Nutrição - 09.07.2018

Óleos funcionais melhoram desempenho de frangos desafiados por coccidiose

Óleos funcionais têm comprovada eficiência em melhorar o desempenho de frangos por sua atuação na microbiota e no sistema imune dos animais

- Arquivo/OP Rural

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Artigo escrito por Priscila de Oliveira Moraes e Andréa Machado Leal Ribeiro, da Oligo Basics

O consumidor de produtos de origem animal está cada vez mais preocupado com os aditivos utilizados na nutrição animal. Após a adoção do chamado princípio de precaução pela União Europeia, banindo a utilização de antibióticos como promotor de crescimento, essa prática tornou-se uma tendência global e irreversível.

Este movimento aumentou a busca por aditivos zootécnicos que proporcionem uma melhor saúde intestinal para os animais de produção, visto que ela é um fator decisivo para melhorar os índices produtivos na granja de frangos de corte. Os óleos funcionais têm sido definidos como aqueles óleos que possuem atividades além do seu conteúdo energético, como o óleo de mamona e o líquido da casca de castanha do caju, essa mistura tem comprovada eficiência em melhorar o desempenho de frangos por sua atuação na microbiota e no sistema imune dos animais. Além disso, são ingredientes naturais, fato que contribui para o conceito de Saúde Única (“One Health”), que é a soma de vários esforços locais e globais com o objetivo de manter os animais saudáveis e produtivos, a fim de nutrir uma população saudável e crescente, reduzindo os impactos nos recursos naturais gerados.

Coccidiose na avicultura

Entre as numerosas ameaças à saúde intestinal dos frangos, a coccidiose é um dos principais motivos de preocupação, pois acarreta perdas econômicas de milhões de dólares a cada ano. É uma doença causada por protozoários do gênero Eimeria. Em frangos de corte as espécies principais são E. acervulina, E.máximae E. tenella, sendo que cada espécie de Eimeria possui características próprias quanto à prevalência, local de infecção, patogenicidade e imunogenicidade.  No entanto, alta mortalidade com coccidiose clínica não é comum. Na maioria dos casos ocorre a infecção subclínica, o que dificulta o diagnóstico da doença em um tempo hábil para começar um tratamento antes que ocorra a perda de desempenho.

A Eimerias spp. possui um grande potencial reprodutivo; a ingestão de um único oocisto esporulado pode desencadear a eliminação de milhares de oocistos na cama e, consequentemente, reduzir o desempenho animal, piorando a digestão e absorção de nutrientes, em virtude das lesões no trato gastrointestinal. Além disso, o desafio por coccidiose pode mudar drasticamente a comunidade bacteriana no intestino, diminuindo a diversidade microbiana e criando um ambiente favorável para disseminação de outros patógenos, como a bactéria gram-positiva Clostridium perfringens.

O C. perfringens faz parte da microbiota normal do ceco das aves, portanto, sua presença nem sempre causa enterite necrótica. Para que isso aconteça, ele precisa expressar fatores de virulência e estar em um ambiente favorável para sua instalação e multiplicação. Entre esses fatores estão condições de estresse, imunossupressão e lesões causadas por coccidiose. A retirada dos antibióticos como promotores de crescimento tem sido acompanhada pelo aumento da incidência e severidade da enterite necrótica causada pelo C.perfringens.

Óleo de mamona e líquido da casca de castanha de caju

Modulação do sistema imune. O blend de óleos funcionais atua proporcionando ao hospedeiro uma melhor resposta imune, aumentando a produção de algumas citocinas pró-inflamatórias, como o interferon gama (IFN-γ) e fator de necrose tumoral (TNF-α) que estão intimamente relacionadas com a imunidade contra o parasita, tornando o hospedeiro mais apto para combater o parasita ou outras infecções causadas por bactérias oportunistas. Por outro lado, reduz IL-1 e cicloxigenase2 (COX-2), direcionando a resposta contra o parasita.

Embora a infecção por Eimeria spp. induza uma resposta imune complexa ao hospedeiro, em função do parasita apresentar um ciclo de vida extracelular e intracelular, estudos com as principais espécies de Eimeria revelaram que o sistema imune inato e o mediado por células têm um papel essencial tanto pela produção de citocinas como por ataque citotóxico direto nas células afetadas. O IFN-γ é uma peça chave contra Eimeria, o qual entre outras funções, estimula os macrófagos a produzirem óxido nítrico, que inibe a replicação do parasita no interior das células hospedeiras.

Menor excreção de oocistos pode ser observada em frangos que receberam o blend de óleos funcionais ou monensina quando comparados com animais que não receberam nenhum dos dois. Isso porque o blend de óleos funcionais modula o sistema imune do hospedeiro para que o mesmo elimine o parasita, sendo demonstrada sua eficácia pela menor excreção de oocistos. Ao contrário, a monensina é um ionóforo que mata o parasita, prejudicando o equilíbrio osmótico, ao causar o rompimento da membrana intestinal.

Prevenção do aumento de bactérias patogênicas gram+ durante o desafio, sem alterar o número total de bactérias. Ou seja, há uma modulação da microbiota intestinal utilizando o blend de óleos funcionais, mantendo o número de bactérias benéficas como Lactobacillus ssp. e reduzindo bactérias patogênicas oportunistas como C.perfringens e Staphylococcus aureus. Duas são as explicações para essas respostas: primeiro, o sistema imune dos animais desafiados que recebem este blend está mais preparado, não permitindo que bactérias oportunistas se reproduzam, ao incentivar o próprio hospedeiro a atuar contra elas. Segundo, os compostos presente no blend, como o ácido ricinoleico, principal componente do óleo de mamona, tem ação antimicrobiana através dos seus derivados de ésteres, rompendo ligações glicosídicas dos peptideoglicanos presentes na parede das bactérias gram-positivas. Há também o cardanol e o cardol, principais componentes do líquido da casca de castanha do caju, que apresentam terpenóides e compostos fenólicos que causam danos à parede celular dessas mesmas bactérias. O blend porém não é efetivo contra bactérias gram -, como Escherichia coli.

Melhor desempenho de frangos desafiados por Eimeria spp. após 14 dias do desafio utilizando o blend de óleos funcionais. Embora 7 dias após o desafio se observe uma redução no desempenho, isso acontece porque há uma ativação maior do sistema imune que demanda um grande gasto de nutrientes. No entanto, essa ativação é de grande importância para a eliminação do parasita e para manter uma microbiota equilibrada durante o processo infeccioso, como foi demonstrado anteriormente. A conclusão é que por mecanismos de ações diferentes, tanto a monensina como blend de óleos funcionais reduzem o impacto causado pelo desafio da coccidiose, melhorando o desempenho animal ao final dos 42 dias.

Considerações finais

A retirada dos antibióticos como promotores de crescimento faz com que a indústria busque cada vez mais aditivos eficazes para superar os efeitos negativos causados por problemas intestinais, como a coccidiose. O blend de óleos funcionais possui potencial para ser utilizado como um promotor de crescimento natural, apresentando resultado de desempenho semelhante ao ionóforo monensina. 

Mais informações você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2018.

Fonte: O Presente Rural

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