Nutrição - 11.12.2017

Pré-secado é opção barata para a pecuária, mas exige atenção

Para profissional, principal motivo para fazer este tipo de silagem é atender as necessidades da vaca

- Arquivo/OP Rural

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Uma preocupação do pecuarista é oferecer ao seu rebanho um alimento rico nutricionalmente e que auxilie a aumentar a sua produtividade. O doutor Igor de Carvalho falou durante o Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite, que aconteceu em Chapecó, SC, sobre os “Pontos críticos de sucesso na produção de silagem pré-secada”. De acordo com ele, o principal motivo para fazer este tipo de silagem é atender as necessidades dela. “Temos que atender a necessidade da vaca em quantidade e qualidade para que ela converta esse alimento em leite”, afirma.

Carvalho explica que a fibra é um fator importante em uma dieta de ruminantes. “Para quem faz volumoso a fibra vem de graça. Isso também acontece para quem faz pré-secado, silagem e pasto”, diz. Porém, ele afirma que o foco deve estar concentrado principalmente em dois principais nutrientes: o amido e a proteína. “O nosso foco com o pré-secado é atender a proteína”, explica. “A folha é a parte da planta em que você vai encontrar a maior parte de proteína, por isso fazemos pastagens verdes com muita folha. Em qualquer planta a proteína se concentra na folha”, explica.

Por conta disso, Carvalho comenta que é importante o produtor não confundir. “Ao produzir o pré-secado nós queremos produzir proteína. Se o material tem grãos ele vai ser fonte de energia ao animal. Não podemos confundir: proteína vem da folha e a energia vem do grão. Um material com folha é proteico, e sem grãos e sem folha é um material com fibra”, diz.

O doutor comenta que ao invés de fazer uma dieta de pré-secado, o pecuarista pode substituir por pasto. “Têm produtores que usam o pasto como fonte de proteína. A vaca precisa de 16% de proteína, por isso precisamos fornecer esse energia e proteína ao animal, e isso conseguimos com pasto e feno”, conta. Porém, ele alerta que não é possível substituir 100% a silagem pré-secada pelo feno. “É possível substituir parcialmente, porque o feno tem qualidade de proteína melhor que o pré-secado. Porém, a velocidade de degradação no rumem é muito mais lenta e assim a sincronia de digestão com proteína da silagem de milho é perfeita”, afirma.

O segundo principal motivo em fazer uma silagem pré-secada, de acordo com Carvalho, é por conta de pecuaristas que trabalham com animais em confinamento. “Uma vez que você confinou o animal, você precisa dar alimento para ele. Fazemos o pré-secado para alimentar o animal porque no final normalmente a proteína mais barata que existe é o pasto e a segunda a silagem pré-secada”, conta. Ele afirma que quanto mais silagem de milho o produtor usar na dieta, que é a energia mais barata que existe, e quanto mais usar pré-silagem em confinamento, mais barato será o custo da dieta.

Pré-Secado X Silagem de planta inteira

Carvalho explica ser importante o produtor saber a diferença entre o pré-secado e a silagem de planta inteira. “Na silagem de planta inteira é quando fazemos o corte direto, seja de milho, sorgo ou aveia. A planta já tem matéria seca adequada para fazer o corte direto”, conta. Já sobre as cultivares que podem ser utilizadas o doutor explica que a proteína mais usada no Brasil é o azevém, porém, outras culturas como a forrageira, gramífera, trevos, entre outras podem ser usadas. “Praticamente tudo que tem folha podemos usar para fazer o pré-secado”, diz.

Carvalho informa que o que se busca nas cultivares são principalmente quatro fatores: a alta produção de massa, já que “quanto mais massa produzir, mais alimento vai ter e menor será o custo. O que reduz o custo de forragem é produzir sempre mais”, conta. O segundo fator é a planta ter um porte ereto. “Nós queremos um material alto, uma planta íntegra e que tenha mais facilidade de uso”, diz. O terceiro fator é a sanidade, “principalmente por questões de doenças. Se possível não usar fungicidas por dois motivos: primeiro pelo custo, porque fungicida custa caro; e o segundo porque isso pode levar resíduos dos fungicidas para o silo e também para o leite”, afirma. O quarto item é a alta qualidade, “porque se eu pegar a pior cultivar e fizer um manejo bem feito, com adubação, cotar certo, vai dar no mínimo 15% de proteína bruta e 60% de digestibilidade”, conta. Carvalho acrescenta que mesmo o pior material se bem feito é ainda melhor que a melhor cultivar sem cuidado nenhum. “Se fizer o manejo bem feito, até a pior cultivar é a melhor”, afirma.

Enfardamento

Carvalho afirma que o enfardamento é também uma parte importante da pastagem pré-secada. De acordo com ele, os fardos podem ser redondos ou quadrados, mas “é importante compactar o máximo possível para ter uma boa fermentação”. “Se possível picar, porque para o animal consumir a fibra ela precisar estar picada”, conta.

Porém, algo que os produtores reclamam muito sobre o enfardamento é o preço do plástico. “É preciso dar seis voltas de plástico. É um material caro e muitas vezes o pessoal quer economizar e não dá as seis voltas, mas depois fura, entra ar, fungo e o produtor acaba perdendo muito mais do que se fosse dar todas as voltas. Não se discute, são seis voltas”, comenta. E para tentar reduzir esse valor, Carvalho apresentou alguns jeitos: fazer o fardo maior é um deles. “Fazer a matéria seca mais alta, até 60% ainda fermenta bem, e assim o produtor consegue colocar mais quantidade de matéria seca por bola”, conta. Outra dica é picar e compactar. A terceira forma é fazer tudo no ponto certo, já que se passou do ponto o material não está bom e pode não dar peso. “Não economizar plástico e tentar fazer uma bola maior, com um material bem picado e compactado, cortado no ponto certo são algumas dicas que podem fazer este valor ficar mais acessível”, comenta.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de novembro/dezembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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