Manejo - 30.07.2018

Profissional cita pontos-chave no manejo do incubatório ao transporte do pintinho

Realizar um bom manejo durante o incubatório, garantindo boa qualidade, além do transporte até o aviário e no primeiro dia de vida do pintinho faz toda a diferença nos resultados finais do lote

- Arquivo/OP Rural

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Para garantir maior qualidade a um lote e para que ele garanta bons resultados, as preocupações devem vir desde o incubatório. É importante que os profissionais envolvidos no processo tomem todos os cuidados necessários, estejam atentos e, assim, garantam que os resultados que serão obtidos no momento do abate sejam satisfatórios. De acordo com o especialista em Incubação do Suporte Técnico Mundial da Cobb, Eduardo Costa, bons resultados vêm dos cuidados desde o incubatório até chegar aos pintos de um dia.

Costa afirma que o sucesso do incubatório inicia com a qualidade de matéria-prima, ou seja, o ovo fértil. “Para garantir bons índices zootécnicos e boa qualidade de pintos, os ovos precisam ser limpos, com boa qualidade de casca, que tem influência direta nos índices de contaminação, trincas de casca e perda de umidade”, destaca. Ele diz que logicamente os ovos precisam ser férteis, já que “não há nada mais frustrante para um incubatório que incubar ovos inférteis”, complementa. Para o especialista, é importante que se conheça o lote de origem e que sejam livres de enfermidades. “Para manter qualidade dos ovos incubáveis é importante um bom manejo de coleta, desinfecção e controle de temperatura dos ovos”, afirma.

Para não haver perdas de resultados, Costa destaca que o incubatório precisa trabalhar para manter a qualidade dos ovos recebidos das granjas de reprodutoras. E um ponto que merece atenção é a temperatura de armazenamento dos ovos. “Esta temperatura deve ser ajustada de acordo com o tempo de estocagem. Um dos pontos-chave para o sucesso no armazenamento de ovos é garantir que a temperatura siga um “V” perfeito, onde a temperatura mais baixa a que os ovos serão submetidos seja na sala de ovos do incubatório”, conta. O especialista explica que para os ovos transportados diariamente ao incubatório, a sala de ovos da granja pode trabalhar em 24°C, o caminhão em 22°C e a sala de ovos do incubatório em 20°C – para os ovos incubados com menos de seis dias de armazenamento.

Perdas

“Mesmo sob perfeitas condições de armazenamento dos ovos quando estocados por mais de sete dias, espera-se uma redução na eclosão de 0,5 e 1% por dia de estocagem a partir do oitavo dia”, diz. Ele acrescenta que no caso de pintos de um dia é importante manter o conforto térmico das aves para evitar que desidratem.

Costa ainda destaca que algo que comumente vê nos incubatórios são pintos ofegantes no momento do saque. “Quando a temperatura corporal de pintos de um dia chega próximo dos 41°C eles começam a ofegar para controlar a temperatura corporal. Porém, ofegando, as aves perdem cinco vezes mais água que quando respirando pelas narinas, levando a um quadro de desidratação”, diz. Ele informa que para evitar que as aves esquentem, o incubatório deve adotar um programa de passos de temperatura, onde a temperatura dos nascedouros vai reduzindo à medida que a das aves sobe. “O mais importante é iniciar a redução de temperatura antes que as aves fiquem quentes”, aconselha.

Pontos-chave no transporte

Assim como o processo de incubação, o transporte também é uma importante etapa que garante melhores resultados no final do processo. Costa destaca que esta é uma etapa extremamente importante, já que o transporte inadequado, mesmo que por curtos percursos, pode prejudicar a qualidade do lote, afetando o resultado final do lote de frango de corte. “Os caminhões que transportam os pintinhos devem ser projetados especificadamente para esse fim e precisam ser compatíveis com as estradas e a distância a ser percorrida. Os motoristas devem ser especializados e estar comprometidos com o cuidado dos pintinhos por meio das melhores práticas de manejo e de bem-estar animal”, afirma.

Para garantir isto, o manejo durante o transporte é de suma importância. O especialista afirma que são cinco os pontos-chave para a contenção e transporte de pintinhos: temperatura, ventilação, carregamento, desembarque e comportamento. Para o primeiro, ele explica que é preciso manter a temperatura no interior das caixas a 32°C, lembrar que a temperatura no interior das caixas deve estar entre 6 e 12°C acima da temperatura ambiente e usar a temperatura da cloaca como ferramenta, mantendo-a entre 40 e 40,6°C. “Esta é a melhor prática para manter a qualidade dos pintinhos”, diz.

Quanto a ventilação, o especialista informa que é preciso fornecer volume suficiente de ar fresco, deixar espaço para permitir o fluxo de ar fresco entre as caixas, mas evitar correntes de ar diretas sobre as aves, manter o nível de CO2 abaixo de 3000 ppb (0,30%) e a umidade relativa em 65%. Já no carregamento, Costa diz que não se pode exceder o limite de capacidade dos veículos, carregar de acordo com as recomendações para cada caminhão e estrada, manter 21²cm/pintinho (3.3 pol²/pintinho), além de que durante períodos de clima muito quente é recomendável diminuir a densidade.

Para o desembarque, a recomendação é que não se abra as portas do caminhão na direção do vento predominante, se descarregue diretamente na área de pinteiro e solte as aves imediatamente, além de contar o número de pintinhos mortos ao chegar e observar a distribuição dessa mortalidade. Sobre o último item, Costa diz que é preciso ficar atento ao comportamento dos pintinhos durante o armazenamento, transporte e após alojamento. “Escute o que as aves estão tentando dizer”, aconselha.

Primeira semana determina o resto da vida

Todos os cuidados no incubatório e transporte serão plenamente vistos no decorrer da vida da ave. Dessa forma, outro momento que merece atenção são os primeiros dias do animal. “Para mim, o dia mais importante da vida do lote é o primeiro. Precisamos garantir que pelo menos 85% dos pintos tenham uma boa quantidade de ração e água no papo 12 horas após o alojamento e no mínimo 95% 24 horas”, afirma Costa. O especialista reitera que a relação do manejo desde o incubatório até a granja para a obtenção de bons resultados é, principalmente, a temperatura. “As aves só comerão ração se estiverem em conforto térmico, caso estejam com frio ou calor não haverá consumo de ração e consequentemente não ganharão peso”, comenta.

A recomendação de Costa que é se trabalhe o lote de matrizes para produzir ovos uniformes, limpos, livres de contaminação e que mantenha os poros livres. “Depois que as bactérias penetraram no ovo, não há muito mais que possamos fazer”, afirma. Ele diz ainda que quando os ovos produzidos não têm proteção contra a invasão bacteriana, eles precisam ser produzidos no ambiente mais limpo possível, que seria o ninho.

O especialista aconselha ainda que o profissional mantenha o controle da temperatura de armazenamento e transporte dos ovos desde o ninho até a incubadora. “Flutuações na temperatura de armazenamento vão afetar a viabilidade do embrião, causar condensação, danificando a cutícula, aumentando o número de ovos contaminados”, sugere.

Mais informações você encontra na edição de Aves de julho/agosto de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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