- 02.01.2018

Penz “puxa a orelha” da academia, indústria e estudantes

Diretor global de Contas Estratégicas da Cargill, Antônio Mário Penz, sugere que estudantes, academia, indústrias e empresas deveriam estar mais próximos para formar profissionais mais qualificados

- Arquivo/OP Rural

Um dos destaques do Workshop Sindiavipar (Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná), que aconteceu nos dias 09 e 10 de novembro, em Foz do Iguaçu, PR, foi a palestra do diretor global de Contas Estratégicas da Cargill, Antônio Mário Penz. Com larga experiência no agronegócio, o também professor falou sobre liderança e gestão de pessoas, traçando um panorama sobre os novos caminhos e os desafios encontrados na tarefa de administrar recursos humanos e, em especial, o papel do líder na formação de equipes competentes e comprometidas com resultados. Parte de sua exposição, no entanto, foi dedicada a criticar a formação dos novos profissionais de Zootecnia, Agronomia e Medicina-Veterinária. Para ele, estudantes, academia, indústrias e empresas deveriam estar mais próximos para formar profissionais mais qualificados.

Penz disse que o Brasil é um país peculiar por ter centenas de universidades, o que, em sua opinião, tornou o ensino mais pobre. “São cerca de 2,3 mil universidades no país, 87% privada e 13% pública. Desse total, são 505 faculdades de produção animal, ou cerca de 21%, mas apenas 2,2% dos alunos totais. Esse número de faculdades não existe em lugar nenhum do mundo. O que estamos observando é uma banalização do conhecimento acadêmico. É universidade para tudo que é lado, estudantes com falta de foco, ambiente muito técnico e cenários sem realidade prática e noções de negócio”, destacou.

Para ele, as empresas e indústrias onde esses profissionais vão trabalhar no futuro têm parcela de culpa na formação inadequada para o que o mercado precisa. “Vemos estudantes limitados para enxergar as possibilidades que terão dentro de uma empresa. Temos com isso a chegada de profissionais despreparados, com pouca capacitação, o que é um problema. Mas as empresas precisam estar mais próximas da academia, tem que ir até a universidade para vender suas ideias, seus valores, e isso a gente não faz. A empresa também tem que dizer para a universidade o que quer. A preparação não está restrita à formação acadêmica. Os três setores - universidades, pessoas e empresas - são necessários”, frisou. “Ao final, são as empresas que precisam dos talentos”, acrescentou Penz.

Penz voltou a falar dos estudantes, pedindo mais esforço durante o processo de qualificação profissional. “Meus jovens, resiliência e a palavra de ordem. Hoje vemos estudantes com pouca resiliência. Jovem, não te entrega”, alertou. “O estudante precisa de orientação profissional, mas também autoconhecimento, preparação, boa comunicação e uma segunda língua, principalmente inglês”, aponta. “Ou ganhamos juntos ou perdemos juntos”, emendou o diretor global da Cargill.

 

Importância do Líder

“O sucesso e o fracasso empresarial são determinados pela maneira como as companhias selecionam, treinam e gerenciam seus colaboradores. Meu objetivo para essa palestra é orientar o processo para o desenvolvimento do capital humano, com o intuito de aumentar sua competitividade, propondo uma interação dos colaboradores com o negócio e objetivos da empresa”, disse Penz.

Mas como encontrar e, especialmente, reter bons profissionais? Para ele, o líder da empresa deve ter a incumbência de encontrar, motivar e desenvolver esses profissionais. “Não há negócios bons com pessoas ruins. A gestão de pessoas depende delas próprias, da formação universitária, quando for o caso, mas, o mais importante é como ela é tratada na empresa em que trabalha. Em toda organização, é o gestor, o líder que tem a maior responsabilidade em desenvolver e reter talentos”, argumenta.

A Procura por Talentos

Penz orienta sobre algumas características que devem ser observadas na hora da contratação. “Queremos um profissional com inglês, boa comunicação, capacidade empreendedora, criatividade e inovação, entusiasmo, vontade e energia, coragem extra para enfrentar desafios, planejamento e organização, capacidade de trabalhar sob pressão”, comenta.

Para atrair essas pessoas, o palestrante diz que a empresa precisa oferecer mais que salário. “Hoje as pessoas querem que empresa tenha uma boa imagem no mercado, querem desenvolvimento profissional, qualidade de vida, possibilidade de inovar, carreira internacional, salários e benéficos diferenciados”, aposta.

Desenvolvimento de Pessoas

Novos profissionais e empresas têm responsabilidades no desenvolvimento de pe3ssoas, na visão do palestrante. “Desenvolvimento é se tornar interessante. Isso cabe ao profissional, que precisa ter postura ativa, fazer acontecer. O aprendizado tem que ser constante, por isso o papel das empresas em motivar, delegar atividades condizentes com as capacidades, dar suporte necessário para que gestores participem, pois hoje queremos uma administração de competência, não hierárquica. A empresa é a educação continuada, onde continuo meu processo de formação”, destacou.

Retenção de Talentos

Na opinião do diretor, “os mesmos fatores para atrair talentos são os mesmos para reter”, reforçando a opinião dos líderes nesse cenário. “As organizações muitas vezes não percebem a frustração dos funcionários porque os gestores não fazem perguntas, gestores não sabem ouvir. As pessoas reclamam de salários, mas têm outras questões mais robustas, pois esse profissional tem necessidade de autorealização, estima, associação, segurança. Compartilhar o sucesso é hoje muito importante”, pontua. “Um bom líder deve ter conhecimento técnico, falar a língua dos jovens, estar próximo de sua equipe, ter paixão pelo que faz, conhecer as pessoas da equipe”.

Desafios Futuros

Para Penz, o desafio para o futuro é promover um ambiente de trabalho cada vez menos hierárquicos e mais em grupo, mesmo lidando com pessoas que procuram resultados rápidos e com pouca capacidade de vencer desafios impostos no dia a dia. “O futuro é de um mercado competitivo, com pessoas imediatistas e sem resiliência, e mudanças ainda mais rápidas e dinâmicas. Temos uma redução de burocracia e hierarquia e maior estruturação em rede -várias pessoas -, equipes com objetivo comum”, acrescenta Penz.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de novembro/dezembro de 2017 ou  “ONLINE” 

Fonte: O Presente Rural

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