Produção - 03.11.2017

O poder do frango halal

Com planejamento e capacidade de adaptação às necessidades dos clientes, a indústria brasileira tomou esse mercado e se tornou o maior produtor e exportador desse tipo de ave, exigida pelos muçulmanos

- Arquivo/OP Rural

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Halal é uma palavra árabe que significa legal, permitido. Todos os alimentos são considerados halal, exceto carne de porco e seus derivados, animais abatidos de forma imprópria ou mortos antes do abate, animais abatidos em nome de outros que não sejam Alá, sangue e produtos feitos com sangue, álcool e produtos que causem embriaguez ou intoxicação e produtos contaminados com algum desses produtos. Animais como o frango são considerados halal, desde que sejam abatidos segundo os Rituais Islâmicos (Zabihah). Nesse mercado, o Brasil é líder absoluto. Com planejamento e capacidade de adaptação às necessidades dos clientes, a indústria brasileira tomou esse mercado e se tornou o maior produtor e exportador desse tipo de ave, exigida pelos muçulmanos.

De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal, a técnica de abate halal deve seguir seis passos. O animal deve ser abatido por um muçulmano que tenha atingido a puberdade. Ele deve pronunciar o nome de Alá ou recitar uma oração que contenha o nome de Alá durante o abate, com a face do animal voltada para Meca. A ave não deve estar com sede no momento do abate. Outra exigência é com relação à faca, que deve estar bem afiada e não ser afiada na frente do animal. O corte deve ser no pescoço em um movimento de meia-lua, cortando os três principais vasos (jugular, traqueia e esôfago) do pescoço. A morte deve ser rápida para evitar sofrimentos para o animal e todo o sangue deve ser totalmente retirado da carcaça.

Conforme a ABPA, o Brasil é o maior produtor e exportador de carne de frango halal do mundo e mira em novos mercados que se abrem, como Bangladesch. O país de 150 milhões de habitantes é de maioria muçulmana. Mas a indústria está de olho em outros países além do Oriente Médio, onde parte da população também é muçulmana. “Na Inglaterra, 30% dos consumidores são muçulmanos”, cita o presidente da Cooperativa Lar, de Medianeira, PR, Irineo da Costa Rodrigues. De acordo com o dirigente, a avicultura moderna brasileira se moldou a esses mercados e garantiu a dianteira nas vendas para esse público. “Nós temos a melhor avicultura do mundo”, assinala Rodrigues.

“Temos que nos moldar às exigências de mercado. Os certificadores veem aqui, dizem como querem a produção e nós fazemos. Certificadores como Mc Donald’s e Global Gap, por exemplo, ou no caso do abate halal, que não é só destinado a países árabes. Hoje, na Inglaterra, seguramente 30% do consumo da carne de frango é para a comunidade muçulmana”, comenta o presidente.

O cliente tem razão!

O diretor de Relações Institucionais da ABPA, Ariel Mendes, cita o fator “adaptação ao que o mercado quer” como determinante para alcançar mercados mais exigentes, como o muçulmano e o japonês. “Um diferencial do Brasil é que temos um mix de produtos diferenciados. Por exemplo, a gente exporta o frango griller, o frango pesado, o peito desossado para a Europa, a coxa e sobrecoxa para o Japão, as asas para a China. Diferente dos Estados Unidos, que basicamente exporta só a coxa e sobrecoxa inteira”, sustenta.

A cooperativa paranaense é exemplo disso. “São cerca de 150 produtos para atender determinados mercados. A gente produz para atender pedido e não para ir para o estoque e depois procurar comprador. Toda nossa produção é elaborada para atender pedidos para contratos de três a seis meses, além de pedidos especiais. A indústria brasileira está preparada para isso, seja para produzir pés, asas, produtos mais nobres ou termoprocessados”, comenta o presidente da Lar.

A adaptação aos mercados foi decisiva para o Brasil atingir os atuais números de exportação. “Há duas ou três décadas o Brasil importava alimentos. Hoje é exportador de todos os alimentos que consome. Na área de carnes, como produzimos muito, somos um dos players que mais produz no mundo, fomos ver o que o mercado queria e nos adaptamos a esses mercados”, aponta. A Lar é a sexta empresa brasileira que mais exportou seus produtos em 2016, de acordo com a ABPA.

A melhor avicultura do mundo

Para o cooperativista, uma soma de fatores impõe a avicultura brasileira o título de melhor do mundo. “Primeiro temos uma matéria-prima extraordinária que está na área de grãos. Nós temos os melhores grãos do mundo, tanto em soja quanto em milho. Quando o Brasil importava, chegava milho de péssima qualidade. À medida que nós temos safras de cem milhões de toneladas e só gastamos 50 milhões para o consumo, temos grãos para fazer uma pecuária boa. Por outro lado, a genética global está presente aqui, temos ambiência, com os melhores aviários e estruturas físicas, as melhores plantas de frango do mundo estão no Brasil”, cita.

Conforme Rodrigues, o Brasil cumpre exigências que nem mesmo quem as cria cumpre. “As exigências que o consumidor tem no mundo nós cumprimos. Quem cria essas normas, que são Europa e Estados Unidos, não as cumprem. Então, na soma dos elos da cadeia, nós temos a melhor avicultura do mundo”, aposta. “Por isso, por exemplo, a Lar chegou a exportar para 67 países. Nesse momento estamos exportando para mais de 30 países. É um ativo muito grande que a cooperativa e o país têm”, comenta.

Mais informações você encontra na edição de Aves de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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