- 21.12.2017

Profissionais orientam para oportunidades que o agro está perdendo

Discussões durante o 2° Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio apontaram para as diversas oportunidades que o agronegócio tem e precisam ser aproveitadas

- Arquivo/OP Rural

Tecnologia, novos projetos, liderança e agregação de valor aos produtos foram alguns dos temas discutidos durante o 2° Encontro Nacional das Mulheres do Agronegócio, que aconteceu em outubro, em São Paulo, SP. Com diversas palestras e mesas redondas, os participantes puderam discutir diferentes pontos de vista sobre variados assuntos que são de interesse não somente das mulheres, mas de todo o agronegócio nacional.

Na mesa redonda “Liderança Empreendedora” estavam presentes o presidente da John Deere Brasil, Paulo Hermann; o sócio na Área de Negócios Imobiliários da TozziniFreire, advogado Vladimir Miranda; a diretora de RH da Syngenta, Teresa Merino; e a diretora executiva e sócia proprietária da AgroMarketing Mix, Mariangela Albuquerque. Falando sobre o futuro do agro e as novidades de mercado, eles conversaram com os participantes sobre quais as expectativas e tendências.

E as modernidades, principalmente na tecnologia, foram a pauta de Hermann. De acordo com ele, o mundo está mudando de forma rápida. “Antigamente, entregávamos uma máquina e ela rodava por 30 anos. Mas hoje, quando lançamos algo novo, em três anos este equipamento estará superado, porque outra tecnologia está vindo para tornar mais eficiente, reduzir o custo e aumentar a capacidade produtiva do produtor”, comenta. Outro ponto destacado pelo presidente foi sobre a utilização da expressão “no meu tempo era assim, agora tudo mudou”. “Não digam isso. Digam o meu tempo é assim. Todos estamos vivendo um tempo de descontinuidade, procurem aprender com ele”, afirma.

Hermann conta que para o desenvolvimento dos novos maquinários a empresa contrata adolescentes de 15/16 anos para que eles auxiliem a desenhar o joystick das máquinas. “Porque a nossa ideia é que a tecnologia caminhe sempre para ser intuitiva, elas estão sendo desenhadas dessa forma para podermos usá-las, com piloto automático e outras tecnologias mais”, diz. De acordo com ele, o trabalho que vem sendo desenvolvido é para que todos consigam trabalhar de forma que sejam mais inteligentes, já que existem menos máquinas que fazem mais coisas.

Capitais Subsidiados

Um assunto bastante interessante, mas ainda um pouco conhecido pelos agentes no agro brasileiro, é o acesso a capitais subsidiados interessantes. Foi sobre isto que o advogado Vladimir Miranda falou. Ele citou sobre a possibilidade da estruturação de projetos na linha de crédito de carbono, mais conhecido como redução de emissão de gases de efeito estufa. A partir destes projetos é possível, de acordo com ele, conseguir financiamentos de fundos mundiais para que sejam realizados.

Miranda explica que existe um fundo mundial chamado Green Climate Fund que tem mandado para gastar, a partir de 2020, US$ 100 bilhões por ano em países em desenvolvimento para contribuir com o atingimento das metas propostas no Protocolo de Paris, desenvolvido em 2005. “Este fundo já vem sendo estruturado e funciona como um bando mundial, que está sediado na Coreia do Sul, e já procura por projetos. Nós aqui no Brasil ainda não temos projetos suficientes para poder receber recursos desse fundo, ou seja, já há recursos disponíveis e não há projetos preparados para poder capitalizar e receber estes recursos”, conta.

O Protocolo de Paris estabeleceu o objetivo de limitar o aumento da temperatura da terra recorrente da iniciativa humana a 2° Celsius no máximo dentro dos próximos 100 anos, explica Miranda. “Para atingir esta meta muitas coisas precisam ser feitas, e o setor agrícola pode contribuir muito para que isto aconteça e as metas sejam cumpridas. O Brasil tem, sem dúvida, uma grande oportunidade do que fazer neste aspecto”, afirma.

A sugestão dele é que as pessoas envolvidas no agro comecem a pensar a respeito deste Fundo e dos projetos que podem ser beneficiados. Sugere que os produtores conversem com as cooperativas ou estruturadores financeiros para fazer isso acontecer. “Existe um mar de oportunidades que vai surgir daqui para frente. Já existe hoje no Brasil um programa de agricultura de baixo carbono, e esse programa, sem dúvida, vai ser um dos pilares do governo brasileiro para colocar em marcha a política brasileira para cumprir com as metas do Protocolo de Paris, e, portanto, as várias iniciativas nesse setor”, diz.

Liderança

A diretora de RH da Syngenta, Teresa Merino, falou sobre “Como liderar pessoas”, um assunto importante tanto para produtores quanto outros envolvidos na cadeia do agro. De acordo com ela, um diferencial de liderança é quando uma pessoa sabe buscar talento onde ele está. Para ela, é importante que quando se fala do mundo do agronegócio é preciso perceber que a polarização entre homens e mulheres somente fomenta a discriminação. “A padronização do que homens e mulheres precisam é passado. Agora, é preciso identificar o líder do futuro, um líder atento com as oportunidades. Aquele líder que sabe identificar o que cada indivíduo que está ali tem de necessidade, o que tem de diferencial; saber criar condições para que esse potencial aflore”, afirma.

Teresa diz que é preciso trabalhar muito ainda na inclusão, sendo que somente ter diversidade não basta. “Tendo diversidade não significa que eu estou extraindo o potencial daquela pessoa. É preciso criar uma cultura que gere inclusão. Não adianta eu recrutar se ignoro por completo as necessidades que cada um tem, não crio condições para que cada um dê o melhor de si”, entende. Agindo desta forma, a diretora afirma que a pessoa está excluindo o potencial que o outro pode oferecer. “O diferencial para o líder ter sucesso é não somente criar a diversidade, mas, principalmente, criar um espaço para a diversidade se manifestar”, completa.

Agregação de valor ao produto

Um assunto que é de bastante interesse de muitos produtores, principalmente os pequenos, é sobre a agregação de valor ao produto dele. A diretora executiva e sócia proprietária da AgroMarketing Mix, Mariangela Albuquerque, informou que em maio de 2017 foram divulgados alguns dados pelo Cepea/USP e da CNA sobre o PIB do agro brasileiro. “Se pegarmos este PIB, 5% é gerado antes da porteira, ou seja, tudo aquilo que é vendido, como semente, máquina, insumo e suplemento animal. 30% é o que se produz dentro da fazenda, as commodities, como grãos, carne e leite. E 65% é produzido depois da porteira, quando transformamos o produto e agregamos valor a ele”, informa.

Ela afirma que se o produtor transformar ainda mais o que ele produz, agrega ainda mais valor dentro da porteira. “Claro que existe muito custo e trabalho neste processo. Mas a grande dimensão que pode chegar se verticalizar parte da produção é grande. Precisamos abrir a porteira, avançar e agregar valor às coisas que fazemos”, diz. Para ela, é preciso que o produtor crie suas marcas e produtos. “O Brasil tem 49 registros de indicação geográfica. Isso ajuda a valorizar regionalmente o produto. Na Itália, por exemplo, são 390 produtos com indicação geográfica. Olhe o potencial que o Brasil ainda tem. Precisamos despertar em nós essa liderança que temos e agregar ainda mais valor à nossa produção”, afirma.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de novembro/dezembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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