Recém-Nascidos - 16.08.2018

Saiba os cuidados essenciais com os recém-nascidos

Criação de bezerros exige muito cuidado e atenção no manejo, principalmente no primeiro mês de vida do recém-nascido

- Divulgação/Shutterstock

Artigo escrito por Equipe J.A. Saúde Animal

A pecuária bovina é um dos segmentos mais importantes do setor agropecuário brasileiro, com um rebanho de mais de 220 milhões de cabeças, sendo 70 milhões de vacas e 45 milhões de bezerros. Independente se for gado de corte ou de leite, toda a criação de bovinos depende e se inicia com a fase de cria. Segundo dados do IBGE (2000), mais de 60% das propriedades brasileiras possuem fase de cria, sendo que 24% das propriedades trabalham exclusivamente com essa atividade.

A criação de bezerros exige muito cuidado e atenção no manejo, principalmente no primeiro mês de vida do recém-nascido.  Estudos mostram que, com a prática de manejo adequada nessa fase, o peso do animal no desmame pode chegar em até 50% do seu peso de abate. Por outro lado, quando não se dá atenção necessária ao manejo, podem ocorrer diversos prejuízos, como baixo ganho de peso diário, doenças de umbigo (onfalites e suas consequências), outras doenças infecciosas oportunistas e até a morte do animal. E ainda mais relevante do que a perda do bezerro é a subutilização de toda a estrutura necessária para a produção da cria, ou seja, os investimentos em novilhas, matrizes, touros, despesas com reprodução, além da alimentação e manejo de todos esses animais.

O período mais crítico na criação dos bezerros é o seu primeiro mês de vida. Estudos comprovam que 75% da mortalidade de bezerros de até um ano de idade ocorrem durante esse período, havendo então a necessidade de cuidados redobrados nesse momento, destacando-se a colostragem, cura de umbigo e uso de medicação metafilática.

O colostro, primeiro leite da vaca, é o alimento mais importante para o recém-nascido. Ele é rico em proteínas, gorduras e principalmente em imunoglobulinas, que são os anticorpos que irão proteger os bezerros em suas primeiras semanas de vida. O principal motivo pelo qual a colostragem é essencial em bovinos é a característica placentária dessa espécie, que impede a passagem de anticorpos durante a gestação, deixando o recém-nascido sem proteção alguma no nascimento. Outro agravante é fato de que ao nascimento o bezerro apresenta uma elevada concentração de cortisol, o que provoca neutrofilia, linfopenia, redução da atividade fagocítica dos macrófagos e neutrófilos, contribuindo ainda mais com a deficiência imunológica.

Aleitamento

Basicamente existem duas formas de aleitamento, o sistema natural e o sistema artificial. O sistema natural é aquele em que o bezerro ingere o colostro diretamente da vaca e o sistema artificial é aquele em que o colostro é administrado através de mamadeiras ou aleitadores. O sistema artificial é o mais indicado, pois através desse método você garante que o colostro foi ingerido no momento e volume adequado.

Independente do sistema utilizado no aleitamento é importante que o pecuarista fique atento a alguns fatores que influenciam na transferência da imunidade. O primeiro fator é a qualidade e quantidade de anticorpos secretados pela mãe, sendo que é preferível, devido a maior qualidade, que seja utilizado leite de multíparas ao invés de primíparas. Para se avaliar a qualidade do alimento pode-se lançar mão de dois métodos, o colostrômetro, instrumento de vidro que permite a avaliação da qualidade através da densidade do colostro, e o refratômetro, aparelho que avalia a qualidade pelo grau de refratometria da amostra. Ambos os métodos são baratos e simples de serem utilizados na propriedade.

O segundo fator que influencia na transferência da imunidade é a confirmação da ingestão do colostro pelo bezerro. A conformação inadequada dos tetos, como tetos muito curtos, muito longos ou grossos, pode ser responsável pela dificuldade na sucção. Primíparas e vacas taurinas podem apresentar habilidade materna aquém do desejado, reduzindo as chances de uma ingestão adequada. Quando não há ingestão de colostro os tetos das vacas ficam cheios e brilhantes e os bezerros se apresentam abatidos e com a região do vazio profunda. Nesses casos deve ser feita a ordenha do colostro seguida de administração através de uma mamadeira.

O terceiro e último fator que devemos nos atentar na colostragem é em relação a absorção dos anticorpos pelo intestino dos bezerros. Esta absorção é inversamente proporcional ao tempo da ingestão, sendo desejável que o colostro seja ingerido dentro das seis primeiras horas de vida, momento de maior aproveitamento dos nutrientes e imunidade colostral. Segundo os últimos estudos, a quantidade ingerida deve estar entre 15 a 20% do peso do bezerro ao nascimento. Esse sistema intensivo de aleitamento permite um melhor desenvolvimento e maior produção de leite na lactação futura.

Cura de umbigo

Outro cuidado essencial é a cura de umbigo, importante para evitar as doenças decorrentes à entrada de microrganismos através dos vasos umbilicais (veia, artérias e úraco) que dão acesso a circulação sistêmica e a diversos órgãos internos. A infecção do umbigo é responsável por diversas enfermidades, como onfalites, poliartrites, pneumonias, diarreias, septicemias, miíases, etc. Através de um estudo da Universidade de Wisconsin, observou-se que a mortalidade de bezerros com umbigo curado em comparação àqueles não curados foi mais de duas vezes maior, evidenciando a importância dessa prática na rotina da fazenda.

Mesmo com a colostragem e a cura do umbigo, sabemos que é natural ocorrer falhas de manejo e falhas na absorção de anticorpos pelo recém-nascido, o que pode pôr em risco a saúde e vida do animal nesse período de maior fragilidade. Lançar mão de um medicamento metafilático é uma opção viável para vencer esse desafio. A metafilaxia trata-se do uso de produtos injetáveis, de longa ação e em dosagem terapêutica, com a função proteger animais em situação de risco. O princípio ativo mais indicado na metafilaxia em bezerros é a Benzilpenicilina Benzatina, pois este é um fármaco administrado de forma injetável, em dose única, com ação prolongada de 28 dias, muito eficaz na eliminação dos agentes patogênicos característicos desse período. Adicionalmente, é indicado o uso de um antiparasitário injetável, associado ao antibiótico, para evitar ou reduzir a incidência de miíases (bicheiras) na ferida umbilical.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

FACTA Dez 2018

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