Biosseguridade - 28.05.2018

Produtor orgulhoso: “São dois anos e nenhuma positividade para Salmonella”

A placa no portão da granja estampa com letras garrafais a expressão “proibida entrada”. É um aviso claro de que ali só entra mesmo quem é necessário para o processo produtivo

- Giuliano De Luca/OP Rural

“Tenho esses três aviários há cerca de dois anos e nunca ocorreu um caso de Salmonella. Sei de produtor que tem casos seguidos, mas aqui não. São dois anos e nenhuma positividade para Salmonella. Graças a Deus estamos conseguindo evitar”, orgulha-se o avicultor Vilmar Krenchinski, de Marechal Cândido Rondon, PR. “O negócio é investir em biosseguridade”, aposta. Krenchinski é um dos cerca de 130 avicultores integrados à Copagril, cooperativa que acaba de registrar todas as suas granjas na Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). Isso significa que os aproximadamente 230 aviários seguem um mesmo – e rigoroso – padrão de práticas de biosseguridade. Na prática, é um selo que atesta a eficiência da biosseguridade nas propriedades.

A placa no portão da granja estampa com letras garrafais a expressão “proibida entrada”. É um aviso claro de que ali só entra mesmo quem é necessário para o processo produtivo. Mesmo assim, para chegar próximo aos aviários há um rigoroso controle. Quem você é, de onde você veio, qual o objetivo da sua visita e seu telefone de contato são perguntas obrigatórias a responder. Tudo fica anotado no caderno que controla os visitantes. As botas plásticas são obrigatórias, assim como a passagem por dois pedilúvios – recipientes contento elementos químicos capazes de neutralizar certos patógenos.

“Aqui só entra mesmo o casal que cuida dos aviários, o técnico e os caminhões de ração e para a retirada do rango. A propriedade é toda cercada. Tem que fechar para evitar pessoas que não precisam entrar, mas também animais, como cachorros, gatos, essas coisas”, cita o avicultor. Os veículos passam por um nebulizador contendo detergente também para neutralizar patógenos. Mesmo se ninguém estiver na portaria, o motorista aciona o equipamento em uma campainha, ainda do lado de fora da propriedade. O líquido é aspergido de cima, dos lados e por baixo dos veículos. “O motorista precisa estar atento”, recomenda o produtor.

“Hoje não tem espaço para quem faz as coisas de qualquer jeito. Tem que ter controle, ser profissional”, assegura o produtor. O gerente de Fomento de Aves da Copagril, Fábio Junges, explica: “Uma boa biosseguridade começa com controle de pessoas, troca de calçados, controle de veículos, programa de controle de roedores, que é muito importante, boa vedação dos aviários, boa vedação da composteira - para onde são destinadas as aves mortas -, entre outros pontos”, cita Junges. O avicultor amplia: “Também é muito importante manter a cama seca, cuidar com as goteiras e vazamentos. Tem que estar sempre atento a isso”, pontua.

Vazio sanitário

Junges explica que a sanidade de um lote começa ainda no lote anterior. “Depois que os frangos são retirados, os equipamentos são lavados e é feita a desinfecção. Essa manutenção dos equipamentos tem que ser rigorosa. O vazio sanitário ideal é entre 12 e 14 dias. Esse é um bom intervalo. Nesse período, é necessário bater a cama para fermentar”, orienta o gerente. Junges explica que um vazio sanitário inferior pode comprometer o lote seguinte. “O vazio serve para baixar a pressão de infecção para que o próximo lote chegue em um ambiente menos desafiador”, explica Junges.

Quem disse que seria fácil

Krenchinski explica que manter as boas práticas de biosseguridade não é tarefa fácil, mas é fundamental. “A gente vinha trabalhando meio folgado, sem atenção necessária. Mas isso mudou. É difícil, mas sem se sacrificar você não vai ter benefícios”, comenta. “Além de todas essas coisas que a gente tem para manter a biosseguridade, muito do resultado vem do manejo no dia a dia. O profissional que trabalha na granja tem que ficar ligado”, orienta o avicultor paranaense.

A propriedade tem três aviários, que recebem 22,5 mil aves cada. Em uma área vizinha, o produtor tem mais dois aviários, desde 2010, além, de criação de suínos, o que, em sua opinião, exige ainda mais atenção. “Tenho outros dois aviários em outra propriedade, mas lá também tem suínos, por isso é ainda mais importante ter biosseguridade”, menciona.

Trabalho integrado

Junges explica que toda a cadeia precisa fazer os procedimentos adequados para manter a biosseguridade nas granjas. “É um trabalho integrado, do produtor, do técnico, do gerente da granja, do motorista, enfim, de todos que fazem parte da cadeia”.

Ele explica que, após cinco anos de tratativas, a cooperativa conquistou o registro na Adapar, que melhora o monitoramento dos aviários. “A Adapar veio para se somar aos nossos esforços. O registro indica que seguimos um mesmo padrão de biosseguridade. Com ele a Adapar monitora tudo, como consumo de ração e medicamentos, e ações de biosseguridade”, cita o gerente de Fomento.

Para o avicultor, sem biosseguridade o investimento corre altos riscos. “A gente investe para ter retorno. A empresa também. Então tem que fazer do jeito correto. Ainda segundo Krenchinski, uma boa biosseguridade é também propaganda para a proteína. “Tem que ter uma boa imagem. Hoje o consumidor sabe o que acontece no campo. A biosseguridade ajuda a ter uma imagem mais positiva”, sustenta. “Quem faz de qualquer jeito não produz mais nada”, garante o avicultor.

Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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