Antibióticos - 18.06.2018

Restrição aos antibióticos vai mudar jeito de produzir frango, sustenta pesquisadora

Doutora da UFRGS comenta que a redução do uso dessas substâncias como aditivos zootécnicos impacta no custo de produção, e por essa razão medidas alternativas têm sido investigadas

- Arquivo/OP Rural

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Gerando muita discussão e dúvidas entre profissionais do setor e produtores, a retirada ou redução no uso de antimicrobianos na produção animal é uma preocupação mundial. Encontrar alternativas para isso que não sejam onerosas ao produtor rural, mas que também atendam ao que o mercado está exigindo tem sido mais difícil do que aparentava. Para discutir um pouco sobre isto, a professora doutora Marisa Cardoso, do Departamento de Medicina Veterinária da Favet, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) falou sobre “uso racional de antibióticos e novas alternativas” durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que aconteceu em Chapecó, SC, no início de abril. Para Marisa Cardoso, restringir o uso pode mudar a maneira de produzir frango no Brasil. “Os médicos veterinários têm consciência que modificações de manejo serão necessárias para que haja modificações nos protocolos de uso de antimicrobianos”, aposta.

A redução ou mesmo o banimento do uso de antimicrobianos na produção animal é um dos temas mais requisitados dos últimos tempos. Um desafio que se apresenta muito forte também na avicultura. A doutora explica que o uso racional de antimicrobianos compreende uma série de medidas a serem tomadas na medicina humana e na produção animal. “Entre essas, o menor uso de antimicrobianos na produção animal, incluindo a retirada do seu uso como aditivos zootécnicos – os promotores de crescimento”, comenta.

Marisa afirma que é necessário fazer o uso prudente e responsável dos antimicrobianos. “Isso inclui critérios para o uso, seu controle e busca de alternativas, principalmente no que diz respeito ao uso para ganho de desempenho”, reforça. Ela acrescenta que a retirada de antimicrobianos como aditivos zootécnicos impacta no custo de produção, e por essa razão medidas alternativas têm sido investigadas. “Do ponto de vista sanitário, os aspectos relativos ao manejo e ao desenvolvido de vacinas eficazes são muito importantes”, afirma. A doutora comenta alternativas que também podem ser utilizadas em relação ao uso dos antimicrobianos como melhoradores de desempenho. “Entre eles, podemos citar ainda os prebióticos, probióticos e ácidos orgânicos”, diz. De acordo com ela, estas e outras possibilidades têm sido investigadas.

Custo e manejo

Mesmo com estas alternativas, ainda existe receio no meio produtivo quanto ao impacto desta retirada dos antimicrobianos como promotores de crescimento no custo de produção, informa Marisa. Ela afirma que na situação atual, estas opções disponíveis ainda têm maior custo do que os antimicrobianos. Ela aposta em novas formas de manejo para reduzir a pressão de infecção nas granjas. “A redução no uso de antimicrobianos demandará alterações de manejo sanitário e de lotação, pois os desafios de pressão de infecção tenderão a crescer”, complementa. A profissional ainda diz que esta é também uma preocupação dos profissionais do meio. “Os médicos veterinários têm consciência que modificações de manejo serão necessárias para que haja modificações nos protocolos de uso de antimicrobianos”, comenta.

Além do mais, esta redução ou banimento de antimicrobianos tem apresentado impacto na produção animal em diversos países, cita. Recomendações para controle de resistência e uso responsável de antimicrobianos já foram publicadas pela Organização Mundial da Saúde e Organização Mundial para Saúde Animal; e as recomendações do Codex Alimentarius serão revistas no decorrer de 2018. “A partir disso, é possível prever que esse tema, em algum momento, poderá influenciar as questões relativas ao mercado internacional”, destaca Marisa.

No Brasil, algumas mudanças em relação a isso já estão em curso nos últimos anos. “Instruções Normativas do Mapa (Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) têm sido publicadas ao longo dos últimos anos, retirando alguns antimicrobianos do uso como promotor de crescimento em animais. A última Instrução Normativa foi editada em 2016, retirando a colistina do uso como promotor de crescimento”, conta Marisa.

A doutora afirma que o tema é muito atual na produção animal e na saúde pública mundial e demandará alterações no setor produtivo. “A discussão de um tema como esse contribui para a informação dos profissionais atuantes no setor e permite o debate e a formação de opinião a respeito do assunto”, sustenta.

Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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