Sanidade - 14.08.2017

Pesquisadores orientam sobre retirada de antimicrobianos

Doutores Javier Polo e Luís Rangel citam a importância do manejo, nutrição e a inclusão de aditivos na dieta das aves para manter a saudabilidade dos plantéis

- Arquivo/OP Rural

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Dois reconhecidos pesquisadores do setor avícola brasileiro concederam entrevista exclusiva para O Presente Rural para falar sobre a redução do uso de antimicrobianos na avicultura e as alternativas para evitar prejuízos zootécnicos com a retirada de tais substâncias. Os doutores Javier Polo e Luís Rangel citam a importância do manejo, nutrição e a inclusão de aditivos na dieta das aves para manter a saudabilidade dos plantéis.

O Presente Rural (OP Rural) - Porque o uso de antimicrobianos está sendo reduzido na produção avícola?

Luís Rangel e Javier Polo (LR/JP) - Cada vez mais existe uma pressão de consumidores para a produção de carne de frango produzida sem uso de antibióticos na alimentação. Isso se deve a um temor relacionado à presença de resíduos de antibióticos na carne de frangos e à possibilidade de encontrar-se bactérias resistentes a antibióticos que possam posteriormente atingir o homem e causar problemas de saúde que possam decorrer desse fato.

OP Rural - O que são promotores de crescimento e quais os impactos de sua retirada?

LR/JP - Os promotores de crescimento são antibióticos usados em níveis não terapêuticos. Foi demonstrado que seu uso melhora o crescimento e a conversão alimentar. O impacto da sua retirada afeta a saúde das aves e é necessário que o avicultor tome medidas a esse respeito. As medidas mais importantes estão relacionadas à biosseguridade da granja para evitar a entrada de patógenos e melhorias nas instalações e manejo dos animais. Além disso, a alimentação tem um papel fundamental nessas circunstâncias, uma vez que será necessário utilizar ingredientes muito digestíveis que contribuam para a redução da multiplicação de bactérias indesejáveis no intestino, especialmente o Clostridium Perfringens. Assim, evita-se, por exemplo, problemas de enterite necrótica. Nessa nova situação, é importante adicionar proteínas altamente digestíveis e ingredientes funcionais, como o plasma spray dried, biotina e o butirato de sódio. Também deve-se reduzir a inclusão de farelo de soja e seus fatores anti-nutricionais na primeira dieta dessas aves.

OP Rural - Como o Brasil está lidando com essa nova situação?

LR/JP - O Brasil vem seguindo a tendência mundial de redução de drogas disponíveis para uso na alimentação animal. Entre as proibições do Mapa últimos anos estão avoparcina, arsenicais e antimoniais, cloranfenicol e nitrofuranos, olaquindox, carbadox, violeta genciana, anfenicóis, tetracilinas, beta lactâmicos, quinolonas, sulfonamidas sistêmicas, espiramicina e eritromicina. Além disso, em 2016 foi também proibido o uso de Colistina como melhorador de desempenho para alimentação animal.

OP Rural - Quais são as ferramentas que podem ser usadas para substituir os antibióticos?

LR/JP - Existem diversas medidas que o avicultor deve tomar caso elimine o uso de antibióticos em suas granjas. A primeira medida é melhorar as instalações, especialmente com relação a medidas de biosseguridade para evitar a entrada de patógenos. Deverá melhorar o manejo e modificar a estratégia alimentar. É importante que os pintinhos desenvolvam um trato digestório saudável e robusto que o ajude a enfrentar os diferentes desafios que posteriormente encontrarão durante a vida. É importante modificar a dieta inicial para evitar o excesso de farelo de soja devido aos seus fatores anti-nutricionais e sua baixa digestibilidade. A baixa digestibilidade do farelo de soja faz com que sobre proteína sem ser digerida no intestino grosso e isso acaba promovendo o crescimento bacteriano indesejável no intestino (clostrídios). Portanto, é imprescindível que essas dietas contenham ingredientes altamente digestíveis e é interessante o uso de ingredientes funcionais, como o plasma spray dried, uso de enzimas para uma melhor digestão dos cereais da dieta e outras opções, como biotina e butirato de sódio.

OP Rural - O que é e como age o plasma?

LR/JP - O plasma spray dried é um ingrediente que contém um nível muito elevado de proteínas funcionais (cerca de 80%) como albumina, imunoglobulinas, transferrina, fatores de crescimento, peptídeos bioativos e aminoácidos. É um ingrediente muito palatável e digestível. Foi comprovado que melhora a função de barreira do intestino e a integridade da mucosa intestinal, favorecendo o desenvolvimento de um trato digestório são e robusto.

OP Rural - Quais são os benefícios do plasma?

LR/JP - Os animais que consomem plasma spray dried em dietas iniciais apresentam melhor ganho de peso e conversão tendo em vista terem o desenvolvimento de um trato digestório saudável. Esses benefícios, embora mais evidentes na primeira semana de vida do pintinho, são mantidos até a idade de abate. Além disso, foi demonstrado cientificamente que reduz os efeitos negativos associados aos desafios bacterianos, como enterite necrótica ou Pasteurella, portanto, serve como uma ferramenta para o avicultor manter o rebanho sadio em casos de desafios por patógenos em suas instalações.

OP Rural - Como ele pode contribuir para a retirada de antimicrobianos na produção de aves e ovos?

LR/JP - O plasma spray dried é um ingrediente fundamental para os avicultores que deixem de usar antimicrobianos em seu sistema de produção porque, conjuntamente com as melhoras na biosseguridade e manejo, deverá empreender e buscar novas alternativas. Não existe um único produto que resolverá seus problemas. O plasma o ajudará a manter seu rebanho saudável e produtivo, uma vez que observam-se frequentemente perdas produtivas quando os antibióticos são retirados dos sistemas de produção.

OP Rural - Porque escolher o plasma?

LR/JP - O plasma spray dired não exclui a possibilidade de utilizarem-se outros ingredientes funcionais. É difícil que um ingrediente isoladamente possa substituir o uso de antibióticos frente às diversas situações de pressão de patógenos em diferentes granjas. Por isso, é comum que as estratégias para essa finalidade utilizem diferentes ingredientes funcionais. O plasma é considerado um desses ingredientes, pois foi demonstrado seu efeito consistente em numerosos experimentos de campo e em institutos de pesquisa. Isso não exclui a possibilidade de uso de outras substâncias que tenham efeito sinérgico, uma vez que tenham tido seu efeito comprovado cientificamente.   

OP Rural – Há mais vantagens do plasma?

LR/JP - Do ponto de vista nutricional, é um ingrediente muito digestível, e devido aos seus componentes funcionais melhora o crescimento e índice de conversão. Além disso, ajuda o sistema imune dos frangos a reduzir os efeitos negativos associados a situações de pressão de patógenos, uma vez que modula a resposta imune e reduz os processos inflamatórios associados à superestimulação imunológica e redireciona energia e nutrientes da dieta para funções produtivas e de crescimento. Isso explica porque em alguns casos observa-se melhoras de viabilidade quando o plasma é adicionado em dietas animais.

OP Rural - Há riscos no uso do plasma?

LR/JP - O plasma spray dried é um ingrediente seguro para uso na alimentação animal. Provavelmente é um dos ingredientes mais estudados com respeito à biosseguridade. Foi estudado e foi demonstrado que o processo de produção contém etapas de controle que garantem que o produto final é seguro frente aos patógenos estudados na produção animal. É importante que o comprador verifique a idoneidade de seus fornecedores e avalie seus controles e garantias de qualidade.

OP Rural - Como é feita a administração? Seu uso precisa ser recomendado por profissional?

LR/JP - Recomenda-se adicionar 1,5 a 2% do plasma spray dried na primeira dieta (primeiros 7 a 10 dias de idade) de frangos de corte. Dependendo do desafio da granja, é possível utilizar-se 0,5 a 0,25% nas dietas seguintes. Recomenda-se que as dietas sejam formuladas por nutricionistas que levem em conta a composição e o perfil aminoacídico do plasma, de modo a balancear as dietas de forma completa e equilibrada.

Mais informações você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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