Atenção - 26.10.2017

Profissional dá dicas para evitar perdas na fase de creche

Questões simples de ambiência na fase de creche podem comprometer todo no desempenho da granja, repercutindo na saúde dos suínos

- Arquivo/OP Rural

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Questões simples de ambiência na fase de creche podem comprometer todo no desempenho da granja, repercutindo na saúde dos suínos. Dia 02 de agosto, durante o 10ª Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, a palestra de Augusto Heck, da Gerência de Sanidade Animal da BRF, teve como principal objetivo abordar componentes ambientais capazes de interferir na sanidade dos suínos no período de creche.

Heck alertou para os aspectos ambientais num cenário de aumento de escala nos plantéis, suprimento de água, ração e climatização automatizados. “Com isso, a dependência de mão de obra direta e a atenção dispensada aos animais reduzem”. O Simpósio Brasil Sul de Suinocultura foi realizado de 01 a 03 de agosto, em Chapecó, SC.

Na palestra intitulada “Como os fatores ambientais interferem na sanidade dos leitões na fase de creche”, Heck destacou que “muitas patologias têm associação positiva ou negativa com itens como temperatura, umidade, poeira, gases, ruídos, espaço disponível, disponibilidade de comedouros, tipos de bebedouros, higiene, desinfecção e uso da baia hospital”, explicou.

Estresse leva a patologias

O ambiente em que o suíno vive pode ser dividido em duas categorias: físico e biológico. “Ambientes estressantes para o animal podem levá-lo a uma patologia”, alerta. Quando ocorre a queda na produção ou se instala uma doença, vários fatores ambientais podem estar envolvidos. “É preciso entender cada um deles adequadamente para corrigi-los”.

Temperatura e sanidade são dois aspectos muito sensíveis na fase de creche. “A faixa de temperatura desejada para os suínos de creche varia em função do desenvolvimento do animal”, ressalta. Desta forma, a temperatura recomendada corresponde à zona de termoneutralidade. “Até um ponto, o suíno ainda consegue manter a homeotermia sem aumentar o metabolismo para manter a temperatura corporal”. O ponto crítico ocorre quando os suínos começam a ofegar ou demonstrar outros comportamentos para dissipar calor visando manter a temperatura corporal.

O frio, por si só, não acarreta problemas de saúde. Porém, sua associação com agentes infecciosos tende a tornar a situação mais crítica. “Por outro lado, a flutuação brusca da temperatura pode desencadear um surto de doença por modificar o suprimento de patógenos ou a resistência dos animais”. Doenças como colibacilose, pneumonia enzoótica e meningite estreptocócica podem ser desencadeadas pelo desajuste de temperaturas.

Umidade e sanidade

O controle dos patógenos é mais efetivo quando a umidade está entre 60 e 80%. “Níveis mais altos ou mais baixos resultam em alta carga de agentes infecciosos”, ressalta. Problemas respiratórios são comuns em condições de alta umidade, pelo estresse acarretado. “Os problemas com a umidade podem ser mais graves no inverno, quando as instalações permanecem mais fechadas para tentar manter a temperatura”.

Bebedouros mais eficientes e pisos com bom caimento minimizam o impacto da umidade gerada pelo desperdício de água e a urina, por exemplo. “Um estudo conduzido na região Sul mostrou que a umidade relativa média do ar aos 21 dias pós desmame superior a 82% é um importante fator de risco para a ocorrência de diarreia”.

Dicas, segundo Heck

- Problemas respiratórios nos suínos tais como bronquite, tosse e lesões pulmonares podem ser causados pela alta concentração de poeira.

- O ruído pode ser danoso para a saúde dos suínos. O canibalismo de cauda ocorre mais frequentemente próximo a exaustores ou ventiladores devido ao ruído persistente que acarreta um desconforto nos suínos. A manutenção periódica desses equipamentos é fundamental.

- O espaço disponível pode ser fundamental para uma melhor condição de vida dos suínos, visando manter a produtividade e o conforto. Lotações na fase de creche superiores a 3,5 leitões/m2 ou baias com mais de 20 leitões são apontados como fatores de risco para a ocorrência de diarreia pós-desmame.

- Divisórias separando os espaços de alimentação evitam o atrito com o comedouro e disputas por ração. No entanto, o excesso de espaço de comedouro pode levar a um sobreconsumo de ração, provocando diarreia pós-desmame.

- Granjas que utilizam bebedouros tipo chupeta específicos para a fase de creche têm baixa tendência a apresentar problemas entéricos.

- A higiene é necessária para o controle dos patógenos. A limpeza frequente das superfícies é uma das formas mais efetivas de reduzir a carga de microorganismos do ambiente.

- Molhar as instalações imediatamente após a saída dos suínos previne que o material fecal seque e aumenta a facilidade e rigor da limpeza. Da mesma forma a utilização de detergentes também está associada à diminuição da contaminação residual.

- Práticas de biosseguridade como banho e trocas de roupa das pessoas envolvidas no manejo dos suínos são medidas capazes de evitar a passagem da Escherichia coli enterotoxigênica entre lotes distintos de suínos.

- A desinfecção tem um efeito importante na redução da quantidade de bactérias e vírus causadores de doenças. “A escolha depende do alvo viral que pretendo atacar ao invés de considerar apenas o custo da desinfecção”.

- Uma boa desinfecção está relacionada a aspectos como o vazio sanitário, por exemplo. “Ciclos contínuos são grande fator de risco para a ocorrência de diarreia pós-desmame”.

- As baias de recuperação representam outro gargalo frequente nas granjas. “Do ponto de vista de infraestrutura não tem nada de diferente das baias normais. Geralmente estão localizadas perto de vãos da cortina, aumentando a infecção”, alerta. Outro erro é não retirar dessas baias os animais já recuperados. “A baia de recuperação deve estar na área mais confortável da granja, com excelente higiene e fácil acesso ao alimento e água. Nunca esquecer que animais com dificuldades de locomoção, por exemplo, também tomam água. Deve facilitar ainda a inspeção dos animais”.

- É importante utilizar utensílios exclusivos para as baias de recuperação. “Os utensílios podem ser vetores mecânicos de contaminação dos animais saudáveis”.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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