Postura - 19.07.2018

Pesquisadora aponta quatro pilares para sucesso na avicultura de postura

Garantir sanidade e bem-estar animal às poedeiras deve ser prioridade do avicultor que pretende ter um produto de qualidade e melhor remuneração

- Arquivo/OP Rural

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A qualidade do ovo é uma das maiores preocupações do avicultor. Mas, para garantir isto, é preciso adotar sistemas que garantam o bem-estar para as aves de postura, além de uma maior sanidade dentro da granja. Para a pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves Sabrina Castilho Duarte, estes dois pontos são fundamentais para que o produtor consiga uma boa produção e assim, consequentemente, também uma melhor remuneração pelo produto que está ofertando.

A pesquisadora explica que a adoção de medidas que fortaleçam a sanidade na produção permite a obtenção de um produto seguro não apenas quanto à saúde do plantel, como para garantir a inocuidade à saúde dos consumidores, fortalecendo assim a competitividade da produção. “Essas medidas estão fortemente pautadas na adoção de medidas de biosseguridade em todo o ciclo de produção”, conta.

Já quanto ao outro ponto abordado, o bem-estar animal, Sabrina garante que este proporciona ao animal condições fisiológicas capazes de permitir maior resistência aos diferentes desafios e possibilita à ave a manifestação de seus comportamentos inatos. “A prática assegura ambiente e alimentos seguros e ausência de dor e medo, além de promover maior ‘equilíbrio’ entre animal e ambiente, o que, consequentemente, também incorre na qualidade do ovo produzido pela ave”, afirma.

Quatro requisitos

Para garantir estes dois aspectos em especial é preciso que o avicultor esteja atento para realizar um bom trabalho e adote certas medidas dentro da propriedade e com os animais. A pesquisadora lista quatro requisitos básicos a serem seguidos que o avicultor deve se atentar. O primeiro deles é a necessidade de uma matriz saudável. “É fundamental que as aves sejam oriundas de fontes seguras e sejam livres de patógenos”, conta.

O segundo item é a importância de um ambiente limpo e confortável. “O ambiente produtivo deve ser confortável, limpo e possuir um bom controle de moscas, roedores, ácaros e outras pragas”, afirma. De acordo com Sabrina, condições de boa higiene devem ser aplicadas dentro do galpão e também na área externa, como vegetação aparada e ambientes livre de entulhos. “Ambientes sujos podem promover a contaminação do ovo. Quando existem sujidades neste ambiente pode haver contaminação através da casca e levar para dentro do ovo contaminantes do ambiente”, conta. Ela acrescenta que a limpeza e desinfecção do ambiente onde as aves estão alojadas é medida importante de prevenção.

Fornecer para as aves amplo acesso a alimentos de qualidade e livres de patógenos é o terceiro requisito básico listado pela pesquisadora. “A água e ração ofertadas para as aves são fundamentais para manutenção da saúde. Se estiverem contaminados levam doenças às aves”, explica. Ela chama atenção ainda para a densidade adequada das aves nos diferentes sistemas de criação, o que assegura bem-estar e saúde. O último item listado por Sabrina é o treinamento contínuo das pessoas. “Só faz bem quem continuamente aprimora a compreensão do que deve fazer. Compreender quais os pontos de maior risco na atividade e quais medidas de manejo podem gerar maior conforto para as aves é importante”, assegura.

Sabrina acrescenta que não somente melhor remuneração, mas também maior valor agregado ao produto e prevenção de diferentes enfermidades podem ser prevenidas pela adoção de tais medidas.

Melhor remuneração

A pesquisadora comenta ainda que garantindo o bem-estar das poedeiras, o produtor pode ainda ter um maior valor agregado no produto que oferta. “Já existem no Brasil empresas que pagam melhor remuneração a produtores que comercializam ovos provenientes de aves mantidas em condições que assegurem bem-estar. Este é um nicho de mercado que já está estabelecido e tende a crescer continuamente”, garante.

Tende a crescer, principalmente, porque esta é também uma exigência do novo consumidor, que está disposto a pagar a mais por um produto que garanta o bem-estar animal. “Cada vez um maior número de consumidores tem demonstrado se importar não apenas com o valor agregado ao produto, como também em que condições foi produzido. Certamente as demandas de consumo geram demandas no sistema produtivo”, diz.

A pesquisadora garante ainda que quando se fala em bem-estar das poedeiras, a extinção das gaiolas não é o tema central. “Pode-se promover bem-estar desde a menor densidade das aves das gaiolas, enriquecimento destas até o alojamento em piso. Bem-estar pode e deve estar associado a qualquer sistema de produção”, afirma.

Sabrina reitera que qualquer atividade exige dedicação e contínuos investimentos. “Agregar bem-estar e boa sanidade também exigem. Mas existem muitos produtores nos mostrando que é possível. É necessário que este seja um objetivo contínuo a ser atingido. Quando praticado, tem mostrado retorno pela obtenção de aves menos propicias a enfermidades”, destaca.

Mais informações você encontra na edição de Aves de julho/agosto de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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