Nutrição - 26.10.2017

Saiba como utilizar a melhor fibra na avicultura

Fibras constituem uma parte significante dos alimentos, sendo que sua presença em quantidade e estrutura pode variar muito de acordo com o ingrediente analisado

- Arquivo/OP Rural

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Artigo escrito por Thiago Ferraz Correa, médico veterinário e gerente de Negócio Pleno Nutrição Animal da J. Rettenmaier

A “fibra dietética” vem sendo descrita como a porção dos alimentos que não é digerida pelas enzimas presentes no aparelho digestivo dos animais monogástricos. As fibras constituem uma parte significante dos alimentos, sendo que sua presença em quantidade e estrutura pode variar muito de acordo com o ingrediente analisado.

A estrutura da fibra tem um impacto significativo na sua função no intestino do animal, e exatamente por isso faz muito sentido que esta seja classificada e diferenciada. A principal diferença entre os grupos de fibras se refere à solubilidade. Frutas e raízes de vegetais, como laranja, maçã e beterraba são compostas principalmente por fibras solúveis (por exemplo a pectina). Ao contrário, alguns cereais apresentam boa quantidade de fibras insolúveis, como o girassol.

A literatura sobre fibras disponível evidencia que as insolúveis têm um efeito positivo sobre a avicultura. De acordo com o trabalho realizado em 2004, a taxa de passagem intestinal é acelerada e a digestibilidade de amido e proteína melhorada quando a fibra insolúvel está presente na dieta. Este aumento na velocidade da passagem intestinal diminui o acumulo de toxinas no trato intestinal. A fibra insolúvel (por exemplo a celulose) é acumulada na moela, ajudando a regular a taxa de passagem e a digestão de nutrientes no intestino delgado.

Há também resultados sobre o bem-estar animal com dietas ricas em fibra. Um estudo mostra um impacto positivo ao se elevar a porcentagem de fibra insolúvel na dieta. Um dos indicadores claros da melhora com fibra insolúvel é no canibalismo, principalmente em matrizes pesadas e aves de postura. Algumas matérias primas, como o farelo de girassol, são indicadas nos casos de canibalismo no plantel, porém sua disponibilidade no país é baixa, e o produto é difícil de ser encontrado. A explicação para a melhora se dá porque a pena auxilia na motilidade intestinal, quando o animal não tem fibra suficiente disponível. O uso de um produto rico em lignocelulose evita que o animal busque ingerir a pena, o que diminui a incindência de canibalismo.

Um recente de 2014 demonstrou um impacto na quantidade de ovos produzidos em matrizes pesadas. Matrizes adultas (33 semanas) receberam aumento de 0,5% na fibra insolúvel da dieta (com suplementação de uma lignocelulose concentrada), e foi observado ao longo de 6 meses, uma produção de 3,8 ovos a mais por ave em comparação ao grupo controle. Também foi possível notar um aumento em 4% na fecundidade dos ovos, o que indica uma melhora também no galo. Esse aumento pode ser explicado por uma melhora na qualidade intestinal, bem-estar e saciedade, além de uma menor incidência de micotoxinas, o que torna o animal mais produtivo.

A fibra solúvel, ao contrário, tem um efeito de diminuição da digestibilidade proteica, amido e gordura, por estar associada a um aumento da viscosidade da dieta. Esse aumento de viscosidade pode ser importante em casos com finalidade de redução de peso, como rações para cães obesos, por exemplo. Mas em área industrial como a avicultura, em que a conversão alimentar se torna um importante aliado do produtor, a fibra insolúvel acaba ganhando importância. Outro papel do aumento da viscosidade na dieta é o aumento da umidade em fezes, que prejudica a qualidade da cama dos aviários.

Selecionando a fibra ideal

Como visto na tabela, as fibras insolúveis têm características mais adequadas para a avicultura do que as fibras solúveis. As duas principais fontes de fibra do mercado brasileiro são o farelo de trigo e a casca de soja. Eles são compostos tantos por fibras solúveis como insolúveis, no qual ambos produtos têm grande concentração de NSP, os “polissacarídeos não-amiláceos”, relacionados ao aumento da viscosidade, diminuição de energia metabolizável dos animais e aumento de umidade nas fezes.

Todas essas características observadas nas fibras solúveis, e como já citado, não são desejáveis na avicultura. A casca de soja possui praticamente o dobro de NSP que o farelo de trigo, sendo que o farelo de trigo apresenta uma quantidade muito menor de fibra bruta (aproximadamente 10%) em comparação com a casca de soja (30%).

Existem matérias primas no Brasil com alta concentração de fibras insolúveis. Dois exemplos claros seriam o farelo de girassol e a casca de aveia. Entretanto, ambas têm baixa disponibilidade, variação de preço e alteração de qualidade ao longo do ano. Outro problema presente em todas essas matérias primas é a contaminação por micotoxinas.

Em resumo, para a escolha da fonte de fibra, deve-se não olhar apenas para o índice de fibra bruta. O nutricionista deve observar outros quesitos, como o valor de fibra em detergente neutro (FDN), detergente ácido (FDA, que pode ser entendido como o valor da lignocelulose presente no insumo) e valor da fibra dietética total. Importante ser observado também a disponibilidade da matéria prima, preço e obviamente a qualidade, com análises de micotoxinas regulares.

Mais informações você encontra na edição de Aves de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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