso de chuvas, que prejudicou o manejo de pragas, fungos e ervas daninhas. As informações são do engenheiro agrônomo Eduardo Gobbo, gerente sênior de vendas da Basf para o Centro Sul do país, que destaca as piores situações para o Paraná.

“A safra que estamos colhendo está atrasada. Iniciamos em fevereiro o que geralmente inicia em 15-20 de janeiro. O problema foi na implementação da safra. Houve falta de chuva no Sul. O Oeste do Paraná teve mais dificuldade por que tem a cultura de plantio mais cedo. Muitos produtores introduziram a lavoura antes do período da chuva esperando que viesse na normalidade e essa chuva não veio. Tivemos vários problemas causados nesse início de plantio, como áreas replantadas e dificuldade de manejo de plantas daninhas. A lavoura ficou prejudicada”, explica.

O problema se acentuou, aponta Gobbo, com o período de chuvas a partir do fim de dezembro. “De dezembro até final de janeiro não parou de chover. A planta ficou muito molhada, muito tempo exposta à humidade. Esse tipo de situação foi extremamente favorável para o desenvolvimento de várias doenças, entre elas, e talvez a mais preocupante para o agricultor, a ferrugem asiática”, destaca o profissional.

Gobbo cita, porém, que outras enfermidades causaram prejuízos em todo o Sul, mas especialmente no Paraná. “Outras doenças bastante expressivas em termos de queda de produtividade também ocorreram, como a mancha alvo, ocorrendo dentro de algumas regiões do Paraná. No Sudoeste, tivemos o problema de mofo branco. Nunca tinha visto na vida tanta agressividade do mofo branco, com perdas muito severas, que chegaram a 80% de perda de produtividade, quase demandando a destruição das lavouras”, menciona.

Para não ter perdas ainda maiores, explica Gobbo, profissionais e produtores tiveram que redobrar a atenção. “Essas três doenças demandaram uma atenção muito grande do produtor e da equipe de assistência desse produtor”, pontua. “Se não faz estratégia de manejo antecipado, você dificilmente consegue ter controle efetivo das doenças”, aponta, reforçando que o clima não ajudou o produtor de soja neste ano. “A adoção de diferentes princípios ativos, em intervalos adequados, é a proposta de manejo efetivo para as principais doenças da soja”, sugere.

108 Focos

A principal doença que atinge a cultura da soja no Brasil, a ferrugem asiática, também causou prejuízos nesta safra. O Estado que registrou o maior número de focos da doença é o Paraná, com 108 casos até o início da colheita, de acordo com o Consórcio Antiferrugem. Com as condições climáticas altamente favoráveis para o desenvolvimento, a evolução da ferrugem foi rápida no Estado, assim como o aumento da severidade de danos nas lavouras.

Mancha branca está cada vez mais intensa

Eduardo Gobbo ainda faz um alerta para o produtor de milho. De acordo com ele, uma doença tem sido observada com mais frequência nos últimos anos:  a mancha branca. “A gente vem percebendo a evolução da mancha branca nos últimos anos dentro da cultura do milho, especialmente na região Oeste do Paraná, onde tenho encontrado maior incidência dela”, conta. A doença tem relação direta com a oscilação de temperatura.

“A doença atua na folha da planta do milho, e o principal prejuízo é a perda da área de fotossíntese da planta. A mancha branca diminui a área de fotossíntese, a planta não vai expressar seu potencial genético e isso vai refletir efetivamente em perda de produtividade. Ela necrosa o tecido vegetal. É uma doença muito rápida no desenvolvimento”, alerta o profissional. “Por isso é importante ter um fungicida eficiente, mesmo se tiver investimento maior. Essa doença está se tornando problemática, com muita agressividade e perdas. O investimento (no fungicida) promove a certeza de uma boa rentabilidade”, destaca.

Goboo reforça a necessidade de ações preventivas para conter a evolução dessa doença. “O produtor precisa pensar preventivamente. Se a doença se instalar, já há perdas, independente se pequenas ou grandes”, sustenta.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2018.

Fonte: O Presente Rural

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