- 21.12.2017

Qualidade de vacinação: ações diárias que garantem a boa imunidade vacinal

Para obter o máximo de um programa de vacinação o produtor deve adotar práticas diárias de controle e avaliação da parte operacional deste trabalho

- Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por William M. T. Costa, gerente Técnico Suínos da Ceva Saúde Animal

É consenso que um programa de imunização bem estabelecido, através do diagnóstico correto das enfermidades e da escolha de vacinas de boa qualidade, é fator determinante para se obter um desempenho ótimo na suinocultura. Entretanto, com frequência, a despeito do uso de toda a tecnologia para estabelecimento de um programa vacinal, os resultados não correspondem à expectativa. Apesar do baixo desempenho no processo de imunização ser via de regra atribuído à qualidade dos produtos utilizados, diversas são as possíveis causas de falhas vacinais, não relacionadas às características das vacinas. Logo, para obter o máximo de um programa de vacinação o produtor deve adotar práticas diárias de controle e avaliação da parte operacional deste trabalho.

Para adequada conservação das vacinas é necessário que um funcionário seja nomeado responsável pelo controle do seu estoque. Este colaborador, ao receber as vacinas, deve checar os dados dos frascos (tipo, data de fabricação e validade, via de aplicação); verificar se há danos na caixa de isopor ou na frascaria (nestes casos o produto deve ser recusado), verificar a temperatura e colocar os frascos no refrigerador imediatamente após o recebimento. Atenção: vacinas enviadas via transportadora ou Correios (sem veículo refrigerado) devem chegar ao destino em até 72 horas, quando conservadas em gelo próprio. As novas partidas recebidas devem ser dispostas no refrigerador posteriormente aos produtos de prazo de validade mais próximo (PEPS - primeira que entra/primeira que sai).

Erros

Diversos erros são relatados na conservação de vacinas. Os observados com mais frequência são não monitorar a temperatura do refrigerador (a monitoria da temperatura deve ser feita diariamente, com registro em formulário próprio); manter estoques superiores à capacidade de refrigeração do aparelho; manter estoques para muitos meses sem atentar para a data de vencimento das vacinas e as dificuldades da estocagem em longos períodos (exemplo: é comum encontrarmos vacinas das fases reprodutivas – uso de pequeno número de doses por mês – com o prazo de validade expirado); não fazer manutenção regular do refrigerador; usar o mesmo refrigerador para guardar alimentos, água e vacinas; não fazer o degelo regularmente como recomendado pelo fabricante; colocar as vacinas próximas ao congelador do aparelho e que pode fazer com que parte delas venham a se congelar; expor vacinas à luz; estocar vacinas na porta do refrigerador (alta variação na temperatura); ausência de sistema de alerta para falta de energia e/ou ausência de sistema de energia suplementar. Não se recomenda o uso de vacinas que passaram pelo processo de congelamento ou que foram conservadas fora da temperatura ideal (2 a 8o C).

Preparação

No momento da vacinação dos suínos uma preparação adequada minimiza a possibilidade de erros. Também para essa atividade deve haver um funcionário (ou equipe) responsável e devidamente treinado. A trabalho pré-vacinação consiste na revisão dos dados da vacina (dose, via de aplicação, local da injeção, indicação de uso, precauções, data de vencimento) e preparo de todo o material necessário (bastões marcadores, material de contenção, caixas de isopor, aplicadores, agulhas - uma agulha para cada dez suínos -, etc.). As vacinas devem ser retiradas do refrigerador uma hora antes da vacinação e mantidas em temperatura ambiente, protegidas da luz. Esse procedimento evita a ocorrência de reação vacinal devido ao choque térmico decorrente da injeção de considerável volume de um líquido gelado em um suíno de baixo peso corporal. As vacinas assim “aquecidas” não devem retornar ao refrigerador para serem novamente estocadas. Logo, é necessário que antes de sua retirada da refrigeração seja realizada uma contagem dos animais a serem imunizados. A baia e os animais que serão vacinados devem estar limpos. O uso de agulhas descartáveis (uma por baia ou a cada dez animais), aliado à prática de realizar a vacinação em condições de ambiente de baixa contaminação, reduz a ocorrência de reações locais adversas (abscessos). A via e local de aplicação indicadas pelo fabricante devem ser seguidos com exatidão, portanto agulhas adequadas para cada via e fase de produção devem estar disponíveis.

Vacinação

Durante a vacinação deve-se atentar para a necessidade de homogeneizar determinados tipos de vacina de acordo com a indicação do fabricante. Isso ocorre especialmente em produtos contendo antígenos mais “pesados”, como as bacterinas e/ou que contêm adjuvantes de duas fases. A homogeneização é realizada com a agitação moderada da vacina antes do início dos trabalhos e durante a vacinação, a cada troca de agulha, deve-se agitar novamente o frasco para manter a uniformidade da suspensão. A não realização desta atividade pode resultar em subdosagem de antígenos nos primeiros leitões vacinados (baixo desempenho na proteção dos leitões contra os agentes presentes na vacina) e superdosagem de antígenos nos últimos leitões vacinados (elevação de reações sistêmicas).

Após a vacinação os animais não devem ser agitados e deve-se evitar transferências de instalação ou outras atividades estressantes. Recomenda-se observar leitões por 40 minutos após a imunização para detectar possíveis reações adversas, que devem ser registradas e informadas ao fabricante da vacina. Manter água e ração disponíveis.

Considerando a importância do programa vacinal, diversos autores têm recomendado a revisão (auditoria) constante do processo, com monitoramento mensal do estoque de vacinas - avaliação da concordância do número de doses utilizadas e de animais produzidos - e monitoramento sorológico para medir a resposta vacinal. Caso as respostas sorológicas sejam inadequadas, os assistentes técnicos e a gerência das unidades de produção devem auditar e detalhar a contagem dos estoques de vacinas, visitar as granjas e revisar o protocolo de vacinação, fazer testes adicionais para verificar a eficiência ou não da vacinação e fazer advertência escrita aos funcionários envolvidos. Na literatura observa-se relatos nos quais a revisão do inventário de vacinas indicou aquisição de quantidades muito inferiores às necessárias. Em outras situações foram detectadas até o abandono dos registros de inventário de vacinas e alterações do timing de vacinação.

Cabe ressaltar que, somente com um programa de imunização bem estabelecido e comprovadamente bem operacionalizado seremos capazes de atender as demandas de produção de suínos com redução de antimicrobianos. Portanto, se torna a cada dia mais importante sistematizar e auditar o trabalho de vacinação dos suínos.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de novembro/dezembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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