Nutrição - 14.12.2017

Plasma spray dried e suas aplicações na alimentação de suínos e frangos

Efeitos benéficos do plasma são mais visíveis em condições de produção comercial com maior exposição a patógenos do que em baixa incidência de patógenos

- Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Rangel, L.F.S., MV, MSc; Sangeado, D. L., MV; Russell L., PhD; Crenshaw, J., PhD; Campbell, J.M., PhD; Polo, J., PhD 

As proteínas do plasma spray dried (SDP) são uma mistura de diversos componentes funcionais que incluem imunoglobulinas, albumina, fibrinogênio, lipídios, fatores de crescimento, peptídeos biologicamente ativos (defensinas, transferrinas), enzimas e outros fatores que possuem atividade biológica de forma independente de seu valor nutricional. As proteínas do plasma vêm sendo utilizadas extensamente na alimentação de suínos para melhorar o consumo, o crescimento e a conversão alimentar durante as fases posteriores à desmama. Os efeitos benéficos do plasma são mais visíveis em condições de produção comercial com maior exposição a patógenos do que em baixa incidência de patógenos. Numerosos estudos com diferentes espécies animais (suínos, bovinos, aves, peixes ou camarões) desafiados por bactérias patogênicas, vírus ou protozoários vêm demonstrando reduções na mortalidade e morbidade quando alimentados com plasma (bovino ou suíno). O propósito dessa revisão é discutir o modo de ação das proteínas do plasma na modulação da resposta imune inflamatória e como as proteínas plasmáticas podem ser utilizadas em aplicações interessantes comercialmente e na alimentação de suínos e aves.

Mecanismos de ação

Duas revisões bibliográficas independentes indicaram melhoras médias de 25, 21 e 4% no ganho de peso, consumo de alimento e eficiência alimentar respectivamente, em suínos desmamados alimentados com dietas iso-nutricionais contento proteínas de plasma, comparados com outras fontes de proteína de elevada qualidade derivada de soja, leite ou farinha de peixe. Outros estudos relataram que a palatabilidade e o consumo de alimento melhoraram quando os suínos foram alimentados com dietas contendo o SDP, comparados com o leite desnatado e desidratado, sugerindo que o SDP melhora o consumo e o crescimento devido à melhor palatabilidade. Também observou-se que os suínos desmamados e alimentados com o SDP, quando foram alimentados com a mesma quantidade de alimento que o grupo controle, melhoraram a eficácia de utilização da proteína da dieta com menor catabolismo de aminoácidos intestinais e reduzindo a quantidade de ureia e a concentração N no plasma. Sabendo disso, as diferenças de melhora de crescimento e consumo em leitões desmamados que consumiram o SDP não se podem ser explicadas somente pelo aumento de consumo de nutrientes.

Os efeitos benéficos do plasma no crescimento e consumo de alimento foram melhores em suínos em condições ambientais com elevadas exposições a patógenos. Observações similares foram relatadas em frango de corte e perus. Numerosos estudos, incluindo desafios ou infecções naturais com bactérias patogênicas, vírus, ou protozoários reportaram uma diminuição na mortalidade e melhoras na saúde ou no status imune em várias espécies animais (suínos, bovinos, aves e camarões) alimentadas com plasma suíno e bovino. Outras investigações sugerem que o consumo oral de SDP modula a resposta inflamatória. A expressão de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-1β, y IL-6) foi reduzida em numerosos tecidos (hipotálamo, pituitária, adrenal, baço e fígado) de suínos alimentados com SDP depois de terem sido desafiados com lipopolissacarideos. Ao serem alimentados com SDP suínos desafiados com enterotoxinas de E. coli K88, observou-se redução na inflamação, melhoras no crescimento, redução na secreção de IgA na saliva, diminuição do dano na mucosa intestinal e redução da expressão pró-inflamatória de citocinas no intestino. O uso do SDP em suínos desmamados sem desafios reduziu a inflamação, indicando assim uma redução nos linfócitos intra-epiteliais e na densidade das células da lâmina própria no intestino grosso. Estes resultados foram similares aos descritos em estudos anteriores em que se observou uma menor ativação do sistema imune em suínos desafiados e alimentados com plasma. A viabilidade de perus alimentados com o SDP na água de bebida melhorou (94,1 vs. 63,2%) em aves desafiadas com Pasteurella multocida (doença respiratória) sugerindo que o SDP pode também influenciar e melhorar a eficácia do sistema imunológico. Coletivamente, esses resultados sugerem que as proteínas do plasma spray dried reduzem a adesão e replicação de patógenos, facilitam a reparação de tecidos e reduzem a resposta inflamatória, tanto de forma local como sistêmica.

Além disso, a inflamação intestinal provoca edema, infiltração de leucócitos, vasodilatação, redução na absorção de nutrientes, aumenta a permeabilidade do epitélio devido a uma alteração na função de barreira e ativação do sistema imune. Uma série de experimentos entre 2004 e 2008 avaliou o impacto de dietas com plasma em ratos com inflamação intestinal induzida que afetava a função de barreira e ativação do sistema imune e concluíram que o plasma na dieta reduz os processos inflamatórios e melhora a função de barreira no intestino.

Proteínas de plasma spray dried e funções produtivas de suínos

Neste ano, autores demonstraram em experimento conduzido no Brasil que suínos infectados naturalmente com PCV2 que, quando adicionou-se 6% de plasma durante os primeiros 14 dias após a desmama e 3% no segundo período (29 a 42 dias de idade), ocorreu uma redução da carga viral de PCV2 no soro desses animais, sugerindo que o plasma ajuda a reduzir o nível de viremia provocado por esse vírus. Paralelamente, outros estudiosos demonstraram que suínos infectados experimentalmente com o vírus da diarreia epidêmica suína (PEDV) alimentados com SDP excretaram o vírus nas fezes durante menos dias e apresentaram uma resposta imune mais rápida frente a esse vírus. Ambos os resultados são compatíveis com os achados de Morés e col. em 2007.

As porcas também experimentam vários fatores de estresse associados aos partos, lactação e gestação. Os suinocultores frequentemente têm dificuldade em fazer com que as porcas em lactação consumam quantidades adequadas de alimento para minimizar a perda de tecido corporal e suprir as necessidades de mantença, produção de leite e crescimento da leitegada, particularmente nos momentos de estresse pelo calor. A suplementação com plasma nas dietas de porcas para reduzir os fatores estressantes associados aos partos, lactação, desafios por antígenos ou fatores ambientais tem um grande potencial.

Os estudos em porcas incluíram de diferentes ordens de parição alimentadas com diferentes níveis de SDP (0 vs. 0,25% ou 0 vs. 0,50%). Quatro experimentos (Exp. 1, 3, 4 e 5) foram conduzidos durante os meses de verão enquanto o Exp. 2 foi conduzido nos meses de outono e inverno. Observou-se maior peso da leitegada e o peso médio dos leitões recém desmamados melhorou para as porcas alimentadas com plasma. Também, inclusões relativamente baixas de plasma (0,25 a 0,5%) em primíparas, que pariram no verão, aumentaram o consumo de alimento na lactação e reduziram o intervalo desmame-cio. Porcas maduras alimentadas com SDP durante os meses de verão consumiram menos alimento e isso não comprometeu o intervalo desmame-cio, melhorou o peso da leitegada e o peso médio dos leitões e o número de animais vendáveis à desmama.

As recomendações atuais para o uso do plasma em suínos em diferentes condições de desafio. Também recomenda-se 0,5% de plasma balanceado em dietas de porcas em lactação e gestação. Os produtores devem consultar um nutricionista animal para assegurar a correta formulação das dietas. 

Proteínas do plasma spray dried e funções produtivas de aves

Um sumário de 13 trabalhos conduzidos ao redor do mundo em várias instalações de pesquisa demonstrou que a inclusão do SDP em dietas de frangos melhorou o peso final (média de 75 g) e melhorou a conversão alimentar (em 5 pontos) quando comparado com as dietas controle.

Coletivamente, os resultados de estudos recentes em condições comercias corroboram com os experimentos anteriores conduzidos em condições controladas, o que demonstra que a nutrição fornecida através da inclusão de 0,5 a 2,5% de SDP (dependendo do consumo dessa ração) em dietas pré-iniciais (aproximadamente 4,5g/ pintinho) promove melhoras no peso final e na conversão de frangos de corte.

Considerações finais

O plasma spray dried é uma ferramenta que, por seus efeitos diretos no lúmen e no sistema imune do intestino e seus efeitos indiretos sistêmicos no sistema imune dos animais, merece atenção dos nutricionistas e veterinários quando buscam ingredientes para alimentação de animais produtivos e sadios.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de novembro/dezembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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