Suinocultura - 02.08.2018

Produtores de feno destacam uso do dejeto suíno na fertilização do solo

Encontro Nacional de Produtores de Fenação reuniu cerca de mil participantes do Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Paraguai

- Giuliano De Luca/OP Rural

Uma fazenda modelo em produção, no município de Mercedes, no Oeste do Paraná, foi palco para o 2° Encontro Nacional de Produtores de Fenação e do 1° Encontro Municipal de Produtores de Fenação, que ocorreram em abril. De acordo com a organização, cerca de mil participantes do Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Paraguai participaram do evento. Entre os temas debatidos, eles falaram sobre o uso de dejetos suínos como adubo para o solo.

Além dos produtores de feno, o encontro contou com a participação de autoridades, fornecedores de equipamentos, que expuseram suas novidades, além de técnicos e representantes de entidades ligadas ao ramo. O encontro, na fazenda produtor Alberto Schumacher, contou ainda com dinâmicas de máquinas e palestra sobre a importância do feno como volumoso na alimentação animal, exposições de máquinas e debates.

A palestra sobre o uso de fertilizantes dos dejetos suínos foi preferida pelo doutor Elir de Oliveira, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). De acordo com ele, o fertilizante que provém dos dejetos suínos é um dos mais ricos para a fenação, mas é preciso seguir critérios para sua correta aplicação. “Um dos melhores fertilizantes que temos é o dejeto suíno. As gramíneas são o melhor local para receber esse dejeto. Nas forrageiras é melhor que milho, feijão. Pastagem bem conduzida dá dinheiro, mas grande problema é não adubar o pasto”, destacou.

A adubação racional com dejetos suínos em áreas de pastagens deve considerar alguns critérios, citou: “Realizar análise química e física do solo e interpretar visando a aplicação de doses econômicas, a área deve apresentar sistema conservacionista que evite o escorrimento superficial da água, além de, em caso de calagem do solo, aplicar o dejeto antes dessa prática e diante de precisão de chuvas moderadas”.

E ainda: “O chorume líquido do supino deve ser usado em áreas não declivosas, que apresentem cobertura de solo com plantas verdes ou palhada, evitando os processos erosivos comuns em áreas gradeadas e aradas”. Ele citou ainda que “é preciso optar pelo parcelamento de aplicações em doses elevadas, acima de 30 metros cúbicos por hectare, e que em pastagens perenes ou anuais sob pastejo, o sistema adotado deve ser de pastejo rotacionado e a aplicação deve ser feita logo após a saída dos animais do piquete”. “Somente 30 dias a aplicação o gado pode voltar ao piquete”, orientou o pesquisador.

De acordo com ele, 30 metros cúbicos (com água) de fertilizante desse dejeto oferecem 74 quilos de ureia e 319 quilos de P2O5 (Pentóxido de Fósforo), entre outros nutrientes, como Nitrogênio, Fósforo e Potássio.

Cuidados na esterqueira

Antes de ir para o solo, o dejeto suíno tem que fermentar e estabilizar nas esterqueiras por pelo menos 70 dias. “É importante homogeneizar as partes líquidas e sólidas. Mas antes, deve ficar 70 dias vedado. Assim, vai caindo a população de bactérias ruins - patogênicos na fermentação começam a perder espaço para outros microrganismos que não são prejudiciais à saúde”, argumenta.

“Alguns critérios são importantes no processo de armazenamento e estabilização do chorume em esterqueira. “Não armazenar diretamente o esterco no solo; construir um conjunto de três esterqueiras dimensionadas para garantir armazenamento, fermentação, sem entrada de esterco novo pelo período de 100 dias, evitar a entrada de água desnecessária proveniente de calhas e excesso de água na lavagem do galpão, procurando obter esterco com 3 a 4% de matéria seca; promover a homogeneização do biofertilizante através da injeção de ar do esparramador de chorume acoplado ao trator; e não jogar leitões mortos na esterqueira”.

Importante debater

O anfitrião do 2° Encontro Nacional de Produtores de Fenação e do 1° Encontro Municipal de Produtores de Fenação, Alberto Schumacher, destaca a importância de usar o biofertilizante dos dejetos suínos. “Somos bons produtores de feno e grandes produtores de suínos. Temos que unir as duas coisas para obter melhores resultados”, destaca, ressaltando a lucratividade na atividade. “Se bem conduzida a lavoura, o retorno é melhor que soja e milho”, aponta Schumacher.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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