Manejo - 25.10.2018

Práticas simples - mas rotina rigorosa - auxiliam suinocultor na retirada de antimicrobianos

Caminho mais coerente tem sido adoção de estratégias de manejo e sanidade que reduzam fatores de risco, proporcionando melhor condição ao suíno para enfrentar os desafios

- Arquivo/OP Rural

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Práticas simples, mas extremamente eficazes, são chaves para utilizar os antimicrobianos de forma racional, sem prejudicar o desempenho produtivo na suinocultura. Esse foi o tom da palestra de Paulo Eduardo Bennemann, que falou sobre estratégias de biosseguridade focadas na redução do emprego de antimicrobianos na produção de suínos, realizada durante a programação científica do 11º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura. Organizado pelo Nucleovet (Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas), o evento foi realizado de 21 a 23 de agosto em Chapecó, SC.

Paulo Eduardo Bennemann é médico veterinário pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestre e doutor em Ciências Veterinárias pela mesma instituição. Atualmente, atua como professor e pesquisador da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc) no curso de Medicina Veterinária. Também é docente permanente do programa de pós-graduação em Sanidade e Produção Animal Aplicadas a Pequenas Propriedades.

Conforme Bennemann, a pressão para o uso prudente de antimicrobianos na produção de suínos tem sido foco das principais discussões técnicas da cadeia de produção. “A busca, no momento, é por alternativas”. Para ele, o banimento total dos fármacos com atividade antimicrobiana não deve acontecer na produção de suínos devido aos grandes desafios sanitários. “Porém, o bem-estar animal exige atitudes para minimizar as enfermidades nos animais”.

O caminho mais coerente, destaca Bennemann, tem sido a adoção de estratégias de manejo e sanidade que reduzam os fatores de risco, proporcionando uma melhor condição ao suíno para enfrentar os desafios. “A biosseguridade é fator chave na redução destes riscos”, afirma.

Estabelecer um programa de biosseguridade, salienta o palestrante, implica em reduzir as pressões de infecção exercida sobre determinada fase de produção. “Não se trata apenas de impedir a entrada de novos agentes no sistema, mas de gerenciar os existentes, estabelecendo o equilíbrio entre animais e microbiota”.

Bennemann destacou o conceito de saúde única, disseminado pela Organização Mundial de Saúde. “A OMS amplia a abordagem do conceito de biosseguridade. Além da importância do animal, a saúde humana e o ecossistema completam a tríade One Health”, explica. O conceito justifica-se pelo fato de que 60% das doenças em humanos são originárias de animais. “Doenças emergentes dos últimos 30, 40 anos foram resultado da invasão de terras selvagens e mudanças de demografia”. O veterinário ainda esclarece que um dos conceitos mais relevantes de One Health inclui a avaliação e prevenção de bactérias resistentes a antimicrobianos.

Biosseguridade e antimicrobianos

Durante o SBSS, Bennemann lembrou que vários estudos demonstram a relação entre o índice de biosseguridade e saúde animal. “Influencia diretamente o desempenho zootécnico dos animais. Ações de manejo com base na biosseguridade e programas de vacinação são estratégias adotadas por profissionais para redução do uso de antimicrobianos sem prejuízos zootécnicos”.

Para Bennemann, o uso prudente de antimicrobianos envolve repensar o atual sistema de produção de suínos no Brasil. “Fatores como a transmissão facilitada de agentes devem ser minimizados”. Ele cita práticas frequentes que precisam ser revistas, como misturas de origens, alta densidade animal, falhas graves nos manejos de ambiência, entre outros. “É necessário mudar a forma de olhar para os animais, focando mais o individuo do que o grupo, reduzindo os tratamentos de massa e o uso de antimicrobianos nas rações”.

Além das medidas de biosseguridade, manejo ambiental e sanitário (vacinações), algumas alternativas favorecem uma maior digestibilidade de nutrientes e atividade enzimática. “Desenvolvimento da microbiota com uso de prebióticos e probióticos, entre outros”, sugere.

É fundamental adotar cuidados extremos com relação aos insumos utilizados na alimentação dos animais. “Matérias-primas de qualidade duvidosa, com a presença de micotoxinas, por exemplo, podem provocar perdas produtivas e intoxicações”. Além da boa alimentação, a qualidade da água é essencial para o desenvolvimento animal e bem-estar. Conforme Bennemann, água à vontade, com boas condições de temperatura e regulagem dos bebedouros, evita restrições de consumo. “Deve-se ofertar água de qualidade química, física e microbiológica, evitando problemas sanitários e nutricionais”.

Sistema em equilíbrio

“Tão importante quanto prevenir a entrada de novos agentes no sistema de produção, é reduzir a pressão de infecções existentes e manter o equilíbrio dos agentes circulantes na granja”, destaca Bennemann. Manter o equilíbrio é importante para o desempenho zootécnico e o status sanitário. “A ativação do sistema imune do animal demanda energia e, como consequência, a taxa de peso é afetada”.

Para manter o equilíbrio, Bennemann destaca a importância de medidas simples, como a adoção de instalações de quarentena e rígido controle sanitário. Além disso, infraestrutura (cercas, barreiras sanitárias, fumigador, barreiras verdes, arcos de desinfecção, entre outros). Ele também orienta o monitoramento do fluxo de pessoas, controle de moscas, roedores e a qualidade dos insumos.

 “Conhecer os principais agentes que desafiam o rebanho é essencial para a adoção de medidas efetivas visando o bem-estar animal e diminuir os impactos negativos das doenças”. Bennemann destaca que, na prática de campo, as alternativas incluem dados de epidemiologia, achados clínicos e de necropsia, ou ainda o apoio laboratorial. A vacinação é outra ferramenta importante para a manutenção do equilíbrio no sistema produtivo.

A importância das pessoas

Para Bennemann, adotar um programa efetivo de biosseguridade é relativamente simples. Envolve conhecer os desafios do sistema de produção e traçar objetivos definidos. “A maior dificuldade está em implementar e executar as medidas nas granjas. As ações em um programa de biosseguridade dependem do comprometimento das pessoas envolvidas”, alerta. “Para isso, treinamentos periódicos são fundamentais”, aposta.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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