Sanidade - 24.05.2018

Parvovirose causa falhas reprodutivas nas fêmeas

Vírus causa problemas reprodutivos nas matrizes, trazendo prejuízos para o produtor se não tomar as corretas medidas protetivas

- Arquivo/OP Rural

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Uma doença conhecida, mas difícil de ser diagnosticada, a parvovirose pode ser um pesadelo para o suinocultor. Os prejuízos inclusos na enfermidade estão desde perda de vida útil da matriz até de leitões ao nascer. Para explicar um pouco mais sobre o vírus e o que se sabe de novidade sobre o assunto, o professor doutor André Streck, da Universidade de Caxias do Sul (UCS), fala sobre “o que há de novo sobre parvovírus e parvovirose em suínos” no Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui), que aconteceu de 22 a 24 de maio, em Porto Alegre, RS.

O parvovírus é um vírus bastante pequeno - com um tamanho de cerca de 25 nanômetro -, considerado um dos menores que atinge os animais, explica Streck. Este vírus, por ser pequeno, tem como uma das principais características a resistência. “Ele é resistente à variação térmica, de pH e, inclusive, de luz solar”, conta. O professor diz que devido a esta característica, em uma granja que não siga exatamente os processos de biosseguridade e que o vírus esteja protegido da incidência direta de raios solares, ele pode sobreviver por até seis meses. Nas granjas, é um desastre para matrizes.

O profissional explica que a parvovirose é a doença causada pelo parvovírus. “Esta é uma enfermidade que causa basicamente doenças reprodutivas nos animais”, informa Streck. Ele exemplifica dizendo que se um animal adulto tem o vírus, ele, no máximo, terá uma elevação de temperatura extremamente branda, chegando a ser quase subclínica. “Ou seja, não vamos ver muita coisa nesse animal. Se nós pegássemos e fizéssemos um exame de sangue, veríamos uma queda nos leucócitos extremamente branda, mas outros sinais clínicos esse animal não vai apresentar”, conta.

Falhas reprodutivas

Streck diz ainda que mesmo desta forma, não é muito difícil de observar a doença, isso porque se a fêmea estiver prenha podem acontecer os abortamentos. “O único sinal clínico que vemos do parvovírus é em fêmeas gestantes que então terão abortos”, comenta. Ele explica que essas falhas reprodutivas podem vir de algumas formas, como por exemplo, a fêmea retornar ao estro, ou seja, o animal que o produtor tentará fazer a inseminação e verificar que não deu certo. “Neste caso, pode ser uma parvovirose que está acometendo o animal”, diz.

O que também pode acontecer, de acordo com o professor, é a morte do embrião ou do feto, resultando na mumificação desse feto. “Quando isso acontece nós não vamos verificar o abortamento no decorrer da gestação. O que a gente verifica é que essa fêmea deu à luz a uma leitegada, e junto a ela vai ter a presença de algumas múmias com estes animais saudáveis”, conta, acrescentando que podem ser duas ou três múmias no momento da parição.

Streck informa que o atrasado na data da parição ou alguns neonatos que nascem, mas são extremamente enfraquecidos, são outros sinais da doença. “Em outras palavras, qualquer falha reprodutiva pode estar associada ao parvovírus”, diz. Porém, o especialista esclarece que o sinal mais clássico do vírus é realmente o feto mumificado. “A presença de múmias na parição é bem característica dessa doença. É o sinal mais claro”, afirma.

A doença na prática

Os prejuízos do vírus são sentidos no bolso do suinocultor. Porém, mesmo assim, perder a matriz por completo é raro de acontecer, esclarece Streck. “O que acontece é que a matriz acaba perdendo vida útil no momento em que ela acaba tendo mais presença de múmias. Isso acaba gerando um custo maior em termos de reposição de matriz”, conta.

Para evitar estas perdas e maiores dores de cabeça, o professor conta que existem medidas preventivas. “A primeira e mais clássica são as vacinas. Hoje no mercado existe uma gama de vacinas somente para parvovírus”, diz. Ele explica que estas vacinas devem ser dadas no animal a partir de seis meses de idade, com reforço quatro semanas depois da primeira parição e duas semanas antes da cobertura. “Essas vacinas conseguem fazer uma boa proteção contra o parvovírus”, garante. Streck reitera que a primeira medida que o produtor tem que fazer é a vacinação. “Ela não é obrigatória, mas muito recomendada. Em termos de custo/benefício é bastante eficiente”, assegura.

Outra medida de prevenção citada pelo profissional é para aumentar a biossegurança na granja. “Espaços que têm um elevado nível de biossegurança simplesmente não tem parvovírus nos suínos. É importante realmente tentar elevar o nível de biosseguridade ao máximo, assim conseguimos fazer um bom controle e prevenção desse vírus”, diz.

É comum... mas quanto?

O professor afirma que problemas reprodutivos não são incomuns de serem encontrados nas granjas brasileiras. “Existem problemas reprodutivos. Mas esses problemas podem ser por diversas causas, sejam virais, bacterianas, nutricionais, de manejo ou parasitárias. E uma das coisas que complica muito é que geralmente menos de um terço de problemas reprodutivos são corretamente diagnosticados. Os outros dois terços de tudo isso, nós ainda não sabemos a causa”, conta Streck.

Ele comenta que isso acontece porque problemas reprodutivos vão aparecer somente um, dois meses depois que o problema realmente surgiu. “Somente depois que a fêmea teve a múmia, por exemplo. O que causa aquela múmia, estava lá no passado e, às vezes, não conseguimos perceber isso no momento certo”, diz. Streck explica que é complicado dizer que somente o parvovírus está causando todos estes problemas. “Nas minhas experiências trabalhando em granjas, verifiquei que quando tentamos fazer o diagnóstico do parvovírus, muitas vezes o resultado não é tão efetivo e não conseguimos diagnosticar. Isso porque pode ter sido outro agente causador que não estávamos imaginando em um primeiro momento”, comenta.

O profissional afirma que por este diagnóstico ser complexo, é difícil avaliar o prejuízo direto que o vírus causa. “Isso é realmente complicado de avaliar. O que posso dizer é que o vírus está presente no Brasil e temos dados de produtores que apontam que quando deixam de vacinar por um tempo esses problemas realmente aumentam. Mas no momento não temos um estudo direto da prevalência do vírus no Brasil”, diz.

Streck ainda acrescenta que a incidência do vírus nas granjas não dependerá da região, mas da qualidade de trabalho que será desenvolvido, além do manejo e do que é feito em biossegurança naquela propriedade.

Vírus Mutante

Sendo a vacinação uma das melhores medidas preventivas, Streck comenta que vem sendo pesquisado no decorrer dos anos a diversidade do parvovírus. Ele explica que ainda é necessário trabalhar e explorar mais sobre a incidência do vírus, principalmente pelo fato das mutações que está sofrendo, se adaptando em cada região. “O que precisamos é trabalhar mais as novas variantes. As novas limitações representam um risco para nós, como pode representar uma nova enfermidade, para que possamos usar melhor as ferramentas”, diz.

O profissional explica que o vírus não é como se achava no passado. “Ele não é um vírus completamente estável, mas que sofre interferências. Ele está simplesmente se adaptando, independentemente da vacina, para achar uma condição melhor para que sobreviva”, informa. Ele diz que o que pode ser feito é trabalhar mais as novas variantes. “No Brasil temos as vacinas para o vírus. Mas o interessante é que já há empresas brasileiras investindo em parceiras com grupos de pesquisa justamente para tentar entender como é que esse vírus se comporta no Brasil. Ou seja, como é a diversidade desse vírus aqui e se a vacina que está sendo disponibilizada seria habituada ou não”, confidencia.

Mais informaçõe você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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