Parasitas - 03.11.2017

Saiba como eliminar os quatro principais parasitos da bovinocultura brasileira

O parasitismo é, sem dúvida, o maior flagelo que acomete os rebanhos mundiais, particularmente em países tropicais e subtropicais onde as condições climáticas favorecem o seu desenvolvimento

- Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por André Luis Grando Pratto, consultor Técnico de Bovinos da Bayer

A bovinocultura brasileira possui o maior rebanho comercial do mundo, com aproximadamente 212 milhões de cabeças, fornecendo carne in natura ou processada para mais de 180 países. O Brasil atualmente é um dos principais países na produção e comércio de carne bovina no mundo, reflexo de um estruturado processo de desenvolvimento que elevou não só a produtividade como também a qualidade do produto brasileiro e, consequentemente, sua competitividade e abrangência de mercado. Na bovinocultura leiteira o Brasil também se destaca, sendo o quarto produtor no ranking mundial, com *35 bilhões de litros, abrigando um dos maiores rebanhos produtivos do mundo, com 23 milhões de cabeças, ficando atrás somente da Índia em numero de cabeças. Com números tão robustos, tanto na produção de carne quanto de leite, os produtores brasileiros assumem um papel fundamental no fornecimento de alimentos para o mundo. Estima-se que chegue a 9 bilhões de pessoas em 2050, para atender esta demanda, a produção mundial de alimentos precisa aumentar 70%, e um dos países que irá assumir esta responsabilidade é o Brasil. (Fonte: IBGE 2017)

O parasitismo é, sem dúvida, o maior flagelo que acomete os rebanhos mundiais, particularmente em países tropicais e subtropicais onde as condições climáticas favorecem o seu desenvolvimento. Nesse contexto, quatro parasitos têm destaque nos prejuízos causados à pecuária brasileira; nematódeos gastrintestinais, carrapatos (Rhipicephalus (Boophilus) microplus), berne (Dermatobia hominis) e mosca-da-bicheira (Cochliomyia hominivorax). Os prejuízos causados pela verminose podem chegar a R$ 22 bilhões, seguido do carrapato que responde por R$ 10 bilhões em perdas. O berne, outro problema que afeta os animais, atinge a casa de R$ 1 bilhão em prejuízos. Por último, mas não menos importante, a bicheira acarreta R$ 1 bilhão por ano de danos para a produção de leite e de corte.

Sintomas e tratamentos

As parasitoses bovinas causadas por nematódeos gastrintestinais, na sua grande maioria são infecções mistas, em que várias espécies de nematódeos estão envolvidas, animais acometidos com altos níveis de infecção, por esses parasitos, apresentam anorexia e perda de peso. No caso de infecções leves os animais tendem a ter seu ganho de peso comprometido, sem que o produtor consiga visualizar essas perdas. Para o controle dos nematódeos, devem ser associadas medidas para diminuir o número de formas infectantes no ambiente, tais como descanso de pastagens, pastejo com diferentes espécies de animais (bovinos, ovinos e equinos), e pastejo rotativo. O uso de endectocidas é necessário para um controle eficaz, sempre levando em conta o uso correto: dose, época do ano, princípio ativo e categoria a ser medicada.

Outra parasitose que acomete os bovinos são as miíases, causadas pelas larvas de duas moscas conhecidas como, Cochliomyia hominivorax e Dermatobia hominis, popularmente chamadas de bicheiras e bernes, respectivamente. As duas se diferenciam quanto ao seu ciclo, resumidamente, enquanto que a mosca causadora de bicheira realiza postura nas bordas de lesões recentes dos animais, a mosca causadora do “berne” apresenta hábito de postura singular, realizando oviposição sobre outras moscas, e estes que irão levar os ovos ate o hospedeiro, quando essas moscas pousam em um hospedeiro as larvas, estimuladas pela temperatura corporal, abandonam a casca atravessando a pele íntegra sem necessidade de lesão prévia, iniciando desta forma, o período de parasitismo, formando um nódulo conhecido como berne. Para o controle, deve-se empregar o uso de medidas preventivas e curativas, na prevenção dois pontos são fundamentais, o primeiro é adotar um manejo adequado que evite o surgimento de lesões nos animais e quando for adotado algum procedimento cirúrgico fazer o uso de medicamentos para evitar o surgimento da bicheira, é recomendado manter um controle continuo na população de moscas na propriedade, o uso de medicamentos à base de Doramectina e Fenthion, apresentam excelentes resultados.

O carrapato Rhipicephalus (Boophilus) microplus é responsável por grandes perdas econômicas na pecuária brasileira, os prejuízos causados pelo carrapato, são superiores a um bilhão de dólares anualmente. Tais prejuízos, nos bovinos, são relacionados com: a ingestão de sangue que, dependendo do número de infestações pode comprometer a produção de carne e leite; pela inoculação de toxinas nos hospedeiros, promovendo diversas alterações e consequências fisiológicas como a inapetência alimentar; pela transmissão de agentes infecciosos principalmente Anaplasma e Babesia; e pela redução da qualidade do couro do animal. O controle do carrapato dos bovinos deve ser feito de maneira integrada, utilizando medidas de manejo que atuem no seu ciclo de vida, como o pastejo rotativo, e da aplicação correta de produtos carrapaticidas, buscando o controle do mesmo nas primeiras gerações afim de diminuir a ovoposição na pastagem no começo do verão.

Combate

Para combater esses parasitos e minimizar os prejuízos, temos que adotar estratégias de manejo que auxiliem no controle, e utilizar endectocidas que tenham uma rápida e eficaz ação no combate dos mesmos, dentre os vários grupos de antiparasitários que existem no mercado, o grupo mais usado é o das Avermectinas.

As Avermectinas são lactonas macrocíclicas, obtidas da fermentação de fungos do gênero Streptomyces, podendo ser classificadas em semi-sintéticos (Ivermectina e Moxidectina) e bio-sintéticos (Doramectina). A atividade endectocida e praticidade no tratamento (geralmente injetável) fazem das Avermectinas um dos ativos mais utilizados pelos pecuaristas para controle de parasitos. Dentre as Avermectinas, uma que toma destaque especial é a Doramectina, por apresentar uma excelente ação em parasitas internos e externos.  Outro ponto importante para a escolha de um endectocida é a sua velocidade de ação após a aplicação e capacidade de biodisponibilidade do princípio ativo no animal tratado, com isso, aumentando a eficácia do princípio ativo e diminuindo o surgimento de resistência.

Para que as estratégias de controle dos parasitos tenham resultados satisfatórios, temos que ter consciência que existem vários fatores envolvidos, manejo dos animais, idade dos animais, ambiente, época do ano e qual parasiticida utilizar esses fatores fazem toda a diferença para que possamos combater os parasitos, e principalmente comprometer seu ciclo de vida diminuindo a pressão de população na propriedade.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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