Secagem - 09.10.2017

Secagem gradual reduz imunidade da vaca e aumenta CCS no próximo leite

Período em que animal não produzindo leite, no terço final da gestação, é determinante para definir qual será sua produtividade e sua saúde nos próximos meses

- Giuliano De Luca/OP Rural

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É quase unanimidade entre os pesquisadores e produtores leiteiros que o período seco da vaca é crucial na vida produtiva do animal. O período em que ela não produzindo leite, no terço final da gestação, é determinante para definir qual será sua produtividade e sua saúde nos próximos meses. Além de ser um período em que iniciam a maioria dos casos de mastite, a secagem malfeita pode promover efeitos negativos na qualidade do leite subsequente, como no aumento do número de células somáticas, e reduzir a imunidade do animal.

O pós-doutor em Medicina Veterinária Alexandre Souza explica que as duas formas de secagem usadas no Brasil - gradual e abrupta - causam desafios ao animal, mas defende o modelo com interrupção abrupta, com antibióticos intramamários, por ser mais seguro e eficiente para a futura produtividade e sanidade da vaca leiteira. Ele afirma que a secagem gradual, quando o produtor reduz o nível de nutrientes e diminui a frequência de ordenha, aumenta as chances de a vaca ter estresse, mastite e queda na qualidade do leite na próxima lactação.

“Existem dois tipos de secagem da vaca: abrupta e gradual. Na abrupta, você aplica antibióticos intramamarios e coloca a vaca em outro lote. Na gradual, você começa a diminuir o nível de energia através da dieta e diminui a frequência de ordenhas para secar. Hoje ainda não se tem um consenso sobre a maneira ideal de secar a vaca. Nos dois casos existem os prós e os contras”, apontou o pós doutor durante sua palestra na 14ª edição do Simpósio do Leite, que aconteceu no mês de junho, em Erechim, RS. O evento reuniu alguns dos mais notáveis profissionais da cadeia leiteira do país com produtores e a academia gaúcha, durante dois dias de troca de conhecimento.

Gradual

Na opinião Souza, reduzir a frequência de ordenha pode aumentar a contagem de células somáticas no leite que vem depois do parto. “Diminuir a frequência de ordenha está relacionado com o aumento de CCS na lactação subsequente. Ou seja, em geral o que parece fazer sentido acaba aumentando a contagem de células somáticas na próxima ordenha”, pontua. Além disso, esse tipo de procedimento, segundo o pesquisador, “é estressante para o animal”.

Por outro lado, segundo Souza, a redução de energia na dieta pode provocar queda na imunidade do animal. “Limitar energia faz bastante sentido, pois o animal diminui a produção de leite. Com menor densidade energética, existe queda de prolactina, o que consequentemente diminui a quantidade de leite. Porém, baixar o nível de energia aumenta expressivamente a concentração de Nefa (ácidos graxos não esterificados). O problema é que quando aumenta essa concentração de Nefa, a atividade das células da parte imune diminui bastante. Ou seja, há queda da imunidade”, avalia. “E nesse momento a vaca está mais suscetível a bactérias - nos dias da secagem e pós-parto -, sujeita a mastite, especialmente logo depois do processo de secagem. Limitar a energia não é recomendável”, amplia. “Ou seja, a secagem gradual não parece uma ideia interessante”, assinala.

Abrupta

Na secagem abrupta, o principal desafio é vencer o gotejamento de leite, que pode aumentar em até seis vezes as chances de a vaca contrair mastite nesse período, de acordo com o profissional, gerente técnico da Ceva Brasil. “Na secagem abrupta também há desvantagens. O vazamento do leite é uma delas. De acordo com ele, estudos revelam que gotejamento e vazamento de leite ocorrem mais com a secagem imediata. “A abrupta tem muito mais problema e o selante de teto não resolve muito”, argumenta.

De acordo com Souza, problemas de vazamento aumentam em quatro vezes o risco de mastite clínica no período pós-parto e em seis vezes a contaminação por algum patógeno importante. 

Para resolver esse problema, segundo o palestrante, é preciso usar um produto veterinário que “aumenta a velocidade de inoculação da glândula mamária, melhora o sistema imune dessa glândula, melhora o conforto da vaca pós secagem e diminui a incidência de mastites clínicas no pós-parto.

Vaca seca não é refugo

O profissional alertou para o produtor e outro profissionais envolvidos no setor garantirem uma de qualidade para a vaca seca. De acordo com ele, muito produtor ainda coloca as vacas nos piores piquetes, com um pasto de má qualidade, o que é um grande engano. “A gente vê a vaca seca lá no último pasto. No Brasil está melhorando a conscientização, mas tem que aprender sobre a importância da secagem da vaca. O produtor precisa prestar atenção. Quando seca, ele coloca o lote no último pasto e esquece dela. Só vai lembrar próximo ao parto. Durante os primeiros dias após a secagem, tem que dar conforto ao animal”, sugeriu.

Mastite

De acordo com a Embrapa, a mastite é uma inflamação da glândula mamária das vacas que tem como consequência a redução da produção, a perda da qualidade do leite, o descarte prematuro ou até a morte do animal. O controle da doença é feito por meio de práticas de manejo corretas, entre elas, a desinfecção das tetas antes e após a ordenha. A prevenção e o tratamento são realizados em todo o rebanho no período de secagem das vacas, quando é administrado um antibiótico preventivo em todos os quartos mamários do animal.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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