Qualidade - 13.10.2017

Saiba tudo para manter a qualidade de água na avicultura

Na avicultura deve-se dar à água a mesma importância a que se dá a outros fatores interativos com o animal, como instalações, alimentação e manejo

- Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Evilásio Pontes de Melo, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Vetscience

A água é um recurso estratégico e um bem comum que deve ser compartilhado por todos. Autores citam que a água é muito mais do que um recurso natural. Ela é uma parte integral do nosso planeta. Está presente há bilhões de anos, e é parte da dinâmica funcional da natureza. A demanda de água vem aumentando mundialmente devido ao crescimento populacional. Neste contexto, o desenvolvimento industrial e a expansão da agropecuária intensiva têm sido responsabilizados pela maior parcela do consumo e poluição das reservas de água doce.

Do total de água disponível, 97,5% é salgada e está em oceanos e mares e 2,5% é doce, porém, desse, 2,4% está armazenada em geleiras ou regiões subterrâneas de difícil acesso e apenas 0,1% é encontrada nos rios, nos lagos e na atmosfera, de fácil acesso às necessidades do homem. Deste percentual, o Brasil detém 12%, concedendo-lhe um grande potencial agrícola. Este fato nos assegura um fator diferenciador único para o futuro de nossa avicultura e seu papel no suprimento das necessidades mundiais por produtos avícolas.

A água é o elemento essencial para a manutenção da vida. Nos sistemas vivos ela exerce papel fundamental na manutenção da homeostase, ou seja, a capacidade de manter as condições do ambiente dentro de limites toleráveis. Corresponde a mais de 70% do peso de muitos organismos; está presente em todas as células do organismo e devido as suas características; desempenha importantes funções como a manutenção do pH e da concentração de eletrólitos; é veículo de excreção de metabólitos; é o meio no qual ocorrem o transporte de nutrientes, as reações enzimáticas de síntese e catabolismo das reações metabólicas e a transferência de energia química.

Na avicultura deve-se dar à água a mesma importância a que se dá a outros fatores interativos com o animal, como instalações, alimentação e manejo. As aves de produção necessitam de grande quantidade de água para seu desenvolvimento e bem-estar. Além da água para dessedentação, se deve considerar a água como insumo para o manejo da vacinação, limpeza, controle térmico do ambiente e desinfecção de equipamentos e instalações. Diversas variáveis interferem no consumo de água, entre elas a genética, a idade e sexo do animal, a temperatura do ambiente e da água, a umidade relativa do ar e a composição nutricional do alimento. A água é insubstituível para o organismo das aves, em virtude das funções que exerce no metabolismo, portanto é de fundamental importância o uso racional da água de boa qualidade física, química e microbiológica.

As aves consomem pequenas quantidades de água, porém com muita freqüência, devendo lhes ser garantido um fornecimento constante. O controle da qualidade da água e a manutenção correta do sistema de distribuição são fatores críticos que contribuem para o êxito da exploração avícola. Nas aves, a quantidade de água corporal varia conforme a idade, sendo em torno de 85% do peso na primeira semana de vida, chegando a 64% em um frango adulto. Para a galinha de produção de ovos, tanto reprodutora como poedeira comercial, a água representa cerca de 55% do peso na idade adulta, além de constituir 65% do peso do ovo.

O Papel importante do consumo de água

A ingestão de água pelas aves é de suma importância para o bom desempenho de todas as funções metabólicas. Além de ser um nutriente essencial, a água participa de diversos processos metabólicos e produtivos, auxiliando na manutenção da temperatura, na respiração, na digestão, formação do ovo e etc.

O consumo de água é afetado pela qualidade, disponibilidade,  composição da dieta, temperatura do ambiente, temperatura da água, idade, sexo, etc. O consumo de água é crescente com a idade dos animais.

Segundo um estudioso, assim como em outras espécies animais, o frango de corte ingere água visando a manutenção de um nível de água corporal constante. Porém, devido ao fato de que o frango de corte moderno apresenta uma alta velocidade de crescimento e, consequentemente, uma alta taxa de atividades metabólicas, a ingestão de água, por sua parte passa a ocorrer de forma mais acentuada e constante em comparação a outras espécies.

Teoricamente, é possível estimar a ingestão de água por frango de corte. Uma regra que é usada em nível prático diz que o consumo de água é o dobro do consumo diário de ração. Outro meio de se estimar o consumo de água seria multiplicando-se a idade da ave em dias por 5,28 ml, método este mais preciso quando comparado com anterior.

No frango de corte (e aves em geral) a sede é induzida por meio de três mecanismos básicos: a desidratação celular, a desidratação extracelular e o sistema renina-angiotensina. Estes mecanismos atuam estimulando a sede e induzindo o animal a consumir água. O centro da sede é regulado pelo hipotálamo por meio de sensores osmóticos que detectam a osmolaridade do plasma sanguineo. 

Dentre os diversos fatores que influenciam a ingestão de água, a temperatura parece ser um dos mais importantes. Segundo outro autor, o impacto da temperatura ambiental é grande sobre o consumo de água, sendo que quanto maior a temperatura do ambiente, maior será o consumo de água, se esta estiver a uma temperatura menor que a ambiental.

Outro importante fator a ser levado em consideração quando falamos de consumo de água é o tipo de bebedouro disponível para as aves. Existem vários modelos no mercado, mas independente do tipo, devem ser sempre mantidos limpos, com água fresca e em quantidades suficientes para atender a demanda dos animais. Observa-se grande diferença no padrão de ingestão de água entre os tipos de bebedouros. Bebedouros tipo nipple apresentam um consumo menor em comparação com bebedouros abertos (calha ou pendular). Para bebedouros tipo nipple, especial atenção deve ser dada à correta regulagem para que apresentem uma correta vazão conforme a idade das aves. Para isso é importante seguir a recomendação dos fabricantes. 

O controle da carga bacteriana é muito mais difícil em sistemas de bebedouros abertos porque estes são expostos à contaminação de sujeira fecal e às secreções orais e nasais das aves enquanto bebem. Sistemas fechados de nipple têm a vantagem de reduzir a disseminação da doença, porém, mesmo com estes, a dosagem com um desinfetante eficaz na presença de carga orgânica e biofilme é regularmente requerido. A cloração que produz entre 3 a 5ppm ao nível do bebedouro (usando, por exemplo, o dióxido de cloro) ou a radiação UV são meios eficientes para controlar a contaminação bacteriana. O tratamento deve ocorrer no ponto de entrada de água no aviário.

Independentemente do tipo de bebedouro utilizado no aviário os cuidados com a manutenção e limpeza devem ser diários, quando utilizados nipple, observar o fluxo (vazão e pressão). O efeito das taxas baixas de fluxo do nipple é até mais evidente se a densidade do alojamento aumenta e a relação ave:nipple ou ave:bebedouro for alta. Como orientação prática, a equação de Lott usada para calcular o fluxo semanal estático (semanas de idade* 7) + 20ml/min., pode servir como referência útil. Quando a escolha for por bebedouros pendulares, os bebedouros devem ser limpos diariamente para evitar o acúmulo de matéria orgânica. A altura deve ser ajustada para que a base do bebedouro fique em nível com as costas dos frangos a partir de 18 dias.

Os parâmetros químicos são importantes para a caracterização da qualidade da água, permitindo sua classificação pelo conteúdo mineral, determinação de seu grau de contaminação e evidenciação dos picos de concentração de poluentes tóxicos. As sugestões de concentrações máximas dos elementos e compostos presentes na água, segundo diferentes pesquisadores, para manutenção da saúde e da produtividade das aves. Um grande número de elementos ou compostos químicos pode ocorrer na água, naturalmente ou por contaminação. Estão presentes em quantidades que podem ou não interferir nas funções de metabolismo ou digestão de galinhas, perus, codornas e outras aves de exploração comercial. Quando os níveis dessas substâncias químicas estão fora do equilíbrio, podem por si só ou em combinação com outras afetar o desempenho das aves.

Considerações

A água é fundamental a vida em função das mais variadas atribuições ao funcionamento dos organismos vivos. A qualidade e disponibilidade de água para aves é fundamental para o bom desempenho produtivo e reprodutivo das mesmas. Há pontos chaves a ser considerados:

- Disponibilizar o acesso irrestrito a uma fonte de água de boa qualidade a uma temperatura adequada de fornecimento (10-12°C)
- Providenciar espaço adequado para consumo de água e garantir que os bebedouros sejam facilmente alcança dos por todo o lote.
- Monitorar diariamente a relação entre a ração e a água para verificar se as aves estão bebendo suficiente água.
- Permitir o maior consumo de água a temperaturas mais altas (6,5% de aumento por grau acima de 21°C)
- Tomar medidas nas estações quentes para assegurar que a água fique tão fresca quanto possível, como por exemplo, dar descarga nas linhas dos bebedouros, usar uma -placa de resfriamento, posicionar os reservatórios e bebedouros em local subterrâneo ou providenciar isolamento.

Realizar testes regulares do fornecimento de água para verificar a temperatura, carga bacteriana e teor mineral e, quando necessário, tomar as medidas corretivas adequadas.

Mais informações você encontra na edção de Aves de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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