Genética - 08.03.2018

Transferência de embriões e estado atual da biotecnologia no Brasil

Programas de TE visam utilizar o melhor conjunto genético de um rebanho (doadoras) para reduzir o intervalos de partos anuais e aumentar o número de descendentes desses animais superiores

- Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Guilherme Moura, médico veterinário, mestre em Zootecnia e doutor em Ciência Animal e gerente de Serviços Veterinários da Vetoquinol Saúde Animal

Quando se fala em eficiência reprodutiva e melhoramento genético de rebanho, logo vem à mente quais as ferramentas que se pode lançar mão para atingir os objetivos o mais rápido possível. Uma destas ferramentas é a transferência de embriões in vivo (TE). Mas o que é TE? Uma definição simples seria: TE é a técnica que permite recolher embriões de uma fêmea doadora e transferi-los para fêmeas receptoras, com a finalidade de estas completarem a gestação. E assim, aumentar o número de descendentes de um animal com genética superior durante sua vida.

Os programas de TE visam utilizar o melhor conjunto genético de um rebanho (doadoras) para reduzir o intervalos de partos anuais e aumentar o número de descendentes desses animais superiores. Em muitas ocasiões, a porção geneticamente "menos atraente" do rebanho pode ser usada como receptoras.

No Brasil, os primeiros experimentos com embriões bovinos foram realizados pelo Dr. João Carlos Giudice em 1973 na Cabanha Azul, no município de Quarai, no Rio Grande do Sul, porém sem sucesso na obtenção de embriões viáveis. Em 1978, Dr. Jorge Nicolau, devido ao desenvolvimento da técnica, realizou na fazenda Experimental São Pedro, em Sorocaba, São Paulo, a primeira coleta que resultou no nascimento do primeiro bezerro TE brasileiro, que recebeu o nome de Eureka. A partir deste momento, multiplicaram-se as equipes envolvidas com a tecnologia de embriões, colocando o Brasil na posição de primeiro país, fora a América do Norte, em números absolutos de embriões transferidos (TE e FIV).Atualmente o Brasil produz cerca de 32 mil embriões por ano, realizando cerca de 5 mil lavados uterinos. A produção de embriões in vivo, no país, apresentou um crescimento de 43,7% no período 2015-2016. Aparentemente, o uso da produção in vivo parece manter-se em alguns nichos de mercado, nos quais a FIV (fertilização in vitro), por questões diversas, não se tornou a técnica de eleição, como por exemplo em animais europeus tanto leiteiros como de corte. 

Como toda tecnologia, a TE apresenta vantagens e desvantagens quando comparadas com os modos convencionais e com outras biotécnicas envolvidas no planejamento reprodutivo de um rebanho. Sendo assim, o produtor deve avaliar os pontos positivos e negativos para decidir qual o melhor caminho percorrer:

Vantagens da TE

  • Incremento da capacidade reprodutiva;
  • Diminui o intervalo de parto;
  • Acelera a avaliação e seleção de animais superiores detro de um rebanho;
  • Transporte de genética;
  • Baixo risco de transmissão de agentes patogênicos;
  • Embriões mantém boa fertilidade se congelados;
  • Não necessita de laboratório especializado, quando comparado com a FIV.

Desvantagens

  • Pouca mão-de-obra especializada;
  • Maior gasto com sêmen;
  • Cultura do produtor brasileiro.

O que devemos esperar de resultados quando realizamos os processos de transferência de embrião em condições normais?

  • A superovulação geralmente produz uma média de 6 embriões transferíveis, embora as variações sejam comuns dependendo de uma série de fatores (raça, localização geográfica, idade, etc.);
  • 10% a 30% das doadoras superovuladas não produzem embriões;
  • 20% a 30 % das doadoras produzem apenas 1 a 3 embriões;
  • Uma resposta ideal de 5 a 12 embriões é obtida por volta de 50% das doadoras;
  • A recuperação de 20 ou mais embriões também acontece, porém com uma menor frequência.

Tendências

Vem crescendo a utilização da embrião-terapia, principalmente em rebanhos de vacas de alta produção. Esta técnica consiste em coletar embriões durante o inverno, época do ano com as melhores taxas de concepção nos protocolos de superovulação, congelar os embriões viáveis e posteriormente implantá-los nas receptoras durante o verão, época com menor taxa de prenhez nos rebanhos. A embrião-terapia tem mostrado taxas de prenhez melhores até que protocolos de IATF e IA convencionais neste período do ano.

Um dos limitantes da TE era não conseguir direcionar qual seria o sexo dos bezerros produzidos nos protocolos de superovulação, uma vez que os resultados com sêmen sexado não eram regulares. Porém, com o desenvolvimento de novas técnicas de sexagem de gametas, este problema vem sendo contornado, e atualmente já existem protocolos de TE que utilizam este tipo de sêmen associado à observação de cio, apresentando resultados tão bons como aqueles obtidos utilizando sêmen convencional. O próximo passo é criar um protocolo onde se possa inseminar as doadoras em tempo fixo utilizando tais sêmens.

Em conclusão, o sucesso de uma biotecnologia da reprodução depende de vários fatores além do seu estágio de desenvolvimento, passando por questões de mercado, pela competência e capacitação dos técnicos, pelo agronegócio e pelo próprio sistema de produção.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2018.

Fonte: O Presente Rural

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