- 28.12.2017

Para CNA, Brasil precisa agregar mais valor em produtos exportados

Durante Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio superintendente de Relações Internacionais da CNA defendeu que o país precisa diversificar produtos para conquistar novos mercados e facilitar acesso de pequenos e médios produtores ao mercado ex
Superintendente de Relações Internacionais da CNA, Lígia Dutra Silva: “Somos líderes no agro porque os nossos produtos são saudáveis, ecologicamente sustentáveis, rastreáveis e socialmente responsáveis”

Superintendente de Relações Internacionais da CNA, Lígia Dutra Silva: “Somos líderes no agro porque os nossos produtos são saudáveis, ecologicamente sustentáveis, rastreáveis e socialmente responsáveis” - Arquivo/OP Rural

O grande potencial que o Brasil possui no agro não é segredo para ninguém. Um dos maiores exportadores e com produtos de qualidade comprovada, o país é um gigante em ascensão. O produtor brasileiro já percebeu isso e o mundo também. Para mostrar um pouco sobre a situação atual do país, a superintendente de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Lígia Dutra Silva, falou durante o 2° Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, que aconteceu em outubro, em São Paulo, SP.

Ela conta que o agronegócio é a estrela da balança comercial brasileira, representando 46% no comércio exterior. “Ano passado nós exportamos US$ 84 bilhões. Este é o valor em dólares que entrou no Brasil e ajudou o país em um ano que foi bastante difícil”, diz. No mesmo período, o país importou US$ 10 bilhões. “A balança comercial brasileira teve uma média de US$ 70 bilhões em saldo positivo por conta do agronegócio”, destaca Lígia.

A superintendente destaca que o Brasil mostra bastante competitividade. Ela conta que 24% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro vem do agro. “É um valor significativo. Somos um setor que gerou empregos em um momento difícil que o país passava”, afirma. Entre outros dados positivos apresentados por Lígia é que o Brasil representa cerca de 1,2% nas exportações mundiais. “Se pegarmos todos os países e vermos o que cada um vende, o Brasil representa somente este montante”, conta. Agora, se separar os setores e destacar somente o agro, o país representa 6,7%. “Somos o quarto maior exportador mundial no agronegócio. E ainda temos muito no que crescer”, afirma.

Brasil Competitivo

Lígia informa que o principal exportador é a União Europeia, porém destaca que eles não têm mais muito espaço para crescer. “São grandes exportadores, mas principalmente porque eles têm condições muito diferentes do produtor brasileiro, porque têm uma série de subsídios e benefícios que o próprio governo da comunidade europeia paga para o produtor”, conta. A superintendente reforça que esta é uma realidade bem diferente do produtor brasileiro. “Aqui nós não temos apoio, não temos o pagamento direto de dinheiro público para o produtor como existe na UE e nos Estados Unidos, que é o segundo maior exportador. Então, nós competimos no mercado internacional porque somos realmente bons no que fazemos, esta é a realidade”, afirma.

União Europeia e Estados Unidos, que são os dois primeiros maiores exportadores mundiais, são competitivos, mas que têm grande ajuda do setor público, destaca Lígia. “E isto é um detalhe importante diferente do Brasil. Aqui vemos a força que temos e o porquê dos outros países temerem a nossa concorrência. Porque se sem ajuda nós já somos o quarto maior produtor mundial, imagina se tivéssemos 55 bilhões de euros, que foi o que os produtores europeus receberam no ano passado, de ajuda do governo”, diz.

Já sobre os destinos dos produtos brasileiros, o principal mercado é o chinês, depois vem a União Europeia, Estados Unidos, Irã e Japão. “Os nossos principais produtos que exportamos são o café, açúcar, frango, carne bovina, milho, carne suína e os derivados de soja e algodão”, diz. Lígia ainda acrescente que os pontos que tornam o Brasil líder no agro são por conta de os produtos serem saudáveis, ecologicamente sustentáveis, rastreáveis e socialmente responsáveis.

Oportunidade

Para ela, o Brasil tem um papel protagonista para produzir alimentos para o mundo. “Isso não vai ser fácil, porque precisamos agregar valor no que fazemos”, diz. Lígia reitera que não é ruim exportar commodities, basta olhar como está a balança comercial brasileira hoje, porém, não é somente isso que o país pode oferecer. “Nós podemos e devemos diversificar. Precisamos agregar valor ao nosso produto, porque é nestes nichos que damos oportunidade para o pequeno e o médio produtor” afirma. De acordo com Lígia, atualmente o grande produtor é o que mais exporta no país, e esta é uma realidade que precisa ser mudada. “Temos alternativas, porque o mundo precisa cada vez mais dos nossos alimentos. Precisamos promover acesso ao mercado, fazer acordos comerciais que sejam bons para o nosso setor e aproveitar as nossas vantagens de competitividade”, diz.

Lígia confessa que o caminho para isto é longo e difícil, porém é preciso que seja percorrido para que o país não fique à mercê do comércio internacional. “É preciso que façamos mudanças, melhoremos a qualidade dos nossos produtos, diversifiquemos mercado, investindo e buscando a nossa maior capacidade de produção para atender ao mercado externo e vencer a grande burocracia que existe no nosso país quanto às exportações. É um longo caminho que precisamos percorrer para facilitar o acesso dos pequenos e médios produtores também a este mercado”, crava.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de novembro/dezembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

ACAV 2018

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.

IntercorteINTERCONFACAV 2018PORK EXPO 2018VIII ClanaDia do Porco 2018