Nutrição - 23.04.2018

Profissional aponta meios para elevar eficiência alimentar

Engenheiro agrônomo doutorando em Ciências Veterinárias Rafael Sens explica sobre o assunto e aponta alguns fatores essenciais para melhora de desempenho

- Arquivo/OP Rural

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Com os avanços genéticos, atualmente o frango de corte está cada vez maior e mais pesado. Isso também é consequência de uma boa nutrição. Oferecer uma boa dieta aos animais, permitindo que eles desenvolvam seu máximo potencial e desenvolvimento é uma tarefa que nutricionistas e produtores devem cumprir. Para falar um pouco sobre o assunto e no que pode ser acrescentado para melhores rendimentos, o engenheiro agrônomo doutorando em Ciências Veterinárias Rafael Sens falou sobre “Eficiência alimentar em frangos de corte: o que podemos melhorar?”, durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, que aconteceu de 10 a 12 de abril em Chapecó, SC. Ele defende um rigoroso controle da matéria-prima das dietas, sugere planos individuais de nutrição levando em conta aspectos regionais e aposta nos aditivos para melhorar a eficiência das aves.

De acordo com o Sens, é muito importante e impactante o papel da nutrição animal na produção de frangos de corte, seja do ponto de vista técnico ou econômico, já que influencia diretamente na eficiência alimentar e demais parâmetro produtivos. “A nutrição animal, assim como as demais áreas da produção, corre atrás dos avanços zootécnicos promovidos pelas casas genéticas. Por isso, vários fatores devem ser levados em consideração na hora da definição da estratégia nutricional mais adequada para a empresa”, conta.

Ele afirma que para isso a realidade da integração tem de ser bem conhecida, como peso de abate, genética, nível tecnológico dos aviários, região, fábrica de ração, entre outros, e quais são os objetivos da empresa – zootécnicos, comerciais, etc. “Quando falamos em nutrição animal, temos de lembrar de como ela se divide. Não se resume apenas à definição dos níveis nutricionais. Há outros processos tão importantes quanto esse, como a escolha de quais ingredientes serão utilizados e o controle de qualidade de rotina deles, a formulação ótima da ração e o processamento do alimento por meio da fábrica de ração”, informa. Sens acrescenta que todos estes processos contribuem diretamente na melhoria da eficiência alimentar.

Para alcançar esta melhoria, o profissional recomenda que o que vale para qualquer situação é fazer o básico. “Ou seja, reconhecer bem a sua matéria-prima. Não se pode trabalhar sem monitorar a qualidade do milho e do farelo de soja diariamente. Hoje essa tarefa é muito mais fácil, pois, em geral, a classificação de grãos é mais profissional e efetiva, além de termos cada vez mais acessível o equipamento NIRs, uma ferramenta indispensável para o controle de qualidade e equipe de formulação”, diz. Sens afirma que, além disso, é importante também monitorar o calcário, matéria-prima bastante esquecida devido ao baixo custo. “Isso são apenas pequenos exemplos para levarmos em consideração”, assegura.

Mas, para realmente aumentar a eficiência alimentar, Sens relata que não há uma resposta genérica. “O nutricionista tem de conhecer bem os objetivos produtivos da empresa, decidir os níveis para alcançá-los e garantir, junto com a equipe de controle de qualidade, que esses níveis serão atendidos”, comenta.

Nutrientes essenciais

Sens informa que é possível que em breve seja necessário considerar como essenciais alguns nutrientes que antes não eram tidos como tais. “É o caso de alguns aminoácidos, como a glicina em rações iniciais, por exemplo. Também será necessário melhorar ainda mais a digestibilidade dos alimentos e isso será possível por meio da utilização das enzimas exógenas”, orienta. Ele conta que, assim, a utilização de aditivos nutricionais poderá, cada vez mais, influenciar positivamente a melhoria da eficiência alimentar. “Os aditivos têm como característica uma inclusão pequena em fórmula, mas com grande impacto no resultado zootécnico do animal. Apesar da baixa inclusão, o impacto no resultado zootécnico é muito alto”, garante.

O profissional expõe que geralmente o preço por quilo de produto é alto, mas a participação no custo da ração é pequena. “Em alguns casos, como o dos aminoácidos e das enzimas, há redução direta no custo da formulação. Devemos, então, escolher bons fornecedores de aditivos para garantir os resultados. Está aqui mais um papel fundamental da equipe de controle de qualidade”, aponta. Sens acrescenta que um bom aditivo deve ser termostável – sendo que há a necessidade de um acompanhamento de rotina desse indicador –, um padrão de granulometria – devendo se dar prioridade a produtos em grânulos, deve ser evitado pó, até por questões de segurança para os colaboradores –, possuir boa fluidez, ter um número de partículas por grama adequado para a inclusão na ração e atuar em pH específico para o tipo de produto.

Sens ainda explica que os animais possuem uma exigência diária por nutrientes. “Normalmente, as agroindústrias trabalham entre três a cinco fases de ração para atender a produção. Como a necessidade nutricional das aves é alterada dia após dia, em alguns momentos a ração vai estar com “sobra” de nutrientes, e em outros momentos com “falta””, explica. Ele cita que uma das chaves do sucesso da produção, não somente do ponto de vista técnico, mas também econômico, é desenhar uma boa curva de consumo. “Deve ser levado em consideração a capacidade da fábrica de ração, logística, capacidade média de alojamento e silos da integração, além dos parâmetros nutricionais de cada fase”, afirma. O profissional diz que o consumo por fase deve ser respeitado, já que grandes alterações vão afetar o resultado técnico e econômico. “Esse indicador deve ser monitorado diariamente em uma integração”, declara.

Do ponto de vista nutricional, sempre se espera que exista uma solução para um problema ou uma possibilidade de melhoria, afirma Sens. “Muitas vezes se espera que, aumentando os níveis nutricionais, simplesmente se resolvam os problemas de desempenho. Será que em algumas situações o melhor não é reduzir os níveis? O importante é trabalhar bem a rotina, garantindo a qualidade dos ingredientes e um bom processamento da ração”, cita, afirmando que não é preciso inventar nada de novo todos os dias para se obter os melhores indicadores. “Garanta o básico que o resultado aparece”, aposta.

Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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