Suinocultura - 13.10.2017

Suinocultura moderna: de onde, para onde

Nesse cenário moderno, o papel da nutrição na produção animal vai além de buscar a maior produtividade com o menor custo

- Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Giselle Gallio, promotora Técnica e Comercial - Aves e Suínos Paraná da Nutriquest Technofeed e mestranda em Nutrição Animal pela Unioeste

O acesso facilitado a informações e o “conhecimento técnico” de consumidores sobre sua alimentação estão forçando as cadeias produtivas a buscar tecnologias que, além de eficientes, também estejam de acordo com a opinião pública

Até início século XX, quando o suíno moderno passou a ser parte da cadeia produtiva brasileira de carnes, resultado do cruzamento de raças puras, a gordura era o principal produto da suinocultura, tendo esses animais, pouco mais de 40% de carne magra. Em um século, a genética, nutrição e demais tecnologias disponíveis, melhorando e otimizando a cadeia produtiva, gerou animais com 20% a mais de carne magra do que se buscava há 100 anos e dessa forma, participando com expressivos 13,5% do mercado de carnes brasileiras, colocando o Brasil no quarto lugar no ranking mundial de produção de carne suína.

Nesse cenário moderno, o papel da nutrição na produção animal vai além de buscar a maior produtividade com o menor custo. Tem-se a necessidade de acompanhamento de novas tecnologias, buscando uma produtividade com menor geração de resíduos e nesse formato, os aditivos fitogênicos com foco nutricional ou sanitário estão ganham espaço.

Alguns Números

O grande inimigo da suinocultura está relacionado ao volume de produção de dejetos ou mesmo de resíduos sólidos decorrentes de processos produtivos da cadeia. E nesse ponto, os avanços do conhecimento da nutrição desses animais tem papel fundamental nos controles necessários.

Apenas 19,4% da carne suína produzida no Brasil é exportada e tem a Rússia e China como principais compradores, com aproximadamente 65% do volume. E, da mesma forma que o mercado de aves ou bovinos, há necessidade de o Brasil manter sua produção em atendimento à legislação de outros países, de pelo menos, todo o volume destinado à exportação e, estes países têm regras a serem cumpridas, principalmente referentes à nutrição desses animais.

Entre 2012 e 2013, o Brasil teve uma redução de aproximadamente 11% no alojamento de matrizes e nos últimos quatro anos, manteve o número reduzido, se comparado aos anos anteriores. Porém, nesse mesmo período, a produção de carne suína brasileira teve um aumento de pelo menos 8,5%. Ou seja, o uso adequado da tecnologia permitiu a criação de fêmeas mais prolíferas, grandes responsáveis pela produtividade do setor.

Mercado Interno

Mais de 80% da produção de carne suína é destinada ao mercado interno e, tendo o Brasil sua legislação diferente dos principais importadores de carne, a nutrição desses animais ainda está buscando maior produtividade com menor custo e, dessa forma, o impacto ambiental referente à produção de ração e o metabolismo dos nutrientes não faz parte do polinômio produtivo.

O meio ambiente fala

Uma especialista em controle de qualidade de fábrica de alimentos para animais, cita em um dos seus artigos que o processo de limpeza de fábrica de ração se dá de modo mecânico, onde o arraste de sujidades é uma das principais formas de limpezas de equipamentos. Porém, também segundo a estudiosa, esta é uma forma de geração de resíduos sólidos, ou seja, ainda se faz necessária que a geração de resíduos e dejetos da cadeia produtiva seja de menor impacto ao ambiente.

Nutrição e não química

Aditivos químicos promotores de crescimento ou nutricionais podem não ser completamente metabolizados ou utilizados pelos animais, sendo excretados nas fezes ou urina. As saponinas, princípios ativos de alguns fitogênicos, são responsáveis pela redução de amônia e poluição do ar no interior de granjas podendo também ser uma ferramenta quando na redução de geração de gases tóxicos e metabolitos poluentes.

Os principais modos de ação pelo qual os produtos fitogênicos exercem os seus efeitos positivos sobre os rendimentos produtivos e a saúde dos animais são as suas ações antimicrobianas e estabilizadoras da microflora intestinal, antioxidantes, antiestresse, nutrigenômicas e imunomoduladoras, tendo especial relevância as suas propriedades antimicrobianas e imunomoduladoras quando são adicionadas em dietas pós-desmame para leitões.

Óleos essenciais e extratos vegetais

Os óleos essenciais e os extratos vegetais, mesmo que timidamente, entram na nutrição de suínos. O maior impasse hoje para a ampliação do uso de aditivos fitogênicos é o pouco material disponível para conhecimento dessas tecnologias.

Dentre as ações dos aditivos fitogênicos, são citados principalmente aumento da digestibilidade e absorção de nutrientes, absorção de nitrogênio, resposta imune, modificações histológicas gastrintestinais e atividade antioxidante.

Na nutrição, estudos com aditivos fitogênicos em substituição a vitaminas oferecem uma gama de produtos que tem como principal característica moléculas biodisponíveis, oferecendo ao animal além do efeito vitamínico, menor necessidade de gasto energético para metabolização. Estudos preliminares do uso de vitamina D fitogênica mostram que a substituição da forma química disponível no mercado pelo aditivo fitogênico manteve a os níveis minerais conforme o esperado no metabolismo dos animais.

Um dado bastante relevante é o fato de que, tanto os óleos essenciais quanto as vitaminas de origem herbal mostram seu efeito bactericida/bacteriostático ou metabólico respectivamente mesmo em doses mais baixas que quando avaliadas in vitro ou quando comparado à dosagem usual de seus análogos químicos. As fitomoléculas são dependentes de estrutura, metabolismo do animal.

Futuro

Os números de mercado e a tecnologia disponível oferecem à suinocultura brasileira grande espaço para crescimento, tanto em geração de conhecimento quanto em cifras. A necessidade de pesquisas de aditivos alternativos na produção animal não é recente, porém, a suinocultura, por motivos variados, permaneceu por um grande tempo à sombra de outras culturas de produção, mas que, aos poucos, toma seu papel e assume sua importância dentro da economia que se encontra.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2017.

Fonte: O Presente Rural

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