EuroTier - 17.03.2017

Sem saúde animal, não há bem estar animal

O Presente Rural foi convidado pela terceira vez para participar do maior evento mundial do agro e traz alguns destaques que foram aparentados nos quatro dias de evento

- Foto: Divulgação

As questões de bem estar animal e o uso de antibióticos foram mais uma vez a tônica das discussões durante a EuroTioer 2016. A exemplo do que já aconteceu em edições anteriores, essas discussões continuam promovendo debates intensos não só na Europa, mas em todo o mundo.

Durante a conferência de imprensa realizada logo no primeiro dia de evento, o médico veterinário Siegfried Moder, Presidente da Federação Alemã de Médicos Veterinários (BPT), destacou que a sanidade é essencial para o bem estar. “Sem saúde animal não há bem estar animal”, cravou.

O médico veterinário destacou que nos últimos anos não houve assunto que promovesse debate tão acalorado na opinião pública quanto a resistência aos antimicrobianos e sobre as práticas de manejo animal. “Não há somente uma demanda por alimentos seguros e de boa qualidade. Cada vez mais consumidores se preocupam com a proveniência dos alimentos e exigem um manejo baseado no bem estar animal”, enfatiza Siegfried.

Segundo Moder, para atender esse anseio dos consumidores foram fundadas na Alemanha inúmeras iniciativas e selos dedicados à promoção do bem estar e proteção animal, além de ações políticas e legislativas nos níveis federal, estadual e municipal. “Apesar de muito ter sido feito, ainda falta um consenso na sociedade sobre como será o manejo animal nos próximos anos. É difícil para o consumidor enxergar tal consenso em meio a tantas iniciativas dedicadas ao bem estar animal. O resultado é que a opinião pública não vê nessas iniciativas soluções rumo a um manejo aceito amplamente pela sociedade. O que se vê são soluções parciais, concorrentes entre si, onde um ou outro protagonista quer tirar proveito da situação. O que falta não é apenas um objetivo mútuo, uma estratégia e uma instituição que agregue todas as propostas em uma série de medidas para alcançar as metas desejadas. É preciso haver uma integração clara ao conceito de saúde animal e, consequentemente, o envolvimento de médicos veterinários”, destaca.

O médico veterinário defende que a Lei da Saúde Animal da União Europeia preveja a garantia obrigatória de visitas periódicas de um veterinário à propriedade rural, para que possa se manter a saúde do animal na granja, tendo em vista que animais saudáveis são o maior capital do agricultor. “Em cada propriedade rural há de 10 a 30% de desperdício de potencial relacionado diretamente à saúde do rebanho. A base do sucesso na agricultura continua sendo animais saudáveis. O monitoramento veterinário é uma contribuição valiosa tanto para o bem estar animal como para a defesa do consumidor - além de garantir a segurança legislativa do agricultor enquanto produtor de alimentos. Também contribui para que se produzam, com animais saudáveis, alimentos de alta qualidade de forma rentável. Integrar o monitoramento veterinário no processo de produção reduz custos de tratamento, garante a aplicação específica de medicamentos veterinários e ainda otimiza a aplicação de antibióticos”, enfatiza Siegfried.

 

MENOS ANTIBIÓTICOS

Outro ponto destacado é a diminuição do uso de antibióticos na Alemanha nos últimos anos. Embora alguns países da União Europeia, no período entre 2011 e 2014, conseguiram diminuir em apenas 12% a venda de antibióticos para o manejo animal, na Alemanha esse processo chegou a 50%. “Conseguimos alcançar um ótimo resultado reduzindo pela metade a venda de antibióticos para médicos veterinários aqui na Alemanha: de 1,7 mil a 800 toneladas em cinco anos. Mesmo assim, nós, veterinários, teremos que nos esforçar, juntamente com todos os profissionais ligados à agropecuária, para prevenir a seleção de bactérias multirresistentes no manejo animal e evitar assim uma perda grande para o setor de produção animal”, aponta.

Siegfried defende ainda que se implante um modelo de monitoramento veterinário integrado, com um banco de dados do rebanho que possibilite ao profissional fazer uma avaliação e uma gestão do rebanho visando agregar saúde animal ao plantel e economia ao produtor. “Se tivermos um banco de dados será possível extrair avaliações da propriedade, dados de cada animal, além de infográficos e históricos. Muitos problemas da saúde animal poderiam ser solucionados de maneira preventiva, porque seriam identificados com antecedência. O trabalho do veterinário se torna, assim, um fator de rentabilidade e não mais de custo. Por meio de uma gestão completa e sustentável de higiene e de saúde animal, o agricultor recebe dessa maneira um apoio amplo e sistemático. Levando em conta fatores econômicos essenciais para a propriedade rural, todos os processos importantes para a saúde e desempenho do animal são inspecionados de forma otimizada e rotineira. O foco é tanto o bem estar animal como a melhoria dos resultados econômicos da fazenda” explica. 

Mais informações você encontra na edição de aves de fevereiro/março de 2017 ou  Online

Fonte: O Presente Rural

CBNA

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