Mercado - 26.07.2018

Pecuária brasileira tem tudo para se tornar melhor do mundo, afirma consultor

Entender mercado, adotar tecnologias e estratégias é essencial para pecuarista vender mais e melhor

- Arquivo/OP Rural

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Uma das maiores dificuldades da pecuária atualmente ainda é a comunicação. O trabalho desenvolvido pelo pecuarista brasileiro é um dos melhores do mundo. Porém, transmitir isso para o consumidor para vender mais ainda é um desafio. O consultor em Agronegócio Ivan Wedekin falou sobre “o que a pecuária tem que fazer para vender mais e melhor” durante a InterCorte, que aconteceu em abril, em Cuiabá, MT.

A linha de pensamento do consultor é simples: para vender mais é preciso ter demanda. E, para ele, isso existe. “Nós temos um grande mercado interno, são 209 milhões de habitantes. Além do mais, quando olhamos a demanda mundial, os produtos que mais cresceram foram soja, milho, carne de frango e suína e leite. Estes são os produtos que estão na ponteira com as maiores taxas de crescimento de consumo. Então, a demanda mundial está também muito refletida na produção brasileira”, conta.

Para Wedekin, a demanda reflete dentro do Brasil porque o pecuarista está produzindo aquilo que o mundo quer. “Os produtos de origem animal nós produzimos nas mais diferentes manifestações de exigência do consumidor. A nossa matriz produtiva está adequada a esse crescimento da demanda mundial. Estamos produzindo internamente com muita eficiência o que o mundo quer”, afirma. De acordo com ele, o agro brasileiro é gigante e global.

Dessa forma, ele explica que isso se reflete em como é o mercado internacional brasileiro. “Se formos olhar, há 20 anos a China não importava nada, e agora está importando quase 100 milhões de toneladas de soja do Brasil. A China é o nosso grande cliente e ela está transformando o agro brasileiro”, destaca. Ele explica que essa importação da soja é importante, porque a demanda por outros produtos também impulsiona a carne bovina.

Ásia

O consultor informa que os maiores consumidores de carne bovina do mundo são Estados Unidos e China. Porém, os Estados Unidos – assim como o Brasil e a União Europeia – estão com o consumo praticamente estagnado. “Já a China tem um crescimento de 3 a 4% ao ano. Isso significa que assim como eles revolucionaram o nosso agro a partir da soja, agora revolucionam a partir das proteínas animais, especificadamente a carne bovina”, afirma.

Wedekin conta que de acordo com um estudo, nos próximos 10 anos o consumo per capita de carne bovina da China crescerá um quilo. “Esse crescimento significa que os chineses estarão demandando 1,74 milhão de toneladas a mais”, conta. Atualmente o país asiático importa quatro mil toneladas. “Nós estamos casados com esse desenvolvimento do mercado asiático”, afirma.

O consultor acrescenta que se o Brasil tem espaço e demanda, o país pode ser o maior produtor de carne bovina do mundo. “Mas, como atender a demanda e vender mais se a nossa pecuária está estagnada? Nos últimos 10 anos a produção de carne bovina no Brasil cresceu apenas 10,8% ao ano. E isso se deve a um aspecto que é o conceito de tolerância”, conta. Ele explica que este conceito significa que a pecuária é bastante tolerante a convivência com outros sistemas com elevados níveis de produtividade. “Essa convivência com diversos sistemas faz com que a nossa produtividade média seja baixa e, com isso, o nosso preço acaba sendo alto. Se o preço é alto, você perde para os concorrentes – a carne de aves e suína”, explica.

De acordo com o profissional, essa convivência entre lavoura e pecuária vai fazer com que o potencial da pecuária tradicional do Brasil aumente. “Aquilo que é uma ameaça de crescimento na verdade é uma grande oportunidade para a pecuária. Isso deriva de toda a necessidade de adoção de tecnologia e intensificação das atividades produtivas”, comenta. Wedekin acrescenta que se o Brasil tem que vender mais, só será possível para quem investe. “Então, esse é o desafio. O caminho é a integração e buscar novas tecnologias”, afirma.

Para vender melhor?

Wedekin reitera que a primeira coisa para vender melhor é atender ao mercado como ele realmente é. “O mercado é aquilo que ele é, e não o que gostaríamos que fosse. O produtor rural, o pecuarista, não manda no preço do produto final ou do processo produtivo, não adianta brigar contra o mercado”, diz. O consultor afirma que é preciso que o pecuarista entenda o mercado para explorar os potenciais que ele oferece. “Na mente da população o boi é uma commodity, e as pessoas olham a carne de boi com atenção ao preço. Mas nós temos espaço para a diferenciação de produto”, comenta.

O consultor conta que após análise do mercado durante 20 anos, a conclusão que chegou foi que a formação do preço da carne e dos produtos derivados é comandada pelo atacado. “Na fronteira entre o atacado e o varejo é que se forma o preço da carne do boi. Concluímos ainda que, em média, o varejo demora três meses para levar aos consumidores alguma alteração a nível de preço de atacado”, conta.

Ele explica que o preço flutua mais para cima ou para baixo no atacado do que no varejo. “Quando o preço no atacado sobe, no varejo não sobe tanto. Porém, quando o preço no atacado cai, no varejo cai também. A verdade é que o varejo não gosta de alterar o preço na gondola do supermercado”, informa. O profissional afirma que é preciso entender como é formado o preço do boi e da carne bovina no Brasil, e esse preço não é formado a nível do produtor rural.

O consultor diz que é preciso compreender o mercado para tomar decisões e se proteger das oscilações, além de conseguir rentabilizar a atividade. “Os produtores que fazem a segunda safra de milho estão buscando aumentar a receita. É isso que precisamos ter na pecuária, através da intensificação do uso de tecnologias, para que a pecuária seja mais rentável”, conta.

Ele afirma que a pecuária é um negócio de ciclo completo, a longo prazo. “O que vai acontecer nas fazendas esse ano já está definido. Agora é executar o plano. O que podemos fazer para ser mais competitivos, eficientes e rentáveis é olhar as oscilações de preço para que possamos tomar as decisões corretas”, diz. Para Wedekin, é importante estabelecer mais eficiência na pecuária. “Tenho certeza que a nossa pecuária será a maior do mundo, seremos campeões nessa produção. Mas é preciso trabalhar o cenário nessa perspectiva e certamente seremos o orgulho da produção do agro brasileiro”, aponta.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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