Dicas - 14.09.2017

Sete dias para virar um “pintinho bundudo”

“Bunda grande é sinal de uma moela grande, de um fígado bem desenvolvido, pesando no fundo da cavidade abdominal”, orienta médico veterinário Marcus Briganó

- Arquivo/OP Rural

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Os primeiros sete dias de vida são cruciais para o desenvolvimento do frango de corte. Esse período é tão importante porque nele a ave vai usar toda a energia para dar peso ao aparelho digestivo, que, se bem, desenvolvido, vai cumprir com perfeição seu papel de segundo cérebro e ser eficaz na digestão de alimentos e absorção de nutrientes.

A dica é do médico veterinário especialista em engorda Marcus Briganó, de Guapiaçu, SP, que fez uma palestra para produtores de aves durante o segundo Fórum Lar Agro, em 15 de agosto, em Medianeira, PR. O evento promovido pela cooperativa Lar reuniu cerca de 1,5 mil produtores de aves, ovos e suínos associados.

“Para resumir, aos sete dias nós queremos que o pintinho tenha bunda. Isso é sinal que todo o aparelho digestivo está bem desenvolvido. O peso dele todo atrás é um ótimo sinal”, provocou Briganó. “Na primeira semana a produção tem que ser mais focada nas partes intestinais, responsáveis pela digestão e absorção da ração fornecida às aves. Praticamente todo ganho de peso é de órgãos digestivos. O ganho de peito e músculo de uma forma geral na primeira semana é praticamente insignificante. Nesse período, o que ganha de peso é órgão visceral”, definiu.

Para ele, o desempenho na primeira semana define se o animal vai ter ou não uma boa performance. “Erros nessa fase são imperdoáveis. São erros no lote que você não consegue corrigir, mas só administrar para não piorar mais. Não tem como falar de bons resultados sem falar em desenvolvimento inicial. O desenvolvimento inicial é o berço dos grandes resultados e na maioria das vezes onde os resultados ruins são explicados. Cada hora de criação é extremamente importante. A primeira semana é a fase principal para que a ave ganhe peso”, alerta.

De acordo com ele, um dia mal nutrido já causa perdas irreparáveis. “Com um dia já se percebe perdas (visceral) e isso não se recupera. Uma vez que se perde, foi. O principal problema no ganho de peso em determinadas situações é que o pintinho não come. O desenvolvimento inicial depende da capacidade de consumo inicial. Nossa tarefa é simplesmente fazer o pintinho se alimentar de maneira apropriada”, pontua.

Estímulo ao Consumo

Medir o consumo do pintinho nessa fase é importante para saber se o produtor está começando bem ou mal aquele lote, sugere o especialista. Para mensurar, um teste simples deve ser feito especialmente quando o animal chega ao galpão. “Tem que palpar os pintinhos. Entre oito e 12 horas, temos que ter pelo menos 95% dos pintinhos com papo cheio de ração e água. Isso é sinal que ele está comendo desde o começo do alojamento”, aponta. “A relação para cada grama de peso ganho na fase inicial é para sete a dez gramas a mais no peso final”.

De acordo com Briganó, cama e ambiente bem aquecidos e papel forrando o chão são algumas estratégias que devem ser usadas para estimular o consumo. O aquecimento mantém os pintinhos em conforto térmico e o papel com ração no chão porque instintivamente a ave come no piso.

“O primeiro ponto para o consumo é a oferta. A forração com papel ajuda muito, especialmente até terceiro dia, porque instintivamente o frango come no piso. Além disso, o papel apresenta para esse animal que não sabe onde está (o alimento) e mostrar o que ele vai ingerir no resto da vida. É o material mais preparado para essa fase prematura do pintinho. Além disso, o caminhar (no papel) também chama a atenção dos outros pintinhos”, comenta. “Papel até terceiro dia vai ser a fonte mais acessível de comida para a ave”, crava.

Há, segundo Briganó, há condições que devem ser observadas para que o animal se alimente de maneira desejada. “A temperatura é o primeiro ponto que observamos quando falamos em pontos ambientais que influenciam no consumo e ganho de peso na fase inicial. O pré aquecimento das instalações é de suma importância. Menos de 24 horas nem pensar. Se o piso estiver frio, não adianta ar com temperatura adequada. Com a cama fria, o pintinho vai comer pouco. Por isso é importante ter cuidado com o aquecimento e a cama, fundamentais para manter o lote em atividade”, sugere.

De acordo com ele, se o interior da cama não estiver quente, logo que inicia a ventilação a parte externa, de contato com as aves, também começa a perder calor. “O pré aquecimento curto leva a um aquecimento da superfície da cama, mas as partes inferiores permanecem frias. Quando começa ventilação, a cama perde essa casquinha quente que tinha”, amplia. 

Depois de temperatura, outro ponto de ajuste é a ventilação, aposta o profissional. “Zelar pela troca de ar é o segundo ponto que atrapalha o consumo. Essa troca mal executada pode gerar problemas com amônia e gás carbônico, que podem deixar os pintinhos apáticos, além de excesso de umidade. Se tem muita água, a cama vai pelo espaço. É extremamente importante manter a qualidade do ar”, diz.

“A gente quer ver bunda no pintinho de sete dias. Bunda grande é sinal de uma moela grande, de um fígado bem desenvolvido, pesando no fundo da cavidade abdominal. Se o pintinho é magrinho, é sinal que os órgãos intestinais não foram bem formados”, cita Briganó.

Manejo Final

Se os primeiros sete dias são dedicados à evolução visceral, no ciclo final as atenções são voltadas ao ganho de peso muscular. “Durante o crescimento a fisiologia da ave muda. No começo a gente tem uma ave ineficiente na geração de temperatura e demanda de aquecimento maior. Na fase final, temos uma ave com dificuldade de perder calor e em qualquer situação que esse calor não for liberado ela pode entrar em falência”, diz.

“Até 21 dias o pintinho é extremamente intolerante a ventos fortes; ele deita. Depois dos 28 dias, o que temos para controlar a temperatura é a ventilação. O frango tem dificuldade de perder calor. Na fase final, o frango lida muito bem com o vento”, cita. Nesse ambiente, orienta, “tem que tirar calor e tirar umidade. Cerca de 80% da água que a o frango bebe vai voltar para a granja, por exemplo, pela respiração. Isso gera excesso de umidade, e o frango perde menos calor”, emenda. De acordo com o especialista, um lote de 25 mil frangos, aos 42 dias, libera cerca de oito mil litros de água em 24 horas.

Mais informações você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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