Produção - 30.10.2017

Produtividade e reprodução: desafios, oportunidades e suas fronteiras

Desde a pesquisa ao produto final nos deparamos com várias fases de desafios para superar a produtividade

- Arquivo/OP Rural

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Artigo escrito por Carlos Eduardo Godoy, médico veterinário e gerente de Marketing da Biogénesis Bagó

No Brasil, assim como em boa parte da América Latina, temos características interessantes no que se refere aos desafios e às oportunidades da pecuária e também para a modernização do agronegócio. Realizar comparativos entre a produção atual e os índices de produção desejáveis é o primeiro passo na busca pelos resultados alcançáveis.

Nossa cadeia produtiva possui diversos elos que passam despercebidos, os quais chamamos de “elos invisíveis da produção”. Desde a pesquisa ao produto final nos deparamos com várias fases de desafios para superar a produtividade. O ideal é que cada uma delas seja explorada em seu potencial máximo para assim compormos o ciclo da cadeia com máxima eficiência.

Produzir a melhor carne do mundo passa pelo anseio de se conhecer a fundo as características desse produto na visão dos nossos clientes. A pecuária na América Latina cresce a uma taxa anual de 3,7%, superior à média de crescimento global (2,1%). Nos últimos anos, a demanda total por carnes aumentou em 2,45%. As exportações de carne cresceram em 3,2%, cifra superior à elevação da taxa de produção, que foi de 2,75% (FAO, 2012).

Os elos invisíveis da cadeia produtiva envolvem importantes desafios. De acordo com levantamento realizado pelo Cepea em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), são a compra de animais, que representa 55% dos custos, a suplementação mineral, em torno de 12%, a mão de obra, com 11,7%, gastos administrativos, com 3,4%, e a dieta com 3,1% o que afeta severamente a produtividade se ocorrer falta de gestão dentro das propriedades. O aumento do risco de pragas e doenças que saltam às fronteiras dos países e as ameaças associadas aos impactos negativos das mudanças climáticas sobre o setor pecuário também precisa ser considerado entre os fatores focais.

É de grande importância dar atenção à gestão dentro das propriedades pecuárias e esse nível de trabalho tem considerável diferenciação nos países da América do Sul e mais precisamente no Brasil.

Muito a avançar

Na pecuária brasileira ainda existem muitos desafios e fronteiras a serem alcançadas, pois em grande parte do país predomina a pecuária extensiva que depende basicamente das pastagens, restringindo a suplementação alimentar ao fornecimento de sais minerais. Nesse modelo, não há investimento em melhoria das pastagens, que em grande parte, encontra-se em estágios de degradação. A produtividade anual é abaixo de 120 kg de peso vivo ou quatro arrobas por hectare/ano. As taxas de desmama são menores que 60%, com idade de abate dos machos e idade ao primeiro parto da matriz maior que os 42 meses de idade. O ganho médio de peso diário dos animais durante as águas situa-se entre 0,4 e 0,5 kg/animal e, na época da seca, eles podem chegar a perder uma arroba.

Do outro lado, o que se busca é uma fronteira produtiva em que a gestão da propriedade é feita com excelência e a preocupação com a manutenção e melhoria dos processos são levados à risca, tais como pastagens, uso de fertilizantes, rotação dos animais, suplementação mineral, suplementação por proteinados e rações a pasto (semiconfinamento) e em confinamento, e utilização de um calendário sanitário personalizado para a propriedade. A produtividade anual alcançada então nessas fronteiras é acima de 180 kg de peso vivo ou seis arrobas por hectare/ano. As taxas de desmama são maiores que 75%, com idades de abate dos machos e ao primeiro parto da matriz entre 24 e 36 meses. O ganho médio de peso diário dos animais durante as águas fica entre 0,6 e 1,0 kg/animal e, na época da seca, de 0,5 a 0,8 kg/dia a pasto ou, ainda, acima de 1,0 kg por dia em confinamento.

Outra fronteira produtiva a ser explorada é na antecipação as prenhes das matrizes da propriedade, encurtando o período de estação de monta, elevando o número de animais nascidos de inseminação artificial, reduzindo a dependência por touros de repasse e estreitando o intervalo entre partos. Essas são as premissas de um bom protocolo de IATF - Inseminação Artificial em Tempo Fixo - com ressincronização, que confere taxas de prenhes surpreendentes logo na primeira aplicação, com resultados acima de 70%, em média. Ou seja, de cada 100 vacas inseminadas, tem-se confirmada, num intervalo máximo de 30 dias (prazo do primeiro diagnóstico precoce de gestação), prenhes positiva em 70 delas.

Por que se contentar com pouco se é possível conseguir mais, superando as fronteiras produtivas?

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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