Consumidor Brasileiro - 25.09.2017

Pesquisa revela que bem-estar é só o sexto item considerado na hora da compra

É preciso que indústria e produtor entendam necessidade do bem-estar animal para atender ao novo consumidor que vem surgindo

- Arquivo/OP Rural

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Apesar de ser um assunto há algum tempo em pauta, o bem-estar animal ainda gera muita discussão entre especialistas, agroindústria e produtores. Agora, quem também entrou nesse debate foi o consumidor, interno e externo, que busca por um produto diferenciado no mercado. Saber como estes programas de bem-estar animal estão funcionando, além de ter uma correta e clara legislação do assunto ainda são pontos que merecem atenção especial. Apesar das preocupações da indústria em promover mudanças, uma pesquisa revela que no Brasil e bem-estar é só o sexto item levado em conta na hora de comprar frango. Preço continua sendo fator decisivo.

O zootecnista e gerente de Agronegócio Sustentável da World Animal Protection, José Rodolfo Ciocca, que falou durante o Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (Siavs), entre os dias 29 e 31 de agosto, em São Paulo, SP, comenta que hoje existe uma grande preocupação por parte dos consumidores sobre como a cadeia está lidando com o bem-estar animal. “Isso ainda cresce em países emergentes, como o Brasil, mas é uma preocupação clara em países desenvolvidos”, diz. Ele esclarece que, por isso, a indústria já vem buscando se adaptar a esse novo mercado e a suas exigências. “No Brasil ainda não é uma realidade porque o consumidor tem uma visão bucólica de como é o sistema de produção do país. Esse consumidor ainda acha que o sistema é onde os animais são criados soltos, não um sistema de forma industrial”, esclarece.

Ele informa que isso foi observado a partir de uma pesquisa realizada em 2016 pela World Animal Protection, que revelou que 76% dos brasileiros entrevistados não sabem como os animais são criados no Brasil. “Este resultado é semelhante também no Chile, Colômbia e México”, conta. Além disso, o bem-estar animal foi ranqueado pelos consumidores em sexto lugar de importância. “Em primeiro vem o preço, depois a qualidade e a validade. Porém, mesmo assim essa preocupação é algo que vem crescendo ano a ano, de como os animais são criados”, conta. Para Ciocca, a partir do momento em que as pessoas começarem a ter informações de como o animal é criado, elas começam a se atentar mais e se preocupar e exigir mais sobre essa forma de criação.

Ciocca ainda comenta que não somente a indústria, mas também a cadeia como um todo, incluindo o governo, precisa melhorar o entendimento do que é bem-estar animal. “Porque muitas vezes esse entendimento é bastante equivocado. As pessoas acreditam que bem-estar são os animais criados soltos, ao ar livre, mas isso pode gerar problemas de sanidade e biosseguridade, por exemplo. Na verdade, bem-estar é uma ciência, não algo subjetivo. E por ser uma ciência, sabemos que conseguimos resultados, indicadores bastante objetivos”, esclarece.

Indicadores de Bem-Estar

O zootecnista comenta que quando se fala em avaliar o bem-estar animal é preciso se basear principalmente em três indicadores: comportamental, fisiológico e ambiental. “Normalmente a cadeia acaba considerando bem-estar baseado somente em uma boa alimentação, boa temperatura, conforto do animal. Mas inúmeros indicadores que são extremamente importantes, como comportamento e fisiologia, ficam de fora”, diz. Ele diz que é por isso que acredita que é preciso fazer um trabalho conjunto com as agroindústrias. “É preciso mostrar que a implementação de indicadores de bem-estar focado no comportamento e fisiologia geram resultados significativos, tanto para o bem-estar quanto para melhorias de resultados zootécnicos”, afirma.

Além dos mais, o profissional comenta que seguir estas regras de bem-estar nem sempre vão gerar uma melhoria na produtividade. “Precisamos quebrar o mito de que isto prejudica a produtividade, porque é incorreto dizer”, comenta. Ele explica que nem toda a mudança obrigatoriamente vai gerar uma melhoria na produtividade. “A agroindústria e o produtor precisam entender que a demanda do consumidor está também atrelada a questão ética”, diz. As novas regras sobre bem-estar animal que estão surgindo para toda a cadeia se adequar são também para suprir as necessidades que este novo consumidor que está surgindo busca.

Normatização

Ciocca destaca que apesar dos avanços que o Brasil tem feito em bem-estar animal ainda existe uma carência de uma correta normatização que produtores e agroindústrias possam seguir. “O Riispoa (Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal) está principalmente relacionado ao abate. Mas está bastante genérico. Porém, o Brasil já vem tendo avanços neste sentindo, quando o assunto é criação, além de também contar com uma legislação específica para o transporte. São passos importantes que o país vem dando”, comenta. Para ele, ainda existe um grande caminho para percorrer.

O zootecnista comenta que algumas empresas já vêm buscando formas de operar que atendam ao bem-estar animal. “Existe um mercado e operações lá fora que exigem isso. Por isso da antecipação na tratativa de uma normativa de bem-estar animal”, comenta. Para ele, ter esta correta e clara legislação permite que o produtor e a própria indústria sejam mais transparentes com o consumidor de como a produção é feita.

De acordo com o profissional, é importante todos saberem que o bem-estar é uma tarefa básica na produção animal. “Essa tem sido uma demanda do consumidor, do mercado interno e externo, e uma necessidade dos animais”, afirma. Ciocca comenta que as mudanças são necessárias, e precisam ocorrer, porém, não é algo que deva ser feito de forma “atropelada”. “Não tem como mudar as coisas do dia para a noite. Mas é preciso que a cadeia se organize, planeje e defina metas”, cita.

Mais informações você encontra na edição de Aves de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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