Eficiência - 08.01.2018

Pecuaristas de corte usam modelo integrado de produção

Experiência hoje exitosa começou pela dificuldade que produtores individuais encontravam para vender o rebanho

- Giuliano De Luca/OP Rural

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As alianças mercadológicas de produtores de carne bovina ganham espaço no Paraná e deixam o produtor amparado em um modelo cooperativista de negócio. São sete alianças no Estado, que congregam produtores para que consigam, com mais facilidade, acessar mercados, barganhar preços de insumos e produzir carnes padronizadas. Uma delas fica em Pato Branco, no Sudoeste do Paraná, que há pouco tempo evoluiu para o sistema de integração e redesenhou a maneira de produzir. Os sócios fazem a recria dos animais e os encaminham para uma única fazenda, onde é feita a engorda, ou acabamento, para a industrialização das carnes.

A experiência hoje exitosa começou pela dificuldade que produtores individuais encontravam para vender o rebanho. “Por volta do ano de 2005 os produtores aqui da região estavam enfrentando dificuldades na comercialização. Havia oferta de animais, mas pouca opção de venda. Nesse tempo, em todo o Paraná, foram criadas alianças mercadológicas. Foi quando criamos a Novicarnes, pois sentíamos essa dificuldade de acessar mercado”, afirma o gerente da Novicarnes, Isonel Rosin.

O profissional se desdobra entre o frigorífico com marca própria, pela manhã, e a fazenda onde é feito o acabamento dos animais, à tarde. Ao lado de 1,5 mil animais - em janeiro serão 2,5 mil -, ele conta que a aliança permitiu a solidez do negócio para os sócios. “São 23 sócios, de 11 propriedades, que se uniram e hoje fazem a recria, abatem só animais com menos de 24 meses e comercializam com marca própria, ganhando mais com carnes mais nobres”, comenta o gerente da aliança.

Mudanças

Até o ano de 2014, explica Isonel, a Novicarnes abatia animais sem distinção, mas mudou o posicionamento para abater animais mais jovens, segundo ele, por exigência do consumidor. “Em 2014 a gente abateu 36 mil animais, pois a gente abatia com mais de dois anos, abatia vaca. Em 2015, começamos a concentrar o abate só em gado precoce. Naquele ano, foram 28 mil abates. Em 2016, foram 18 mil cabeças. Agora, voltamos a evoluir. Em 2017 foram 20 mil cabeças, com 70% abaixo de 24 meses, e em 2018 serão 25 mil abates no ano”, comenta Isonel.

Para ele, uma das vantagens da aliança de Pato Branco é o sistema criado para a engorda dos animais. “Cada sócio faz a recria na sua fazenda (até os 21 meses). Depois, encaminham os animais para essa fazenda, que é alugada, onde concentramos o acabamento dos animais. Aqui eles ficam por cerca de cem dias até irem para o abate”, comenta. “Assim o produtor pode se concentrar em uma fase específica e se especializar naquilo. E ainda teremos uma propriedade exclusiva para o acabamento, o que também melhora o desempenho”, explica. “A pecuária de corte está caminhando para a integração, assim como acontece com a suinocultura e a avicultura”, sugere o profissional.

Robusto

Esse modelo, com a fazenda exclusiva para acabamento, no modelo de confinamento, começou em 2013, lembra o gerente, quando a dificuldade era ter constância de animais para alimentar a demanda do frigorífico. “Locamos essa fazenda porque a gente sentia dificuldade em ter constância de animais. Fizemos algumas melhorias e ampliações. Hoje (novembro) são 1,5 mil confinados. Mas já estamos fazendo novas ampliações para chegarmos a aproximadamente 50% da demanda do frigorífico. Em 2018 os associados devem produzir seis mil cabeças, mas nosso planejamento é aumentar esse número para oito mil em 2019 e 12 mil animais/ano em 2020. Com isso, vamos atender cerca de 50% da capacidade do frigorífico”, explica.

Na fazenda também são cultivados 200 alqueires de milho usado no acabamento, garantindo menores custos na formulação das dietas. As lavouras são cultivadas com o adubo produzido pelos dejetos dos animais. “Nós fazemos nossa silagem de milho, o que nos deixa menos suscetíveis às flutuações de mercado. Temos menor custo para produzir esse milho porque todo o dejeto dos animais vai para a lavoura”, comenta. No ano passado, foram consumidas dez mil toneladas de silagem. A ração completa a dieta na fazenda de engorda. “A comida aqui é à vontade. O animal é tratado ao menos cinco vezes por dia. Ele precisa atingir um peso ideal em menos de 24 meses”, comenta.

Raças

Na fazenda de acabamento os animais são segregados de acordo com as raças, explica o gerente, com destaque para o Angus e o Hereford. “Separamos eles por raça. De um lado fica só Angus, de outro o Hereford, que temos certificado. Em outros locais, fica a linha geral, com diversas raças, como Nelore, Charolês, Brahman, etc.”, cita Isonel. “O Angus e o Hereford têm uma carne mais marmorizada, que fica mais saborosa. O mercado paga um pouco a mais por isso”, comenta, falando sobre os motivos da segregação.

A Aliança

O faturamento da aliança mercadológica Novicarnes fechou 2017 em R$ 12 milhões. Para este ano, com os novos investimentos na ampliação da capacidade de produção da fazenda de acabamento, a diretoria estima um faturamento de R$ 20 milhões. A entidade, composta por 23 sócios, emprega cinco pessoas na fazenda de acabamento e outras 65 no frigorífico. A carne é distribuída para as regiões Sudoeste, Sul, Central e Metropolitana de Curitiba.

2017 e 2018

De acordo com Isonel, a aliança garantiu segurança a seus cooperados nesse ano de Operação Carne Fraca e queda nos preços da arroba. “Ao contrário do mercado de carnes em geral, vimos o ano de 2017 passar com muita tranquilidade. Enquanto grande parte da pecuária retraiu, nós crescemos”, aponta. Com projeções ousadas, a Novicarnes espera que 2018 seja melhor que o ano que passou. “Nossos projetos nos deixam muito confiantes para o ano que vem (2018)”, pontua o produtor de Pato Branco.

Mais informações você encontra na edição do Anuário do Agronegócio Paranaense de janeiro/fevereiro de 2018.

Fonte: O Presente Rural

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