Bem-Estar Animal - 18.12.2017

Sombra, água fresca e muito mais! Vacas retribuem bem-estar com produtividade

Em 1,6 mil metros quadrados, pecuarista do Paraná produz 1,6 mil litros de leite por dia, e pode produzir mais

- Giuliano De Luca/OP Rural

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Sabe o ditado sombra e água fresca. Pois as 50 vacas de Adelar Konzen gozam de muito mais que isso. Sombra para proteger do sol e da chuva, água fresca, nutrição balanceada três vezes ao dia, cama macia para descansar, ventiladores e chuveirinho para espantar o calor, coçador para não cair no tédio, tudo isso 24 horas por dia. Elas agradecem, com média de 33 litros de leite por dia. Com um grande detalhe: todo o sistema usa 1,6 mil metros quadrados da fazenda, menos de 0,2 hectare.

A receita de sucesso chamou atenção até da Frimesa, cooperativa para quem Adelar entrega o leite, que decidiu gravar um vídeo institucional na propriedade, no interior de Santa Helena, Extremo-Oeste paranaense. Primar pelo sistema foi o que Adelar fez desde que iniciou na atividade, em meados de 2015. “Desde que comecei procuro usar o que existe de melhor e mais eficiente em tecnologia. Nós temos uma genética diferenciada, mas junto a isso tem que zelar pelo conforto do animal, para que ele se sinta bem e responda com produtividade. Aqui nós criamos um ambiente propício para o animal produzir mais. O conforto está muito relacionado com a produtividade”, aponta o pecuarista.

Adelar tem o sistema compost barn, quando o animal é mantido em confinamento durante todo seu período produtivo. “É um sistema que gera bem-estar para o animal, que sofre menos com estresse térmico, tem uma cama de compostagem muito macia para deitar. A vaca adora deitar, é gostoso para elas”, explica o paranaense. A cama, revirada com um pequeno trator arrastando uma grade duas vezes ao dia, também evita, por exemplo, problemas de casco. “Nesse ambiente, as vacas ficam extremamente limpas”, aponta.

Adelar revela que algumas ações são importantes para não deixar os animais entediados e com estresse térmico, já que na maioria do tempo, é calor no Oeste do Paraná. “Temos vários ventiladores. Agora, comprei dois mais potentes, que vão fazer bastante vento e refrescar o ambiente ainda mais”, comenta. Se o som do ventilador é silenciado, o som de uma ducha fina de água atrai as holandesas para uma repartição ao lado da sala principal, onde elas dissipam calor com um banho de água fresca e limpa. É bonito de ver.

A mais nova aquisição são dois coçadores, que definitivamente conquistaram a atenção e o gosto dos animais. “Eu sabia que elas iriam gostar, mas não achei que fosse tanto. De manhã cedo chega a ter fila no coçador. Elas adoraram”, descreve o produtor. Em menos de duas horas de entrevista, diversas vezes o coçador foi acionado. A partir do momento em que a vaca empurra o equipamento e ele sai de seu eixo central, as cerdas que formam uma grande escova redonda começam a girar, por meio elétrico. O equipamento trabalha por pouco mais de um minuto até se desligar. Caso a vaca queira mais uma cosquinha, basta empurrar o coçador de novo. Caso não, é só dar a vez para a próxima candidata.

Rendimento

Adelar explica que em dois anos e meio de atividade, a produtividade de leite da fazenda dobrou. “Quando começamos, tínhamos média de 16 litros por dia. Hoje, no pico, estamos com 33, ou cerca de 1,6 mil litros por dia. Nos dias mais quentes do ano, diminui um pouco, mas mesmo assim não baixamos de 1,4 mil litros (por dia)”, destaca. Além de bem-estar, o produtor explica que o segredo é uma boa genética. “Tem vaca que me dá 40 litros por dia com bastante frequência. Trabalhar com genética é muito importante hoje na atividade leiteira. Além disso, temos sempre consultoria veterinária, realizamos ultrassom e buscamos sempre melhorar a gestão da propriedade”, explica Adelar, “rato” de eventos sobre a atividade leiteira na região.

Ele explica que o sistema, que hoje está com 50 vacas holandesas, é capaz de ser ampliado em mais 50%. “Esse galpão tem espaço para 74 vacas. Vou ampliar até chegar a 70 e ter uma produtividade entre 2,1 e 2,2 mil litros de leite por dia”, aponta.

Mas Adelar garante que a rentabilidade da atividade não está necessariamente no leite. Ele explica melhor: “Aqui o foco principal não é o leite, mas a prenhez. A vaca tem que emprenhar o mais rápido possível e criar bem”, explica. O produtor rural trabalha com inseminação artificial já no primeiro cio da vaca.

Os animais que estão emprenhados são separados dos demais cerca de 30 dias antes do parto. O galpão pré-parto ajuda o animal a ter um parto mais tranquilo, explica Adelar. Quando estão secas, as vacas vão para um piquete.

Nutrição e Outros “Detalhes”

Nutrição também é tratada com muita dedicação por Adelar e pelo casal de trabalhadores que se dedica à pecuária de leite na fazenda. A boa nutrição, com silagem, feno, ração e sal, segundo o produtor, garante que ele possa explorar o máximo potencial produtivo do animal.

“Na verdade, são vários fatores que interferem na produção. A atividade leiteira é uma atividade rentável se você souber trabalhar certinho, com dedicação. É uma atividade que dá trabalho, mas não é tanto como falam. É só você criar a rotina. Existem muitos desafios, mas é uma boa alternativa para diversificar renda. Existe a crise, mas eu acredito nessa atividade”, destaca o produtor.

Sala de Ordenha

Os animais caminham vagarosa e calmamente para a sala de ordenha. É hora de envasar o lucro de todo o investimento. Para isso, mais tecnologia. “Temos uma ordenhadeira computadorizada, que mede o rendimento individual de cada animal, entre outras coisas. Assim podemos saber que vaca está produzindo menos e tomar alguma providência”, argumenta. No local, o novo investimento de R$ 80 mil são dois novos resfriadores, que vão ampliar a capacidade de armazenamento.

Inquieto, Adelar diz que já está buscando novas tecnologias para empregar no sistema. Estou estudando a possibilidade de adquirir um carrossel para fazer a ordenha. É um grande investimento, mas eu consigo ordenhar as vacas ao mesmo tempo. Em poucos minutos, o serviço está feito”, assinala. “Acho que o importante é sempre se desafiar, buscar fazer sempre o melhor”, garante.

A Estância Vacaria, como Adelar nomeou o seu complexo de produção leiteira, é mais um exemplo de sucesso que permeia a agropecuária brasileira. Tecnologia e trabalho empregados com precisão para produzir cada vez mais, gastando cada vez menos e ocupando cada vez menos espaço, otimizando os lucros da fazenda e gerando alimentos e renda para as pessoas.

Outras Atividades

Para o futuro, o produtor de Santa Helena planeja expandir os negócios com a venda de genética. Para isso, tem investido cada vez mais em seu plantel de holandesas. Os melhores animais serão selecionados para povoarem outras propriedades rurais dispostas a investir na bovinocultura de leite.

Na fazenda em que Adelar tem com os sócios, também há a produção de frango de corte e grãos - soja e milho. Eles são associados à cooperativa Lar, de Medianeira, PR. Adelar garante que não para por aí. “O próximo passo é começar a produzir suínos”. Inquieto... e certeiro homem do campo.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de novembro/dezembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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